Saturday, August 16, 2008
UMA DIVISÃO CONTRA UM EXÉRCITO
UCRÂNIA E MAR NEGRO: MAIS LIXO
Sunday, August 10, 2008
Geórgia e "Imprensa Portuguesa"
descristianizado, poderia desencadear tal coisa na Festa da Transfiguração. O Santo Patriarca Elias II fez celebrar em todos os altares um ofício pela Paz e o Santo Patriarca Alexei II reafirmou a unidade de Espírito com a Igreja da Geórgia (ambos na foto). Uma menção devida à “imprensa portuguesa” que fez só hoje as primeiras publicações sobre os confrontos. Uma semana de atraso, quanto aos factos. A fatigante cretinice e o alinhamento de sempre quanto à linguagem e às opiniões escusadas. “Guerra entre a Rússia e a Geórgia”, por exemplo, no DN. Na RTP-n, apareceu uma criatura comentadeira (morfologicamente e em primeira análise, um cro-magnon) chamando a Stalin "o grande pai da Revolução Russa". Enfim, perspectivas. A conduta da Imprensa Brasileira é – mais uma vez - muito diversa. E o El Pais afirma-se, de novo, o natural jornal peninsular para portugueses. Wednesday, August 6, 2008
O PRÍNCIPE DOS CABOTINOS
“Somos portugueses”. Site monárquico, segundo diz. Alguém devia proibir à estupidez a estúpida reivindicação de uma pátria. A única pátria da estupidez é o inferno. A estupidez também não pode reivindicar-se de nenhuma ideia. O “somos portugueses” pretendia ser um “tanque”. E é um balde. De ideias, pretendia. E apresenta uma mistela parda de comicidades ficcionais e banalidades. Tem o D. Duarte. Evidentemente. “Duque de Bragança”, como se apresenta, apesar do título parecer extinto, como parece. Aquele site, aliás, é dedicado ao culto da personalidade que não há. E, forte da sua radical irrelevância, D. Duarte decidiu censurar o Comité Nobel. Acha que Saramago não devia ter tido “um prémio literário” (está a referir-se ao Nobel). Não desqualifica apenas o laureado, a quem chama "senil". Desqualifica o prémio. O príncipe dos cabotinos entende, portanto, reagir ao único Nobel da Língua Portuguesa pelo protesto, aliás retardado, como tudo o que faz. Tudo o que é. Tudo o que diz. Se em tal amorfismo houvesse algum nervo, dir-se-ia enervá-lo que Saramago diga inevitável a integração de Portugal em Espanha. Não quer que Portugal seja “uma província espanhola”. Efectivamente não o será. Portugal fragmenta-se regionalmente, de acordo com a dinâmica social e económica. Os agricultores espanhóis estão a proceder à integração do Alentejo no tecido económico espanhol, porque os “tugas”, privados da possibilidade de explorar a mão-de-obra em regime esclavagista e em extensões de terra inverosímeis, deixaram de saber o que fazer com a terra. A Beira acabará por seguir o caminho do Alentejo. O Minho e Trás-os-Montes estão a integrar-se no tecido económico e social da Galiza, com alguns sobressaltos, mas a coisa vai. O Algarve é um tanto rasca e perigoso – não há rasquice sem perigo - mas acabará talvez por funcionar como “segunda linha” da Andaluzia balnear. As Universidades Espanholas educam os portugueses que aqui não encontram satisfação intelectual possível. E são muitos. O Corte Inglês trata, a preços aceitáveis, dos fornecimentos necessários à vida quotidiana da classe média urbana em Lisboa, sendo o centro comercial mais frequentado nesta faixa. Os bancos espanhóis asseguram o tratamento urbano e prudente de uma clientela portuguesa fiel, sem os escândalos e os crimes da “banca portuguesa”, (o “tuga-banqueiro” é uma caricatura, também). E o único Nobel da Língua Portuguesa prefere viver em Espanha, onde pelo menos um cabotino como o Sousa Lara, arguido criminal do escândalo da Universidade Moderna, não poderia nunca censurar-lhe os escritos. Espanha, com amável naturalidade, trata Saramago como um dos seus. Tanto basta para que alguma gentalha se ponha a escarrar