Sunday, June 15, 2008

De Reykjavik a Владивосток

Há uma alternativa ao espaço da "União Europeia" – relativamente clara, se não estivessem alguns detalhes a ofuscar essa evidência – é a Eurásia. Ao eixo Washington-Oeste Europa, pode bem opor-se a naturalidade da vasta superfície que vai da Islândia a Vladivostok. A imagem faz estremecer, bem sabemos. Mas é infinitamente mais razoável. Seria, claro, uma realidade geo-política sem Vaticano relevante. (Evidentemente). Uma realidade emergente no contexto do declínio (inevitável) do império americano. Uma realidade onde a própria “ocidentalidade” se fraccionaria, aparecendo a Península da Nova Ibéria como o porto de ligação natural à América do Sul e o início da estrada mais óbvia para o novo centro do mundo. Pelo caminho ficariam os projectos falhados, entregues a figuras de mediocridade gritante, porque, justamente, nenhum homem de primeiro plano aceitaria tão indigno papel. Barroso está bem como presidente de um projecto naufragado nos baixios da mediocridade. Não foram os europeus quem lhe chamou o “sr. banalidades”? Seria deplorável uma qualquer figura de primeiro plano nesse papel. A Irlanda representou bem os povos europeus, hoje reféns dos seus “representantes” que, conspirando contra os povos, prosseguem a aventura (impossível) de construir uma realidade institucional por si próprios, desacompanhados de quem quer que seja e até contra compromissos eleitorais explícitos (que a disciplina do mandato não autoriza a abandonar… é simples questão de Direito Civil, a projectar no Direito Político). Feliz ou infelizmente, isto encalhou. (Viva a Irlanda). Sempre estivemos livres para olhar o horizonte (gratuitamente dado pela Geografia). Hoje estamos livres da parvoíce de velhos interesses gerados por realidades já mortas (em alguns casos), ou moribundas. A Irlanda é hoje espelho de alguma coisa bem mais vasta do que a própria ilha (o Polaco é a segunda Língua mais falada ali, depois do Inglês), sendo certo que a incompatibilidade do “catolicismo de estado” com o desenvolvimento económico está ali a resolver-se, como sempre, contra esse catolicismo… e se houver outro vai ter que revelar-se e maturar depressa e, sim, sob pena de morte.

Hamid Karzai

Hamid Karzai é uma figura mais simpática do que o papel que tem desempenhado. Poderia ser um homem de Estado, se ali houvesse tal coisa. Poderia ter dado um óptimo primeiro-ministro do Rei, mas o Rei recusou o papel de fantoche das forças de ocupação. (É frequente os reis terem algum respeito pelos seus povos). Karzai deve estar fatigado por ser presidente de uma ficção. E fez uma coisa estranha: ameaçou o Paquistão com a violação de fronteiras pelo “seu” exército (o “exército do Afeganistão”), como retaliação pelo santuário que o território tribal do Paquistão tem oferecido aos talibã. É difícil imaginar maior tolice. Primeiro porque naquele território mandam realmente os que lá estão. O exército do Paquistão só lá tem entrado no enquadramento de operações de vastas proporções mas de duração restrita e objectivos limitados. Karzai imagina, parece, poder fazer mais do que isso. Adiantará lembrar-lhe que perderá o que tem, sem ganhar o que quer? O território da FATA (Federally Administered Tribal Areas), como o nome o indica, tem um estranho estatuto, porque, como a história o ensina, logrou resistir a poderes mais significativos do que a ficção à qual preside Karzai. A imprensa dos países comprometidos na ocupação não deu até agora nenhuma importância ao que promete ser um verdadeiro desaire. Felizmente, a Al Jazeera existe. (Como tudo era diferente sem este admirável Emir). Agora Karzai ou cumpre, ou não cumpre. Em qualquer dos casos, Karzai mudou de fase. E a História desta ocupação militar também.

