Saturday, November 7, 2009

PAPISMO EM DEBATE

O papismo foi levado a debate em Londres, por iniciativa da “intelligence squared”. Mais de mil e oitocentos participantes no debate recusaram à ICAR qualquer bondade no papel que desempenha no mundo, em votação final. Contra cerca de duzentos votos. Um jovem inglês olhou John Onaiyekan - diante das Câmaras da BBC - e perguntou-lhe: -”arcebispo, qual é a posição política da igreja católica da qual se envergonha mais?”... E Stephen Fry na sua alocução sublinhou as centenas de padres e freiras em julgamento, por genocídio, no mais católico dos países africanos: o Rwanda. E sublinhou ainda a canonização de Thomas Moore (pelo papa Voitila, de tremenda memória). Lembrou que a tal “santo” se deve o assassinato de muitos ingleses cujo pretenso crime foi o de terem lido a Bíblia em Língua Inglesa. Um debate radicalmente livre. Com respostas absolutamente descoloridas – senão absurdas - do arcebispo Onaiyekan e da deputada conservadora. Respostas construídas no elogio recíproco que ninguém mais acompanhava ou acompanhou. E a conclusão parece-nos adequada e evidente, aliás é sempre a mesma quando um debate livre é possível: a ICAR, enquanto tal, é uma força malévola de opressão, perversão, violência e radical falta de respeito pela vida, pela liberdade e pela dignidade dos homens, pela Criação Divina e pelos Evangelhos. Nem vale a pena persegui-los. Basta examiná-los e abandoná-los. Como ali se fez. Entretanto, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou o Estado Italiano pela manutenção da quinquilharia papista nas salas de aula. Concordamos com a solução, sem recusar nem conceder completamente o fundamento respectivo. Trata-se da retirada dos “crucifixos” das escolas. É evidente que têm de ser retirados. E o que é isso, em tal quadrante? São estatuetas de homens de musculatura exagerada e, em regra, de abdominais sobredesenvolvidos, a contorcerem-se, numas cruzes, em imagens carregadas de sugestões – sexuais, inegavelmente – todas grosseiras e malsãs. Imagens que, do ponto de vista Cristão, não podem celebrar a vitória do Ressuscitado sobre a morte. Representam apenas o que mostram. Como as representações papistas do martírio de S. Sebastião. Um qualquer êxtase letal, porventura de natureza homo-erótica. E ali há quem veja, até e apenas, mórbida pornografia. A tara sob a pretensa moral. Não são coisas que devam expor-se em Escolas. Talvez possam ser estudadas em História da Arte. Mas a sua oferta à veneração, senão à adoração, da infância parece-nos impensável e deveria mobilizar imediatamente os aparelhos de protecção de menores. Os papistas celebram de resto a própria morte, também morbidamente, na primeira porta da direita na sua primeira basílica, em obra cuja genialidade se mede pela perfeita presentificação do horror, na mais austera economia de formas. A repulsiva construção define-se, assim e por isso, como percurso macabro iniciado na porta da morte e, sem conceder repouso aos olhos - desde o latejar do chão de muitos mármores, ao faiscar das talhas inúteis, acaba no trono do estupor do velho (infalível, dizem eles),perfidamente elevado sobre todos os altares, incluído o altar-mor, isto é, elevado acima de todas as formas da Presença Real, se acaso em tal construção se pudesse preservar esse sentido fundamental da Sagrada Liturgia. É malhar-lhes. Malhar-lhes sempre. Sem desfalecimentos. E abandoná-los. Sem hesitações. Qualquer crítica que falhe o alvo pode significar um desperto a menos. Ou muitas vidas a mais. Há pois que fazer um esforço para, malhando sempre, acertar sempre. Assim Deus, no seu infinito amor pelos homens, nos sustente o esforço. Não poderia Saramago escrever outro Caim?... Claro que sim.

Tuesday, November 3, 2009

O papismo ladra e o Saramago passa

O abominável Carreira das Neves veio à estacada com mais uma. No Expresso ainda em distribuição. (Possa Deus perdoar-nos tão específica referência e proteger quantos se expuserem, por culpa nossa, à pretensa erudição da repulsiva criatura). Abel era pastor e representa os campos. Caim, as cidades. E o conflito entre ambos é o conflito entre o igualitarimo dos campos e as cidades onde o igualitarismo morre. E com esta semi-ideiazinha que há-de ter-lhe parecido luminosa, vem contra Saramago, claro, como toda a corja. Até o Pulido Valente (por assim dizer) sacudiu os seus torpores alcoólicos para vir salpicar o Público com o respectivo vómito. Mas também o abominável Carreira das Neves parece estar bêbado. Em primeiro lugar a (por assim dizer) fraternidade dos campos não é o igualitarismo. Todas a comunidades rurais foram, são e serão (muito) estritamente hierarquizadas, porque não há família, clã, ou aldeia sem hierarquia. Em segundo lugar, há cidades e cidades (mesmo no Velho Testamento). Há a cidade que o trono olha como sua e o pode ser, ou não. Há a cidade que se sente aliviada pela distância a que está do trono. Há portanto – e deste ponto de vista - três cidades (a cidade do rei, a cidade que não quer ser a cidade do rei e a cidade sem rei). São muito diferentes e continuarão a sê-lo ao longo da História. Com a Grécia e com Roma as cidades sem rei (e às vezes, apesar do rei) definirão a urbanidade como padrão de igualdade dos que, a tal luz, forem iguais (são sempre muito mauzinhos para os camponeses, os rapazes das cidades, riem-se sempre muito deles e por nenhum modo lhes concederam alguma vez estatuto de igualdade). As cidades dos reis viverão no quezilento espartilho das cortesias, como cidades de gente servil que chega a enjoar o próprio rei. As cidades que resistem ao trono, são troçadas pela corte (raramente dispõe o trono de melhor remédio), que lhes quer tratar os cidadãos como estes tratam os camponeses (embora sem o conseguir sempre). As Histórias das Literaturas demonstram suficientemente isto. Há uma literatura cortês, que não é a literatura da urbanidade. E os campos erguem a tradição oral das suas comunidades, descoberta e redescoberta pelas cidades nos testemunhos literários de um período de maturação, de exílio, de repouso, ou da nostalgia deles. São “quadros sociais do conhecimento” claramente distintos, onde o “nós” e o “eles” estão muito bem definidos. Estes campos – ao contrário do que diria a narrativa bíblica se assim fosse, se o abominando Carreira das Neves pudesse ter razão - continuaram a ter herdeiros da sua fraternidade (hierarquizada demais para poder ser completamente fraterna). E no Livro – coisa de que anda a malta toda um tanto esquecida, neste pseudo-debate – só Caim teve descendentes. Como se fosse um segundo Adão sempre excessivamente terrestre, que pelas suas mãos quis fazer-se a si mesmo e se fez repugnante (como Carreira das Neves). Segundo Adão é um epíteto muitíssimo sério devido ao próprio Cristo (não se levem demasiado a sério os reflexos da pretensão de Caim). E as Escrituras vão registando, séculos fora, a mesma pergunta que lhe é feita a ele, Caim, e continuará a sê-lo aos seus descendentes. É sempre a mesma coisa (no essencial) - “ que andas tu a fazer?”… Um pouco como quem diz: “se te fiz homem, porque fuças tu como um porco?”… -“porque rosnas tu como um cão?”, -“porque uivas tu como um lobo?” (porventura, mesmo: - “porque grasnas tu como Carreira das Neves?”)… São as interpelações que o Saramago faz suas, também no essencial. Há um Deus no sórdido? Não, claro. Mas a gente olha para os papistas e parece que sim. A leitura de Saramago está legitimada pelo testemunho actual da sordidez à qual reage. Terá isto sempre sido assim? Virá esta monstruosidade dos textos? -perguntou-se. Foi ver os textos na versão definida por canónica pelo papismo. E concluiu que sim. É a conclusão dele. Devíamos poder discuti-la. Mas estes imbecis acham-se legitimados, não para a discutir, mas para censurar. Para admoestar. Para se porem em bicos de pés e -imagine-se- para se largarem a ensinar (à moda deles). Labregos. O abominável Carreira das Neves até vem com a Lei do contexto. Tratemos então de lhe meter a lei do Contexto onde ele precisa que lha metam: Não fez o papismo uma moral que cristaliza todas as taras e à luz da qual se subverteram todas as leituras das Sagradas Escrituras? Não é o papismo a nova sodoma desde a Austrália ao Canadá, passando pela Irlanda, Polónia, Hispânia e América do Sul? Não é a moral do papismo que vicia os textos? E literalmente os vira ao contrário? Não foram os papistas quem fez as traduções das quais se serviu Saramago? – Sim. Outrossim. Sim de novo. Sim, ainda. Sim, evidentemente. Poderia Saramago ter visto nos textos outra coisa? Podia. Se não estivesse na posição de Saramago. Mas, enfim, os cães do papismo ladram (e é verdade que ladram) e o Saramago passa (sendo evidente que passou).

