Friday, August 14, 2009

Balanço do verão: crimes contra a humanidade

Para o balanço do Verão. O Washington Times dá notícia da destruição massiva de igrejas ortodoxas e obras de iconografia na metade norte de Chipre, actualmente sob ocupação turca (ainda que sem reconhecimento internacional). Curiosamente a imprensa americana tem-se revelado menos sensível à destruição massiva de igrejas, mosteiros e ícones na Dalmácia, na Bósnia e no Kossovo – dando-se a circunstância da aviação otanasca (com a participação dos otanascatugas) ter bombardeado os altares da Páscoa, chegando até a destruir, como se alvo militar pudesse ser, uma igreja do séc. IV – os crimes contra a cultura com a virtualidade de ofenderem centenas de milhões de pessoas por razões de Fé, não são crimes contra a humanidade? Continuemos a aguardar.

Para o balanço do Verão

Os programas de relançamento funcionaram na Alemanha e em França. Atestam-no os números hoje publicados relativamente ao crescimento francês e alemão. Portugal e Hong Kong juntaram-se aos números do optimismo. Em contrário, a crise de confiança que arrasta para baixo os números do consumo interno nos USA de acordo com o estudo da Universidade de Michigan. Em contrário, a afecção da Rússia não obstante o relançamento dos preços do petróleo. Em contrário, a quebra do pib em todos os antigos países das democracias populares, pese embora o esforço de propaganda da Polónia e o apoio de Bruxelas ao relançamento da indústria naval nos estaleiros de Gdansk. Em contrário, ainda, a incógnita traduzida no comportamento das economias após cessarem os programas de relançamento.

Thursday, August 13, 2009

"Constituímos uma maioria esmagadora no seio das Nações Unidas"

Não se pode fazer o balanço do político verão de 2009 sem focar a 15ª Cimeira dos não-alinhados e nesta cimeira o discurso do Presidente Khadafi foi um dos mais interessantes sobre a importância relativa actual deste grande movimento de estados. E Khadafi é certamente um dos seus mais elásticos e mais surpreendentes estadistas. Ver o discurso aqui. (Há umas gralhas, mas não vamos ater-nos a insignificâncias).

Saír, sim; Votar, não

Medina Carreira - fugida a vida num fiasco político irremediável - procura causar tanto mal quanto possa. Isso é bom. Embora a quem grita que os outros não sabem o que dizem seja exigível que saiba o que diz. Ontem o Carreira foi a uma televisão repetir o que sempre disse. Diz que quer investimento para a exportação (o que em plena crise do comércio internacional não deixa de suscitar um sorriso) e quer saber porque é que os investidores vão para a Europa Oriental e não vêm para aqui. (Se ainda não sabe, não adiantará grande coisa explicar-lho). Mas pode sublinhar-se que bancos infinitamente mais importantes que os da tugária estão bastante aflitos com as quebras da moeda na Polónia e na Roménia (por exemplo). Alguns perderam mesmo metade do capital investido (e não estamos a falar de lucros). Foram assinalados riscos de insolvência, que não estão ultrapassados. As unidades industriais que aí se instalaram (a OPEL da Silésia, por exemplo) poderiam ver os benefícios acrescidos pela quebra de valor dos salários arrastados pela desvalorização da moeda (com uma mão de obra de inigualável qualidade, porque é inteligente, bem preparada, com hábitos de trabalho e bem disciplinada). Mas essas unidades industriais estão reféns da crise. O destino da marca OPEL(sempre por exemplo) é incerto e a sua posição no mercado não tem futuro claro, nem presente que lhe sorria. Já a DACIA é uma outra história. Produzindo, como produz, por definição, o carro europeu mais bem adaptado à crise. Barato. Sólido. De linhas aceitáveis. A DACIA é um êxito comercial que promete ampliar-se, como uma Hyundai europeia. Mas a Roménia está em péssima fase. Todavia, produz uns três mil doutoramentos por ano de elevadíssima qualidade intelectual e forte credibilidade universitária. (A Língua Romena é a segunda mais falada na Microsoft e isso é uma realidade que vale mil palavras). Medina Carreira quer saber porque é que os investidores preferem terras de gente normal? Não é evidente a resposta? Propõe mesmo que se faça um estudo sobre isso... Ora, ora. Velho tonto. Só o seu sentimento de revanche é respeitável. O resto não. Esta gentalha é lixo e deve seguir por isso as vias da reciclagem possível, ou as da co-incinerção. Como obteremos isso? Deixando tudo claro. Não votando. O voto em branco é ainda um voto no sistema. Uma aceitação do sistema. Uma exigência ao sistema. Ora o sistema não pode ser melhor do que aqueles que o fizeram ou fazem. A abstenção é a resposta. Primeiro -para quem possa- é a abstenção de viver aqui. Toda a gente que o possa fazer deve sair. É a única forma de estar a salvo. Radiquem-se em Espanha, ou vão para a Austrália. É indiferente. Mas não continuem aqui. Organizem-se no exterior, se o quiserem, processem esta corja no exterior (é universal a competência de todos os países para julgar os crimes contra os direitos do homem e esses criminosos não faltam aqui). Quem saia, deve sentir-se grato a Deus por ter podido fazê-lo. Mas não deve iludir-se. Quem sair, sai forçadamente. Porque esta canalha lhe ocupa a terra. E persegue a palavra. Ameaça as casas e as vidas de todos os demais. É preciso sair. E retaliar a partir do exterior. No interior, é preciso preparar a defesa própria de quem aqui vive. E é preciso ter em conta que o principal risco é a gentalha que tem a organização militar e paramilitar nas patas. Mesmo sem crise, a delinquência mais violenta tem sido a das forças de segurança. Com a crise só Deus saberá o que pode acontecer às populações com essa gentalha armada e à solta (e com fome, com ânsias, sem hierarquia que não seja a do delito e a das complacências mais inacreditáveis). Enquanto não houver intervenção militar externa, a crise fará com que todas as medidas de autodefesa dos homens e das populações sejam legítimas. Não se vê infelizmente - salva a ocorrência de um milagre- que "o país" possa dispensar uma fase de protectorado internacional com intervenção militar directa. Daqui a vinte ou trinta anos, com doutoramentos produzidos em universidades que contem, com gente normal crescida em sítios normais, com gente mais velha a saber o significado prático das coisas, daqui a vinte ou trinta anos talvez apareça aqui alguma coisa que valha globalmente a pena. Que valha algum esforço. Algum risco. Alguma aposta. Agora não há. As tarefas políticas são as da retaliação (tão justa quanto possível), as da eliminação de todas as vantagens ilícitas, as da recuperação de todos os fundos que estas significam e as da sobrevivência material das pessoas e das famílias. Mas a mais segura das protecções é sair daqui. É tudo. Entretanto e caso seja necessário, Contra Ordem pode (a título excepcional) dar-lhes uma sugestão quanto aos sítios onde as urnas eleitorais podem ser metidas. A abstenção é a única resposta política a estas circunstâncias.