contra o vento na esperança de atingir o Nobel. Criaturas cuja inépcia as impede de preservar como seu o que quer que seja. Sem gente sua, portanto. Nem terra sua. Nem obra possível. Nem identidade que não radique no mundo dos delírios. Nem futuro. Nem presente. Fazem das ficções (e das mais aberrantes) o terreno das suas negras compensações. Coisa descrita nos tratados e manuais de psicopatologia. São portugueses, sim, neste sentido. O país inteiro é governado nesta antilogia que ilegítima a invocação de todas as denominações políticas ou ideológicas. Monárquico que olhe para aquele site, há-de sentir, irresistível, o apelo da República. Português que olhe para este território, mais atentamente, quer fugir para Espanha. Saramago responde a isto como o fez a Defesa de Aquilino contra o canalhal que latia à Obra "Quando os lobos uivam". Quando já ninguém se lembrar disto, ele ainda continuará a representar "este país". Talvez. Mas o problema é que tais criaturas dizem que "este país"se consubstancia nelas. E ninguém devia correr o risco de representar tal fenómeno. À luz da experiência comum, a malta vê-se grega, aqui. Contra Ordem, como se sabe, é um Blog grego. E clandestino. Em homenagem às pulsões liberticidas destas grotescas criaturas que se afirmam ser "este país" - todas equivalentes, senão iguais, entre si, mas nenhuma igual a alguém que se conheça - e de quem não se sabe, sequer, se ao menos puderam amá-los as senhoras que trouxeram tais fenómenos à luz.
Monday, August 4, 2008
TRIUNFO DA ORTODOXIA

PAPISMO EM PORTUGAL
Manuel Clemente é o mais universitário dos bispos papistas portugueses e o único que aparenta ser um homem normal. (Gente capaz de vida intelectual é sempre outra coisa). Fez um ponto da situação do papismo em Portugal a suscitar todas as esperanças. Aquilo só tem à volta de três mil padres e continua a diminuir. Por cada dois que partem ao encontro de Voitila, aquele antro apenas consegue fabricar um. Manuel Clemente alerta as suas estruturas (chamemos-lhes provisoriamente assim) para o facto de ser necessário relançar o proselitismo papista, em terra até agora dada por conquistada. Não bastam já a intriga e a violência (que não recuava sequer diante do homicídio). Não basta já a perseguição confessional, própria ou delegada. É preciso fazer alguma coisa decente. Não chega engendrar as pestes com o senhor da noite e sentar-se nos degraus do trono de Júpiter. Manuel Clemente sonha portanto a transformação da coisa. Mas as coisas são o que são. E serão o que tiverem de ser. De útil, Manuel Clemente deixou-nos isto: aquela coisa (parda e viscosa) tem menos gente que a Direcção Geral dos Serviços Prisionais (outra coisa parda e viscosa). E continua a reduzir, assim Deus Clemente e Misericordioso o consinta. Todas as heresias terminam como seitas irrelevantes. Contra Ordem sabe que a igreja papista será proximamente processada pela cumplicidade na ostentação (politica, claro) da marginalização religiosa de advogados (a Ordem dos Advogados tem-na por igreja oficial, especialmente ostentada nos bastonatos de Júdice e Alves) e ainda pela ostentação dos desvios de mecanismos do Estado (a Igreja papista é a única entidade que, em Portugal, faz desfiles militares, com todos os ramos das FFAA a que se juntam as forças de segurança – embora o serviço de fronteiras e a ASAE, a polícia económica, sejam, nesse folklore, ignorados pela jerarquia). O projectado processo promete alguma graça. Em resposta a Manuel Clemente, dizemos que os fundamentos do papismo e o seu programa político tal como definido na Libertas Praestantissimum são incompatíveis com os pressupostos do sistema político e com os fundamentos de Ordem Pública. (A demonstração em interpelação judicial segue dentro de momentos).
