
Saturday, November 7, 2009
PAPISMO EM DEBATE

Tuesday, November 3, 2009
O papismo ladra e o Saramago passa
O abominável Carreira das Neves veio à estacada com mais uma. No Expresso ainda em distribuição. (Possa Deus perdoar-nos tão específica referência e proteger quantos se expuserem, por culpa nossa, à pretensa erudição da repulsiva criatura). Abel era pastor e representa os campos. Caim, as cidades. E o conflito entre ambos é o conflito entre o igualitarimo dos campos e as cidades onde o igualitarismo morre. E com esta semi-ideiazinha que há-de ter-lhe parecido luminosa, vem contra Saramago, claro, como toda a corja. Até o Pulido Valente (por assim dizer) sacudiu os seus torpores alcoólicos para vir salpicar o Público com o respectivo vómito. Mas também o abominável Carreira das Neves parece estar bêbado. Em primeiro lugar a (por assim dizer) fraternidade dos campos não é o igualitarismo. Todas a comunidades rurais foram, são e serão (muito) estritamente hierarquizadas, porque não há família, clã, ou aldeia sem hierarquia. Em segundo lugar, há cidades e cidades (mesmo no Velho Testamento). Há a cidade que o trono olha como sua e o pode ser, ou não. Há a cidade que se sente aliviada pela distância a que está do trono. Há portanto – e deste ponto de vista - três cidades (a cidade do rei, a cidade que não quer ser a cidade do rei e a cidade sem rei). São muito diferentes e continuarão a sê-lo ao longo da História. Com a Grécia e com Roma as cidades sem rei (e às vezes, apesar do rei) definirão a urbanidade como padrão de igualdade dos que, a tal luz, forem iguais (são sempre muito mauzinhos para os camponeses, os rapazes das cidades, riem-se sempre muito deles e por nenhum modo lhes concederam alguma vez estatuto de igualdade). As cidades dos reis viverão no quezilento espartilho das cortesias, como cidades de gente servil que chega a enjoar o próprio rei. As cidades que resistem ao trono, são troçadas pela corte (raramente dispõe o trono de melhor remédio), que lhes quer tratar os cidadãos como estes tratam os camponeses (embora sem o conseguir sempre). As Histórias das Literaturas demonstram suficientemente isto. Há uma literatura cortês, que não é a literatura da urbanidade. E os campos erguem a tradição oral das suas comunidades, descoberta e redescoberta pelas cidades nos testemunhos literários de um período de maturação, de exílio, de repouso, ou da nostalgia deles. São “quadros sociais do conhecimento” claramente distintos, onde o “nós” e o “eles” estão muito bem definidos. Estes campos – ao contrário do que diria a narrativa bíblica se assim fosse, se o abominando Carreira das Neves pudesse ter razão - continuaram a ter herdeiros da sua fraternidade (hierarquizada demais para poder ser completamente fraterna). E no Livro – coisa de que anda a malta toda um tanto esquecida, neste pseudo-debate – só Caim teve descendentes. Como se fosse um segundo Adão sempre excessivamente terrestre, que pelas suas mãos quis fazer-se a si mesmo e se fez repugnante (como Carreira das Neves). Segundo Adão é um epíteto muitíssimo sério devido ao próprio Cristo (não se levem demasiado a sério os reflexos da pretensão de Caim). E as Escrituras vão registando, séculos fora, a mesma pergunta que lhe é feita a ele, Caim, e continuará a sê-lo aos seus descendentes. É sempre a mesma coisa (no essencial) - “ que andas tu a fazer?”… Um pouco como quem diz: “se te fiz homem, porque fuças tu como um porco?”… -“porque rosnas tu como um cão?”, -“porque uivas tu como um lobo?” (porventura, mesmo: - “porque grasnas tu como Carreira das Neves?”)… São as interpelações que o Saramago faz suas, também no essencial. Há um Deus no sórdido? Não, claro. Mas a gente olha para os papistas e parece que sim. A leitura de Saramago está legitimada pelo testemunho actual da sordidez à qual reage. Terá isto sempre sido assim? Virá esta monstruosidade dos textos? -perguntou-se. Foi ver os textos na versão definida por canónica pelo papismo. E concluiu que sim. É a conclusão dele. Devíamos poder discuti-la. Mas estes imbecis acham-se legitimados, não para a discutir, mas para censurar. Para admoestar. Para se porem em bicos de pés e -imagine-se- para se largarem a ensinar (à moda deles). Labregos. O abominável Carreira das Neves até vem com a Lei do contexto. Tratemos então de lhe meter a lei do Contexto onde ele precisa que lha metam: Não fez o papismo uma moral que cristaliza todas as taras e à luz da qual se subverteram todas as leituras das Sagradas Escrituras? Não é o papismo a nova sodoma desde a Austrália ao Canadá, passando pela Irlanda, Polónia, Hispânia e América do Sul? Não é a moral do papismo que vicia os textos? E literalmente os vira ao contrário? Não foram os papistas quem fez as traduções das quais se serviu Saramago? – Sim. Outrossim. Sim de novo. Sim, ainda. Sim, evidentemente. Poderia Saramago ter visto nos textos outra coisa? Podia. Se não estivesse na posição de Saramago. Mas, enfim, os cães do papismo ladram (e é verdade que ladram) e o Saramago passa (sendo evidente que passou).