Tuesday, August 11, 2009

Os bloqueados e o seu bloco (conclusão)

No programa do Bloco não estão tratadas com credibilidade mínima nem a questão da justiça, nem a do combate à corrupção. É preciso combater a corrupção que retirou e retira recursos ao desenvolvimento. E esses recursos, importa recuperá-los. Tudo o mais é questão de políciamento. Só este aspecto merece menção programática. É o objectivo político que conta. (Temos definitivamente mais que fazer do que andar atrás de erros ou truques de contabilidade globalmente irrelevantes, deixando passar ao lado, completamente abertas, as vias da pilhagem e da construção da miséria). Mas como se concebe e organiza o Estado para isto ser possível?... Nisto o bloco não responde. Como todos os outros. O Bloco diz-nos, portanto, que é preciso fazer alguma coisa. Estamos de acordo. E diz que tem umas ideias difusas sobre isso. Mas quem não sabe exactamente o que fazer deve estar quieto, respondemos nós. A esquerda também não tem o direito de exibir os seus bloqueios intelectuais como se fossem respostas. Ninguém tem esse direito. Quanto à justiça as tretas dos juízos de paz onde uns atrasados mentais (à maneira do costume) caricaturizam as taras de uma judicatura do salazarismo, porque não querem ser menos. Isso não é resposta nenhuma, para crise nenhuma, de justiça nenhuma. Quanto à celeridade processual obtém-se facilmente se não houver processo, se não houver direitos. É o que dizem – com umas litotes - os mais imundos funcionários do sistema com os demais parasitas que aí tasquinham . Não pode ser essa a via. E nenhuma via dispensa a exclusão (com ou sem encarceramento) desta gentalha. A reforma deve ser precedida por um inquérito global, começando nas faculdades de Direito e terminando na gestão do Cofre Geral dos Tribunais, passando pelas cadeias e pelo funcionamento concreto do aparelho (desde os administradores de insolvência às aberrantes práticas policiais). É preciso ver primeiro o que está acontecer. E o que aconteceu. Depois, é preciso agir. E a acção deve ser fulminante. O Direito Internacional dos Direitos do Homem basta à reacção política e jurisdicional quanto a todas as disfunções que vitimaram os cidadãos. Os critérios gerais do CPA e as previsões do Código Penal bastam a tudo o mais. Depois é preciso que nenhum membro da corja subsista no posto que imaginava seu. E que nada deixe de pagar-se.

A grande massada da pequena Beira e o seu Zé Sócrates

O programa eleitoral do partido socialista foi apresentado e corresponde a coisa nenhuma. Generalidades e propaganda. Com umas promessas absolutamente inquietantes quanto à reforma do processo civil e laboral. Mas sem que uma palavra haja sido dita sobre a objectiva inviabilização do acesso à Justiça que vitima as classes médias e foi construída a partir da “reforma”, “socialista” das custas judiciais. E a indecorosa revogação de qualquer apoio judiciário útil perpetrada pelo celerado Júdice com a complacência dos capões de Barroso-Lopes. Nem uma palavra, também, sobre a gestão dos rendimentos gerados pelas taxas de justiça absolutamente usurárias e cuja gestão escapa completamente às regras da contabilidade pública. (Vamos ter grandes surpresas quando pudermos olhar para aquelas contas e enquanto o não pudermos todas as suspeitas são legítimas). O exame das contas do Cofre Geral dos Tribunais e o exame minucioso das respectivas práticas de gestão, oferecerão dos altos escalões da magistratura a imagem da sua identidade real: mais uma corja. Nem uma palavra diz o partido de Sócrates de Massada sobre o aumento brutal da coacção sobre advogados (com a sanção pecuniária especial que se junta à miríade de processos disciplinares e criminais pelo simples uso da palavra em processo). Nem uma palavra sobre o ultraje dos vencidos em juízo, a quem é exigido que paguem os honorários aos advogados da parte contrária – e esses vencidos, nas actuais circunstâncias de absoluta selvajaria, hão-de ser quem tem, muito provavelmente, razão – nem uma palavra sobre nada, em tal "programa". Sob o governo do socialismo de Massada a perversão do Direito continuou e agravou-se. O partido socialista é verdadeiramente um “partido revolucionário institucional” à mexicana. Com uma capacidade de sedução efectiva e demonstrada sobre a direita ultramontana (selvajaria confessa do papismo pedoclasta, q.e.d.). Neste programa eleitoral confirmam-se décadas de evolução na federação de interesses dos papistas de todas as vertentes e traduz-se o grau de instrumentalização a que se prestam os homens da tradição republicana de esquerda, que ainda ali estão e visivelmente ali não podem continuar. Este programa traduz a inevitabilidade da cisão do PS. Anuncia o seu fim. Nem é possível dizer diante de tal programa que o PS pode ser um voto útil diante do horror dos capões do cavaquismo na primeira linha da vida pública. O partido do Sócrates de Massada da Beira está cheio de criaturas rigorosamente iguais aos capões do cavaquimo. Desde a vacuidade ideológica, passando pela permeabilidade à pedoclastia papista. Depois há umas mulas que só ali cabem, isso é certo. Mas a mula é - apenas e sempre - o produto da exasperação de um cavalo e da complacência de uma burra. E é estéril. Embora possa ser útil. Este programa traduz a imprestabilidade de tal partido. E, sobretudo, a sua nocividade. Uma grande massada confessada. Com o basileus que lhe cabe.