EN ESPAÑA y PORTUGAL

Os transportadores não desarmam em Espanha e as gentes do PSOE começam a pensar e a praticar a repressão. Os alarves portugueses estiveram perto, tendo parado todavia a tempo. Em Espanha eles são mais corajosos e prosseguem, portanto, corajosamente, uma profunda estupidez. Rememoremos… O Estado moderno nasce da aliança da coroa com o povo (não será?) contra o arbítrio dos potentados locais, os grandes senhores que, afinal, não eram tão grandes como supunham. A centralização do poder permitiu que a Lei libertasse onde a liberdade do mero arbítrio oprimia. E tal problema nunca deixou de regressar sob novas formas. Hoje é o mesmo. O problema de sempre. E é um erro fatal, para o Estado, hostilizar a revolta das vítimas. Um disparate pegado, isto. A direcção política do Estado é a direcção política de um país. No âmbito da União Europeia, como nos demais âmbitos do Direito dos Tratados, o Estado tem hoje a possibilidade de fazer intervir uma comunhão de soberanias para fazer face a problemas globais, como o da especulação à escala global. (A recente declaração dos ministros das finanças do G 8 é já alguma coisa, sendo embora tímida demais, mesmo que alguma eficácia imediata se lhe note). A visibilidade da revolta das vítimas da especulação à escala global num território concreto, sempre seria um título de legitimidade acrescida do respectivo estado para exigir a concertação de esforços numa intervenção internacional. Mesmo que essas vítimas errem o alvo dos seus protestos, sempre se poderia ajudá-las a acertar… Ao invés disso, andam a chamar aos transportadores em paralisação “assaltantes” (como em Portugal). Nem a Direita Espanhola foi tão longe. São frágeis as convicções ditas de esquerda na segunda Ibéria. (Sendo a primeira Ibéria, evidentemente, a terra à qual se chama Geórgia). Ao primeiro pretexto, estes tipos alucinam e cada um deles imagina-se Belissário diante da Vandália. Franco e Salazar faziam o mesmo. Mas bárbaros só eles próprios. São eles quem não sabe o que dizer e são eles quem não sabe o que diz. Depois… Melhor cabe aqui Artur que Belissário. Os romanos em revolta hão-de conter os bárbaros. Travando os novos saqueadores das suas terras: os especuladores, evidentemente. E punindo os bárbaros que, no lugar, lhes servem de agentes. Mesmo que seja só por estupidez. Contra Ordem entende que a estupidez é um crime como os outros, se não for a fonte de todos os crimes. Nenhum decreto pode opor-se à vida. Porque essa oposição é a fonte de todos os excessos. Nenhum dirigente do Estado pode opor-se ao seu próprio povo nestes termos. Esse é um combate que ninguém ganhou nunca. E é espantosa a facilidade com que se desiquilibra esta gente. A fragilidade do Estado confessada pelo Primeiro-Ministro português foi e é, aqui, antes de mais, a estupidez de quem o dirige. (E não parece haver melhor em alternativa, dentro do leque, ou, como eles gostam de dizer,” do arco da governabilidade”). Os "socialistas portugueses" andam como se esperaria. Não há nada a esperar de tal gente. Zapatero tem estado, nisto, abaixo das expectativas (coisa nem sequer frequente).

Friday, June 13, 2008

CHEFE DA IGREJA CATÓLICA VISITA O VATICANO

Foram décadas de subalternidade. Ao Vaticano costumavam deslocar-se sobretudo os Directores da CIA. Mesmo assim, com o cuidado de deixar claro que jamais tiveram de esperar na antecâmara, entrando directamente no gabinete do papa. Desde Paulo VI. Tais declarações públicas eram nitidamente feitas em defesa da dignidade institucional que representavam, não fosse pensar-se que meros agentes e informadores tinham maior importância do que a razoável. Mas agora Bush, magnânimo, visitou o coração da "sociedade perfeitíssima". Entre sorrisos de satisfação. Martirizaram-no com um concerto - sem música country - mas nos jardins, e isso sempre lhe deu oportunidade de olhar para o verde. Não terá sido possível discutir grande coisa ao mais alto nível. Bush não sabe quem são os caldeus. Nem os "greco-católicos". Nem os melkitas. E Ratzinger dá, há tempos, mostras de degenerescência arteropática acentuada. Não terão conversado grande coisa. Aliás, a Bush é difícil pensar em Língua Inglesa. Mas a visita simbólica foi consumada. Com o modelo de "visita de estado".