Saturday, October 31, 2009

OS EX-COMUNISTAS E A JUSTIÇA TÚGARE

A justiça da tugária foi entregue a dois ex-comunistas. Correia e Magalhães. Um comunista nós sabemos o que é. Um caturra. Ainda vagamente parecido com um conservador. Procura viver com austeridade e honrar os seus compromissos, tem frequentemente família e preocupa-se com a educação dos filhos, não vai em cantigas, abomina a prostituição, a pornografia e a panasquice. Cultiva a frontalidade e a firmeza de carácter. Respeita a disciplina do partido como forma de honestidade. Enfim, é o que um salazarista teria gostado de ter conseguido ser em todas as circunstâncias (aparte uns detalhes que não são necessariamente irrelevantes) e, provavelmente, é um dos poucos seres humanos ostensivamente fiéis a tal ideário. Talvez a coisa tenha a ver com a Superioridade Moral dos Comunistas que Cunhal escreveu. (Os outros não costumam ser ostensivos). Não é muito fácil falar com tal gente. Mas devia-se falar mais com eles, não obstante. Já um ex-comunista da tugária é toda uma outra história. Tendemos a ver nele um canalha voraz à procura de emprego. (Lembram-se de Pina Moura?) Apresenta-se apto a servir todos os senhores e exibe as suas aptidões. Acha-se inteligente. Faz profissão de ser simpático, mas sabe constranger com crueldade de eunuco. E parece ter perdido todos os princípios. Vamos então a factos quanto ao ex-comunista Correia. Subalterno de Júdice na ordem dos advogados, produziu com ele um estatuto da ordem que restaura a censura (exame prévio das comunicações públicas em ordem à sua autorização ou proibição), estabelece a polícia política (os conselhos de deontologia perseguem posições filosóficas expressas em textos de debate forense, havendo notícia da perseguição disciplinar a uma citação do De Civitate Dei em peça processual) anula o título profissional dos advogados (a advocacia perdeu até a dignidade de trabalho, sendo mera “actividade”). E – coisa não menos importante - estabelece a sujeição pessoal dos advogados aos gajos da corporação (e a sujeição pessoal foi abolida na Revolução Francesa). Enfim, aquilo é realmente uma belíssima coisa a apresentar a um tribunal islâmico como crime contra a liberdade e a dignidade dos homens (trabalho de casa: procurar a sanção para tal indecência à luz da Sharia). A Correia se deve, também, a expressão de desprezo saldada no epíteto de “descamisados” atirada aos apoiantes de Marinho Pinto (que protagonizou uma verdadeira, embora muito limitada, insurreição eleitoral dos advogados do território). Pois o Correia que lá se infiltrara entre os apoiantes do poeta Alegre aparece agora como serventuário de Sócrates de Massada da Beira, na Secretaria de Estado da Justiça. Homem de prosas cinzentas no foro, mantém ainda a franjinha de garoto. É portanto um travesti da adolescência perpétua, como Pinto Ribeiro. E estes espécimes podem talvez encontrar lugar no Ministério da Cultura. Porque entre bailarinos, pintores e actores nada pode razoavelmente destoar de alguma coisa. Já a Defesa, a Justiça, o Interior e as Finanças são pastas pessoalmente mais exigentes. Que dizer? - isto: a coisa não vai durar muito (porque nada vai durar muito); mas vai piorar muitíssimo, com toda a probabilidade.