Saturday, August 8, 2009

A Palavra do Bloco

O bloco de esquerda está bloqueado. O programa apresentado traduz-se num chorrilho de lugares comuns, espécie de sistematização de conversas de café com jornalistas batidos e economistas de difusas ideias gerais. Não pode estar errado e não pode estar certo. A pedra de toque está na página 102. Tudo se salda naquilo e aquilo é a radical ausência de qualquer ideia quanto à organização do Estado. Porque, evidentemente, não se pode dizer nada de útil quanto à organização do Estado sem apresentar uma concepção do Estado, uma concepção do Direito e um objectivo político coeso capaz de se traduzir em critérios visíveis para a elaboração de um conjunto de normas, sendo certo que todo o sistema é um conjunto de normas. Não há uma palavra quanto à atitude política tomada face ao conjunto das normas internacionais directamente em vigor no território, nem à compatibilização das práticas políticas, administrativas, judiciárias com a obediência necessária a essas normas. E também não há uma recusa política – não significando isto que tal coisa fosse desejável - com as normas internacionais em vigor e às quais resistem os funcionários do território. O bloco foca com a intensidade apaixonada (das conversas de café) a oligarquia. Mas não procede sequer ao inventário do desvalor introduzido por esta nas tarefas do desenvolvimento por cumprir. Quanto foi retirado ao investimento público pela corrupção nos últimos vinte anos? Era questão de ver quantas obras públicas viram o seu preço duplicado, quantos fornecimentos públicos viram duplicado o seu valor. Isto talvez seja uma tarefa de polícia económica. Mas é também uma estimativa exigível a dirigentes políticos que se afirmam em ruptura. Caso contrário, as “ideias gerais” sobre a corrupção produzirão novos números de novas vítimas - como se houvesse falta de vítimas e de números - que os agentes da corrupção no aparelho repressivo se apressarão a produzir, sem nenhuma hesitação, mas sem nenhum significado prático. Ou com o significado prático do costume. Umaboa parte daquilo a que se chama corrupção é em boa parte extorsão praticada por funcionários. E uma boa parte daquilo a que se chama combate à corrupção é, em boa verdade, a simples utilização abusiva (e corrupta) do aparelho do Estado para a eliminação de agentes económicos em favor da centralização da riqueza.

Friday, July 31, 2009

"Califórnia da Europa", Kavako dixit

O pib voltou a baixar nos USA, enquanto as cidades de lona se expandem. A Califórnia vai libertar 29000 presos por não ter como sustentá-los atrás das grades, embora se proponha aplicar a reclusão domiciliária a alguns deles, para que morram de fome nos vãos das pontes, únicas residências aparentemente disponíveis. Resta ver se eles aceitam tal destinação. O plano de redução de despesas debatido há dias está já ultrapassado. A queda de receitas não tem precedentes. Mas a besta policiesca continua um criminogenoma nos USA, bastando ver este vídeo para pensar como reagiríamos nós e era evidentemente a tiro. (Tal vídeo é uma das notícias da semana). Tais fenómenos são piores que o chui tuga, embora talvez não tão maus como um juiz tuga. Feliz ou infelizmente, os tribunais da Califórnia funcionam agora e apenas alguns dias por semana (aqueles que o Estado consegue pagar). E o deficit cresce 300 USD por minuto. É o momento de recordar Kavako e o seu orgulho de aqui ter feito “a Califórnia da Europa”. -“Lembram-se?”… Perguntava ele na campanha eleitoral. Claro que lembramos. Então havíamos de ter-nos esquecido? “Conan the Republican” e o seu cultor raquítico. Como poderíamos nós esquecer tão cómica coisa? Entretanto aquilo vai ardendo. Lá como cá. Deus seja louvado.