Thursday, June 12, 2008

ADIAMENTO PRAGMÁTICO

Dez pequenas medidas convenceram os transportadores rodoviários a voltar à circulação. Não ganharam grande coisa, mas adquiriram a experiência da força própria. E deram a outros vectores da actividade económica um exemplo criticamente importante. A crise pode portanto continuar e nem sequer por outros meios. Os transportadores de cimento e brita, os agricultores, os taxistas propõem-se já experimentar meios análogos. É a "democratização" da espiral chilena que matou Allende? Pelo menos parece-o. Mas depois da espiral vieram as revoluções laranja e rosa. As técnicas tenderão naturalmente para sínteses mais criativas... Separadas das organizações partidárias que perderam toda a credibilidade, as novas organizações de classe, em pré-insurreição, podem bem conjugar-se entre si . Aliás se não vier delas a nova liderança política e nova eficácia de liderança, o território não tem recomposição possível. O Estado da Casa Pia tem de morrer. E às larvas que lhe infestam já as partes moles não se lhes deveria dar mais do que tal cadáver. Resta saber se conseguiremos que tão repulsivo bicho morra só... Seja como for, a crise deve continuar. Viva a crise!

Wednesday, June 11, 2008

Os "especialistas": crise em agravamento

Os “especialistas” puseram-se a pensar. E pretendem que a paralisação dos industriais e trabalhadores dos transportes rodoviários, não traduzindo embora “tecnicamente” um “lockout”, corresponderia materialmente a este (!?) e portanto “poderia” (!?) caber na proibição constitucional desta conduta. É comovente o esforço que ocasionalmente fazem para pensar, embora em regra o façam pelos piores motivos. Mas quando estes infelizes se põem a pensar, dá nisto. Querem uma desculpa para a intervenção violenta (policial, designadamente) mas não sabem qual haja de ser. Embora também se não veja que utilidade teria a intervenção violenta. Contra ordem não vê exactamente como haveria de forçar-se (materialmente falando) alguém a por em circulação os seus veículos de transporte. Podem arranjar-se soluções várias (desde a requisição, até à tipificação de novos ilícitos penais), mas mandar uma força de polícia forçar alguém a mandar conduzir os camiões, ou a conduzi-los… É, à partida, um fiasco grotesco. Aliás as cadeias já estão sobrelotadas. Vão prendê-los nos estádios, ou nas praças de toiros? De resto, há um detalhe elementar chamado liberdade contratual. Ninguém é obrigado a contratar. Nem nos transportes. É difícil resolver esta coisa, sim. Evidentemente não é impossível (esta coisa podia até nem ter começado). Mas Contra Ordem não tem responsabilidades formativas da corja. E fica-se a observar. Por ora.