Saturday, October 31, 2009
OS EX-COMUNISTAS E A JUSTIÇA TÚGARE
A justiça da tugária foi entregue a dois ex-comunistas. Correia e Magalhães. Um comunista nós sabemos o que é. Um caturra. Ainda vagamente parecido com um conservador. Procura viver com austeridade e honrar os seus compromissos, tem frequentemente família e preocupa-se com a educação dos filhos, não vai em cantigas, abomina a prostituição, a pornografia e a panasquice. Cultiva a frontalidade e a firmeza de carácter. Respeita a disciplina do partido como forma de honestidade. Enfim, é o que um salazarista teria gostado de ter conseguido ser em todas as circunstâncias (aparte uns detalhes que não são necessariamente irrelevantes) e, provavelmente, é um dos poucos seres humanos ostensivamente fiéis a tal ideário. Talvez a coisa tenha a ver com a Superioridade Moral dos Comunistas que Cunhal escreveu. (Os outros não costumam ser ostensivos). Não é muito fácil falar com tal gente. Mas devia-se falar mais com eles, não obstante. Já um ex-comunista da tugária é toda uma outra história. Tendemos a ver nele um canalha voraz à procura de emprego. (Lembram-se de Pina Moura?) Apresenta-se apto a servir todos os senhores e exibe as suas aptidões. Acha-se inteligente. Faz profissão de ser simpático, mas sabe constranger com crueldade de eunuco. E parece ter perdido todos os princípios. Vamos então a factos quanto ao ex-comunista Correia. Subalterno de Júdice na ordem dos advogados, produziu com ele um estatuto da ordem que restaura a censura (exame prévio das comunicações públicas em ordem à sua autorização ou proibição), estabelece a polícia política (os conselhos de deontologia perseguem posições filosóficas expressas em textos de debate forense, havendo notícia da perseguição disciplinar a uma citação do De Civitate Dei em peça processual) anula o título profissional dos advogados (a advocacia perdeu até a dignidade de trabalho, sendo mera “actividade”). E – coisa não menos importante - estabelece a sujeição pessoal dos advogados aos gajos da corporação (e a sujeição pessoal foi abolida na Revolução Francesa). Enfim, aquilo é realmente uma belíssima coisa a apresentar a um tribunal islâmico como crime contra a liberdade e a dignidade dos homens (trabalho de casa: procurar a sanção para tal indecência à luz da Sharia). A Correia se deve, também, a expressão de desprezo saldada no epíteto de “descamisados” atirada aos apoiantes de Marinho Pinto (que protagonizou uma verdadeira, embora muito limitada, insurreição eleitoral dos advogados do território). Pois o Correia que lá se infiltrara entre os apoiantes do poeta Alegre aparece agora como serventuário de Sócrates de Massada da Beira, na Secretaria de Estado da Justiça. Homem de prosas cinzentas no foro, mantém ainda a franjinha de garoto. É portanto um travesti da adolescência perpétua, como Pinto Ribeiro. E estes espécimes podem talvez encontrar lugar no Ministério da Cultura. Porque entre bailarinos, pintores e actores nada pode razoavelmente destoar de alguma coisa. Já a Defesa, a Justiça, o Interior e as Finanças são pastas pessoalmente mais exigentes. Que dizer? - isto: a coisa não vai durar muito (porque nada vai durar muito); mas vai piorar muitíssimo, com toda a probabilidade.