A DESOCULTAÇÃO DA FACE

A “face oculta” é com toda a probabilidade o que na faculdade chamávamos uma “cara de cú”. E porque nenhuma “cara de cú” produz outra coisa, dali vai sair trampa. Num território especializado em tal produção, isso mesmo haveria de ser o escopo de todas as tentativas de salvação do país, do estado, da economia e o instrumento fundamental da demanda colectiva da felicidade nestas terras e por estas gentes. Se aqui apenas há trampa, é isso que falta vender. Exportar. Reínventar. Examinar exaustivamente (mas eficazmente). Um país que cheira a esgoto de Tavira a Caminha, devia centrar nas esterqueiras, lixeiras, como na produção de todos os resíduos e dejectos, por mais tóxicos e infecciosos que se revelem, as mais desveladas atenções. Sócrates tentou fazê-lo e produziu o Freeport. Sem saber exactamente o que fazia quis ainda engendrar-se a si mesmo e isso o fez com uma "licenciatura independente", outorgada num Domingo. Lixo, claro. Mas acaso pode isso estar errado? Acaso há aqui mais que lixo? Estas coisas devem ser tratadas desapaixonadamente. Gente de merda há-de valer pela merda que é. Não adianta ficcionar-lhes outro valor. E a última coisa que se deve fazer é pedir-lhes, ou consentir-lhes, qualquer aparência de normalidade. Eles valem pela anomalia. E na merda que são revelam-se preciosos. São preciosos para Psico-Sociologia. Para a Sociologia. Para a Literatura. Para a Psicologia. Para a Antropologia. Para a Ciência Política. Para a Sociologia Política. O facto de isto ser um país de merda, conduzido por gente de merda, pode ser um belíssimo negócio. Um grande buraco em todas as teorias gerais, tem valor em si mesmo. O grande problema é que só as pessoas normais poderiam gerir tal valor. E era precisa alguma franqueza por parte dos anómalos, i.e. da gente de merda. Eles têm de desistir da sua pretensa normalidade, da sua pretendida construção de imagem de distinção, da sua ânsia de ser outra coisa. Também isso é matéria de estudo plausível, claro. Mas não se lhes deve consentir que isso atinja qualquer eficácia na dissimulação. Um desgraçado do Diário de Notícias entende que no caso Casa Pia – imagine-se - emergiu “uma nova geração de magistrados”. Loucura. Ali apenas há uma fracção quase inócua do processo necessário, que levou a juízo nem meia dúzia de tarados de entre os quinhentos nomes identificados pela CIA. E isso sempre seria (evidentemente) um nojo. O semelhante gera o semelhante. Uma terra de merda tem necessariamente uma judicatura de merda, uma polícia de merda, produzindo processos de merda (com a ocultação de quase tudo o que havia a debater). Uma terra assim tem também um governo de merda e uma administração pública de merda. Um ensino de merda. Com a consistência necessariamente correspondente de tudo o mais. Tudo isto, aliás, distinguível a olho nú. O que é preciso portanto é – como sempre – transformar as fraquezas em forças. No caso, é preciso transformar a merda num grande negócio. E a via é a editorial, naturalmente. Universitária, plausivelmente, ainda que deva ser em universidades doutro lado, mas logo aqui ao lado há um grande país em cujas universidades isso pode assentar. É preciso evitar, todavia, que esta merda de gente se ponha a pensar-se, convidando-a a manter aquilo de que sempre gostou: a solução de uma gente inteligente a pensá-la. Porque se eles se põem a pensar dá nisto que o idiota do D.N. ilustra aqui perfeitamente: um messianismo de merda. Na circunstância, um messianismo assente numa judicatura de merda. “Entre os corpos da nação em ruínas” (como dizia o manifesto do 28 de Maio) eles continuam à procura da instituição onde resida (substancialmente) a representação natural e a legitimidade moral do golpe de estado (independentemente da forma que venha a assumir). Ora, ora… Isso é compreensível, mas desinteressante e evitável. O que mais nos faltava agora eram reflexões de merda, de outro "cara de cú”.

Friday, October 30, 2009

UNIVERSIDADES: A EUROPA E O MUNDO (a tugária não existe)

Shangai publicou a sua classificação das 100 universidades melhores do mundo. As norte-americanas reinam entre as primeiras cinquenta posições. Não é de estranhar, porque aparentemente a China tomou por modelo as universidades americanas e não espanta que estas lhe pareçam melhores, ou seja, mais conformes ao modelo adoptado. Outro tanto ocorre com o The Economist. Aparte o jeitinho dado à Opus e prestada sentida homenagem à Suiça, a revista americana acha melhores os MBAs americanos. Não há aqui motivo de escândalo. O Finantial Times acha as escolas Francesas muito boas e estas ocupam as posições cimeiras da sua lista. Já os franceses entendem que é importante fazer um “ranking” europeu. Com critérios europeus. Como guia para as opções estudantis. Estamos de acordo. Mas quanto à tugária o resultado será o de sempre. Não precisamos de tal “ranking” para concluir que é melhor fechar as escolas locais e mandar os miúdos para um qualquer sítio de gente normal. (Mais os professores normais que nestas escolas andam completamente bloqueados). Rememoremos os problemas. - só 30% dos diplomados estão a exercer na área da sua formação (isso significando que ela foi inútil em 70% dos casos), coisa que parece dever-se à distorção que estas bestas provocaram, por décadas a fio, forçando a malta que queria ir para História a cursar Sociologia, a malta que queria ir para Medicina a ir para Enfermagem, a malta que queria ir para Biologia a ir para Línguas e Literaturas Modernas. - os diplomados estão a sair por não encontrarem, nem assim, colocação possível na tugária (e isso explica-se plausivelmente pelo facto de 90% dos empresários terem habilitações até ao 9º ano e não entenderem sequer para que lhe servirão os emproados miúdos, quanto a alguns dos quais – e em boa verdade - se pode dizer que a licenciatura precedeu a alfabetização) e a indigência intelectual do país também não lhes abre quaisquer postos de trabalho porque as indústrias da cultura são aqui, todas, inviáveis. - o número estatisticamente desprezível de diplomados entre os empresários e, até, entre os profissionais liberais estabelecidos com sede própria, traduz que a formação superior não habilita para a independência, nem para a livre iniciativa, mas apenas para o funcionalismo, como regra público, embora não baste sequer para sustentar uma judicatura passível de respeito mínimo (há juízes que dizem “vestoria” por vistoria, “instência” por instância, “sigilio” por sigilo e se essas coisas não fossem achadas aceitáveis eles não teriam sido sequer providos em concurso). A conclusão é a de sempre. E nada pode melhorar porque nem sequer há tempo (nem gente) para tanto. Não vale a pena desesperar. Basta desistir, i.e. empregar melhor o tempo que nos resta.