Sunday, August 3, 2008
Nada de novo: a estupidez nos seus postos
William Montgomery antigo embaixador dos USA na Croácia e em Belgrado, veio dizer que a versão das promessas de Holbrooke a Karadzic o fazia rir. Está bem. Mas Holbrooke que é felizmente um atrasado mental reconheceu já ter negociado com Karadzic a sua retirada dos cargos na Republica Srbska. Muito bem. E a troco de quê, então? Se negociou a retirada, que deu ele em troca?... Mais interessante é o facto deste oligofrénico ter acrescentado que Karadzic merece a pena de morte. É uma opinião interessante, por acaso coincidente com quanto diz Karadzic. Nós não vamos dizer o que Holbroke merece. Tadic, entretanto, passou ao ataque. Se Karadzic esteve protegido pelos americanos (ou por alguns deles) a culpa não pode ser da Sérvia. Não é um argumento bonito, porque uma tal discussão é discussão de poltrões. Mas como há uns mais poltrões que outros, esta ideia tem a sua graça. Em todo o caso e no dia 2 de Agosto, foi divulgada em Lisboa uma entrevista televisiva (ao programa Sociedade das Nações) do Ministro dos Negócios Estrangeiros português. E este reconheceu que, antes das eleições presidenciais na Sérvia, o Conselho da UE aprovou as condições para a celebração do acordo (para “ajudar”) favorecendo Tadic. E antes das parlamentares aprovou o acordo de associação (embora suspenso) também para ajudar Tadic. Uma intrusão absoluta, portanto. Por outro lado o MNE português reconheceu como provável que os USA desencadeiem uma operação militar contra o Irão antes do fim do mandato de Bush… Se essa probabilidade se verificar, tudo isto é inútil. Primeiro, porque os vectores euro asiáticos determinantes se aglutinarão imediatamente em apoio do Irão (Rússia, China, Índia, não falando já da Ásia Central). Isso terá repercussões imprevisíveis nos estados da Aliança Bolivariana, como em toda a América Latina. Acrescendo a completa desorganização do quadro de relações com África e a explosão do Médio Oriente. Sem poder esquecer-se a reacção imprevisível das opiniões públicas nos USA e nas Europas. (Dificilmente se conceberia mais disparatada ideia). Depois, porque o Irão vence qualquer afrontamento militar que lhe seja imposto no seu território, contra qualquer exército, mesmo sofrendo o emprego de armas nucleares. E imporá retaliações duríssimas durante o confronto, com preços de vitória tanto mais violentos, quanto maior for a violência empregue contra ele. Por último, porque a UE desapareceria numa crise sem salvação (devendo designadamente pagar o gás e o petróleo dez vezes mais caros - se encontrar quem lhos venda – e, isso, se não viesse a ser alvo de respostas militares a semear-lhe os territórios de escombros e cadáveres)… Pensar em tal coisa é francamente mau. Mas vir um MNE europeu dizê-la, seria impensável salvo tratando-se de um imbecil. Porque dizer tal coisa é - objectivamente - colocá-la como problema em agenda. Um problema de legítima defesa de dois terços do mundo. (Foi o que o MNE português veio fazer, com uma tranquilidade de atrasado mental). Postas as coisas nestes termos, é bem possível que depois da antevisível tempestade, reúna um tribunal internacional para julgar os do tribunal ad hoc, entre muitos outros. Nada nos Balcãs é definitivo. Nada é definitivo, em nenhum quadrante geográfico. Mas pode confiar-se na estupidez como a grande constante conjuntural, se acaso isso for um consolo. Voltando a Karadzic, a imprensa europeia começa a acordar. Os franceses, por exemplo, demoraram bastante a fazer o que os brasileiros do Globo fizeram imediatamente. Uma nota: se a imprensa da América Latina reage mais depressa do que a Europeia, a opinião pública de lá também anda mais depressa. Vamos continuar a olhar. Com paciência.