A DESOCULTAÇÃO DA FACE
A “face oculta” é com toda a probabilidade o que na faculdade chamávamos uma “cara de cú”. E porque nenhuma “cara de cú” produz outra coisa, dali vai sair trampa. Num território especializado em tal produção, isso mesmo haveria de ser o escopo de todas as tentativas de salvação do país, do estado, da economia e o instrumento fundamental da demanda colectiva da felicidade nestas terras e por estas gentes. Se aqui apenas há trampa, é isso que falta vender. Exportar. Reínventar. Examinar exaustivamente (mas eficazmente). Um país que cheira a esgoto de Tavira a Caminha, devia centrar nas esterqueiras, lixeiras, como na produção de todos os resíduos e dejectos, por mais tóxicos e infecciosos que se revelem, as mais desveladas atenções. Sócrates tentou fazê-lo e produziu o Freeport. Sem saber exactamente o que fazia quis ainda engendrar-se a si mesmo e isso o fez com uma "licenciatura independente", outorgada num Domingo. Lixo, claro. Mas acaso pode isso estar errado? Acaso há aqui mais que lixo? Estas coisas devem ser tratadas desapaixonadamente. Gente de merda há-de valer pela merda que é. Não adianta ficcionar-lhes outro valor. E a última coisa que se deve fazer é pedir-lhes, ou consentir-lhes, qualquer aparência de normalidade. Eles valem pela anomalia. E na merda que são revelam-se preciosos. São preciosos para Psico-Sociologia. Para a Sociologia. Para a Literatura. Para a Psicologia. Para a Antropologia. Para a Ciência Política. Para a Sociologia Política. O facto de isto ser um país de merda, conduzido por gente de merda, pode ser um belíssimo negócio. Um grande buraco em todas as teorias gerais, tem valor em si mesmo. O grande problema é que só as pessoas normais poderiam gerir tal valor. E era precisa alguma franqueza por parte dos anómalos, i.e. da gente de merda. Eles têm de desistir da sua pretensa normalidade, da sua pretendida construção de imagem de distinção, da sua ânsia de ser outra coisa. Também isso é matéria de estudo plausível, claro. Mas não se lhes deve consentir que isso atinja qualquer eficácia na dissimulação. Um desgraçado do Diário de Notícias entende que no caso Casa Pia – imagine-se - emergiu “uma nova geração de magistrados”. Loucura. Ali apenas há uma fracção quase inócua do processo necessário, que levou a juízo nem meia dúzia de tarados de entre os quinhentos nomes identificados pela CIA. E isso sempre seria (evidentemente) um nojo. O semelhante gera o semelhante. Uma terra de merda tem necessariamente uma judicatura de merda, uma polícia de merda, produzindo processos de merda (com a ocultação de quase tudo o que havia a debater). Uma terra assim tem também um governo de merda e uma administração pública de merda. Um ensino de merda. Com a consistência necessariamente correspondente de tudo o mais. Tudo isto, aliás, distinguível a olho nú. O que é preciso portanto é – como sempre – transformar as fraquezas
Friday, October 30, 2009
UNIVERSIDADES: A EUROPA E O MUNDO (a tugária não existe)
Shangai publicou a sua classificação das 100 universidades melhores do mundo. As norte-americanas reinam entre as primeiras cinquenta posições. Não é de estranhar, porque aparentemente a China tomou por modelo as universidades americanas e não espanta que estas lhe pareçam melhores, ou seja, mais conformes ao modelo adoptado. Outro tanto ocorre com o The Economist. Aparte o jeitinho dado à Opus e prestada sentida homenagem à Suiça, a revista americana acha melhores os MBAs americanos. Não há aqui motivo de escândalo. O Finantial Times acha as escolas Francesas muito boas e estas ocupam as posições cimeiras da sua lista. Já os franceses entendem que é importante fazer um “ranking” europeu. Com critérios europeus. Como guia para as opções estudantis. Estamos de acordo. Mas quanto à tugária o resultado será o de sempre. Não precisamos de tal “ranking” para concluir que é melhor fechar as escolas locais e mandar os miúdos para um qualquer sítio de gente normal. (Mais os professores normais que nestas escolas andam completamente bloqueados). Rememoremos os problemas. 