Monday, October 26, 2009

O FOLKLORE PAPISTA DO DIÁLOGO

Todos os Santos Patriarcados Ortodoxos – com excepção da Santa Cátedra Patriarcal da Bulgária – se fizeram representar em Chipre. Foi mais um episódio de diálogo com os papistas, desta vez quanto ao papel do Bispo de Roma na Igreja do primeiro milénio. A reunião ocorreu de 16 a 23 de Outubro e – evidentemente - não serviu para nada que possa ver-se. Emitiram os Patriarcados presentes uma censura às (conhecidas e nem sequer minoritárias) renitências dos ortodoxos que gostariam de ver os papistas tão longe deles quanto possível. (Possa Deus na Sua infinita Clemência conceder-lhes o socorro). E garantiram as Santas Cátedras Patriarcais presentes que nenhuma cedência quanto ao Ensino dos Padres e ao Legado dos Sete Concílios será alguma vez protagonizada por Bispos Ortodoxos em tais diálogos. Censuraram as incorrecções de informação dos ortodoxos evidentemente renitentes. Incorrecções eventualmente provocadas pelos compreensíveis temores de quem vê tais e tantos monstros papistas tão perto. (Possa Deus sustentar tal renitência e acentuar tais temores). Uma única conclusão foi publicada e esta é a de que as legações voltarão a reunir em Viena. O texto oficial nada diz quanto a quaisquer outras conclusões, pelo que é de supor que os Santos Bispos Ortodoxos terão firmado que o Patriarca do Ocidente era membro igual da Pentarquia e os papistas terão dito que o Bispo de Roma era mais pentarca que os outros. Porque o próximo número do reportório deste infeliz folklore terá lugar na Cidade de Viena, relembremos que o pobre Ian III Sobieski a salvou dos turcos – não obstante a inoperância do exército imperial, a cobardia do exército papal e a indiferença das forças venezianas – salvação lograda para desgraça de Ian III e para desgraça nossa, já que pior que o turbante turco é, como sempre foi, a mitra papista. Nada havendo contra os pretextos de viagem aos quais respondam os Santos Bispos Ortodoxos – porque viajar é importante, em si mesmo – perguntamo-nos se não seria possível que viajassem por mais respeitáveis motivos.

Sunday, October 25, 2009

CONFISSÃO POR VENTURA: O PAPISMO E SARAMAGO

O papismo autóctone reage ao Caim de Saramago, dizendo-lhe, pela boca de Fernando Ventura (o exegeta oficial do sítio), que o escritor não soube ler o texto (cuja versão viciada o próprio papismo afirmou canónica). Essa versão não corresponde ao sentido real do texto original. Aceita-se a confissão. Mas todos sabíamos já que o papismo vive - e sempre viveu - sobre a falsificação dos textos. Dos sagrados, como dos teológicos. Mesmo Agostinho de Hipona só é entre eles citável até às Retratações. E essa é uma das razões pelas quais o papismo não consente nunca a liberdade de palavra nas suas fileiras. Porque falar exige ali saber, em cada momento, que sentido a hierarquia daquilo dá (imperativamente) às palavras. Gente repulsiva. Estrutura repulsiva. Conduta repulsiva. Mas é bem papista este raciocínio de opor à denúncia o “bocadinho do absoluto” que a erística recomenda, in casu, para calar ou desqualificar o opositor. A coisa traz até o matiz da pretensa sedução intelectual. E é apresentada (pela "imprensa de referência") como se nenhuma réplica fosse possível. A réplica é possível. Confessar, por Ventura, a falsificação da versão a uso tem aqui duas consequências: a primeira é que o papismo ousou impor por norma aquilo que nunca o foi; a segunda é que - ao torpe não pode aproveitar a torpeza própria – lhe fica vedado criticar alguém por os ter tomado a sério onde nenhuma seriedade havia. Mas fica sobretudo um grande problema: é que se o sentido das Escrituras só pode ser desocultado a uma erudição iniciada e previamente autorizada, então nenhum sentido teve jamais qualquer obediência dos outros, seja a que versão for que o papismo alguma vez tenha apresentado. Fica também a nú esta exorbitância do papismo pretender a posição de juiz em matéria onde é réu. E também por isto Saramago tinha de escrever Caim.

SOUSA LARA

Saramago é comparado a um idiota por um pseudantropos. Eis que veio Sousa Lara compará-lo a Berlusconi. Sousa Lara seria papista e maçon, segundo o seu projecto. Pretenso conde para cujo “título” quis pedir o reconhecimento ao Rei de Espanha (que o recusou). Apresenta-se como descendente de todos os reis de Portugal e do profeta Maomé (sic). E fez uma tese inqualificável, num doutoramento inqualificável (em sítio evidentemente inqualificável, se acaso existir). Angariou falsas e verdadeiras ordens honoríficas. Com a angústia e avidez de quem precisa de escoras para a dignidade que de outro modo seria insusceptível de afirmação. Foi arguido do caso moderna. E lá se safou do cárcere que o devia ter engolido, pelo talento de um advogado de muitos méritos. Foi “Mestre” da “Grande Loja Regular”. E tem nas patas esta qualidade túgare – verdadeira definição da nacionalidade imediatamente contemporânea – que é o toque de midas invertido. Tudo quanto lhe toque nos cascos se faz coisa tóxica. Acha-se com direito à palavra, imaginando talvez que quanto grunha tem algum interesse, não para alguém, mas para si próprio. O pseudantropos sente-se bem por ter logrado censurar uma obra de Saramago. E acha-se importante por lhe virem perguntar o que pensa “da situação”. Diz então que Saramago é como Berlusconi. Com o hábito de cavaleiro de honra e devoção de Malta na lapela, porque nada diz que valha por si. E naquele dia o avental estaria a lavar. Mas Poderá acaso lavar-se o avental de uma nódoa?