Friday, August 1, 2008
CRIMES DE GUERRA

Os sicários do “tribunal” da OTAN declararam abertos os jogos. Um idiota, larga-se de um jornal abaixo, falando em TPI (!) outros falam do “Tribunal de Haia”… Não se trata nem de um, nem de outro. Nenhum tratado subjaz a tal coisa que é por isso um “simples”(?) “tribunal ad hoc”. Sendo certo que o Conselho de Segurança não tem competências para instituir tribunais. Resulta este vómito de uma dominação política circunstancial do Conselho de Segurança pelos USA, posta ao serviço da sua “nova doutrina” em política externa, nem mais nem menos que a velha tese da soberania limitada dos outros. E (por consequência) trata-se do “tribunal” que “absolveu” Ramush Haradinaj, “primeiro-ministro do Kosovo” cujo processo contou com a morte inusitada e não investigada das principais testemunhas antes da audiência (mortos sob custódia da OTAN, claro, como o inteiro território do Kosovo). É o “tribunal” que libertou Naser Oric que, a partir de Srebrenica, onde comandava a milícia dos “muçulmanos bósnios”, lançava razias contra os civis das povoações sérvias circunvizinhas, sob a execranda cobertura das "forças internacionais", tendo isto durado até que Mladic decidiu pôr e pôs, em boa hora, cobro àquilo. Depois de retiradas as forças – bem disciplinadas - de Mladic, essas “milícias” (litote para designar bandidos armados) terão voltado, ou tentado voltar, aos confrontos e não se saíram especialmente bem. As forças de Mladic não intervieram, nesta fase, porque os grupos armados dos sérvios trataram disso. Mladic, lembramo-lo todos, garantiu que não haveria retaliações, nem perseguições... e com uma frase muito clara: -"nós os sérvios, somos diferentes". Como se passou tal coisa? É uma boa pergunta e, se pudesse haver inquérito, deveria procurar-se a resposta. Mas as “milícias” muçulmanas da Bósnia, nunca se saíram, saem ou sairão bem. São uma anedota, Thursday, July 31, 2008
A OTAN e otanascas, UE e federastas
Indigno. Fazer comparecer um combatente num "tribunal" da OTAN (é exactamente isso que aquilo é) onde se absolvem chefes de máfia albanesa, onde se ignoraram criaturas como Tudjman e sob cuja custódia morrem dois dirigentes sérvios, na mesma semana, não é coisa aceitável. Instrumentalizar a justiça como arma de guerra, não é coisa aceitável. Lavrov tem toda a razão. Como a tem o Presidente da Duma. Como a têm os sérvios que gritam traição, porque é precisamente quanto há a dizer. Entregaram, em pretensa "extradição", um cidadão nacional. Ora, contam-se pelos dedos os países que o fazem, mesmo quando a extradição é a sério e não simples entrega ao inimigo. Tadic desvaloriza-se a si mesmo. E faz indigna a Chefia do Estado de uma Grande Pátria que ostenta, orgulhosa, a cruz de Bizâncio nas suas armas nacionais. O testemunho do Semanário Sérvio de Madrid é precioso pela contenção. Tadic e o seu controlo de imprensa mentem como a OTAN. O primeiro por subserviência e a segunda por conveniência. O comentário do Blic é especialmente repugnante. Tadic não tem governo sem o apoio do Partido de Milosevic. A hostilização do Partido Radical - que só não é governo por não fazer alianças estúpidas - é a hostilização (bastante otanasca) da própria Sérvia. Os sérvios vão notá-lo. Tadic não recua sequer perante a imunidade parlamentar. (O Blic mantém o apoio). Mas é a imunidade dos dele que está a lesar, por mais que consiga atacar, prender, calar os deputados do Partido Radical. Aliás ninguém votou tal coisa. Tão peregrina ideia não estava sequer - nem podia estar - no programa eleitoral. Tal conduta percebe-se perfeitamente. E está fora do mandato. Nem faz sentido hostilizar os sentimentos manifestados pelos partidos fora do governo, porque essa é a maioria nacional (mesmo com os votos úteis, em Tadic ou nos socialistas). Traição, claro. E portanto, legítima defesa da Comunidade Nacional (é isso que Tadic quer proibir que se diga, mesmo no Parlamento)... Logo veremos como isto continua, porque não parece que vá acabar tão depressa.