1º - só 30% dos diplomados estão a exercer na área da sua formação (isso significando que ela foi inútil em 70% dos casos), coisa que parece dever-se à distorção que estas bestas provocaram, por décadas a fio, forçando a malta que queria ir para História a cursar Sociologia, a malta que queria ir para Medicina a ir para Enfermagem, a malta que queria ir para Biologia a ir para Línguas e Literaturas Modernas. 2º - os diplomados estão a sair por não encontrarem, nem assim, colocação possível na tugária (e isso explica-se plausivelmente pelo facto de 90% dos empresários terem habilitações até ao 9º ano e não entenderem sequer para que lhe servirão os emproados miúdos, quanto a alguns dos quais – e em boa verdade - se pode dizer que a licenciatura precedeu a alfabetização) e a indigência intelectual do país também não lhes abre quaisquer postos de trabalho porque as indústrias da cultura são aqui, todas, inviáveis. 3º- o número estatisticamente desprezível de diplomados entre os empresários e, até, entre os profissionais liberais estabelecidos com sede própria, traduz que a formação superior não habilita para a independência, nem para a livre iniciativa, mas apenas para o funcionalismo, como regra público, embora não baste sequer para sustentar uma judicatura passível de respeito mínimo (há juízes que dizem “vestoria” por vistoria, “instência” por instância, “sigilio” por sigilo e se essas coisas não fossem achadas aceitáveis eles não teriam sido sequer providos em concurso). A conclusão é a de sempre. E nada pode melhorar porque nem sequer há tempo (nem gente) para tanto. Não vale a pena desesperar. Basta desistir, i.e. empregar melhor o tempo que nos resta.
Monday, October 26, 2009
O FOLKLORE PAPISTA DO DIÁLOGO
Todos os Santos Patriarcados Ortodoxos – com excepção da Santa Cátedra Patriarcal da Bulgária – se fizeram representar
Sunday, October 25, 2009
CONFISSÃO POR VENTURA: O PAPISMO E SARAMAGO
O papismo autóctone reage ao Caim de Saramago, dizendo-lhe, pela boca de Fernando Ventura (o exegeta oficial do sítio), que o escritor não soube ler o texto (cuja versão viciada o próprio papismo afirmou canónica). Essa versão não corresponde ao sentido real do texto original. Aceita-se a confissão. Mas todos sabíamos já que o papismo vive - e sempre viveu - sobre a falsificação dos textos. Dos sagrados, como dos teológicos. Mesmo Agostinho de Hipona só é entre eles citável até às Retratações. E essa é uma das razões pelas quais o papismo não consente nunca a liberdade de palavra nas suas fileiras. Porque falar exige ali saber, em cada momento, que sentido a hierarquia daquilo dá (imperativamente) às palavras. Gente repulsiva. Estrutura repulsiva. Conduta repulsiva. Mas é bem papista este raciocínio de opor à denúncia o “bocadinho do absoluto” que a erística recomenda, in casu, para calar ou desqualificar o opositor. A coisa traz até o matiz da pretensa sedução intelectual. E é apresentada (pela "imprensa de referência") como se nenhuma réplica fosse possível. A réplica é possível. Confessar, por Ventura, a falsificação da versão a uso tem aqui duas consequências: a primeira é que o papismo ousou impor por norma aquilo que nunca o foi; a segunda é que - ao torpe não pode aproveitar a torpeza própria – lhe fica vedado criticar alguém por os ter tomado a sério onde nenhuma seriedade havia. Mas fica sobretudo um grande problema: é que se o sentido das Escrituras só pode ser desocultado a uma erudição iniciada e previamente autorizada, então nenhum sentido teve jamais qualquer obediência dos outros, seja a que versão for que o papismo alguma vez tenha apresentado. Fica também a nú esta exorbitância do papismo pretender a posição de juiz em matéria onde é réu. E também por isto Saramago tinha de escrever Caim.