Saramago tinha de escrever Caím

Saramago tinha de escrever Caím. É hoje o mais qualificado representante vivo do anticlericalismo republicano, ao qual se deve a redução à invisibilidade do papismo naqueles anos da Primeira República. É legado desta República a demonstração de que o papismo é redutível ao zero. Os papistas da tugária são ainda o resultado da recomposição política feita por Cerejeira e Salazar. Nada há no papismo túgare que não tenha antes estado na abominanda cabeçorra de Cerejeira. E por isso o deus de Salazar e Cerejeira, deus de Ratzinger, deus de Escrivá e Franco, deus de Pinochet, deus de Kotsilovsky e de Stepinac, deus de Groer e Marcincus, é o deus da casa pia e do colégio militar. Inimigo de todos os homens. E fatal adversário da criação. E eles, os das estruturas papistas, miserandos homúncula, sodomitas e pedoclastas (q.e.d.), recrutam o seu "clero" com critérios claros, gizando as respectivas promoções com critérios igualmente claros. O laicado abandona-os. Por todo o lado. (Deus seja louvado). Mas os mecanismos de intriga e chantagem suprem o abandono espontâneo dos povos pela parasitagem dos estados. Ainda hoje o Torgal Ferreira fazia de feiticeiro da tribo, reduzindo o “exército português” ao papel de figurante. Ora, se o exército é papista, o papismo que o pague. (Esta corja já terá ouvido falar na neutralidade religiosa do Estado?)... Lá estavam uns marçanos endomingados e uns labregos em jeito de missa cantada (mais grunhida, na circunstância, tamanha era a desafinação e tão repulsivamente grosseiras as vozes da gentalha). Com o serviço público de televisão a fazer ecoar aquilo, que por acaso funcionou como publicidade negativa. Os gajos são mesmo feios. Os gajos são mesmo broncos. Os gajos são mesmo grosseiros. E as (presuntivas) gajas ali à mistura mais lhes valera o lesbianismo lá no circuito institucional, porque não são iguais a ninguém que se conheça. Mostrar as ventas de tudo isto resulta sempre. E sempre na direcção certa. Mas essa nunca é a intenção. Felizmente toda a gente (que não seja funcionário) quando ali fixa o olhar sofre – no mínimo - um violentíssimo enjoo. Aquilo não é gente normal. Sim, Saramago tinha de escrever Caím. E os papistas, na vastidão do conhecimento humano, hão-de poder encontrar alguma coisa de que possam ocupar-se com honestidade mínima e eficácia média. O vigor do trabalho da estiva e os serviços de recolha de lixo parecem primeiras e boas sugestões de ocupação num futuro próximo. Eles têm de ser reduzidos. (Militarmente falando). Quando se olham tais fenómenos, é impossível não reconhecer que os ateus estarão sempre mais perto da humanidade de critérios. Saramago tinha de escrever Caím.

Wednesday, October 14, 2009

SÓ A CRISE PODE MATÁ-LOS

Trinta e seis deputados de esquerda radicalizada. Noventa e seis deputados de esquerda moderada. Noventa e nove deputados conservadores. São os resultados oficiais das legislativas. A abstenção passou os quarenta por cento, traduzindo a posição numericamente mais relevante do colégio eleitoral. Isso transforma os resultados dos partidos com deputados eleitos em percentagens ridículas. Não obstante e materialmente falando, os resultados dos partidos com deputados eleitos traduzem a existência indiciada de uns quatro milhões de imbecis no colégio eleitoral. O partido do Freeport e da Casa Pia, o partido da Grande Loja e dos casos moderna e independente e o partido do caso portucale constituem a exacta maioria parlamentar. Evidentemente absoluta. Este é o verdadeiro rosto do parlamento. E o dos seus grotescos eleitores. Uma percentagem significativa, é certo, exerceu o poder de não ser cliente e nem às urnas foi. É número coincidente com a percentagem que as sondagens revelam favorável à protecção institucional da população portuguesa pela soberania da coroa de Espanha. E realmente ninguém, nenhum exército de ocupação, poderia tratar pior os autóctones, nem pilhar com mais severidade o território do que o tem feito a (ignominiosa) maioria parlamentar de sempre. A margem de abstenções aumentou ligeiramente nas autárquicas. Mas nem isso é significativo. O partido do caso moderna iniciou um processo de afrontamento entre a facção ultramontana (quer dizer o papismo que não se limita a ser odioso, mas que causa o vómito) e uma pretensa maçonaria de metades de homens – porque todos nos fazemos gente todos os dias e eles se amputam todos os dias - tratando-se aqui da maçonaria da moderna e da independente, claro, que é a maçonaria de Pinochet (para sermos rápidos). Bem podem matar-se uns aos outros, que sempre nos poupam trabalho. Adoptam agora – como o execrando Moita - o discurso do liberalismo político. Coisa irritante. Mas também irrelevante, porque tudo subsiste igual. Isaltino foi eleito e choveram críticas ao seu eleitorado. É um condenado a sete anos de prisão efectiva, pendente de reapreciação em recurso interposto. Uma tal eleição significa – evidentemente - que do ponto de vista da população de Oeiras a credibilidade do aparelho de justiça é inferior à do condenado. E está certo. (Apesar de tudo). Este fez algumas coisas que estão bem feitas a todos os olhos. Aquele só faz asneiras. E é uma asneira em si mesmo. Isaltino pensou umas coisas ajustadas. O aparelho de justiça não pensa, como o demonstram as minutas publicadas. Pode isto explicar a votação em três partidos que são (evidentes) associações de malfeitores (óbvios) à luz de quanto se publicou na imprensa autóctone?... Não. Isaltino deu e dá uma contrapartida aos seus munícipes (transformou as margens - em ruínas - de um esgoto a correr a céu aberto num sítio onde se pode viver e trabalhar). A maioria parlamentar – na exacta fisionomia revelada- o mais que pode oferecer à população é uma porta de fuga para a Europa, para o Brasil ou para a armadilha da África de pretensa Língua Portuguesa. É tudo. Prossiga a crise. Viva a crise. Só a crise pode matá-los. Possa o Inverno da economia desinfestar estes solos. Na terra onde tudo faz tremer, seria assinalável progresso poder tremer apenas de frio.

Friday, September 4, 2009

Moura Guedes desavinda com a malta do El País

A TVI pode estruturar os seus serviços noticiosos como quiser. E não quer o "Jornal Nacional" no estado em que estava. É normal. Sobretudo porque a malta do El País faz jornalismo propriamente dito e não teatro de revista. E resilta natural querer reconduzir um serviço noticioso à função noticiosa propriamente dita. Mas não, parece, sem que a Moura Guedes de largue aos gritos. E aos gritos nos diz que "tem" (por assim dizer) coisas novas sobre o caso Freeport e aliás contraditórias com as versões oficiais. Nós não estamos nunca do lado das versões oficiais. Mas a coisa é estranha. Porque, evidentemente, as “cachas” não são nem de Manuela Moura Guedes, nem do Jornal Nacional que, de resto, não é uma publicação, mas um noticiário da TVI. E portanto se essas coisas existem, a TVI pode noticiá-las quando quiser. Em qualquer serviço ou rubrica noticiosa que entender. As notícias são propriedade dos jornalistas? A Moura Guedes está a dizer que se não a deixam tornar pública a "sua" notícia, no “seu” jornal, não contará a história a mais ninguém? Está a dizer que não fornece os elementos à estação? Ou está a dizer que lhe suspenderam o jornal para ela não dar a notícia e, nesse caso, que coisa a impede de dizer isso ao MP, ou que coisa a impede, simplesmente, de dar a notícia nas declarações que está a prestar? O MP não a notifica para ir depor ao caso Freeport (já que tem ali anunciados elementos novos)? E a TVI não averigua disciplinarmente se há justa causa de despedimento por indiciada violação do dever de lealdade? Quase tudo nesta quincagenária travestida de adolescente nos parece estranho. Aguardemos a evolução das noticias.

