Monsenhor Rowan Williams, arcebispo maior da Comunhão Anglicana, formulou as suas distâncias quanto à Maçonaria. Foi lúcido e claro. Critica a assunção maçónica dos USA como “a melhor esperança do mundo”, (que se estende a todo o modelo liberal de estado) o que evidentemente relativizaria a Igreja de Cristo em favor de uma sacralização do Estado, que – não o disse o Arcebispo, mas lembramo-lo nós - não pode ser sacralizado nestes termos (é tão simplesmente assim) e quanto à sua sacralização noutros termos, em quaisquer termos, convém ser prudente. Mas a veneranda figura recusa igualmente (e bem) a condenação em bloco do estado liberal, tal como o tem pretendido o papismo (execrando em tudo e também nisto), entendendo que a aquisição da liberdade religiosa é referência maior, como inquestionavelmente é. O Arcebispo de Cantuária refere-se aqui, apenas, à posição maçónica propriamente dita e não às fantasias (algumas delas perfeitamente homicidas) que pretendem associar-se-lhe e em muitos e infelizes casos o conseguiram e conseguem. Do nosso ponto de vista, esta crítica também deve ser endereçada à Maçonaria porque as suas estruturas têm (em todas as obediências) aceitado ser abrigo de associações pouco menos e pouco mais que mafiosas, alucinadamente sectárias, que objectivamente conspiram (com níveis variáveis de êxito) contra os direitos e liberdades fundamentais que o Estado Liberal logrou instituir. E isso é (visivelmente) problema de todos, por vontade ou impotência das “potências maçónicas” que o têm objectivamente consentido por falta de solução dos problemas próprios, solução que estritamente lhes incumbia. E incumbe. Sob pena de terem de ser os outros a resolver o que nestes problemas se torna (se tornou já e continua tornando, vezes de mais) problema comum. E resolver coisas dessas não é sequer difícil.
Tuesday, September 13, 2011
TERROR EM TRIPOLI
Valas comuns com corpos de soldados leais ao governo assassinados, detenções arbitrárias de funcionários e populares apontados como leais ao governo feitas por bandos armados de assassinos, conflitos de liderança na invenção otanasca que é o CNT. Estas são as marcas da “libertação” feita pelos bombardeamentos e pela largada dos rufias armados na capital, largada viabilizada por unidades de SAS e Legião Estrangeira Francesa. Entretanto uma unidade do Exército Líbio atacou Ras Lanuf prosseguindo até agora os combates e tendo sido confirmada a eliminação neste teatro operacional de uma dezena e meia de rufias armados pela corja otanasca – número relativamente modesto, mas que pode subir nas próximas horas - enquanto se mantém a forte resistência em Bani Walid, como em Sirte e no restante território da Líbia livre. O ataque a Ras Lanuf parece demonstrar uma (feliz) alteração de táctica do Estado Maior Líbio que assim retoma a iniciativa militar e, no caso de se poder manter, é meio apto a semear a confusão (e a morte, o que não é menos importante, infelizmente) entre a escumalha do ficcionado CNT. Retomar a iniciativa inviabiliza, ainda, com grande eficácia, o cálculo otanasca em cujos termos o património e recursos do país vítima da agressão poderia custear os encargos orçamentais da mesma agressão. Que nenhum repouso e nenhuma certeza sejam concedidas a tal escumalha. Está certíssimo. E coragem não falta, tudo se conjugando, portanto, para que as coisas se passem exactamente assim. Como devem passar-se. Esta foi uma boa notícia. Bendita Telesur que fura, com bravura única, a teia de enganos dos presstitutos.
BOLÍVIA ELEGE PODER JUDICIAL
Na Bolívia corre o processo eleitoral para eleger todos os níveis do aparelho judicial. É de força. É assim. A oposição (nacional-católicos e bárbaros parecidos) apela histericamente ao boicote. Décadas de minutas mal-sãs, decompadrios e “pressupostos” de estupidez infinita, no quadro da prepotênciaimaginadamente vitalícia, correm bem o risco de ter chegado ao fim. Assim seja. Esta gentil gente da América Latina está a sair muito melhor do que as expectativas. Isto sim, é entusiasmante. O Equador está também a discutir a Reforma Judiciária. E muito bem. Não se pode deixar que a vontade popular expressa nas urnas e na Lei seja permanentemente boicotada pela gentalha estúpida da minuta que permanentemente conspira e “interpreta” sempre contra legem por usar, permanentemente, referências incompatíveis com os pressupostos jusfilosóficos do sistema. Imaginavam-se “intocáveis”. E sê-lo-ão. Mas por se terem tornado os novos párias a quem, em breve, será vedado que pisem sequer a sombra de um homem livre. Como tem de ser. (Devem ser privados de direitos políticos, aliás e em bom rigor). Menor ou não - e parece-nos que menor, sim - o poder judiciário a quem incumbe pronunciar as palavras da Lei e não mais, não pode constituir violação ao principio da limitação do poder no tempo, nem saldar-se numa usurpação administrativa de uma titularidade que não pode deixar de ter a dignidade política da legitimação popular directa. Evidentemente.