POLITICAMENTE CORRECTO
Wednesday, July 30, 2008
Jiménez Losantos
Um provocador a soldo da ”Conferência Episcopal Española”, colégio papista a pretender-se vagamente correspondente ao Santo Sínodo das Santas Igrejas de Cristo. Tem sido repetidamente condenado nos tribunais criminais de España pelos seus “ajustes de contas” radiofónicos, até com conservadores (se acaso em España houver alguém que seja outra coisa). Chamou “traidor” ao antigo Director do ABC. E tal periódico é um precioso órgão da direita española onde ela se nos confessa, quase sempre com toda a clareza, evitando-nos o imenso e inglório trabalho de lhe adivinhar as intenções. Mas nem isso basta já à Igreja de Franco, parece. Nenhum homem tem útero – bem o sabemos – mas, mesmo assim, aqueles parecem histéricos. Que o provocador insultante seja condenado, não nos inquieta. Mas as formulações das sentenças e até as da imprensa española já nos preocupam. O antigo Director do ABC confessou-se “satisfeito” (imagine-se). Já isso nos parece estranho. Não é certamente o Estado quem nos dá a honra. E não pode, por isso, ser o Estado quem no-la devolverá (este é o primeiro equívoco destes processos). A segunda questão resulta do facto das formulações adoptadas pelos juízes españoles e jornalistas solidários com eles, poderem ser subscritas por qualquer juez de qualquer ditadura latino americana. “A liberdade de expressão não é absoluta” (claro que não, todo o direito é relativo, aliás, é uma regulação de relações) e o Losantos teria expresso apenas “sentimentos pessoais” (e então? Porque não haveria ele de expressar sentimentos pessoais?) “insultantes” (cada um sente o que sente) “reiteradamente” expressos (completamente irrelevante, quanto mais se repete um insulto mais se esvazia). E enfim, (finalmente) um fundamento (um único fundamento) aceitável: Losantos imputava factos falsos às suas vítimas. Esta é a única coisa passível de condenação judicial (muito embora, a condenação cível seja mais adequada a tal debate do que o enquadramento penal). Quanto a “los demócratas españoles” Contra Ordem recomenda mais atenção. Não se sacrificam (como aqui nitidamente ocorreu) posições estratégicas a objectivos meramente tácticos. A Lei Penal Española fixa bem os critérios (embora continue a parecer-nos que o enquadramento penal da Liberdade de Imprensa é sempre desajustado). O desprezo temerário pela verdade é um bom critério. Mas só quanto à informação, i.e. quanto aos factos. Não devem fazer-se exigências penais de verdade à opinião. A opinião inidónea é punida no debate onde intervém e pelo resultado desse debate. Não noutras sedes. O tribunal é mau lugar para a tutela dos direitos da verdade nos debates ocorridos fora dele, porque também no formalismo do processo são iguais os direitos da verdade e da mentira. E não podem deixar de ser. Não há melhor solução prática. O tribunal dá muitas vezes a vitória à mentira sobre a verdade, de modo que a punição do vencido como mentiroso não seria, também, boa solução e jamais haveria outra. A Liberdade de Expressão deu demasiado trabalho aos melhores juristas de España como ao Tribunal Constitucional e é excessivamente clara desde os últimos textos jurisprudenciais de 1995, para voltar a ser posta em causa nos tribunais da Coroa, sobretudo por tão pouco. Não partilhamos o entusiasmo do El Pais. Embora o Losantos nos pareça um estupor. E da sua (dele) Conferência Episcopal, nem queremos (evidentemente) falar. Tuesday, July 22, 2008
Revisão Constitucional consumada em França
Aprovação à tangente. Mas aprovação. Actos de guerra sem informação prévia ou qualquer aprovação parlamentar (art. 35), excepto para o prolongamento das operações além de quatro meses. Possibilidade do Presidente intervir no Parlamento sem que as suas posições possam ser questionadas ou dar origem a qualquer voto sobre as matérias tratadas (art. 18). Novos poderes parlamentares, mascarando novos direitos da maioria parlamentar, permitindo agora a recusa de recepção de Projectos de Lei e cingindo a discussão em plenário ao textos adoptados em Comissão, podendo o parlamento instituir mais duas comissões do que actualmente (art.s 41,42,43). Novos poderes do governo quanto ao agendamento (em duas semanas, sobre quatro), como determina o “novo” art. 48 da reforma. O controlo difuso da constitucionalidade (art. 61.1) é formalmente intensificado (recurso para o Conselho Constitucional em impugnação da norma inconstitucional – por violação dos