Wednesday, September 2, 2009

OS PORNOCRATAS E A SATANARQUIA

As revistas de imprensa assinalam hoje mais um pronunciamento banal do porno jornalismo da tugária. O jornalismo de referência, como bem se sabe, tem nesta terra -que também ele faz um bocadinho mais execranda e todos os dias- a função clara de promover a prostituição e as condutas desviantes. Os "grandes jornais" são vitrinas de centenas de bordeis e comprados por isso pelos respectivos interessados e a coisa surge ocasionalmente secundada pela promoção da "publicidade redigida" em "grandes reportagens" televisivas, também. Ou nas "grandes revistas" de "informação geral". E foi o caso, hoje. Uma "grande revista de informação geral" vem dar conta do "fabuloso mundo da prostituição de luxo" (sic). E lá vem a história dos "poderosos" que se fazem dominar por "profissionais" muito "bem pagas". E a coisa tem mais importância do que parece. Não só porque demonstra que boa parte da vida política portuguesa está ao nível do bordel como sempre esteve, não só porque demonstra que os "poderosos" anseiam pela punição e até pagam a quem os puna... Isto é referência também importante porque reitera a matriz "conservadora" à moda do sítio. Os conservadores de cá -que o papismo gerou- não se limitam a ir às pêgas (como Berlusconi) nem a casar com umas de entre elas (como Berlusconi). Eles vão para serem martirizados. A coisa traz a marca da ascese papista em que o senhor prior os treinou desde a mais tenra infância, metendo-lhes "os valores" (como eles ainda dizem) pelo rabo dentro, ou pela boca abaixo (segundo as informações disponíveis). Daqui resulta que tudo quanto é natural se fez "pecado" à luz do pecado contra o Espírito que tais "valores" consubstanciam. Casam com sopeiras. E admiram as pêgas. Sendo capazes de matar de tédio e horror umas e outras. Geram umas crias piores que eles em tudo que vão pendurando, também, no Orçamento de Estado. Protegem-se em lojas e sacristias lá de umas confrarias às suas escalas. Têm horror à liberdade de palavra porque em qualquer palavra pode vir o espelho do que eles são. (E esse horror à liberdade de palavra conduz a formulações "legais" e "jurisprudenciais" consubstanciadas em absurdos que são crimes com réus de morte a várias luzes). E todavia, tudo quanto são transborda para o pais que eles modelam à sua asquerosa imagem. E também disso não gostam, porque o horrível é universalmente reconhecido. Esta notícia das antologias de imprensa de hoje confirma que a simples Sharia representa um progresso indesmentível para esta terra sob as patas de tal gentalha. Mesmo que a Sharia nos force - como força- ao tremendo dever de assistir à morte pública desta escumalha. Mas isto tem que ter um fim. Seja ele qual for. O recuo ao Direito do Velho Testamento não parece nada excessivo para quem trata assim a liberdade própria e a alheia. Nada pode alguma vez ter dignidade mínima nesta terra com esta gente à solta. Nada estará nunca seguro sem poder contar-se aos nossos netos o desfecho fatal das vidas de tal escumalha e dos seus serventuários. Eles já não sentem sequer a dôr própria. Não podem sequer e por isso ter grande noção da dôr alheia. Nem se vê que punição possa caber-lhes porque não há nada pior do que eles já fazem a si próprios. Têm simplesmente que desaparecer. E não devem ser eles a escolher o modo desse desaparecimento.