Monday, September 12, 2011
BOMBAS QUÍMICAS SOBRE BANI WALID
Frustrada a ofensiva terrestre e frustradas as tentativas de cerco à cidade, genocidas da RAF lançaram ataques aéreos visando especifica e generalizadamente a população civil, tendo começado a usar armas químicas, segundo fontes próximas dos nacionalistas líbios. A agência Mathaba publica este testemunho. É inimaginável que a violação do Direito Internacional e da Resolução do Conselho de Segurança chegue a este ponto. A escumalha otanasca está por conta própria, com o freio nos dentes, e não actua em nome de ninguém, nem em qualquer quadro de legalidade possível ou imaginário. Esta gente tem de ser parada. E - senão sumariamente executada - ao menos perpetuamente encarcerada.
Sunday, September 11, 2011
11 DE SETEMBRO
Num dia 11 de Setembro o último "grande cavaleiro da cristandade" que previamente assassinara o General Comandante em Chefe (porque este entendera que a intervenção das FFAA não pode substituir o processo constitucional de destituição) derrubou, com a preciosa intervenção da CIA, o governo de Salvador Allende. E a Allende são devidas as honras que se prestam a quem soube morrer no seu posto. "Último grande cavaleiro da cristandade" foi como chamou o Voijtila, de execranda memória, ao Pinochet. Espera-se realmente que não haja mais fenómenos daqueles. Voitila foi também um grande amigo de Marcial Maciel de quem também disse muitas coisas interessantes. E este "último grande cavaleiro" além de se revelar um assassino de "bas fond", traste a merecer, em tudo, o fuzilamento de joelhos e de costas, era um ladrão banalíssimo. Apodrecido em vida para conhecer ainda os merecidos efeitos da merecida desonra. Tal como o execrando Voijtila (é interesante) aquela criatura envileceu e degradou-se por modo fisicamente repulsivo (para que a ninguém pudessse deixar de causar nojo)... Agora a CIA tem novas razões para lembrar a data de onze de Setembro. Mas não está completamente claro que razões sejam essas. Ainda ninguém percebeu completamente como é que com dois impactos de dois aviões caem três edifícios. E nem a CIA o explica.(Embora, isso reconhecemos, dar-nos explicações não seja tarefa que integre as atribuições da agência).
DE NOVO O VELHO FAUSTO
O olhar de um russo sobre o Fausto de Goethe ganhou o Leão de Oiro de Veneza. Nada mais evidente. Os russos, aliás, aprenderam bastantes coisas, nos últimos vinte anos, sobre a liberdade e a Graça, como aprenderam muitíssimo sobre os erros de proporção que a ambição inspira e sobre as proporções que a prostituição pode revestir. Já quanto ao amor de uma mulher como estrada de redenção nos parece que na Rússia sempre se soube tudo quanto pode saber-se e desde sempre. Ninguém melhor do que um homem de cultura da Rússia para revisitar, hoje, o Fausto de Goethe. Parabéns a Sukurov.