Saturday, July 25, 2009

Progride a Liberdade de Expressão

A Rússia a vai descriminalizar a Difamação e a Injúria como já o fizeram a Roménia, a Sérvia e como o anunciou Sarkozy para a França. Trata-se da resposta à influência (muito positiva) da jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e da boa fé com que essas questões são olhadas. (Mesmo a Turquia faz um esforço sério). O Brasil, pela reforma constitucional, também procedeu a uma revogação implícita das respectivas disposições incriminadoras, tão frequentemente utilizadas para anular pura e simplesmente a mais banal liberdade da mais banal expressão. Já os labregos do tugastão se apegam muito às suas normas tão restritivas e à sua aplicação selvagem pela judicatura de esbirros. Este é um outro aspecto da agenda política do futuro próximo. Canalha que tenha decretado penas em contradição directa com a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem deve ser varrido da função pública, com efeitos retroactivos à data da primeira violação cometida. Entretanto, em face da evolução da Europa e do mundo, o Tribunal Constitucional dos tugas já tratou de preparar o processo civil como um processo penal subsidiário. O texto é um insulto ao Direito. Mas se gostam de punir, havemos de ensinar-lhes o que isso é. Rosnem enquanto podem, que em breve hão-de ganir. Não tenham dúvidas. As próprias crias que lhes usam o apelido, se envergonharão dele... Quem legitimou alguma vez essa gentalha (processem lá... andem, mexam-se) para remeter os cidadãos à clandestinidade do debate político? Quem? Onde? Quem os autorizou a perseguir a liberdade de palavra e quem lhes consentiu o comprazimento nessa perseguição? Quem? Eis as perguntas para as quais teremos respostas de certeza. E talvez não demore tanto como se pensa.

Biden, o idiota

O Vice-Presidente dos USA declara que a Rússia vai ser forçada pela crise económica a transigir diante dos USA. Mais um cretino. Se aqueles imbecis fizessem da estupidez indústria, tinham uma recuperação fulminante. Bem ao contrário, não só a Rússia não será forçada a coisa nenhuma, como em todos os países da Europa Oriental a decepção perante a vacuidade das promessas de prosperidade e ante a mera instrumentalidade das vidas humanas faz correr sérios riscos aos interesses dos USA, também ali. Biden acha que a Rússia tem razões para temer a Pérsia e a Coreia do Norte (o que não está demonstrado) e que não terá população para manter os gastos do orçamento de defesa. Portanto, os USA serão "protectores" da Rússia que há-de ir pedir-lhes batatinhas. Atrasado mental. A crise demográfica russa está em recuperação, felizmente, e nada indica que essa recuperação se detenha. Aliás a demografia responde bem a uma estabilização mínima e à certeza da devoção dos dirigentes à coisa pública. Mesmo no tugastão, o simples discurso humanista do papista Guterres em 95, levou a malta à certa e em 96 houve um baby boom (jamais repetido, é claro, até porque o discurso humanista foi abandonado). Mas além da crise demográfica parecer ali próxima do controlo, a verdade é que a Rússia sempre manteve (historicamente falando) óptimas relações com o Irão (retomadas com a reconversão do poder soviético) e não tem nenhuma tensão com a Coreia do Norte, ao contrário do que se passa com os USA e com os seus fragilíssimos lacaios, em quem bastará soprar para que se desfaçam. Entretanto, os russos estão atentos à cretinice de Biden. É quanto basta. E logo veremos os efeitos demográficos da actual crise dos USA... É evidente que estão à beira do precipício. Evidente também que são guiados por cretinos como Biden e a Fada Hilária (capazes de em três declarações anularem qualquer serenamento resultante da visita de Obama a Moscovo). À beira do precipício, portanto, os USA darão, muito em breve e segundo tudo indica, um grande salto em frente.

Friday, July 24, 2009

RESISTÊNCIA

Os heresiarcas da colina vaticana têm obtido assinalável êxito na construção do silêncio em torno da sua imunda perversidade. Trabalhos da comunicação social – até de origem anglo-saxónica - têm sido retirados de circulação, vendo vedada a sua difusão. Mesmo do ponto de vista jurídico, a perfídia dos hereges tem tido êxito revoltante, evitando até agora a perseguição pela justiça penal internacional. E resulta evidente o êxito de fazer falir as dioceses, frustrando os créditos indemnizatórios e mantendo longe da obrigação de ressarcimento a cidadela da colina vaticana que todavia intervém activamente no acolhimento e fuga de alguns dos criminosos. Sem que ninguém leve ao cárcere o execrando príncipe da cidadela e a repulsiva corja que o serve e da qual ele se serve. Pode consentir-se uma tal organização? Dos “países católicos” elevam-se vozes (clandestinas embora e ainda) de resistência extremada. É o caso do Brasil de onde foram reconduzidos ao YouTube os vídeos dali retirados. Parabéns ao hipocrisiavaticana.blogspot.com/. Com interessante fascinação pela espiritualidade oriental. E uma intensa determinação anti-papista. Parabéns. Chegará o momento da América Latina ser chamada a intervir em conexão de esforços, nesta matéria como noutras. Este não é um aspecto irrelevante da agenda política do futuro próximo.

Ambrósio de Genebra

Pedro Cantacuzeno, descendente de longa linhagem de príncipes bizantinos, coroado Príncipe da Igreja do Cristo e que adoptou Ambrósio por Nome de Fé, Bispo resignatário da Cidade Guardada de Deus de Genebra, membro do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa Fora das Fronteiras, em comunhão plena com o Patriarcado de Moscovo, nasceu para os céus. Preserve Deus entre os homens a memória de tão nobre homem e que as suas orações por nós junto do Trono Eterno não cessem jamais.

Thursday, July 23, 2009

NOVIDADES SOBRE O HIV: POLÍTICA DE GENOCÍDIO

No primeiro mundo a profilaxia vem resultando menos mal. No tugastão, território do segundo mundo e meio, a profilaxia não funciona, tratando-se do território mais perigoso da Europa Ocidental, mas ainda há – por ora - acesso à dispendiosa farmacologia, permitindo manter a doença em situação crónica. (Acessibilidade que pode cessaar a qualquer momento). No primeiro mundo, um contagiado aos 20 anos, disciplinadamente tratado, tem uma esperança de vida de 69 anos. Não no Tugastão, bem entendido, onde a tuberculose multi-resistente, ou a extensivamente resistente, pode dar cabo dele em três tempos. Mas pronto. No primeiro mundo o panorama é suficiente para a indústria farmacêutica ter estável o seu negócio e não se vê necessidade de investir mais na pesquisa. Essa é a grande novidade do Congresso da Cidade do Cabo. O desinvestimento. E a morte (naturalmente). Para África, bem entendido. E para alguns países da América Latina. Os pobres podem morrer, desde que os recursos das suas terras subsistam. É a bomba de neutrões transferida para a clínica. Não traduz isto uma situação de legítima defesa desses povos?.... Mais não havendo - e parece que não - a resposta é afirmativa. Há lugar à legítima defesa, sim.

