Aprovação à tangente. Mas aprovação. Actos de guerra sem informação prévia ou qualquer aprovação parlamentar (art. 35), excepto para o prolongamento das operações além de quatro meses. Possibilidade do Presidente intervir no Parlamento sem que as suas posições possam ser questionadas ou dar origem a qualquer voto sobre as matérias tratadas (art. 18). Novos poderes parlamentares, mascarando novos direitos da maioria parlamentar, permitindo agora a recusa de recepção de Projectos de Lei e cingindo a discussão em plenário ao textos adoptados em Comissão, podendo o parlamento instituir mais duas comissões do que actualmente (art.s 41,42,43). Novos poderes do governo quanto ao agendamento (em duas semanas, sobre quatro), como determina o “novo” art. 48 da reforma. O controlo difuso da constitucionalidade (art. 61.1) é formalmente intensificado (recurso para o Conselho Constitucional em impugnação da norma inconstitucional – por violação dos Direitos Fundamentais - traduzindo a respectiva declaração de inconstitucionalidade uma revogação automática, nos termos do art. 62). Mantendo-se, não obstante, o controlo político do Conselho pelo mecanismo da nomeação. O parlamento pode votar resoluções (sem carácter vinculativo e, por isso, inúteis) relativamente aos projectos da UE, sem qualquer possibilidade prática ou teórica de resistência política (88.4). Mas pode interpor recurso para o Tribunal de Justiça contra qualquer acto legislativo europeu por violação do princípio da subsidiaridade (velha figura cara à doutrina jurídica papista). A França pode participar na UE de acordo com as condições definidas pelo Tratado de Lisboa, quaisquer que sejam as circunstâncias políticas da União Europeia. O Conselho Superior da Magistratura é politizado, constituindo os seus membros de nomeação política a maioria deste órgão (art. 65). É instituído um defensor dos direitos (espécie de provedor dos cidadãos, em teoria) aglutinando as competências da protecção administrativa de menores, controlo das prisões e deontologia das forças de segurança, com as competências de intervenção junto de todos os serviços públicos, centrais ou municipais, sendo o seu titular de nomeação presidencial (art. 71.1). A tudo se junta um imoderado poder do Presidente da República quanto ao recurso ao referendum, dispensando todavia qualquer consulta o tema das novas adesões à UE (com excepção da Turquia). É a vitória, precária embora, da França de Hauriou e do Nacional Catolicismo. Sendo especialmente grave a “constitucionalização” do truque generalizadamente usado na guerra de 99 contra a Sérvia, para o efeito “desqualificada” na designação de “operação”. Tal regressão, formalizada, é gravíssima no plano global. Concretamente, porém, ponderadas as características do sarcoma a ferir a República Francesa, tais poderes podem resultar na mais negra tragédia para a Europa, pela lógica das vinculações por aliança. Lang votou isto favoravelmente. Porque o sarkozismo é um petainismo à escala das circunstâncias, não faltando sequer o apelo ao "novo espírito" e à "nova França". Perfeita loucura. E o semelhante gera o semelhante. Nem a França será uma excepção. Nem a eventual eleição de Obama poderá ser travão suficiente (e isto poderá revelar-se a resistência possível à mudança ante-visível na orientação da política externa americana). As reacções populares alemãs deixam antever uma transmutação possível no "eixo-atlântico". A reacção acantona-se já - à cautela - no eixo europeu "Paris-Roma"? A inconsistência na política externa dos conservadores na Europa avança, isolada embora, para o belicismo? Tudo é possível. É até possível (perfeitamente possível) que Obama não venha a representar o prometido papel. Mas em breve teremos tudo esclarecido. Não demorará um ano, sequer.