BANI WALID TRAVA ESCUMALHA OTANASCA
Em Bani Walid tenta-se “legitimar” o “exército” rebelde, com o primeiro ataque de molde a dar-lhe a primeira conquista militar. A ideia está a ser um fiasco. Os rufias da NATO – mesmo com apoio das forças terrestres francesas e inglesas presentes ilegalmente no país, não conseguem sequer cercar a cidade, depois de frustradas todas as tentativas de entrar no perímetro urbano. Desfez-se a “tese” de uma centena de lealistas que manteriam a cidade refém. Os rufias da OTAN foram rejeitados em todas as tentativas de contacto com a população (facto reconhecido pelos presstitutos da France 24). E está já demonstrado que os lealistas combaterão rua a rua e casa a casa. Bani Walid pode ser a demonstração de impotência das "forças no terreno" e a demonstração da inviabilidade da ocupação territorial integral como o descrédito da invenção de “forças” do CNT. À medida que se avança para Sul diminuirá a eficácia e a viabilidade do crime de utilização da força aérea sobre civis, destruíndo, como até agora, as cidades e os hospitais, as escolas e as redes e equipamentos de abastecimento à população. Agora o (largamente intacto?) Exército Líbio pode desgastar a escumalha até à exasperação da opinião pública europeia e americana. Il cavalieri já veio dizer que a posição dele, tudo ponderado, é igualzinha à de Pilatos. Não foi ele quem tomou as decisões e nada podia fazer diante das decisões tomadas por outros. Sirte continua a resistir. Como Sheba e todas as demais cidades. Deus as socorra.
ONZE DE SETEMBRO: ESTADOS FALIDOS DA AMÉRICA
Passam dez anos desde que um atrasado mental arrastou os maiores exércitos do mundo para atoleiros de onde não se libertarão tão cedo, condenando as finanças americanas a cinco décadas de penúria (problema mais deles que nosso). Mesmo assim, uma embriaguês varre ainda os agentes de tal lógica. O sarcoma húngaro do Eliseu ameaça a Argélia e o Irão. Outro imbecil. E ninguém duvidará que da imbecilidade que lhe emplastra o cérebro, hão-de sair aspirações de glória a significar, também elas, o que significam universalmente as aspirações dos idiotas. Dez anos de psicose Ossama justificaram todas as grosserias e todos os crimes.E à beira da insolvência financeira, a indigência intelectual mais absoluta - na condução dos estados falidos da América e Europa - ainda quer fabricar mais inimigos. Resta ver o que lhes dirão os eleitorados. E os levantamentos internos.O que eles fazem, é o que farão. Eis aqui uma perspectiva da curiosa "guerra humanitária" da Líbia, narrada por uma jornalista inglesa independente em trabalho para a Press TV em Tripoli. Esperamos que gostem. Se isto continua assim ainda acabamos todos como voluntários nas fileiras do Exército Líbio, ou atenta a promessa de Sarkozy, no Exército Argelino ou Iraniano.É preciso parar estes cretinos. Definitivamente.
Saturday, September 10, 2011
BAPTISTA BASTOS E O HERESIARCA PAPISTA
Num jornal de negócios, Baptista Bastos vem enumerar a longa fantasia de um "papismo de oposição", de "esquerda", um papismo humanista, inteligente, atento e culto. Falou dos "católicos progressistas", até. E gosta de Manuel Clemente. Interessante que as estruturas do papismo continuem a reproduzir este velho número com o êxito de sempre. Os públicos são distraídos. Vamos ser claros. Onde Tortolo é verdade, Manuel Clemente é mentira.Onde Escrivá existe, não há personalismo que resista. Onde se canoniza Stepinac, tanto dá que tenha havido um Daniélou como não. (Daniélou há-de relevar na Academia, certamente, mas não no juízo político a produzir sobre a execranda estrutura papista). O papismo é uma hidra. E uma das características dele é que tem sempre a reprodução "interna" do que ocorre fora dele. Mimetizam todas as igrejas orientais e todos os protestantismos. Também mimetizam - desde que convenha - movimentos políticos, posições políticas e atitudes intelectuais. Mas a verdade verdadinha, é o que o execrando Ratzinger foi vomitar a Madrid: aos olhos deles são eles quem deve decidir o que é verdade ou mentira, o que é justo ou injusto, o que é ou não liberdade admissível, ou liberdade excessiva. A realidade da igreja da pederastia não é Manuel Clemente. Manuel Clemente foi um figurante de presença agradável. E é hoje uma personagem com mais utilidades, como o demonstra a emoção de Baptista Bastos. Mas não o olhamos como nada de preservável ou de respeitável. Manuel Martins também nada significou de marcante, objectivamente falando, foi apenas um modo de explorar, em favor da direita, uma insuficiência da política de direita do governo de Mário Soares sob o bloco central. A igreja da pederastia e de Ratzinger é o que é. E será sempre o que é. Nada na igreja da pederastia pode ser mais respeitável do que a igreja da pederastia. Embora uma vez por outra se possa fazer de conta que sim. Sobretudo num jornal de negócios.