OS CONTOS DA FADA HILÁRIA

A Secretária de Estado dos USA, subsistência da América clintoniana, anda a distribuir literatura de cordel à volta do mundo. Ele são os Guardas da revolução Islâmica do Irão na Nicarágua, ele são as armas da Coreira do Norte na Birmânia. A mulher é uma ficcionista. E não se cala com estas tolices. Tudo com um fundamento último: o ataque aos interesses dos USA. Como se os interesses dos USA precisassem de ser atacados. A Califórnia acaba de anunciar a sua falência pura e simples (é o Estado mais populoso dos USA). O Dólar não está a cair, mas a despenhar-se. A noite da crise vai terminando com a alvorada a oriente, porque a China lançou o apoio ao consumo interno para compensar a quebra do comércio internacional e, segundo tudo indica, a ideia resultou. Nada será como antes se o motor da economia do mundo for o novo bloco euroasiático. Talvez por isso os USA não parem de aborrecer os países do pacto de Shangai. É o Cáucaso. Xiangjinag. O Irão. Não há canto no mundo ao abrigo dos seus motins, revoltas, golpes, violências. Depois vem a fada Hilária e diz “eles odeiam-nos”. Mas quem é que os odeia? Os residentes nas cidades de lona nos USA, desapossados das suas casas, do seu trabalho, da sua vida, que vêm juntar-se aos trinta milhões de pessoas que já viviam nos esgotos? São esses que os odeiam? Ou são os chiitas do Iraque que foram atirados para um matadouro por promessas dos USA, incumpridas sem a menor noção da honra? Ou os infelizes de XiangJiang a quem acaba de acontecer o mesmo? Ou o idiota da Geórgia, pelos mesmos motivos? Ou os palermas de Kiev, pelas mesmas razões? E se a mulher se calasse um bocadinho?

Thursday, July 2, 2009

ϕοδαζ

Crise, crise, crise. Inépcia, inépcia, inépcia. Os economistas, Europa fora, têm dificuldade em enfrentar a quebra de respeitabilidade, mesmo no plano das suas relações sociais. No Tugastão não é assim. Mas isto é uma adjacência. Um apêndice. Um depósito. Um asilo, no mais humano quadrante. Imagem do asilo é o Medina Carreira fulminando tudo, pensa ele – contorcendo a focinheira nos trejeitos de ajustamento da dentadura – e anunciando o “seu” segundo livro que, pela segunda vez, teve de ser outro a escrever (!) – porra!... Como nós os gregos costumamos dizer – deu-lhe a artrite dentro, ou fora da cabeça? Interessante empenho, o deste antigo professor da escola comercial elevado a um fugaz ministério por Mário Soares. Insiste hoje em dizer-nos quanto ciclicamente temos ouvido e havemos de ouvir de novo ao estupor da velha. Porque não farão eles um par? Tudo vem conforme às características do tugastão. O moralismo dos delinquentes. O rilhar de dentes dos desdentados. A agilidade das artroses. A verdade dos imbecis. A cólera dos raquíticos. A fanfarronada dos cobardes. A fé dos hipócritas. A altivez do servilismo. Mas há uma avassaladora reacção teórica, milimetricamente rigorosa, formulada por um grande sociólogo e professor português (que muito prezamos) e que tudo diz, numa palavra e essa palavra é - ϕοδαζ, expressiva noção que, aqui elevada ao estatuto científico, traduz o “quantum satis” exigível ao veredicto face à respeitabilidade local sem qualquer relevo público. E ao relevo público local sem respeitabilidade possível. Basílio II de Constantinopla – inspirador de várias generosidades – entendeu resolver a seu modo uns ímpetos alheios com análoga teleologia. E próxima origem. Uns ceguinhos. Primeiro por uns motivos, depois por outros. ϕοδαζ, terá intuído o Basileus embora sejam omissas as crónicas quanto à respectiva verbalização. Tzepes, voivoda de imortal memória e preciosa flor de aço, de entre as várias que na Valáquia floriram, teve também umas intuições para a solução em matéria claramente conexa que, de resto, aplicou sem cerimónia. ϕοδαζ, com efeito. Vale bem um manifesto político, a sucinta fórmula. A crise económica, em todo o caso, acompanha-se de outra crise que curiosamente a precedeu: o embotamento do entendimento e da sensibilidade sob a forma de especialização estéril e o funcionalismo esterilizante na pretensa investigação. Uma burla gigantesca, outra vez. Mais discreta, embora. De repente – imagine-se – descobrem estes especialistas não apenas a obrigação de ter pensado e de ter visto, mas a necessidade de compreender ainda. Nunca lhes tinha ocorrido que ao estatuto correspondesse uma função. Faltava-lhes entender que à função cabia ainda uma utilidade. Tremenda situação. E recusam-lhes mesmo qualquer repouso no fracasso. Continuam a pedir-lhes soluções. Terror indizível. Os tugas, longamente habituados à imbecilidade de quem governa, à vacuidade de quem diz pensar, à alarvidade de quem pede estatuto, ao plágio dos que publicam e à inutilidade de qualquer publicação, os tugas, vítimas dóceis de todos os que vivem da coisa e não para a coisa, estarão talvez – ironia do destino - mais bem preparados para isto do que o podem estar os outros. Em todo o caso (Deus seja louvado) o mais exacto veredicto científico, coincidindo no essencial com a mais exacta conclusão diagnóstica, está já formulado pelo (venerando) Professor de Sociologia acima mencionado (e cujo nome não referimos para não lhe turvar a modéstia dos homens de rigor). ϕοδαζ , naturalmente. Teme-se que a terapia possa ser encontrada por alguém entre as soluções de Basílio II e Vlad Tzepes. Ainda vamos ter que defender a vida destes abortos. (Era o que nos faltava). Não terão fim as provações consentidas pela Providência?

