Vojislav Kostunica reafirma as posições sérvias dizendo, com a simplicidade de que são capazes os sérvios que a EU terá de escolher entre o acordo de estabilização com a Sérvia e a loucura do Kossovo. A posição foi tomada – mas talvez não como especifica reacção - na sequência de posição da “neutral” Áustria e da (fictícia) Bélgica, “estados-tarefeiros” da UE.
Saturday, January 5, 2008
FIRME
Thursday, January 3, 2008
AINDA A ERC
CLUBE DE JORNALISTAS: LIBERDADE DE IMPRENSA (I)
CLUBE DE JORNALISTAS: LIBERDADE DE IMPRENSA (II)
Tentemos dar uma ajuda para assentar ideias (não se prendam à sistematização, que é instrumental):
1- Em Portugal o problema do constrangimento oposto à liberdade de expressão – e à liberdade de imprensa, como uma das suas formas qualificadas – capta-se pelo facto (indesmentível) de termos de tomar dos outros, sob forma de citação, o que nós próprios pensamos;
2- Como demonstração (exemplificativa) da enunciação anterior serve o facto da imprensa portuguesa não ter podido, até hoje, tratar a questão judiciária com a clareza com que a tratou o último documento da Transparency International, ou seja, os jornais portugueses e demais publicações sentiram-se eficazmente inibidos de proceder à abordagem de tal questão (apesar dos elementos estarem ao alcance da sua observação) sem ser sob a forma de citação de conclusão alheia respeitante às convicções próprias da população onde se integram;
3- Tal inibição radica quer nas formulações normativas, quer nas práticas institucionais repressivas, que retiraram paulatinamente qualquer credibilidade à imprensa, em comparação com a demais imprensa europeia,
4- O caso Maddie demonstra (também exemplificativamente) o nível de inibição dos jornalistas perante o monstro judiciário, inibição que não tem (e não teve) paralelo em qualquer jornal europeu (neste Blog estão disponíveis reacções inglesas atestando o assombro, a invectiva e a comiseração diante da conduta dos funcionários portugueses) e demonstra também que os sentimentos de ofensa (bastante pacóvios) tentaram até impor-se à imprensa inglesa (como se o seu costumado alcance de factor desencadeante da repressão fosse ali viável, como o é aqui) e isto, como reacção à expressão das impaciências inglesas face a funcionários portugueses que produziam comentários (de gravidade desmesurada) em vez de apresentarem qualquer trabalho crível (aliás inexistente), esses sentimentos de ofensa bastam, em Portugal, para paralisar a liberdade de imprensa (q.e.d.) sob o espectro dos procedimentos criminais por difamação ou injúria (aliás qualificada, porque a honra dos funcionários é tratada como se fosse maior que a dos cidadãos) processos arrastáveis por seis anos, arrastamento onde vem também uma pressão intolerável...