Friday, September 9, 2011
INTERESSANTE
A França lançou um imposto sobre as laranjadas e a Coca Cola levou a mal. Quer retaliar. Diz que não pode ser. E lá apareceu uma parlamentar a sublinhar que a Coca Cola não tem competência para determinar a política de saúde pública (desencorajar pelo preço o consumo do açúcar) ou para se pronunciar ("soberanamente") sobre a política fiscal francesa. A observação não está mal feita. Ocorre porém que qualquer macro merceeiro, nos tempos que correm, se sente no direito de imaginar que o Estado deve servir-lhe os interesses próprios. E até obedecer-lhe. Porque será?
NEM À TERCEIRA
Com descontraída solenidade, Obama anunciou o "choque eléctrico" de mais de quatrocentos mil milhões de dólares como estímulo ao relançamento da economia americana, sustentado na taxação (assentida) das grandes fortunas. "Os mercados" (hoje de manhã) reagiram como os republicanos. Não aplaudiram.
POLÍCIA BRASILEIRA
A Polícia Brasileira acordou, enfim. Diz que Duarte Lima esteve onde dizia não ter estado e que no carro, afinal usado por ele na fatídica data, havia vestígios de pólvora por disparo de arma de fogo. E desapareceu um tapete do carro, que, de resto, foi lavado antes de ser devolvido ao locador. A isto se chama fortes indícios. Não há dúvida. Era melhor prender a criatura, não vá dar-se o caso de morrer mais alguém, ou ele próprio (lá por via das forças tenebrosas com que andou visivelmente metido – senão como é que notava a respectiva existência? - e agora diz que o estão a perseguir, como eventualmente estarão e permita Deus que sim). É tempo deste tenebroso caso encetar a via da sua solução. E não parece em bom rigor que a questão sucessória de Tomé Feteira esteja encerrada com a morte da companheira (e secretária). A união de facto tem aqui direitos no plano sucessório. E o Estado é o sucessor dos que não têm sucessor (parecendo ser esse o caso da companheira assassinada de Feteira).
Thursday, September 8, 2011
ALOCUÇÃO DE KADAFY
O Guia da Revolução voltou hoje a dirigir-se aos Líbios. Convém não esquecer que a maior parte do território e algumas zonas do litoral continuam sob controlo do Exército Líbio, muito embora a propaganda dos pretensos jornalistas de guerra pretenda fazer esquecer essa realidade. Aqui fica a referência.
GRÉCIA SOB ASSÉDIO DA USURA
A inépcia impotente está a consentir no plano internacional o que em todos os estados da União Europeia seria tratado como crime de usura. Tudo se passa como se "os mercados" pudessem funcionar em claro delito, apto a fazer perigar imediatamente a subsistência de um povo inteiro, de um estado soberano e de um projecto político inter-estatal... Sessenta e quatro por cento de juros conduziria à condenação criminal qualquer idiota que a tanto se atrevesse dentro das fronteiras de qualquer estado. É preciso acordar, meninos. É preciso acordar.
ENTREVISTA DO SANTO BISPO NESTOR
O Santo Bispo Nestor da Diocese Russa da Europa Ocidental (Patriarcado de Moscovo) acedeu a uma entrevista ondeexpõe as circunstâncias actuais da Ortodoxia Russa a Ocidente, na perspectivado Patriarcado de Moscovo. Nas intervenções de imprensa vindas de quem tem responsabilidades no plano da diplomacia eclesiástica, reconhecemos em regra quanto protegem naquilo que se diz e em quanto se omite. Foi o caso. As relações da Santa Igreja Russa com o papismo não são as mesmas em todos os países da Europa Ocidental, deixou expresso o Santo Hierarca. Mas são globalmente menos más do que se esperaria… Vladika Nestor tem o especial cuidado de nada hostilizar, nada reivindicar e (quase) tudo agradecer. Deixa todavia expresso um propósito que o põe em choque directo e frontal com o papismo deste território: a construção de igrejas