AQUECIMENTO

No território respira-se a acidez das situações pré-insurreccionais. E grande parte da explicação radica na conduta dos imbecis na direcção política do Estado. Se os pescadores fazem greve, logo um imbecil do governo se apressa a dizer que isso não terá relevância nenhuma. (É portanto preciso ser mais radical). Uma central sindical põe duzentas mil pessoas na rua e logo uma concertação de idiotas determina a ausência de notícia decente de tal evento (!), apesar de não haver memória de tais coisas desde o verão quente de 1975. Os empresários de camionagem e os camionistas recusam os abastecimentos e o aeroporto de Lisboa tem de ser abastecido sob escolta (!) enquanto, dois dias depois, o sistema de distribuição alimentar anuncia a iminência da ruptura de stocks (evidentemente, porque as reservas alimentares das cidades do território só aguentam três dias). Perante isto, os atrasados mentais do governo tratam a coisa como mera perturbação da ordem pública. (Obviamente, nenhuma das oposições com expressão parlamentar teria feito outra coisa). Ordem pública… Realmente houve já uma vítima da cobardia, porque um camionista decidiu não parar e passou por cima de um grevista e fê-lo, aos olhos de Contra Ordem, com a surda crueldade dos eunucos – coisa normal em satanarquia – que se apressa a gritar, na conhecida alternância da satisfação e medo, ter feito aquilo por “acidente”. Houve mais três feridos, por análogos acidentes. (A greve dos camionistas ameaça ter a mesma proporção de baixas que a guerra do Iraque). Mas o sistema de ensino também está à beira da ruptura. Como o sistema hospitalar e de saúde. A justiça está desorganizada para não funcionar e, alias, destruturada pela resistência gritante ao Direito Internacional dos Direitos do Homem. (O aparelho judicial é mero instrumento em condições de ferir qualquer homem em protesto quando isso possa ser conveniente e, portanto, também por aqui se exigindo o motim, única forma de tomar a palavra perante a recusa e perseguição da discussão). Todos os pequenos comerciantes são vítimas da ferocidade do fisco que lhes penhora arbitrariamente contas bancárias e estabelecimentos, ao ponto de ameaçar a regularidade da vida económica. As pseudo-oposições têm conexões de interesses e de família com o governo, motivo pelo qual o PS protege o líder da extrema direita parlamentar e este é irmão de um dos dirigentes da extrema esquerda parlamentar, enquanto os filhos dos velhotes do PS vão casando com as filhas dos velhotes do PSD e vice-versa, sendo uns e outros “instalados” em serviços públicos escandalosamente remunerados, depois de já os pais terem acumulado reformas de montante disparatadamente elevado. Os próprios hierarcas da Igreja dos pedómanos papistas (até estes) levantam a voz esganiçada mimetizando o protesto, não vá dar-se o caso de lhes virem a perguntar se protestaram. Muitas revoluções houve que começaram por muito menos. Não espanta que o território vá assumindo as cores de uma situação pré -insurreccional. Espanta que tenha demorado tanto. Os palermas contam com a conjunção de actividades circenses, para distrair "a plebe". Rock in Rio, Europeu de Futebol, “Santos Populares”, Jogos Olímpicos. Isso distrairá alguma coisa, pelos menos para aqueles cuja subsistência não esteja em risco imediato. Nunca será suficiente para salvar este verão. Aliás, a receita velha ensina “panem et circenses”. Só o circo, nunca chegou. Em nenhum momento. E também os protestos de rua têm efeito multiplicador. E a inteligência disponível manifesta-se em consonância.

A Raça e Kavako

O Demóstenes de Boliqueime celebrou hoje, dez de Junho, o “dia da raça”(segundo disse). Como sempre, o homem cuja obra preferida de Mozart é o Amadeus (segundo as vozes públicas), não teve dúvidas e seguramente não se enganou. "Vamos no supor" que havia raça. Qual seria?