5- A existência das Entidades Reguladoras da Comunicação Social só tem sentido face à descriminalização das práticas decorrentes das liberdades de debate, correspondendo à solução em cujos termos as infracções – resultantes do modo e das questões de forma – que nos exercícios de tais liberdades surjam, são (em primeira linha) matéria de autoridade (intelectual, moral e política) e não matéria de poder (policial, ou dos tribunais criminais); mas
6- Fazer coexistir uma tal ficção, consubstanciada numa cópia pervertida de tais entidades reguladoras (para mais e aqui caracterizada pela menoridade intelectual) a par dos mecanismos de repressão criminal (com margens de arbítrio absolutamente esmagadoras, como o demonstra a Jurisprudência de Estrasburgo), corresponde a gerar mais um mecanismo (em reforço) da inibição anuladora da liberdade de imprensa, no quadro constitucional onde os direitos da liberdade de expressão são excepcionados aos Princípios Gerais de Direito – não pode haver infracções criminais no exercício de direitos, excepto nestes casos, segundo a letra da Constituição local – e isto é, evidentemente, um absurdo politicamente expressivo;
7- E o que se expressa politicamente neste absurdo é um estado nacional-católico sob máscara demo-liberal e parlamentar;
8- A demonstração prática de quanto acaba de dizer-se está na intervenção (pessoal) do funcionário da ERC trazendo a sobreposição subordinante da entidade reguladora aos regulados – concepção que, em si mesma, é um abuso e expressão que, em si própria, é um insulto – porque na verdade, a entidade reguladora, regula uma actividade e não quaisquer sujeitos;
9- A expressão “os regulados” empregue quanto às empresas de edição (pessoas colectivas, ou individuais) corresponde ao índice de desvio do eixo de actividade do organismo em causa; com efeito,
10- Da regulação de uma actividade, não se deduz – nem pode deduzir-se – uma subordinação pessoal de ninguém a ninguém (não há regulador e regulados, há entidade reguladora e actividade regulada) e nesta concepção de “subordinação” aliás pessoal (trazida até à esfera identitária, posto que tal se permite como designação dos sujeitos da actividade) traduz a confissão da anulação da liberdade de imprensa (não há liberdade compatível com a sujeição pessoal de um sujeito a outro) e até vem demonstrada a intenção político-administrativa desse constrangimento, pela perversão conceptual de uma liberdade até à redução aos limites de simples licença precária, porque a subordinação é conceito de Direito Canónico traduzindo a acefalia e a incardinação (sem mais).
Postas as coisas nestes termos, está politicamente justificada a nova imprensa clandestina e tal é, salva a possibilidade de melhor opinião e mais agudo olhar, o parecer de Contra Ordem (Blog clandestino). Os anseios da ERC em policiar os Blogs (politicamente, como é óbvio) ficam para tratamento posterior.
Em aditamento, Contra Ordem responde ao insulto da criatura da ERC (que a todos chamou “regulados”) tratando doravante por régulos putativos os membros da ERC .
Wednesday, January 2, 2008
FIM DE ANO ESPANHOL: "Muerte a la inteligência!"
O PSOE - e não o governo espanhol - respondeu à igreja da colina vaticana. Podia ter sido mais duro que isso só faria bem às almas dos destinatários. Tal igreja, com efeito, abriu hostilidades contra o governo socialista logo no ano da sua eleição e manteve-a, sem transigências, até hoje. O texto de abertura das hostilidades foi o do Bispo de Ávila, que aqui se rememora. Estes prelados têm logrado ser, até hoje, a igreja de Franco. Com toda a clareza. Revitalizada pela canonização dos seus mártires, avalizada por J-P2 e proclamada por Ratzinger. Mas o Governo não cedeu. E os prelados insistem nos seus hábitos de interferência, com intrusão directa, mesmo em eleições. Promovendo até uma significativa manifestação no passado dia 30 de Dezembro. Mas o Governo não deve responder a movimentos políticos sem representação parlamentar (exceptuadas circunstâncias peculiares). O PSOE respondeu. Menos mal, como se disse. E isto não é propriamente um problema espanhol. A Europa do sul está (visivelmente) dividida a meio. Espanha é uma das ilustrações dessa clivagem. Uma ilustração sempre expressiva, porque lhe subjaz o eco daquele grito na Universidade de Salamanca, tomado por insulto supremo a Unamuno (sendo, porém, muito mais que isso): “Muerte a la inteligência!”. Platão já tinha prevenido que a estupidez é homicida. E o desfecho natural, para os homens normais, é ficar só como Unamuno. Recorde-se (e não só como curiosidade) que a separação da Igreja e do Estado foi uma das posições que o próprio José António Primo de Rivera sustentou.