para as suas comunidades. Aqui, se as coisas pudessem manter-se como se têm mantido, os resultados desse propósito seriam nulos. As comunidades ortodoxas são mantidas na mais estrita dependência dos heresiarcas papistas do lugar, que incessantemente intrigam para obterem a inviabilidade (até agora mantida) da construção de Igrejas Ortodoxas seja de que comunidade for. E alojam as comunidades locais em pequenos templos (todos repulsivamente feios e abarrotando na imagética doentia a que chamam “arte sacra”) onde seja evidente que os fiéis ortodoxos não caibam. A cada Páscoa, ou Natal, lá tem de se lhes voltar a pedir o imenso favor de encontrar um sítio onde os russos e os romenos – no mínimo estes - possam caber). O papismo evita cuidadosamente a imagem de grandes igrejas ortodoxas cheias, com as grandes igrejas do papismo completamente vazias. E se convida permanentemente os sacerdotes ortodoxos a fazerem de figurantes nas coisas papistas, é para dizerem ao laicado deles que “é tudo a mesma coisa” assim evitando curiosidades mais acentuadas. Por outro lado, não desdenham a parasitagem do laicado ortodoxo que atraem (através dos mecanismos assistenciais aos migrantes) a celebrações greco-católicas enganosa e convenientemente chamadas “ortodoxas”, para os fotografarem e mandarem as fotografias de propaganda para a Europa Oriental. É difícil maior sordidez. Ou mais descarada instrumentalização. O Santo Bispo não o disse. Isso entendemos. Mas dizemo-lo nós, que também entendemos o significado dos silêncios da Santa Hierarquia. Outra questão é a do laicismo e a da laicização. A Ortodoxia suportou o impacto brutal da aversão profundíssima (e justificadíssima) da opinião política ocidental ao papismo. Suportou-o por influência do pensamento ocidental nas correntes revolucionárias da Europa Oriental. Essa influência foi mal pensada pelos revolucionários russos, romenos, sérvios, búlgaros, albaneses, ucranianos, georgianos, gregos, até. Mal pensada, porque não há paralelo possível entre o papel odioso do papismo a Ocidente (e que o Ocidente rejeita e abandona por mil modos) e o papel da Ortodoxia onde quer que seja. Hoje, tendo o papismo mais retrógrado imaginado que soou a hora de atacar as liberdades e direitos fundamentais (designadamente os da liberdade de pensamento, de consciência, de ensino, de aprendizagem, de publicação, de criação e expressão, de associação e de intervenção política) suportará – em clara dispersão de recursos e forças – o recrudescimento das justificadas aversões que, em nome dos princípios de Ordem Pública, acabarão (é quanto recomendamos) por declarar o papismo incompatível com a Ordem Jurídica das sociedades ocidentais (e orientais). A Igreja dos franquistas, salazaristas e petainistas, a igreja de Stepinac, Pavelic e Kotsilovski, a igreja de Escrivá, Marcincus e Marcial Maciel e Tortolo (o papismo é substancialmente isso com um pouco mais – mas muito pouco - de outras coisas) jamais será coisa diversa do que é. E isso não é suportável nem pelas pessoas normais, nem pela tutela jurídica dos direitos das pessoas normais. A diplomacia eclesiástica da Ortodoxia tem de integrar esta problemática na reflexão sobre a sua intervenção pública, tanto a Ocidente como a Oriente. Se não o fizer sobrecarrega o laicado que quer proteger, porque passa para o laicado as tarefas das demarcações necessárias. Isso não assustará nenhum leigo. (Sempre houve opinião pública teológica nas Igrejas de Cristo e sempre houve intervenção teológica laical, em polémica ou em proclamação). Essas tarefas podem ser desempenhadas pelo laicado, claro que sim. Mas (ao menos daqui) pareceria boa ideia que os Santos Hierarcas conversassem, entre si, um pouco mais sobre tal tema.