Tuesday, July 22, 2008
Revisão Constitucional consumada em França
“Poeta falhado”, dizem eles
Karadzic, chefe político da guerra popular dos sérvios da Bósnia foi captura
do e será entregue ao Tribunal ad hoc, sob cuja custódia já morreram Milosevic e o presidente da Kraína sob ocupação. "Poeta falhado", diz o Libération, cujo redactor seguramente nunca o leu. Moscovo faz notar que o Tribunal deve ser independente, sublinhando as excessivamente evidentes parcialidades entretanto exibidas. O presidente da fictícia Bósnia (ficção dispendiosa) veio dizer que a prisão e entrega de Karadzic não resolve o problema do projecto sérvio estar vivo e ter – praticamente inalterados – os seus apoios sociais e políticos (claro que sim). Assim se demonstra ser tal “paz” a continuação da guerra e nem sequer por outros meios. A Rússia, há três dias apenas, teve uma conferência de ministros dos negócios estrangeiros com a Sérvia. E a nota oficial é importante. Hoje, Karadzic, orgulhoso Tchetnic, filho de Tchetnic, começou a percorrer o calvário que, antes dele, percorreram seus pais. Não sabemos se sairá vivo dos cárceres de Haia, parecendo embora pouco provável. Não sabemos se quem o entrega hoje viverá também muito mais tempo. Não sabemos sequer se a Europa Ocidental não se deixará arrastar para a Guerra a breve prazo. Sabemos que os Sérvios serão Sérvios até ao fim da História. Sabemos que S. Lázaro estará sempre entre os seus. E que Stefan Lazarovic tinha razão quando alinhou pelo Sultão Bayazid contra os cruzados. “Antes o turbante turco que a mitra papista”. E faríamos bem em recordar um lema político do pan-eslavismo, de verdade bem demonstrada: “antes o chicote russo que a liberdade alemã”.
Wednesday, July 16, 2008
É SEMPRE PRECISO MUDAR MESMO QUE NÃO SEJA GRANDE COISA
O procurador do TPI lança perseguição processual a um Chefe de Estado
Monday, July 14, 2008
CIMEIRA DE PARIS: A SÍRIA ROMPE O CERCO
e limpar o que fizeram, se o conseguirem). Navegação do mediterrâneo. Perfeitamente inócuo. Migração ilegal… Nisso já deveriam os dirigentes árabes e turcos pensar duas vezes. (Como certamente farão). Em tudo o mais esta cimeira significa que quem desencadeou a estratégia da exasperação de tensões, ou não aguenta mais a tensão gerada, ou hesita quanto ás forças que lhe restam. É simpático sabê-lo. Agora só têm de pagar o preço. Depois há – como em tudo – as fitas, o folklore e o lixo. Fita, foi a ideia em cujos termos nunca se esteve tão perto de um acordo com os Palestinianos. Qual acordo? Regressam às fronteiras traçadas pela resolução da ONU em 47?... Fitas. Folklore (sem quebra de simpatia) parece ser a abertura da Embaixada Síria em Beirute. Não é propriamente uma simples transigência da Síria, convenhamos, muito embora o Líbano seja produto de simples ficção e conveniência europeia. O lixo foram as declarações de Sócrates que não faz a menor ideia do significado prático da reunião. Ainda bem que Portugal não tem política externa. Ia ser uma desgraça se a tivesse. Parece ter havido também algum sarcasmo. Assim, a Síria declara estar pronta a manter com Israel "relações normais". Nada mais claro. Vejamos agora o que a normalidade possa ser. Friday, July 11, 2008
VINCULAÇÕES E PERSPECTIVAS
A administração Bush lança obstinadamente as âncoras de uma política externa assente na sua limitadíssima eficácia militar. A “guerra-maravilha” traduz-se afinal nos corpos de exército a borregar, no Afeganistão e no Iraque, diante dos modestíssimos meios de combatentes clandestinos, conformados com a crueldade das soluções que lhes restam. Limitação demonstrada, também, em ocupações dispendiosíssimas, eternizadas e inúteis, nos Balcãs. Mesmo assim, os USA quiseram vincular a República Checa e a Polónia, querem seduzir a Lituânia e procuram a Ucrânia possível, no cerco à Rússia (entenda-se: a Ucrânia dos polacos em unidade com os nostálgicos da SS Galicie e com a avidez dos sórdidos papistas locais, nada de que possa esperar-se senão a desgraça, evidentemente). Mas os USA vão arrastando esses governos, de países divididos ao meio, para decisões onde lhes faltam
quaisquer bases populares de apoio. Nem lhes escapam a Croácia e a Albânia, transformando-se a NATO em coisa inverosímil. Um saco de gatos. Pretensa aglutinação de inimigos tradicionais e de conflitos herdados, mas assumidos. Mantêm a provocação do Kosovo. E estimulam a política agressiva da Geórgia. Afirmam-se disponíveis para defender os seus aliados contra o Irão. (Cuja eficácia militar e determinação já foram testadas várias vezes, de modo que nenhuma esperança de vitória militar pode razoavelmente existir aqui). Entretanto, o agressivo Ehud Olmert compareceu pela terceira vez em declarações como suspeito de corrupção. E o Hamas agradeceu ao Egipto a fraterna ajuda prestada à população de Gaza perante o escândalo do bloqueio israelita. Mas alheio a todos os detalhes (por mais significativos que Thursday, July 10, 2008
Humor, Amor e Garb
Pour toi je soulèverais des montagnes et détruirais des collines sur mon chemin
Pour toi je ravirais des étoiles et te les porterais jusque dans ta main…
Pour toi, j’alignerais les planètes et je t’en ferais un collier, quel dessein !