Direitos Fundamentais - traduzindo a respectiva declaração de inconstitucionalidade uma revogação automática, nos termos do art. 62). Mantendo-se, não obstante, o controlo político do Conselho pelo mecanismo da nomeação. O parlamento pode votar resoluções (sem carácter vinculativo e, por isso, inúteis) relativamente aos projectos da UE, sem qualquer possibilidade prática ou teórica de resistência política (88.4). Mas pode interpor recurso para o Tribunal de Justiça contra qualquer acto legislativo europeu por violação do princípio da subsidiaridade (velha figura cara à doutrina jurídica papista). A França pode participar na UE de acordo com as condições definidas pelo Tratado de Lisboa, quaisquer que sejam as circunstâncias políticas da União Europeia. O Conselho Superior da Magistratura é politizado, constituindo os seus membros de nomeação política a maioria deste órgão (art. 65). É instituído um defensor dos direitos (espécie de provedor dos cidadãos, em teoria) aglutinando as competências da protecção administrativa de menores, controlo das prisões e deontologia das forças de segurança, com as competências de intervenção junto de todos os serviços públicos, centrais ou municipais, sendo o seu titular de nomeação presidencial (art. 71.1). A tudo se junta um imoderado poder do Presidente da República quanto ao recurso ao referendum, dispensando todavia qualquer consulta o tema das novas adesões à UE (com excepção da Turquia). É a vitória, precária embora, da França de Hauriou e do Nacional Catolicismo. Sendo especialmente grave a “constitucionalização” do truque generalizadamente usado na guerra de 99 contra a Sérvia, para o efeito “desqualificada” na designação de “operação”. Tal regressão, formalizada, é gravíssima no plano global. Concretamente, porém, ponderadas as características do sarcoma a ferir a República Francesa, tais poderes podem resultar na mais negra tragédia para a Europa, pela lógica das vinculações por aliança. Lang votou isto favoravelmente. Porque o sarkozismo é um petainismo à escala das circunstâncias, não faltando sequer o apelo ao "novo espírito" e à "nova França". Perfeita loucura. E o semelhante gera o semelhante. Nem a França será uma excepção. Nem a eventual eleição de Obama poderá ser travão suficiente (e isto poderá revelar-se a resistência possível à mudança ante-visível na orientação da política externa americana). As reacções populares alemãs deixam antever uma transmutação possível no "eixo-atlântico". A reacção acantona-se já - à cautela - no eixo europeu "Paris-Roma"? A inconsistência na política externa dos conservadores na Europa avança, isolada embora, para o belicismo? Tudo é possível. É até possível (perfeitamente possível) que Obama não venha a representar o prometido papel. Mas em breve teremos tudo esclarecido. Não demorará um ano, sequer.
“Poeta falhado”, dizem eles
Karadzic, chefe político da guerra popular dos sérvios da Bósnia foi captura
do e será entregue ao Tribunal ad hoc, sob cuja custódia já morreram Milosevic e o presidente da Kraína sob ocupação. "Poeta falhado", diz o Libération, cujo redactor seguramente nunca o leu. Moscovo faz notar que o Tribunal deve ser independente, sublinhando as excessivamente evidentes parcialidades entretanto exibidas. O presidente da fictícia Bósnia (ficção dispendiosa) veio dizer que a prisão e entrega de Karadzic não resolve o problema do projecto sérvio estar vivo e ter – praticamente inalterados – os seus apoios sociais e políticos (claro que sim). Assim se demonstra ser tal “paz” a continuação da guerra e nem sequer por outros meios. A Rússia, há três dias apenas, teve uma conferência de ministros dos negócios estrangeiros com a Sérvia. E a nota oficial é importante. Hoje, Karadzic, orgulhoso Tchetnic, filho de Tchetnic, começou a percorrer o calvário que, antes dele, percorreram seus pais. Não sabemos se sairá vivo dos cárceres de Haia, parecendo embora pouco provável. Não sabemos se quem o entrega hoje viverá também muito mais tempo. Não sabemos sequer se a Europa Ocidental não se deixará arrastar para a Guerra a breve prazo. Sabemos que os Sérvios serão Sérvios até ao fim da História. Sabemos que S. Lázaro estará sempre entre os seus. E que Stefan Lazarovic tinha razão quando alinhou pelo Sultão Bayazid contra os cruzados. “Antes o turbante turco que a mitra papista”. E faríamos bem em recordar um lema político do pan-eslavismo, de verdade bem demonstrada: “antes o chicote russo que a liberdade alemã”.