SOUSA LARA
Saramago é comparado a um idiota por um pseudantropos. Eis que veio Sousa Lara compará-lo a Berlusconi. Sousa Lara seria papista e maçon, segundo o seu projecto. Pretenso conde para cujo “título” quis pedir o reconhecimento ao Rei de Espanha (que o recusou). Apresenta-se como descendente de todos os reis de Portugal e do profeta Maomé (sic). E fez uma tese inqualificável, num doutoramento inqualificável (em sítio evidentemente inqualificável, se acaso existir). Angariou falsas e verdadeiras ordens honoríficas. Com a angústia e avidez de quem precisa de escoras para a dignidade que de outro modo seria insusceptível de afirmação. Foi arguido do caso moderna. E lá se safou do cárcere que o devia ter engolido, pelo talento de um advogado de muitos méritos. Foi “Mestre” da “Grande Loja Regular”. E tem nas patas esta qualidade túgare – verdadeira definição da nacionalidade imediatamente contemporânea – que é o toque de midas invertido. Tudo quanto lhe toque nos cascos se faz coisa tóxica. Acha-se com direito à palavra, imaginando talvez que quanto grunha tem algum interesse, não para alguém, mas para si próprio. O pseudantropos sente-se bem por ter logrado censurar uma obra de Saramago. E acha-se importante por lhe virem perguntar o que pensa “da situação”. Diz então que Saramago é como Berlusconi. Com o hábito de cavaleiro de honra e devoção de Malta na lapela, porque nada diz que valha por si. E naquele dia o avental estaria a lavar. Mas Poderá acaso lavar-se o avental de uma nódoa?
Saramago tinha de escrever Caím
Wednesday, October 14, 2009
SÓ A CRISE PODE MATÁ-LOS
Trinta e seis deputados de esquerda radicalizada. Noventa e seis deputados de esquerda moderada. Noventa e nove deputados conservadores. São os resultados oficiais das legislativas. A abstenção passou os quarenta por cento, traduzindo a posição numericamente mais relevante do colégio eleitoral. Isso transforma os resultados dos partidos com deputados eleitos em percentagens ridículas. Não obstante e materialmente falando, os resultados dos partidos com deputados eleitos traduzem a existência indiciada de uns quatro milhões de imbecis no colégio eleitoral. O partido do Freeport e da Casa Pia, o partido da Grande Loja e dos casos moderna e independente e o partido do caso portucale constituem a exacta maioria parlamentar. Evidentemente absoluta. Este é o verdadeiro rosto do parlamento. E o dos seus grotescos eleitores. Uma percentagem significativa, é certo, exerceu o poder de não ser cliente e nem às urnas foi. É número coincidente com a percentagem que as sondagens revelam favorável à protecção institucional da população portuguesa pela soberania da coroa de Espanha. E realmente ninguém, nenhum exército de ocupação, poderia tratar pior os autóctones, nem pilhar com mais severidade o território do que o tem feito a (ignominiosa) maioria parlamentar de sempre. A margem de abstenções aumentou ligeiramente nas autárquicas. Mas nem isso é significativo. O partido do caso moderna iniciou um processo de afrontamento entre a facção ultramontana (quer dizer o papismo que não se limita a ser odioso, mas que causa o vómito) e uma pretensa maçonaria de metades de homens – porque todos nos fazemos gente todos os dias e eles se amputam todos os dias - tratando-se aqui da maçonaria da moderna e da