SACERDOTE RUSSO CANDIDATO ÀS PRESIDENCIAIS
Os Santos Hierarcas Russos têm esta característica (bem humorada) de nos porem o sistema nervoso à prova a todo o tempo. Diz o Santo Cânone que isso de se ser actor e sacerdote não é permitido. Depois vem a decisão por economia porque nada há de definitivo em nada, já que a letra mata e o Espírito vivifica. Pronto. A Santa Hierarquia examinou o pedido de um apresentador da televisão de grande (e merecido) sucesso. (Também é actor e realizador). Sentia-se chamado. E pedia o Sacramento da Ordem. A Santa Hierarquia concluiu que devia ordená-lo. E agora o padre Okhlobystine vai candidatar-se à Presidência da República lá por via de uns debates que entende deverem ser travados nessa sede. Ora a Santa Hierarquia… Concedeu. Para ver se entendíamos, estivemos a rever tudo e – ponderado o facto de não haver alinhamento partidário, directo ou indirecto, do padre Okhlobystine – nada há, realmente, que deva obstar à partida. A não ser o risco. Mas o risco, tudo ponderado, começa por ser problema do padre Okhlobystine. A Santa Hierarquia concedeu, in casu, o exercício da liberdade pessoal também neste campo. Os problemas que daí advierem, se existirem, serão ponderados quando aparecerem. Não antes. E na dúvida, decide-se a favor da liberdade, evidentemente. Nem sequer há dúvida, em todo o caso. Mesmo que não seja impossível resolver problemas que não há, será em todo o caso inútil o correspondente esforço. A Santa Hierarquia Russa continua a afirmar-se como a mais liberal de que há memória. E também isso faz sentido. A intransigência é para as questões de princípio. A flexibilidade para a matéria de opinião. E não convém confundir os dois domínios. Quanto aos sistemas nervosos dos demais, os demais que tratem do que lhes cabe. E peçam ajuda se lhes parecer difícil. Mas, sim, é cada arrepio que é impossível não abanar. Contudo, a gente abana e depois estabiliza.
Wednesday, September 7, 2011
SANTANA LOPES ACHA POUCO
Acha pouco.Ainda bem que o disse. (E disse-o perfeitamente a tempo). Disse-o ontem. Esperava mais da reacção popular. Minimizou os indignados em Espanha. Os motins de Londres. O sobressalto (por ora) contido em Paris. O quase nada em Lisboa. "Esperava mais", disse o Lopes da TVI abaixo. Há coisas que não se dizem, porque as Erynias Negras existem. E ouviram-no, pela certa. Mas ficámos assim a saber que para as direcções políticas instrumentais dos banksters, para as "maçonarias de direita", para a corja papista, (mesmo para os presstitutos, porventura) se não lhes reduzirem as existências a cinzas (que é no fundo a punição que esperam), dirão de tudo o que ocorra que "isto não é nada". Ora (fixem bem) é condição elementar de Justiça a coincidência, na identidade de juízo, da consciência que julga com a consciência julgada. Se "isto não é nada", importa dar-lhes o que para eles seja "alguma coisa". E eventualmente, mesmo, o inteiro "mais" que esperavam e esperam. Convém pois não esquecer o que esperam, como medida do que há-de ser-lhes dado. E, sim, por imperativo de Justiça. Assim Deus o queira.
AISHA KADAFY
Na mensagem que endereçou aos Líbios, Aisha Kadafy imputa aos cães otanascas a morte do filho e a do marido. Pensa-se, portanto, que a criança de que estava grávida terá nascido para os céus. Temos a certeza que o canalha magiar no Eliseu - eleito com o financiamento de campanha por Kadafy, para cúmulo - conhecerá em breves derrotas marcantes. E os vindouros rirão ou vomitarão diante da memória de tão grotesca personagem e do arzinho gingão e mal polido com que atravessou a vida pública francesa, para mal da França. Mas será justo que este bastardito de Horthy pratique e mande praticar crimes com esta amplitude sem conhecer ele próprio o peso e o preço da dor, seja na execranda vida própria, seja, até, na asquerosa progenitura que em tudo se lhe assemelha? Não acreditamos em tais imunidades. Essas coisas são possíveis em algum tempo e durante algum tempo, mas não em todos os tempos.