Sunday, June 1, 2008

PARVAGAL EM TEMPO DE VÉSPERAS

Enquanto as escutas em divulgação na imprensa desbastam a (inacreditável) protecção do PS a Paulo Portas (revelando o tio da América a entrar por todos os buracos), enquanto aquele cretino jura a pés juntos que não é mação porque foi aluno dos jesuítas (!), Manuela Ferreira Leite foi eleita para presidir a um terço do PSD… Depois de, por assim dizer, derrotar os outros três atrasados mentais. O PS aninha-se na sua sonhada posição de “partido revolucionário institucional” à mexicana. E Parvagal estremece com a ideia de uma radicalização à esquerda. Seria o momento, parece, para lançar um consistente liberalismo de esquerda. Mas o país desagrega-se. O litoral tornou-se a nova zona desprotegida, porque longe da protecção do comércio e do Estado Espanhol (IVA a 16%, gasolina quase a metade do preço e tabaco que ainda se pode fumar). O inteiro Algarve faz ostensivamente compras em Espanha, como boa parte do Minho, Trás-os-Montes e toda a – antes desfavorecida – faixa interior. O sustentáculo geográfico dos conservadores, ou “centrão”. Resta a esquerda comunista ou socialista radical (nada inteligente, mas combativa) dos grandes centros urbanos a sul do Tejo. E resta a desagregação completa de um país de onde os próprios parasitas dos aparelhos político-partidários já afastam as famílias, pondo-as a bom recato. O verão será, social e economicamente, abrasador. O desemprego libertará grandes disponibilidades para a contestação de rua. E a consumação da desgraça começará a ficar clara com o cair do ano. Vamos assistir a um fenómeno relativamente raro: o falhanço absoluto de um país (inteiro) sem qualquer pressão de inimigos externos. A observação atenta do processo permitirá esclarecer vastos domínios da Teoria Geral da Estupidez. Convém, em todo o caso, que os observadores não descurem os aprovisionamentos. As reservas alimentares de Lisboa só dão para três dias, e isso, em caso de convulsão social - mais que provável – pode dificultar as observações.

Saturday, May 31, 2008

LAS ESCUCHAS EN ESPAÑA

A juiz presidente do Tribunal Constitucional Espanhol, María Emilia Casas Baamonde – respeitada Catedrática de Direito do Trabalho e antiga Vice-Reitora da Universidade Carlos III – foi escutada pela Guardia Civil. Foi gravada uma conversa, onde responde a um pedido de opinião de uma advogada, amiga sua, mas arguida em crime de homicídio sem que a magistrada o soubesse. E sem que, nessa conversa, isso fosse sequer aflorado. Todavia, o tema da opinião (pedida e dada) era sobre matéria do processo. Em Espanha os magistrados judiciais não podem prestar qualquer tipo de assessoria jurídica, compreensivelmente. E os juristas estão a discutir (febrilmente) se a mera opinião, pode ser assessoria. Contra Ordem entende que toda a assessoria jurídica é “mera opinião” e o que lhe dá peso é a consistência própria e o prestígio intelectual de quem a emite. Todavia, é preciso saber se, não tendo os magistrados judiciais mais direitos que os outros cidadãos, devem ter tão poucos, ao ponto de não poderem trocar impressões sobre questões de Direito, em abstracto, com um amigo, ainda que esse amigo esteja em sérios apuros (e por mais justificados que esses apuros sejam). O que está em causa é saber se uma conversa telefónica com estas características pode ser escutada, gravada e objecto de processo. Isso é que é perturbante. Vamos ver se o Supremo Tribunal resolve as coisas de molde a que tais inquietações se não repitam. O debate dos juristas sobre esta questão, tal como vem publicado, é – como de costume? – uma discussão de atrasados mentais, incapazes de discernir o problema substancialmente presente. E esse é o da escuta e processo de uma conversa destas e por uma conversa destas. Por ser evidente (excepto para juristas?) que tal escuta e tal processo, in casu, lesa interesses e direitos infinitamente mais importantes do que aqueles que, em teoria, visaria proteger. Quanto à personalidade da juiz presidente do Tribunal Constitucional, sublinha-se que é uma querida. Senhora de uma presença admirável. E, evidentemente, uma sábia. Compreende-se que a “derecha española” preferisse ver na presidência do TC uma personalidade com cara de Acção Católica, ou com cara de prisão de ventre (coisas substancialmente idênticas). Preferências à parte, vejam lá se tiram a notável senhora deste filme (muito) depressa, sim?...