Sunday, June 28, 2009

Ahmadinejad filmado em privado

“Homens de vistas curtas, acreditam que os outros não têm nenhuma luz dentro de si”. O presidente reeleito do Irão foi surpreendido em reflexão na Cidade de Qom, na presença serena do seu mestre e outros dignitários da Escola. Uma primeira diferença é indesmentível -não será?- Ahmadinejad, filmado em privado, aparece reflectindo. Já Barroso, Sarkozy, Berlusconi (entre outros) quando são filmados em privado estão realmente a fazer coisas muito diversas da reflexão. Não se sabe como chegou o vídeo – com péssima qualidade e portanto provavelmente não autorizado – mas não é de excluir que tais imagens hajam sido captadas por espírito de admiração e até com intenções de uso privado. A primeira conclusão destas imagens é a de intensíssimas convicções. Religiosas, sim. Mas políticas também. Convicções quanto ao Direito, ainda. Tais imagens demonstram uma determinação clara no compromisso pessoal e político com a redenção do mundo, na mais estrita fidelidade aos mestres. A República Islâmica está longe de qualquer esvaziamento. Sente-se limiar da Era Nova e olha-se como libertador não apenas da Pátria Iraniana, mas do mundo. Isto não está e não estará ao alcance da imbecilidade instrumental de Moussavi ou figura equivalente. Esse Azeri parece não saber que as pessoas nasceram com uma cara e não podem ter duas. Isto não está ao alcance dos jornalistas avençados do Libé ou de qualquer outro lugar e, tão pouco, está ao alcance do Henri-Lévy que envelheceu “novo Filósofo” e se revela sempre tão atento às profundas razões de quem lhe pague os textos cada vez mais medíocres, produzidos a partir de pretensa autoridade intelectual, jamais reconhecida. Este vídeo está a ser usado como propaganda de denúncia ao “tranquilo fanatismo” religioso e ao “perigo político” das convicções aqui expressas. É tudo inútil. Mais depressa os europeus e americanos arrastados para a miséria – pela desonestidade de uns e indigência ideológica de outros - verão aqui uma razão de esperança. Vivendo entre ladrões, usurários, proxenetas, prostituídos, entregues à guarda de vulgaríssimos cretinos, os ocidentais encontram nestas imagens o que não vêm nas suas terras há muito tempo. Gente que fala de convicções. De projectos. De fidelidade à ideia. De empenhamento militante. E da esperança. Da pureza. Da liberdade e do combate a que estão dispostos. Falam da presença de Deus a quem pedem lucidez, coragem e modéstia. Pedindo estudo e reflexão às suas Escolas Teológicas, cujos mestres veneram com a gratidão de quem sabe quanto lhes deve. Henri-Lévy encontrará certamente nisto alguma coisa capaz de fazer com que lhe paguem mais umas páginas de “denúncia”. Mas estas imagens dizem, tão simplesmente, que nenhum serviço de informação, de nenhum exército inimigo, que nenhum dinheiro de ninguém, que nenhuma propaganda conseguirá alguma vez dobrar esta gente. Essa notícia é um alívio em si mesma. Vai ver-se uma grande agitação. Sim. Há aqui uma Escola. E um Escol. Por consequência, uma Escolta. Só homens capazes de se unirem a estes em aspirações congéneres – mesmo que com outros pontos de partida – poderão alguma vez fazer-se respeitar a tais olhos. Ou ser ouvidos. Quanto a tudo o mais, alea jacta como diria o bom velho Júlio. Todos morreremos um dia. Felizes aqueles a quem foram dadas razões para viver e causa pela qual serão lembrados. Pela tua bravura, Ahmadinejad, pelas tuas aspirações de Justiça, pela firmeza dos teus gestos e pela prudência dos teus mestres, pela paz na tua Pátria e pela vitória sobre os inimigos da tua terra, porque são inimigos de todas as terras e inimigos da liberdade e da dignidade de todos os homens – Kyrie Eleíson! Gospodi Pomilui! Duomne Milueste!... E conceda Deus, o Clemente e Misericordioso, que a nossa gente e a tua jamais venham a enfrentar-se .

Thursday, June 25, 2009

POLÍTICA ABORÍGENE NO TUGASTÃO

O estupor da velha declarou (na SIC) querer um debate com Sócrates de Massada, porque, dizia a criatura, ambos são “candidatos ao mesmo lugar” (sic). De hortaliça? Porque é o estupor da velha tão doméstica em tudo? E que ideia terá o estupor da velha do que possa ser uma discussão?