independente, claro, que é a maçonaria de Pinochet (para sermos rápidos). Bem podem matar-se uns aos outros, que sempre nos poupam trabalho. Adoptam agora – como o execrando Moita - o discurso do liberalismo político. Coisa irritante. Mas também irrelevante, porque tudo subsiste igual. Isaltino foi eleito e choveram críticas ao seu eleitorado. É um condenado a sete anos de prisão efectiva, pendente de reapreciação em recurso interposto. Uma tal eleição significa – evidentemente - que do ponto de vista da população de Oeiras a credibilidade do aparelho de justiça é inferior à do condenado. E está certo. (Apesar de tudo). Este fez algumas coisas que estão bem feitas a todos os olhos. Aquele só faz asneiras. E é uma asneira em si mesmo. Isaltino pensou umas coisas ajustadas. O aparelho de justiça não pensa, como o demonstram as minutas publicadas. Pode isto explicar a votação em três partidos que são (evidentes) associações de malfeitores (óbvios) à luz de quanto se publicou na imprensa autóctone?... Não. Isaltino deu e dá uma contrapartida aos seus munícipes (transformou as margens - em ruínas - de um esgoto a correr a céu aberto num sítio onde se pode viver e trabalhar). A maioria parlamentar – na exacta fisionomia revelada- o mais que pode oferecer à população é uma porta de fuga para a Europa, para o Brasil ou para a armadilha da África de pretensa Língua Portuguesa. É tudo. Prossiga a crise. Viva a crise. Só a crise pode matá-los. Possa o Inverno da economia desinfestar estes solos. Na terra onde tudo faz tremer, seria assinalável progresso poder tremer apenas de frio.
Friday, September 4, 2009
Moura Guedes desavinda com a malta do El País
A TVI pode estruturar os seus serviços noticiosos como quiser. E não quer o "Jornal Nacional" no estado em que estava. É normal. Sobretudo porque a malta do El País faz jornalismo propriamente dito e não teatro de revista. E resilta natural querer reconduzir um serviço noticioso à função noticiosa propriamente dita. Mas não, parece, sem que a Moura Guedes de largue aos gritos. E aos gritos nos diz que "tem" (por assim dizer) coisas novas sobre o caso Freeport e aliás contraditórias com as versões oficiais. Nós não estamos nunca do lado das versões oficiais. Mas a coisa é estranha. Porque, evidentemente, as “cachas” não são nem de Manuela Moura Guedes, nem do Jornal Nacional que, de resto, não é uma publicação, mas um noticiário da TVI. E portanto se essas coisas existem, a TVI pode noticiá-las quando quiser. Em qualquer serviço ou rubrica noticiosa que entender. As notícias são propriedade dos jornalistas? A Moura Guedes está a dizer que se não a deixam tornar pública a "sua" notícia, no “seu” jornal, não contará a história a mais ninguém? Está a dizer que não fornece os elementos à estação? Ou está a dizer que lhe suspenderam o jornal para ela não dar a notícia e, nesse caso, que coisa a impede de dizer isso ao MP, ou que coisa a impede, simplesmente, de dar a notícia nas declarações que está a prestar? O MP não a notifica para ir depor ao caso Freeport (já que tem ali anunciados elementos novos)? E a TVI não averigua disciplinarmente se há justa causa de despedimento por indiciada violação do dever de lealdade? Quase tudo nesta quincagenária travestida de adolescente nos parece estranho. Aguardemos a evolução das noticias.