Wednesday, May 28, 2008

A NATO EM TREINOS

A NATO treina o "exército do Kossovo". Interessante. Receberam mandato da ONU para tais treinos? A NATO não era uma organização defensiva? O conceito de defesa integra agora dar um exército às máfias albanesas? E que manobras treinam? Aprisionamento e transporte de mulheres cativas? Escolta de comboios de mão de obra ilegal? Resistência, evacuação e fuga às polícias europeias? Dinamitação de Igrejas Ortodoxas?

Monday, May 26, 2008

OUTRA EUROPA

A “grande Europa” sempre se pensou como uma expansão das lideranças ocidentais. Ideia estranha, face a cuja estranheza os resultados se traduzem em simples desfasamento. Nas coisas mais pequenas, como nas grandes. A grande Europa traz, afinal, uma mudança dos padrões do gosto, parece. Nos três primeiros lugares do (frívolo) Festival da Eurovisão ficaram três países ortodoxos. O vencedor (a Rússia) canta-se diante de nós. Mas as outras canções também podem ouvir-se como metáforas políticas. “Tens que me descobrir”, “não sou um livro aberto”, canta a Grécia. (Claro). “Vais ver o que mantive escondido”, “estás prestes a arrepender-te”, diz a Ucrânia. (Nem isso nos surpreenderia, acrescente-se). “De pé, como uma árvore ao vento”. “Nada moverá esta montanha”, proclama a Rússia. (Quem duvidaria?)… “Para a luta acabar, tens de me abraçar”: - Sim, lindíssima e teimosa Arménia. Tal abraço está longe de ser imposição desagradável, aliás.

Wednesday, May 21, 2008

PARVAGAL NEWS

A irrelevante terra de Gales a sul do Minho agita-se de novo com um pronunciamento de Júdice. Trata-se de um esparvoado nacional-católico, com tiques de fascismo desde os tempos da sua formação universitária. Falhou todos os objectivos políticos na vida, à excepção, talvez, de capitanear a bem sucedida polícia política dos proxenetas de crianças órfãs. Decidiu agora bramar contra a “ditadura” de Marinho Pinto na Ordem dos Advogados em Portugal. Logo ele, que ousou instaurar a censura estatutária, sob a forma de exame prévio das comunicações públicas (para os outros, mas para todos os outros) e fez uma polícia política em defesa do “país da Casa Pia”. Também instaurou a missinha de "Santivo", alinhando confessionalmente a corporação. Ora, quando – em geral falando - um canalha brama por democracia, refere-se, evidentemente, à liberdade dos canalhas. Parece-nos ser esse o fenómeno. Chama populista a Marinho Pinto, o actual e esforçado bastonário. Teme talvez que se vire contra si o bendito estatuto Júdice, feito por si próprio, e com o qual já foi vergastado pelos menos duas vezes. Falou desta vez em terras do Garb, em Faro. A Sharia reserva a isto, supomos – na mais benevolente interpretação decisória - umas trinta bastonadas. Em público. É dar-lhas.

Tuesday, May 20, 2008

Nasr Hamed Abou-Zeid

A experiência da globalização sente-se com estrutura teológica na pretensa evidência da inelutabilidade das regras de mercado às quais ninguém pode opor-se. Como se aqui houvesse um Deus omnipotente, mas desprovido de qualquer Clemência. Todas as (pretensas) regras da economia globalizante omitem a justiça social. A opinião vem de Nasr Hamed Abou-Zeid, professor de Estudos Islâmicos na Universidade de Leiden, numa entrevista magnífica ao Al Ahram. Compreende-se o seu interesse pelo Sufismo (que de resto estende… fala em sufismo cristão, judeu e budista, terminologia interessante a sublinhar, parece, a plausível consistência comum dos misticismos ao menos na universalidade da sua tensão com os canonismos).