Tuesday, June 23, 2009

FALÊNCIA

Na Letónia, o governo confessa a sua impotência para assegurar os cuidados de saúde, o pib quebra 18%, os preços do imobiliário caíram 50%, o salário mínimo foi reduzido em 20% e as reformas foram cortadas em percentagem insuportável aos reformados. Eis pois a prosperidade prometida. E essa decepção é mais ou menos generalizada a todos os Estados da Europa Oriental, acrescidos dos Estados dos Balcãs. Belíssimo resultado, não há dúvida. E dispendiosíssimo do ponto de vista político. Entretanto, a “crise iraniana”, i.e. a necessária retaliação do Irão sobre as ingerências disparatadas da última semana, promete agravar a instabilidade dos mercados. O tuga médio tem vivido em alegre anestesia esta situação cuja brutal dureza lhe baterá à porta ainda durante este ano. O país depende de duas empresas (!) e ambas estão a fechar. A Auto Europa e a Quimonda não têm salvação visível. Os números portanto cairão acentuadamente. A quebra do pib em breve será confessada com a mesma ordem de grandeza da Letónia. E o resto será sempre pior, porque, justamente, as coisas em Portugal são portuguesas e nada há pior que isso. Resta, evidentemente, uma solução esquecida – a insurreição. Há tudo. Até os quadros para uma revolução. Há os motivos. E a força. Com 18% a menos no pib e qualquer direcção revolucionária opera. Vamos viver dias interessantes. A opressão vivida nesta terra atingiu tais níveis que os simples critérios da Sharia seriam um progresso assinalável no caminho da Liberdade. Aguardemos. Não faltará muito. É preciso ir pensando no que fazer à igreja dos pedoclastas, aos capões do estupor da velha, aos palermas do Sócrates de Massada e, enfim, a toda essa imunda corja de serventuários que apodreceu todos os aparelhos – dos Hospitais aos tribunais – é preciso ir pensando nisso, primeiro, porque há recuperações de recursos a fazer, depois, porque a improvisação seria catastrófica, por último, porque ter o ónus de os alimentar na cadeia parece despesa escusada. (Era o que faltava). Havemos de fazer um pequeno exercício projectivo do que a desorganização da crise poderá representar. Discutir é já alguma coisa. O esvasiamento ideológico é radical. Os poltrões e os seus sicários não têm nada dentro das cabeçorras a não ser sentimentos de medo e revanche. Todos cantarão tudo sobre todos. Os processos respectivos serão fáceis. (Se houver tempo).

Sunday, June 21, 2009

IRÃO, AUTORIDADE E CRISE

Qual é o significado das posições de Ahmadinejad e Khamenei? É o de uma clara convicção em cujos termos o Irão tem, nos USA e na Europa, inimigos perigosos. Que significam as posições europeias e americanas da última semana? Significam que Ahmadinejad e Khamenei têm toda a razão. Entre mil e duas mil pessoas, apenas, desafiaram no Sábado a palavra de autoridade da Oração de Sexta-Feira. Não foi portanto a polícia quem esvasiou as ruas. Nem a palavra de autoridade perdeu, aparentemente, pelo menos, qualquer influência. Onde a autoridade se impõe à crítica, não pode haver crise. É uma impossibilidade lógica. Alguns oposicionistas vieram dizer que não querem mudar o regime. Interessante. E bastante indigno da bravura dos quase dois mil homens que ousaram sair à rua e são, por isso, credores de um respeito que não deve ser-lhes negado. Um outro – porventura oposicionista, mas que sabemos nós? – fez-se explodir sem causar os estragos que porventura visaria. E Moussavi, pobre homem, deu o seu definitivo sinal de fraqueza. Pediu uma greve geral para o caso de o prenderem. E disse estar pronto para o martírio. Cuidou ele de saber se quem o seguia estará pronto para o martírio? Na verdade tão pouco explicou a que testemunho se reportaria tal prontidão. Também isto é bastante indigno da bravura e do entusiasmo de quem o seguiu sob o olhar preocupado e severo da Hierarquia Religiosa. A polícia não utilizou armas de fogo e morreram na rua dez pessoas baleadas. Os jornalistas estrangeiros foram convidados a sair e já não era sem tempo. Umas fêmeas excitadíssimas, ao estilo da Miss Curraleira da RTP, que nem lá deveriam ter ido, por ser despesa inútil aceitar e pagar os comentários do ponto de vista de uma estupidez mais que certa. (Os vistos devem entretanto ter expirado). Este Domingo correu sem qualquer protesto de rua. Falhou outra “revolução colorida”. Khamenei tinha prevenido, na Sexta-Feira - “ o Irão não é a Geórgia”. Pois não. Mas só o La Croix (imagine-se) se deu ao trabalho de noticiar este detalhe. “O Irão não é a Geórgia” e, ao contrário da Geórgia, mostra-se muito longe de qualquer falência. Os serviços de inteligência podem averbar mais uma manifestação de radical idiotia. E a “imprensa livre” (aparentemente sob avença de publicidade redigida), bem poderia tentar regressar à liberdade de palavra que apregoa. O jogo está perdido. E tal como dissera Obama, com alcance mal ponderado, o mundo estava a ver. De registar o facto do bom controlo da polícia (apesar das crises de nervos a que os polícias são sempre atreitos), bem comandada e a intervir sem armas de fogo, em incidentes de gravidade e projecção evidentes. Temos todos visto muito pior, por muito menos e em quase todo o lado. Agora é questão de lucidez e equilíbrio dos tribunais. Carece de sentido que o rescaldo seja pior que o incêndio. E a bravura, mesmo com manifestação deslocada, é um valor em si própria. Supõe-se que chefes de religião e de guerra o saibam ver. O MNE do Irão mandou um recadinho bastante deprimente ao Quai D'Orsay e ao Eliseu. Mas a vergonha não é o forte dessa gente. Lembrem-se de Ben Gurion que nisto falou bem melhor do que logrou fazer: - a posição moralmente correcta, em política, é a única inteligente. Nixon, Ford, Reagan, Bush&Bush foram tão somente labregos. E os seus homens instrumentais na Europa nem essa rusticidade podem invocar como atenuante.