Bon, on couche ensemble ou dois-je d’abord détruire tout l’univers ?
"continueremo a dire quel c....o che ci pare"

Nada em Parvagal se parece com coisa nenhuma. As gentes que aqui se exibem não são parecidas a ninguém que se conheça. E isto vem a propósito da Senhora Carfagna (na foto à direita). Quem é a senhora Carfagna?... É a Cardona de Berlusconi. Quer processar a Guzzanti (por acaso filha de um senador de Berlusconi) por esta ter feito alusão a um escândalo sexual. Mas quando se olha para a senhora Carfagna percebe-se que as alusões a um escândalo sexual surjam plausíveis. Quando se olha a Cardona também se tem um arrepio, em todo o caso. Por motivos completamente diversos, embora. Pois a Cardona de Berlusconi decidiu processar a Guzzanti. Nada de mais. Fini também se mostrou ofendido. A Guzzanti (foto à esquerda) respondeu a tais ameaças e anúncios. "Há anos que vocês se sentem ofendidos", diz ela do seu Blog abaixo (entretanto abatido): " (...) Non ci fate nessuna paura e sappiate che noi continueremo a dire quel c....o che ci pare, criticando chi vogliamo e come vogliamo. Questa è la libertà. Non ce lo spieghi né tu né nessun altro dei tuoi non eletti colleghi, cosa sia la libertà». Bravo!
Wednesday, July 9, 2008
ESPREITADELA DE GARIBALDI
Sunday, July 6, 2008
PAROLADA
Wednesday, June 25, 2008
Explicitação metodológica: o estupor da velha
Sunday, June 22, 2008
O Estupor da Velha e o regresso dos capões

Friday, June 20, 2008
Insulto à Pobreza e à Clemência
REAFIRMAÇÃO
A REVOLUÇÃO PERMANENTE DO MONAQUISMO
Thursday, June 19, 2008
Não-denominacionismo
Wednesday, June 18, 2008
Para a História da indecência
Tuesday, June 17, 2008
PESADELO DOS FEDERASTAS
Monday, June 16, 2008
IGREJA RUSSA PEDE ESCLARECIMENTOS


Sunday, June 15, 2008
De Reykjavik a Владивосток

Hamid Karzai
Hamid Karzai é uma figura mais simpática do que o papel que tem desempenhado. Poderia ser um homem de Estado, se ali houvesse tal coisa. Poderia ter dado um óptimo primeiro-ministro do Rei, mas o Rei recusou o papel de fantoche das forças de ocupação. (É frequente os reis terem algum respeito pelos seus povos). Karzai deve estar fatigado por ser presidente de uma ficção. E fez uma coisa estranha: ameaçou o Paquistão com a violação de fronteiras pelo “seu” exército (o “exército do Afeganistão”), como retaliação pelo santuário que o território tribal do Paquistão tem oferecido aos talibã. É difícil imaginar maior tolice. Primeiro porque naquele território mandam realmente os que lá estão. O exército do Paquistão só lá tem entrado no enquadramento de operações de vastas proporções mas de duração restrita e objectivos limitados. Karzai imagina, parece, poder fazer mais do que isso. Adiantará lembrar-lhe que perderá o que tem, sem ganhar o que quer? O território da FATA (Federally Administered Tribal Areas), como o nome o indica, tem um estranho estatuto, porque, como a história o ensina, logrou resistir a poderes mais significativos do que a ficção à qual preside Karzai. A imprensa dos países comprometidos na ocupação não deu até agora nenhuma importância ao que promete ser um verdadeiro desaire. Felizmente, a Al Jazeera existe. (Como tudo era diferente sem este admirável Emir). Agora Karzai ou cumpre, ou não cumpre. Em qualquer dos casos, Karzai mudou de fase. E a História desta ocupação militar também.