Tuesday, September 1, 2009

Berlusconi em colisão com o papismo

O Avvenire, jornal clericalista de Itália, dirigido por Boffo, saltou em cima de Berlusconi. Saltar em cima de Berlusconi, bem entendido, é quanto resta quando os demais temas parecem excessivamente comprometedores. Quando nada se pode dizer além das generalidades já ditas sobre a crise e a retoma, sobre a dureza da vida, sobre a guerra, o terrorismo, as migrações ilegais, sobre a delinquência, sobre as alterações climáticas, resta sempre este tema específico que é Berlusconi. Il Cavalieri está sempre lá. Basta malhar-lhe. E assim fez Boffo. Mas Boffo, como a generalidade dos papistas, não deve tocar em público na temática da vida sexual alheia. É certamente aborrecido ter um primeiro-ministro que vai às pêgas. Seguramente exasperante é ter um primeiro-ministro que leva as pêgas para casa. Absolutamente repulsivo é ter um primeiro-ministro que casou com uma pêga. Um homem fica siderado quando descobre que umas pêgas foram levadas às listas para o Parlamento Europeu e eleitas como se de outra gente se tratasse. Não pode excluir-se, bem entendido e à luz dos princípios, a candidatura de umas pêgas enquanto tal, nem a eleição eventual destas, se votadas nessa qualidade, ou sem a ocultação dessa característica conduta. O problema aqui é terem sido eleitas como se fossem outra gente. Como se tivessem feito só outras coisas. Estamos perante contratos nulos pela imoralidade do objecto. É certo. E toda a gente tem o direito de bater nisto. Toda a gente tem o direito de bater em Berlusconi por isto. Toda a gente, excepto a corja papista. Porque onde Berlusconi se apresentou a contratar em nítido abuso de posição dominante, como o sabemos sempre tarde, a corja papista surge flagrantemente a molestar. Como toda a gente sabe desde sempre. Ora foi isto, foi por isto, que o director do Il Giornale tratou de saltar (muito) em cima de Boffo. E mandou publicar a referência à sentença judicial onde Boffo surge condenado por conduta sexual molestante. Il Giornale é de Berlusconi (irmão). E a presidência da “conferência episcopal” italiana toma a palavra “em nome dos cristãos” (imagine-se) para considerar muito grave o “ataque ao Dr. Boffo”. Atente-se que tais criaturas são iguais em toda a parte. É um critério organizacional. A normalização é um instrumento do poder. (Até no Tugastão). Eis pois aqui mais um idiota (entre cujas aptidões a hombridade não pôde nunca estar presente) a dizer que não se pode falar em público de nenhuma perversidade que a ele lhe diga respeito, directa ou indirectamente. Por mais pública que seja. “É muito grave” falar disso. Em todas as panascracias a coisa funciona assim. (No tugastão também). Não se trata aqui da homossexualidade (seja isso o que for). Homosexual terá sido Júlio César. Esta corja tem portanto de ser outra coisa. E assim vai, portanto, a “sociedade perfeitíssima”. Igual a si própria, como bem se vê. Il Cavalieri “apruma-se”, por assim dizer, e diz que não gostou de quanto publicou “Il Giornale”. (Como se o Tribunal não tivesse emitido sentença pública contra Boffo). Compreende-se que a reacção espontânea da sua gente lhe caia mal agora. Primeiro, porque anda congeminando modo de processar o La Republica. Mais o Nouvel Observateur e ainda uns jornais ingleses. (Não se afigura provável o almejado êxito). Mas talvez por isso, a última coisa que lhe faltaria era que um jornal “dele” tratasse a o papismo “crítico” como os demais críticos lhe tratam as borgas próprias. Mas não foi exactamente assim. Em alguns casos, andaram a espreitar-lhe por cima dos muros – ou coisa equivalente - e isso enerva. Em república, a vida pessoal está fora do espaço público. O rei deita-se em público, acorda em público, come em público. E avaliando pelo Paço Real da Pena onde a sanita régia é exibida como património da república, o rei não se limita a viver radicalmente em público. Tudo o que faz pode ter um peso na história comum. E esse peso não é sequer intuível. A sanita de D. Carlos é exibida como um tesouro, coisa que seguramente lhe não terá passado pela cabeça. O casamento do rei é negócio público. E as garotas que lhe tornam a vida suportável tendem a receber título oficial, embora isso nem sempre ocorra. Ninguém precisa de espreitar porque aquilo é – em todos os quadrantes - cenário de Estado. E o rei, nestas matérias, pode fazer quase tudo à condição de que o faça com graça e sem exceder o orçamento. Contrastando isso com as matérias da governação onde quase nada pode fazer e esse esforço de abstenção é trabalhosa ascese para a qual se lhe exige uma circunspecção ostensiva. Mas em república não é assim. Ou pelo menos não era. E porque não vinha no caderno de encargos que as borgas domésticas (de adultos) eram fotografáveis e arguíveis, il Cavalieri mostra-se um bocadinho contrariado. Evidentemente, a publicação de tais fotografias não corresponde à referência ou reprodução da sentença judicial contra Boffo, por um lado. Todavia, será sempre lícito perguntar porque andam as garotas que il Cavalieri promove (politicamente) a chamar-lhe “papá”. Isso não está na Lei (republicana) do Protocolo de Estado. “Paizinho”, bem o sabemos, era o modo de tratamento que os russos davam ao Tzar e todos sabemos porquê. Não estaria nas regras do cerimonial, mas correspondia à liberdade que o diácono do exterior devia conceder aos filhos de Deus, mesmo abstendo-se de lhes abolir a servidão. O que ainda não sabemos é porque é que aquelas garotas (e mais nenhuma das outras) chamam “papá” a Il Cavalieri. Querer indagar tal coisa é motivo para forçar uma discussão judicial com os jornais europeus?... Il Cavalieri é um homem exuberante. E há momentos em que deve marchar-se galhardamente - e a expensas próprias, quem objectará? – para a derrota. Mas apoiar simultaneamente a padralhada e o seu Avvenire é contraditório. E tanto mais cómico, quanto mais solene. A corja papista dá votos?... Eventualmente sim. Embora ninguém saiba quantos. Mas o grotesco tira todos os votos. Isso toda a gente o sabe. O caso perturbou a Itália. E a gente do combate antimáfia até veio tomar posição contra Berlusconi, como se fosse preciso. Nunca é preciso tomar posição contra Berlusconi. Ele nasceu e medrou para o mundo estar contra. Apoiar Berlusconi é ideia a reservar para a cabeça do chefe de escola eventual de um novo Surrealismo. Talvez Diógenes também encontrasse motivos para tanto. Ou os eleatas. Berlusconi pode usar-se para demonstrar que – realmente – o movimento é tão impossível que os gostos, as condutas e os problemas, quando não são exactamente os mesmos, são perfeitamente semelhantes. Milhares de disparos depois, verifica-se que a flecha nunca saiu do arco. E nenhuma bala saiu nunca do cano de qualquer espingarda. Os babuínos têm melhor organização societária. Isto nos diria um eleata. E o eleata preferiria Berlusconi por lhe parecer mais bem disposto. Um surrealista poderia preferi-lo porque, pelo menos, já está pintado e essa pintura é um manifesto. E um cínico veria nele o único, porventura, capaz de transformar a injúria que lhe é dirigida em título próprio (como os cínicos fizeram). Apoiar Berlusconi seria uma posição de radicalidade excessiva à qual anda avesso o homem comum. Por ora. (Nestas coisas nada há de definitivo). Por outro lado, se o papismo está contra Berlusconi, aconteceu esta coisa imprevisível de Berlusconi ter obrigatoriamente razão (por menos que a queira ter e por mais que fuja dela) porque Deus, segundo tudo indica, brinca com a sua Criação. E para que as proporções se mantenham, ao sentido de humor infinito corresponderá a plausível causticidade infinita de Deus. É a mais razoável explicação razoável para o fenómeno de um Berlusconi com razão e a fugir dela a sete pés. Por outro lado, o papismo está sempre do lado oposto ao nosso. E sempre contra a razão. Nós podemos não estar a favor daquilo a que o papismo se opõe. Mas contra o papismo, isso estamos sempre (por escolha perversa do papismo e responsabilidade exclusiva deste, para usar aqui uma terminologia mais otanasca). Apoiar Berlusconi é contra a natureza das coisas, porque ele não existe para ser apoiado. Dar razão ao papismo também é contra a natureza das coisas. O papismo opõe-se a qualquer razão. Resta-nos o riso, por consequência.

Sunday, August 16, 2009

A OTAN falhou todos os objectivos

Uma semana depois da anunciada “grande vitória” traduzida no assassinato de Mehsud, estalou uma luta tribal de grandes proporções entre os combatentes islâmicos no Paquistão. Não obstante, os talibãs do Afeganistão atacaram o Quartel-General da OTAN em Kabul (não foi um qualquer quartel). A OTAN não divulgou o número de feridos entre os soldados da aliança. Seguiram-se as “condenações” do atentado. Muito embora um porta-voz da resistência afegã tenha deixado claro que o alvo era a “embaixada” dos USA no território ocupado, alvo que não pôde ser atingido. A “zona mais segura”, em Kabul, é amplamente penetrável pela resistência. Nada de parecido ocorreu – que nos lembremos - no período da presença militar soviética no território. Os ingleses reconhecem terem ultrapassado ontem o número de 200 soldados mortos naquele teatro (a maioria dos quais em atentado ou emboscada), admitindo-se que isso possa ter repercussão negativa junto da opinião pública inglesa… A OTAN parece ter perdido a guerra (tendo até admitido ceder às exigências de exclusão das mulheres da escolas e trabalho, para dividir os talibãs, mas nem assim conseguiu fosse o que fosse). Sendo seguro que falhou todos os objectivos que se propôs, até agora, tanto na Ásia Central como nos Balcãs e no Médio Oriente. Talvez haja outras prioridades para os dinheiros públicos, sobretudo quando alguns dos estados dos USA abandonaram o financiamento da saúde, assim condenando à morte os doentes de cancro (por exemplo).