GUERRA DA LÍBIA
O "Conselho Nacional de Transição", essa frustre invenção otanasca, não se arrisca a ir para Tripoli e, depois de dizer mil vezes que se mudaria para a capital, vem agora rever a posição. Irá quando as coisas estiverem pacificadas. Portanto, não estão pacificadas. São ratos, realmente. Há neles uma nítida fibra de serventuários do ocupante. Vulgaríssimo sopeirame, está mais que visto. E aflitivamente doméstico. Já o ocupante militarmente evanescente, sempre a fugir aos incómodos da ocupação efectiva, também não parece ter logrado grandes resultados. Entrado o sétimo mês de campanha, com dezenas de milhares de operações aéreas que tudo pulverizaram, não dominam ainda completamente o litoral e nada têm no interior - a superfície territorial da Líbia tem o dobro do tamanho da Península Ibérica - e os caças, a partir do Mediterrâneo, dificilmente chegarão (armados) à fronteira com o Chade (a menos que seja para ficarem lá, porque não teriam autonomia para regressar). Cantaram vitória com a tomada do que elegeram como simbolo ou troféu (as ruínas da residência de Kadafy em Tripoli). E não querem combater no interior. Os serventuários da OTAN eternizam agora negociações "com as tribos" (quais tribos?) e prorrogam prazos de rendição (para não combaterem, porque nunca combateram) e não mostraram ainda um único general do Exército Líbio que se tenha rendido, ou tenha caído prisioneiro. As instalações da indústria petrolífera permanecerão inoperacionais por muito tempo e a cobardia otanasca concebe a ideia de delegar a ocupação territorial às tropas das monarquias do Golfo... Há-de ser certamente um bom exercício para elas. (Os comandantes conseguem viver sem ar condicionado? vão levar as trezentas cocumbinas para a frente de combate? Já começaram a fazer dieta?)... Também ponderam a intervenção ocupante da Turquia, mas os resultados de uma tal ideia - Deus seja louvado! - poderiam ser completamente imprevistos. (Sempre a improvisar, como bem se vê, eles não fazem a menor ideia do que fazer). Contudo, as facções do "CNT" não aguentam o impasse durante muito mais tempo sem agravamento radical das tensões entre si. Na maior parte daquelas animalescas ventas não cabe uma centelha de inteligência, mesmo animal, e a guerra que "combateram" não tem sido propriamente combatida por eles (basicamente e até agora, dispararam umas armas nos intervalos de bombardeamentos aéreos, contra alvos invisíveis ou inexistentes, para os presstitutos conseguirem filmá-los. E enquanto esperam sem saber exactamente o quê, dedicam-se a assassinar negros - a Líbia tinha um milhão de migrantes africanos - mimetizando a conduta de "polícia". Os reconhecimentos internacionais continuam restringidos aos estados vassalos da suzerania otanasca, com uma excepção. A China não reconhece. E se a Rússia ousou comprometer-se com um reconhecimento arrancado a ferros (sob pena de perda do investimento feito) é porque aguarda o momento para responder adequadamente ao constrangimento sofrido... (Os banksters estão bem instalados na Rússia, mas os russos ainda não deixaram de ter Estado, cujos dirigentes ainda raciocinam como homens de Estado e como chefes de exércitos). Entretanto, Aisha Kadafy (Tenente General do Exército Líbio com doutoramento em Direito Internacional) dirigiu uma mensagem aos Líbios e ao mundo. Nessa mensagem volta a não desiludir. Deus a proteja, que todos os outros farão - de certeza - tudo o que puderem para a proteger. Entende que é filha de um herói. (Também nós pensamos exactamente isso). E a única forma de responder ao horror é exactamente esta. Nada ceder. Em nada. Linda menina. E formidável pai.
Tuesday, September 6, 2011
ISTO AGUENTARÁ MAIS UM ANO?
As portentosas forças depressivas continuam a sua lenta mas devastadora marcha. O erro estratégico fundamental de sedear na Ásia boa parte da produção das marcas ocidentais traduz-se numa esmagadora presença das exportações chinesas, que se juntam à infinita capacidade de gerir a produção própria a preços menos que baixos. O desemprego gera um desequilíbrio que barra quaisquer salários altos a quaisquer quadros dando ao patronato uma força no mercado de trabalho completamente desproporcionada com a sua capacidade de escoar os seus produtos no mercado global. A incapacidade (técnico-júridica) de regular o que deve ser regulado, seja no plano da União Europeia, seja nos planos nacionais, a incapacidade (jurídico-política) de gerir as relações institucionais na União Europeia e a inépcia (filosófico-política) revelada na perda de quaisquer noções de proporção e hierarquização de objectivos, não caracterizam uma crise mas um declínio confirmado. Saldam-se numa histeria, de resto razoavelmente assassina, que não hesita sequer perante novas guerras coloniais onde tudo instrumentaliza e tudo compromete – desde a liberdade