Wednesday, July 16, 2008
É SEMPRE PRECISO MUDAR MESMO QUE NÃO SEJA GRANDE COISA
O procurador do TPI lança perseguição processual a um Chefe de Estado
Monday, July 14, 2008
CIMEIRA DE PARIS: A SÍRIA ROMPE O CERCO
e limpar o que fizeram, se o conseguirem). Navegação do mediterrâneo. Perfeitamente inócuo. Migração ilegal… Nisso já deveriam os dirigentes árabes e turcos pensar duas vezes. (Como certamente farão). Em tudo o mais esta cimeira significa que quem desencadeou a estratégia da exasperação de tensões, ou não aguenta mais a tensão gerada, ou hesita quanto ás forças que lhe restam. É simpático sabê-lo. Agora só têm de pagar o preço. Depois há – como em tudo – as fitas, o folklore e o lixo. Fita, foi a ideia em cujos termos nunca se esteve tão perto de um acordo com os Palestinianos. Qual acordo? Regressam às fronteiras traçadas pela resolução da ONU em 47?... Fitas. Folklore (sem quebra de simpatia) parece ser a abertura da Embaixada Síria em Beirute. Não é propriamente uma simples transigência da Síria, convenhamos, muito embora o Líbano seja produto de simples ficção e conveniência europeia. O lixo foram as declarações de Sócrates que não faz a menor ideia do significado prático da reunião. Ainda bem que Portugal não tem política externa. Ia ser uma desgraça se a tivesse. Parece ter havido também algum sarcasmo. Assim, a Síria declara estar pronta a manter com Israel "relações normais". Nada mais claro. Vejamos agora o que a normalidade possa ser. Friday, July 11, 2008
VINCULAÇÕES E PERSPECTIVAS
A administração Bush lança obstinadamente as âncoras de uma política externa assente na sua limitadíssima eficácia militar. A “guerra-maravilha” traduz-se afinal nos corpos de exército a borregar, no Afeganistão e no Iraque, diante dos modestíssimos meios de combatentes clandestinos, conformados com a crueldade das soluções que lhes restam. Limitação demonstrada, também, em ocupações dispendiosíssimas, eternizadas e inúteis, nos Balcãs. Mesmo assim, os USA quiseram vincular a República Checa e a Polónia, querem seduzir a Lituânia e procuram a Ucrânia possível, no cerco à Rússia (entenda-se: a Ucrânia dos polacos em unidade com os nostálgicos da SS Galicie e com a avidez dos sórdidos papistas locais, nada de que possa esperar-se senão a desgraça, evidentemente). Mas os USA vão arrastando esses governos, de países divididos ao meio, para decisões onde lhes faltam
quaisquer bases populares de apoio. Nem lhes escapam a Croácia e a Albânia, transformando-se a NATO em coisa inverosímil. Um saco de gatos. Pretensa aglutinação de inimigos tradicionais e de conflitos herdados, mas assumidos. Mantêm a provocação do Kosovo. E estimulam a política agressiva da Geórgia. Afirmam-se disponíveis para defender os seus aliados contra o Irão. (Cuja eficácia militar e determinação já foram testadas várias vezes, de modo que nenhuma esperança de vitória militar pode razoavelmente existir aqui). Entretanto, o agressivo Ehud Olmert compareceu pela terceira vez em declarações como suspeito de corrupção. E o Hamas agradeceu ao Egipto a fraterna ajuda prestada à população de Gaza perante o escândalo do bloqueio israelita. Mas alheio a todos os detalhes (por mais significativos que Thursday, July 10, 2008
Humor, Amor e Garb
Pour toi je soulèverais des montagnes et détruirais des collines sur mon chemin
Pour toi je ravirais des étoiles et te les porterais jusque dans ta main…
Pour toi, j’alignerais les planètes et je t’en ferais un collier, quel dessein !
Bon, on couche ensemble ou dois-je d’abord détruire tout l’univers ?
"continueremo a dire quel c....o che ci pare"

Nada em Parvagal se parece com coisa nenhuma. As gentes que aqui se exibem não são parecidas a ninguém que se conheça. E isto vem a propósito da Senhora Carfagna (na foto à direita). Quem é a senhora Carfagna?... É a Cardona de Berlusconi. Quer processar a Guzzanti (por acaso filha de um senador de Berlusconi) por esta ter feito alusão a um escândalo sexual. Mas quando se olha para a senhora Carfagna percebe-se que as alusões a um escândalo sexual surjam plausíveis. Quando se olha a Cardona também se tem um arrepio, em todo o caso. Por motivos completamente diversos, embora. Pois a Cardona de Berlusconi decidiu processar a Guzzanti. Nada de mais. Fini também se mostrou ofendido. A Guzzanti (foto à esquerda) respondeu a tais ameaças e anúncios. "Há anos que vocês se sentem ofendidos", diz ela do seu Blog abaixo (entretanto abatido): " (...) Non ci fate nessuna paura e sappiate che noi continueremo a dire quel c....o che ci pare, criticando chi vogliamo e come vogliamo. Questa è la libertà. Non ce lo spieghi né tu né nessun altro dei tuoi non eletti colleghi, cosa sia la libertà». Bravo!