Centra a sua atenção em Averrois e Ibn Arabi. Leitura absolutamente obrigatória. Entusiasmante. Visa evidentemente uma “leitura actualizada” do Corão. Claro. Não pode obedecer-se a nenhuma Lei sem determinar a sua vontade actual. Parece evidente. Tão evidente como a resist ência dos dogmatismos canonistas. Contra Ordem não dava saltos assim desde a sua descoberta de Al Afghani, cuja fotografia aqui reproduzimos. Temos de facto a sensação de ter retornado à era dos grandes mestres. Os moderados e os radicais parecem-lhe substancialmente o mesmo. Mais um homem magnífico e este para sorte nossa, está mesmo, mesmo ali … Vamos ouvi-lo a Leiden?

Monday, May 19, 2008

HRISTOS A ÎNVIAT!

Mons Iosif Pop, Metropolita Romeno da Europa Ocidental - que visita o território Português durante esta semana - presidirá à sagração e entronização do novo Bispo Romeno de Espanha e Portugal no próximo dia 25 em Madrid. Mons. Timotei é o primeiro Bispo Romeno sagrado para o território, que todavia teve três bispos locais (portugueses) sagrados (e excomungados) pela Santa Igreja da Polónia de cuja metrópole ibero-americana só subsistem, hoje, o Brasil e a memória de Gabriel de Lisboa que, tendo abandonado este mundo como Bispo Canónico, foi o primeiro a liderar o regresso destas terras à Ortodoxia. Também o Patriarcado Ecuménico sagrou já para a Península Ibérica o Bispo Policarpos cuja Cátedra pontifical está em Madrid. E em Madrid ficará o novo Bispo Romeno. Nem a Igreja Romena, nem qualquer outra Igreja Ortodoxa conseguiu até hoje construir um só templo em Lisboa, não obstante a persistência dos esforços. Se o país não quer, não tenha: governem os Bispos Ortodoxos a partir de Madrid. Subsista Lisboa como pequena cidade de província, até nisto.

ХРИСТОС ВОСКРЕСЕ!

A Santa Igreja Russa entronizou aos 18 de Maio o Primeiro Hierarca da Jurisdição de Fora das Fronteiras. O Santo Metropolita Hilárion de Sidney sucede assim ao Santo Metropolita Lauro obreiro da restauração da unidade da Igreja Russa. Mnô Gaya Leta!

GREGOS, CLARO!

O Bloscope é peremptório e assinala com a Bandeira da Santa Hélade todas as nossas intervenções. Os gregos são inconfundíveis, não é?

DIREITOS HUMANOS EM PORTUGAL

Dificilmente poderia conceber-se pior. Em todos os campos e com os exemplos mais grotescos. Podíamos começar pela liberdade religiosa. As Igrejas Ortodoxas no território não conseguem construir um único templo e Lisboa é a única capital do continente europeu sem uma só Catedral Ortodoxa de nenhuma jurisdição, apesar da Ortodoxia ser a segunda confissão religiosa do território. Podemos continuar pela tortura, devendo então focar os indícios de extorsão de confissão sob tortura ao longo de um ano, passando pela (completa ausência) da liberdade de imprensa e pela perseguição de quem verbaliza o Direito. Nesta terra tudo tem acontecido.

A ACED presidida pelo Prof. Doutor António Pedro Dores (professor de Sociologia e destacado militante dos Direitos Humanos em Portugal) publicou recentemente elementos documentais importantes.

O primeiro, no plano dos factos, dá conta de indícios suficientes de tortura de João Cipriano e Leonor Cipriano (familiares da Joana, criança desaparecida no Algarve e cujo rapto parece objectivamente protegido pela extorsão de confissão de homicídio sob tortura, pelos mesmos polícias que pretenderam hostilizar o casal MacCann e são arguidos em processo criminal por tortura e cumplicidade com a tortura). Marcos Aragão Correia e José Preto investigaram o caso e formalizaram relatório.

O segundo reporta-se ao tratamento dado a António Pedro Dores em razão das denúncias sobre a situação prisional e vem bem trabalhado na contestação criminal assinada por José Preto. O terceiro, reporta-se ao silêncio em torno da conferência de imprensa da ACED em Lagos (Algarve), tendo sido o tema da tortura ignorado pela imprensa portuguesa (só a TVE se interessou pelas questões de princípio).