Wednesday, September 2, 2009
OS PORNOCRATAS E A SATANARQUIA
Tuesday, September 1, 2009
Berlusconi em colisão com o papismo
O Avvenire, jornal clericalista de Itália, dirigido por Boffo, saltou em cima de Berlusconi. Saltar em cima de Berlusconi, bem entendido, é quanto resta quando os demais temas parecem excessivamente comprometedores. Quando nada se pode dizer além das generalidades já ditas sobre a crise e a retoma, sobre a dureza da vida, sobre a guerra, o terrorismo, as migrações ilegais, sobre a delinquência, sobre as alterações climáticas, resta sempre este tema específico que é Berlusconi. Il Cavalieri está sempre lá. Basta malhar-lhe. E assim fez Boffo. Mas Boffo, como a generalidade dos papistas, não deve tocar em público na temática da vida sexual alheia. É certamente aborrecido ter um primeiro-ministro que vai às pêgas. Seguramente exasperante é ter um primeiro-ministro que leva as pêgas para casa. Absolutamente repulsivo é ter um primeiro-ministro que casou com uma pêga. Um homem fica siderado quando descobre que umas pêgas foram levadas às listas para o Parlamento Europeu e eleitas como se de outra gente se tratasse. Não pode excluir-se, bem entendido e à luz dos princípios, a candidatura de umas pêgas enquanto tal, nem a eleição eventual destas, se votadas nessa qualidade, ou sem a ocultação dessa característica conduta. O problema aqui é terem sido eleitas como se fossem outra gente. Como se tivessem feito só outras coisas. Estamos perante contratos nulos pela imoralidade do objecto. É certo. E toda a gente tem o direito de bater nisto. Toda a gente tem o direito de bater em Berlusconi por isto. Toda a gente, excepto a corja papista. Porque onde Berlusconi se apresentou a contratar em nítido abuso de posição dominante, como o sabemos sempre tarde, a corja papista surge flagrantemente a molestar. Como toda a gente sabe desde sempre. Ora foi isto, foi por isto, que o director do Il Giornale tratou de saltar (muito) em cima de Boffo. E mandou publicar a referência à sentença judicial onde Boffo surge condenado por conduta sexual molestante. Il Giornale é de Berlusconi (irmão). E a presidência da “conferência episcopal” italiana toma a palavra “em nome dos cristãos” (imagine-se) para considerar muito grave o “ataque ao Dr. Boffo”. Atente-se que tais criaturas são iguais em toda a parte. É um critério organizacional. A normalização é um instrumento do poder. (Até no Tugastão). Eis pois aqui mais um idiota (entre cujas aptidões a hombridade não pôde nunca estar presente) a dizer que não se pode falar em público de nenhuma perversidade que a ele lhe diga respeito, directa ou indirectamente. Por mais pública que seja. “É muito grave” falar disso. Em todas as panascracias a coisa funciona assim. (No tugastão também). Não se trata aqui da homossexualidade (seja isso o que for). Homosexual terá sido Júlio César. Esta corja tem portanto de ser outra coisa. E assim vai, portanto, a “sociedade perfeitíssima”. Igual a si própria, como bem se vê. Il Cavalieri “apruma-se”, por assim dizer, e diz que não gostou de quanto publicou “Il Giornale”. (Como se o Tribunal não tivesse emitido sentença pública contra Boffo). Compreende-se que a reacção espontânea da sua gente lhe caia mal agora. Primeiro, porque anda congeminando modo de processar o
Sunday, August 16, 2009
A OTAN falhou todos os objectivos
Uma semana depois da anunciada “grande vitória” traduzida no assassinato de Mehsud, estalou uma luta tribal de grandes proporções entre os combatentes islâmicos no Paquistão. Não obstante, os talibãs do Afeganistão atacaram o Quartel-General da OTAN em Kabul (não foi um qualquer quartel). A OTAN não divulgou o número de feridos entre os soldados da aliança. Seguiram-se as “condenações” do atentado. Muito embora um porta-voz da resistência afegã tenha deixado claro que o alvo era a “embaixada” dos USA no território ocupado, alvo que não pôde ser atingido. A “zona mais segura”, em Kabul, é amplamente penetrável pela resistência. Nada de parecido ocorreu – que nos lembremos - no período da presença militar soviética no território. Os ingleses reconhecem terem ultrapassado ontem o número de 200 soldados mortos naquele teatro (a maioria dos quais em atentado ou emboscada), admitindo-se que isso possa ter repercussão negativa junto da opinião pública inglesa… A OTAN parece ter perdido a guerra (tendo até admitido ceder às exigências de exclusão das mulheres da escolas e trabalho, para dividir os talibãs, mas nem assim conseguiu fosse o que fosse). Sendo seguro que falhou todos os objectivos que se propôs, até agora, tanto na Ásia Central como nos Balcãs e no Médio Oriente. Talvez haja outras prioridades para os dinheiros públicos, sobretudo quando alguns dos estados dos USA abandonaram o financiamento da saúde, assim condenando à morte os doentes de cancro (por exemplo).