e credibilidade da imprensa, até às magistraturas da Justiça Internacional, com o comprometimento político radical dos Direitos Fundamentais – ao mesmo tempo que semeia inquietações de alcance estratégico devastador: a Venezuela pediu créditos para se armar, já que a sua posição face à América é equivalente à posição da Líbia face à Europa e o quadro da legalidade internacional está objectivamente anulado. Os partidos e movimentos conservadores, compreendendo os de esquerda centrista, são incapazes de reconhecer como eficazes as suas próprias lideranças e dirigem-lhes críticas que correspondem globalmente, às que lhes são dirigidas pelos sectores mais atentos da população. Na Europa Ocidental sobra muito pouco do que definia a Europa. Da vitalidade intelectual e das liberdades que essa vitalidade exigia e sustentava, não sobra sequer memória nas direcções políticas onde só há palermas promovidos nas intrigas de corredor e que não falam senão em si próprios e não pensam senão em si próprios, quando importa pensar e falar do mundo. Em todas as terras a convulsão social está a ser difícil de conter e a policialização da vida política, bem como a criminalização dos movimentos sociais progridem a olhos vistos. Eixos vitais do equilíbrio político militar são quebrados por arrufos de cretinos, como ocorreu com os abusos israelitas face à Turquia e que a Turquia - recordando o seu papel na História, a sua dignidade de Estado e os seus deveres para com as populações onde subsiste a memória viva da sua tradição - pune exemplarmente numa objectiva ruptura diplomática que pode ter efeitos devastadores, mesmo nos equilíbrios da OTAN (e oxalá os tenha). Isto não é já uma crise. É um desfecho. Dizer que não é possível viver a não ser nisto e por isto, não é verdade (é tão simplesmente falso). O que não é possível é viver nisto. Por isto. Nada aqui parece poder aguentar mais um ano. O Outono anuncia-se devastadoramente escaldante. E o Inverno arrasante. Na primavera outras plantas estarão a despontar ao sol de todos os desapontamentos. Algumas devem proteger-se a todo o custo e outras devem extirpar-se tão prematuramente quanto possível. É preciso pensar os novos tempos com o Direito de todos os tempos. E julgar os tempos que se vão nesses mesmos termos. Os cretinos virão ainda falar em “coesão nacional”, “unidade nacional”, porventura mesmo em “união nacional”. E alguém vai meter-lhes isso em sítios onde isso lhes caiba melhor. (Isso, de certeza).
Monday, September 5, 2011
DERROTA ELEITORAL DE MERKEL
Comunistas com 18,4 % e SPD acima dos 35%, coroam a derrota de Merkel nas eleições de Domingo. É um mistério que o SPD ainda consiga alguma
credibilidade, assim como é um mistério que os “democratas cristãos” sobrevivam
à presença de Merkel. Mas com mistérios ou sem mistérios, estes são os números
e podem ser um indicativo importante para a compreensão da Europa Oriental, do
peso das infinitas decepções que tem sido imposto aos respectivos povos a quem
se prometeu – não foi? - que iam ser ricos e livres e a quem se oferece a perda
de qualidade do sistema educativo como preliminar da indigência respectiva,
outro tanto ocorrendo na saúde, sem nenhum progresso visível na habitação, com
retrocessos infelizmente evidentes no direito à constituição de família e ao
trabalho. É estranho que os comunistas só tenham esta escassa percentagem na
Alemanha. 18,4% dá para assustar. Mas esperar-se-ia uma percentagem à
medida do escândalo e do insulto à confiança ingénua de quem
acreditou nas promessas de prosperidade e abdicou do que tinha a troco de nada.
E nada é a notação a atribuir ao projecto político frustrado. Nada é o que vale
o correspondente futuro.
Thursday, September 1, 2011
MERKEL EM FIM DE VIDA POLÍTICA
A desgraça da política externa alemã, a subalternização consentida relativamente ao "amigo americano" - que vai de Paris a Varsóvia, passando por cima das cabeças dos alemães - o papel de espectadora passiva diante da primavera árabe, a subalternidade assumida na crise financeira - onde se deixa guiar pelas agências de notação e pela pressão dos grupos financeiros - a ausência de qualquer ideia útil em quanto respeita ao projecto europeu denotando uma radical incapacidade de discernir a importância relativa das coisas, eis o diagnóstico de Helmut Kohl relativamente à "rapariguinha" (como ele gostava de lhe chamar em tempos).E está tudo dito.
IGREJA ASSALTADA EM TRIPOLI
A gentalha não perdeu tempo. Profanaram a Igreja de S. Jorge, roubaram as relíquias e as alfaias litúrgicas e exigem ao Santo Metropolita que pague para as ter de volta. São os gregos quem dá esta notícia. É notícia esperada. Era ocorrência evidente, mesmo antes de acontecer. Mas a sua confirmação não deixa de ser uma péssima notícia. Péssima, realmente.
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