RESISTÊNCIA
ANO NOVO NA EUROPA ORIENTAL
O ano asqueroso do território execrando
Friday, December 28, 2007
MAIS OUTRO
O bispo da ICAR em Tenerife deixou os espanhóis
Thursday, December 27, 2007
UNIDADE SÉRVIA
A INANIÇÃO E O DESFECHO
Wednesday, December 26, 2007
DELÍRIO SECURITÁRIO
Tuesday, December 25, 2007
NATAL PORTUGUÊS
Monday, December 24, 2007
COISAS DE VELHOS
MORREU O SUCESSOR DE MAKARIUS III
ARMANDO VARA E O BCP
Armando Vara. Empregado de balcão. O homem, tudo ponderado, não existe. Faz lembrar a história da invenção de algumas pretensas direcções políticas de sítios a subalternizar por qualquer potência ocupante ou dominante. Vara mostra-se licenciado pela Universidade Independente (por onde mais haveria de ser, não é?) e tratou de aproveitar as oportunidades de uma Secretaria de Estado para fazer uma casita – projectada por quadros públicos e construída por sociedade “das relações” da sua Secretaria de Estado – fez aquilo por pouco mais de três mil contos e não conseguiu vender por cinquenta mil. Sampaio chegou a sobressaltar-se. (Há um professor de Sócrates de Massada na história). E foi colocado como administrador da CGD, espécie de asilo para excedentes do aparelho político-partidário em época baixa. Corre a notícia de que vai para o BCP. É a grande anedota do final de ano de 2007. Mas pronto. É normal que o espólio de um “gang” seja repartido por outro. Todavia, um Banco era – não era? - negócio com disciplinas tecnicamente exigentes. Felizmente, já nada significa coisa nenhuma. Vara também não.
Saturday, December 22, 2007
NOVA LEI DO TRABALHO: A IDIOTIA EM DEBATE
Friday, December 21, 2007
NESTE NATAL
SEXO, VERDADE E TELEVISÃO
A Berlusconi il PUTTANIERE – como lhe chama um comentário “on-line” – não lhe agradam especialmente as confusões de géneros e de papéis. Isso entende-se. “Na RAI trabalha quem é de esquerda, ou quem se prostitui”. É cruel. Mas os portugueses conhecem menos-mal este fenómeno (que a esquerda nunca geriu bem na RTP, mesmo quando havia esquerda). Ou porque há uns desgraçados cuja vida sexual começa, parece, com a primeira promoção, ou porque há umas senhoras para quem “estas coisas” são “naturais” (e aparecem invariavelmente íntimas de quem tem a decisão ou a influência suficiente para as manter na pantalha), ou, ainda, porque a prostituição ideológica – incapaz de se confundir com qualquer evolução de opiniões – também determina sobrevivências desta natureza. A Itália não é Portugal. Mas algumas vacuidades têm consequências comuns. As mesmas causas, em circunstâncias próximas, têm efeitos parecidos. A situação aqui não está especialmente melhor, mas pelo menos vai havendo uma ou outra senhora que se vai apresentando como mulher normal. Não são, em todo o caso, quem está em maior destaque. Isso devia ser resolvido. Sem urgência. Mas alguma vez terá de resolver-se isso. A SIC notícias merece homenagem por ter trazido às emissões umas presenças femininas bastante dignas, sem tiques, sem mostrar as mamas a despropósito de quaisquer eleições e sem abanar a cabeça pintada de amarelo, entre sorrisos parvos, diante de entrevistados complacentes (a aturar-lhes discussões, muitas vezes e em tons surpreendentes). A SIC fez aqui alguma coisa. Com força de modelo. Talvez o resto se vá resolvendo por si. Quanto à fúria de Berlusconi, os links fornecem a informação suficiente. Está zangado por lhe terem escutado e publicado uma conversa telefónica. Também isso se entende. Mas na vida pública a prudência e a lucidez não são dispensáveis em nenhuma circunstância. Sobretudo em conversas telefónicas. Quanto à prostituição – sem moralismos – há seguramente sítios para isso. E fora dos serviços públicos de televisão.