ACENTUA-SE A REGRESSÃO PAPISTA
O papismo regride acentuadamente em França com pouco mais de 4% de assistência aos cultos. O núcleo duro é passível de se caracterizar como ”nacional católico” o que traduz a ”presença real” que lhe resta e constitui a sua identidade, não obstante as mil máscaras de que se reveste a hierarquia respectiva desde o Vaticano II. A pedoclastia e as medidas restritivas de JP2 quanto à liberdade de debate, a sua retoma de Leão XIII (designadamente a retoma da repulsiva Libertas Praestatissimum) parecem ter remetido ao livre pensamento boa parte da população francesa eventualmente iludida pelo pontificado de Paulo VI (um informador da CIA, como se sabe e a própria CIA ostenta). Enfim… Nem todas as notícias são más. O papismo vai reduzir-se ao papel de uma tara (repulsiva) de alguns velhos.
CAPTURA PIRATA NO ATLÂNTICO NORTE
“Desaparecido” ao largo da tugária – terra de todas as desgraças – o navio Arctic Sea foi afinal objecto de uma captura pirata. Está claro (no mínimo) o sequestro da respectiva tripulação (maioritariamente russa). Foi anunciada a exigência de resgate de valor igual ao da carga, segundo os dados disponíveis. O Atlântico Norte teria a sua segurança garantida por uma aliança militar e a tugária, ela própria, tem teoricamente uma marinha. Mas à Rússia foram cometidos, tanto quanto o exigem os factos, o dever e a legitimidade para intervir militarmente, de forma directa, nestas águas. De outro modo, o caso não se resolverá. As “potências” da área estavam pelos vistos demasiadamente ocupadas com a pressão militar noutras latitudes para evitarem tal problema. Mas não pode haver pirataria no Atlântico. Isso é claro. Só pode contar-se com a Rússia para resolver este (grave) desafio? Veremos. A marinha da tugária está ocupada com o combate à pirataria no Índico, (segundo a propaganda oficial) motivo pelo qual a pirataria se torna possível ao largo das suas costas, como se vê. Como de costume, os outros correm o risco de morrer a rir de tais criaturas, sem que nestas criaturas se note o mínimo sinal da plausibilidade de morrerem do seu próprio ridículo.
Friday, August 14, 2009
Espantoso Logro
Falhadas as tentativas de provocação militar no primeiro aniversário da guerra defensiva contra o genocídio dos Ossetas e Abcases, falhadas todas as tentativas histéricas do estranho cadáver politicamente insepulto que é Saakachvili, o estado-vassalo deve agora pagar o seu tributo em homens ao novo turco. Os “conselheiros militares americanos” chegarão em Setembro para cobrar as vidas de georgianos destinadas à carne barata para canhão na Ásia Central. Tais georgianos serão destinados ao Afeganistão (informada preliminarmente a Santa Rússia de quem se não esperam objecções). Compreende-se o relevantíssimo interesse nacional que tal coisa reveste para a Geórgia, não?... Terrível coisa. A oposição mantém-se na rua, há meses, a exigir sepultura política para Saakachvili. E a criatura deu uma entrevista à France 24. Corresponde aquilo ao que poderiam ser as declarações de um doente com avc no hemisfério esquerdo. Estivera a criatura viva e ali teríamos a perfeita imagem de um perfeito cretino.
Os bons piratas
Vitória da Ortodoxia
Balanço do verão: crimes contra a humanidade
Para o balanço do Verão. O Washington Times dá notícia da destruição massiva de igrejas ortodoxas e obras de iconografia na metade norte de Chipre, actualmente sob ocupação turca (ainda que sem reconhecimento internacional). Curiosamente a imprensa americana tem-se revelado menos sensível à destruição massiva de igrejas, mosteiros e ícones na Dalmácia, na Bósnia e no Kossovo – dando-se a circunstância da aviação otanasca (com a participação dos otanascatugas) ter bombardeado os altares da Páscoa, chegando até a destruir, como se alvo militar pudesse ser, uma igreja do séc. IV – os crimes contra a cultura com a virtualidade de ofenderem centenas de milhões de pessoas por razões de Fé, não são crimes contra a humanidade? Continuemos a aguardar.