António Pedro Dores concedeu ao Pravda uma importante entrevista sobre estas questões, esteja atento. Será a imprensa Russa o recurso para a liberdade de expressão dos portugueses? A publicação da entrevista não deve tardar.

Portugal, olhado do ponto de vista da prática institucional e da mentalidade dominante, está fora do espaço europeu de civilização.

Wednesday, May 14, 2008

Tadic negoceia

Em causa uma coligação. Pretende coligar-se o impossível. De um lado a intransigência quanto à pseudo independência do Kosovo que faria nascer, no berço históprico da Sérvia, um estado-vassalo em torno de uma base militar americana, cercada por máfias subsidiadas pela União Europeia. Do outro a esperança da integração europeia (!) … Os Sérvios devem procurar inspiração na sabedoria clarividente de Stefan Lazarovic: antes os turcos que os cruzados (q.e.d.), enquanto não for possível viver numa terra sem turcos nem cruzados. É preciso ser fiel à História, para que a História nos seja fiel. “Antes o turbante turco que a mitra latina”, como bem se sabia em Constantinopla, diante de Mehmet II. “Antes o chicote russo que a liberdade alemã”, como bem o sabiam os eslavos do Séc. XIX. Possa Deus preservar a Santa Pátria Sérvia. Porque há realmente um reino de sombras onde os homens são emasculados para alimentar os cães.

Monday, May 12, 2008

NOVA CRISE SÉRVIA

Tadic venceu as eleições como partido mais votado com 39% dos votos expressos nos resultados ainda provisórios. Vem seguido do Partido Radical Sérvio com 28,5% e pela coligação de Kostunica com 11,2%, seguido do Partido Socialista Sérvio com 8%.

A renitência face à “Europa” agressora subsiste maioritária, ainda que irracionalmente estruturada face às urgências do momento. Os húngaros trouxeram apoio suplementar aos federastas de Tadic. A Hungria, como se sabe, foi elevada pela Democracia Europeia ao papel político marcante de capital mundial da Pornografia, com 250.000 mulheres de Budapeste a trabalhar (por assim dizer) naquela “indústria”.(Provavelmente toda a população feminina em idade fértil da Cidade).

Pode impor-se a prostituição do Estado a um país, contra a maioria do seu povo?... Ainda que as vitórias tácticas possam representar derrotas estratégicas, a resposta provisória é afirmativa. Pode.

Tadic já declarou que Kostunica “nunca mais” será primeiro-ministro. Correu entretanto a demitir os altos quadros da Segurança Interna por temer pela própria vida, segundo tudo indica.

Quanto à vitalidade intelectual dos Sérvios, o Teatro Nacional de Belgrado mantém a sua presença de excepcional intensidade. Belgrado é uma das cidades mais inteligentes da Europa. E o Teatro Nacional levou agora à cena “A neurose Sexual dos nossos pais” de Lukas Barfuss, jovem autor. Um suíço nascido em 1971. A encenação é de Tanja Mandic. O Teatro cita uma frase que há-de ecoar de modo estranho em Belgrado nesta segunda-feira: “To me people are at their most human when they are living with all their contradictions and attempting to handle them. All of us are heroes in the same way. However, being weak, failing, there’s something very personal and charming about that.”

Simic, um poeta sérvio da América foi recentemente distinguido e é citado pela Santa Igreja Sérvia, em palavras que também hoje ecoam de modo estranho: “At least one crucified on every corner./The eyes of a mystic, a madman, murderer./They know it's truly for nothing,/The eyes do./ All the martyr's sufferings/On parade. Exalted mother of us all/Tending her bundles on the sidewalk, Speaking to each as if it were a holy child...”

O Semanário Sérvio, interessante presença editorial dos Sérvios em Espanha, publica a completa informação sobre as votações, cujos resultados são ainda provisórios.