ACENTUA-SE A REGRESSÃO PAPISTA

O papismo regride acentuadamente em França com pouco mais de 4% de assistência aos cultos. O núcleo duro é passível de se caracterizar como ”nacional católico” o que traduz a ”presença real” que lhe resta e constitui a sua identidade, não obstante as mil máscaras de que se reveste a hierarquia respectiva desde o Vaticano II. A pedoclastia e as medidas restritivas de JP2 quanto à liberdade de debate, a sua retoma de Leão XIII (designadamente a retoma da repulsiva Libertas Praestatissimum) parecem ter remetido ao livre pensamento boa parte da população francesa eventualmente iludida pelo pontificado de Paulo VI (um informador da CIA, como se sabe e a própria CIA ostenta). Enfim… Nem todas as notícias são más. O papismo vai reduzir-se ao papel de uma tara (repulsiva) de alguns velhos.

CAPTURA PIRATA NO ATLÂNTICO NORTE

“Desaparecido” ao largo da tugária – terra de todas as desgraças – o navio Arctic Sea foi afinal objecto de uma captura pirata. Está claro (no mínimo) o sequestro da respectiva tripulação (maioritariamente russa). Foi anunciada a exigência de resgate de valor igual ao da carga, segundo os dados disponíveis. O Atlântico Norte teria a sua segurança garantida por uma aliança militar e a tugária, ela própria, tem teoricamente uma marinha. Mas à Rússia foram cometidos, tanto quanto o exigem os factos, o dever e a legitimidade para intervir militarmente, de forma directa, nestas águas. De outro modo, o caso não se resolverá. As “potências” da área estavam pelos vistos demasiadamente ocupadas com a pressão militar noutras latitudes para evitarem tal problema. Mas não pode haver pirataria no Atlântico. Isso é claro. Só pode contar-se com a Rússia para resolver este (grave) desafio? Veremos. A marinha da tugária está ocupada com o combate à pirataria no Índico, (segundo a propaganda oficial) motivo pelo qual a pirataria se torna possível ao largo das suas costas, como se vê. Como de costume, os outros correm o risco de morrer a rir de tais criaturas, sem que nestas criaturas se note o mínimo sinal da plausibilidade de morrerem do seu próprio ridículo.

Friday, August 14, 2009

Espantoso Logro

Falhadas as tentativas de provocação militar no primeiro aniversário da guerra defensiva contra o genocídio dos Ossetas e Abcases, falhadas todas as tentativas histéricas do estranho cadáver politicamente insepulto que é Saakachvili, o estado-vassalo deve agora pagar o seu tributo em homens ao novo turco. Os “conselheiros militares americanos” chegarão em Setembro para cobrar as vidas de georgianos destinadas à carne barata para canhão na Ásia Central. Tais georgianos serão destinados ao Afeganistão (informada preliminarmente a Santa Rússia de quem se não esperam objecções). Compreende-se o relevantíssimo interesse nacional que tal coisa reveste para a Geórgia, não?... Terrível coisa. A oposição mantém-se na rua, há meses, a exigir sepultura política para Saakachvili. E a criatura deu uma entrevista à France 24. Corresponde aquilo ao que poderiam ser as declarações de um doente com avc no hemisfério esquerdo. Estivera a criatura viva e ali teríamos a perfeita imagem de um perfeito cretino.

Os bons piratas

Foi legalizado o Partido Pirata do Reino Unido. É um aspecto importante da defesa das liberdades da cultura: o Direito e a Liberdade estão - segundo tudo indica- com estes bons piratas. E, assim sendo, à abordagem!!! Abaixo a carta de corso da grande (e parasitária) indústria. Nota bene: estúpido conservador, tens pago os direitos de autor sempre que cantas o "parabéns a você"?

Vitória da Ortodoxia

SS o Patriarca Kiril I - de acordo com a vontade manifestada aquando da sua entronização - visitou a terra-mãe da Ortodoxia Russa: a Ucrânia. E aí deixou claro que "a Igreja Ortodoxa Russa não é a Igreja da Federação Russa" porque, justamente, é a Igreja de todas as Rússias. Compreendendo a Pequena Rússia, Russénia ou Ruténia, a Rússia Branca e, evidentemente, as terras da fronteira, ou Ucraína (que aqui se diz Ucrânia, sem ninguém perceber porquê). Tal visita sucedeu à visita oficial que o Patriarca fez ao seu irmão maior, Patriarca Bartolomeu I de Constantinopla. Com tais visitas ficaram bastante debilitadas as sequelas eclesiásticas do cerco (militar) à Rússia que a CIA veio assessorando, na ânsia de tentar de novo proceder ao velho plano de partilha dos territórios russos (plano sem grande novidade, uma vez que jé era o do Adolfo). Coitados. Não aprenderam nada. E isso é dispendioso demais. Para mais gente além deles. Em todo o caso, o presidente do Santo Sínodo de Todas as Rússias veio tornar-lhes os projectos mais inverosímeis. Eis pólá éti Déspótá! Mnô gaya leta!

Balanço do verão: crimes contra a humanidade

Para o balanço do Verão. O Washington Times dá notícia da destruição massiva de igrejas ortodoxas e obras de iconografia na metade norte de Chipre, actualmente sob ocupação turca (ainda que sem reconhecimento internacional). Curiosamente a imprensa americana tem-se revelado menos sensível à destruição massiva de igrejas, mosteiros e ícones na Dalmácia, na Bósnia e no Kossovo – dando-se a circunstância da aviação otanasca (com a participação dos otanascatugas) ter bombardeado os altares da Páscoa, chegando até a destruir, como se alvo militar pudesse ser, uma igreja do séc. IV – os crimes contra a cultura com a virtualidade de ofenderem centenas de milhões de pessoas por razões de Fé, não são crimes contra a humanidade? Continuemos a aguardar.