OS ESBIRROS JUDICANTES DA TUGÁRIA

Os agentes do “sistema judicial” ou “ Justiça”, como abusivamente se chamam a si próprios, não conseguem estabilizar nenhuma “solução” para o seu grande problema: o trabalho por fazer. É vê-los nas comarcas. Chegam às dez para os adiamentos. Saem às dez e meia para um merecido café, regressam às onze não se sabe para quê e saem ao meio-dia para almoçar. Pelas duas e meia, ou três da tarde, procedem aos adiamentos e às quatro, exaustos, estão outra vez no café da esquina. Às cinco saem depois de um dia extenuante. Despacham em casa, com frequência e fazem até constar a menção "à noite" nos respectivos despachos. Entenda-se que “o sistema” é óptimo a tais olhos. Não pode é haver tantos processos. O sistema é óptimo, mas os cidadãos não podem ter tantos direitos. “O sistema é muito garantístico”. E portanto cortaram-se selvaticamente recursos. E estabeleceram-se novas sanções de 1500 Euros para os requerimentos incómodos, escritos ou ditados em acta. São as sanções pecuniárias especiais que se juntam às custas por “incidentes anómalos”. É a armadura processual contra a invocação da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, ou contra a invocação do Tratado Instituidor das Comunidades. E subiram-se as alçadas, permitindo que as mais abusivas decisões não sejam sequer examinadas. Ora, mesmo assim, os processos cresceram. Vinte e cinco por cento. Seja no Trabalho, seja no Comércio. Por causa da crise, dizem. Eles tinham remediado isso com um código de trabalho que restaura a servidão da gleba. E instituíram uma lei de insolvência que é um calvário de horrores e arbítrios sem defesa plausível a não ser a mudança da país (em sentido exactíssimo ecom expresso acolhimento na "lei"). Afinou-se um funcionalismo de sicários e, até, se aumentou a proporção de esbirros judicantes. E nem assim os livram do trabalho. O sistema tem mais "juízes" por número de habitantes do que qualquer outro estado europeu, mais advogados por número de habitantes, mais funcionários do que em qualquer outro lugar da União. Nada lhes chega. Nada os livra. Mas o que é preciso é que nada os livre da sanção de uma reestruturação punitiva. Criatura judicante que tenha violado os Direitos do Homem em decisão – ignorando expressamente a invocação do Direito Internacional, ou violando claramente os critérios jurisprudenciais de Estrasburgo - deve ser excluída da função pública, com efeitos a partir da primeira violação detectada (determinando-se a devolução dos salários e benefícios recebidos a partir daí, o pagamento solidário das indemnizações aos lesados e o pagamento ao Estado das custas de cada revisão de processo requerida). O sistema só é “excessivamente garantístico” para a corja que ali se arvorou. Para os demais não tem, sequer, qualquer utilidade visivel. Habitam-no uns gajos e gajas que vivem na (e da) ignorância do arbítrio, porque nada é necessário estudar ou saber se lhes basta querer. É preciso tratar disto. Com premência. É um dos primeiros problemas políticos locais.

Friday, June 19, 2009

IRÃO, SIM...

Ali Khamenei tomou a palavra sobre a situação política iraniana, na presidência da Oração desta Sexta-Feira. E ordenou, com o imenso peso da sua autoridade religiosa, diante da imensa multidão que o escutava, o fim das manifestações. Reafirmou - e bem - o resultado das urnas. Mas a oposição fez já saber que saírá à rua no Sábado. Os chefes políticos europeus apelam à moderação dos dirigentes do Estado. E as noticias (europeias) quanto aos pretensos indicios probatórios da fraude significam realmente muito pouco, além de uma história muito mal contada. Independentemente das razões do dissídio, estamos diante de um prenúncio de guerra, cuja primeira manobra é o desgaste da liderança do Irão, nitidamente em mira de ataque iminente. Tal ataque, face à penúria de meios do momento, poderia idealmente substituir-se pela sub-contratação assente nas minorias étnicas e ideológicas, exasperando as tensões até à Guerra Civil. O neto do coronel Reza Khan anda excitadíssimo com a perspectiva de poder haver (mais uma vez) um fantoche coroado. E dessa tremenda figura poder ser a dele. (Na verdade, um príncipe Kadjar seria posição bem mais digna do ponto de vista Monárquico e provavelmente mais aceitável do ponto de vista religioso, atento o martírio de Seyyed Hassan Modaress). Uma desgraça, isto. Uma desgraça a clamar pela desgraça. Estamos realmente perante um crime seriamente indiciado. E diante disto há muito pouca coisa a fazer. Ali Khamenei - homem de perenes silêncios - nunca se caracterizou pela hesitação em combate. Feliz ou infelizmente, assim continuará a ser. Possa Mohamad al Mustafa interceder pelos seus junto do Trono Eterno.

IUSTITIA IMPERATRIX MUNDI

Barroso foi unânimemente apoiado pelo Conselho Europeu. Mas o Conselho Europeu excluiu expressamente nomeá-lo. A homem pardo, êxito pardo. Barroso fica pois entregue ao Parlamento Europeu onde não há maioria que o sustente. E como diz o Quatremer, o Parlamento pode votá-lo em Julho, pode votá-lo em Setembro e pode não o votar nunca. A homem de indefinições, a indefinição. A homem da avidez, a incerteza. Poderia haver mais justa situação? mais sábia decisão?

CITAÇÃO DO DIA

"Ce qui plait dans Barroso, c’est qu’il ne dérange personne par des initiatives intempestives et aucun pays n’a envie d’un hyperactif à la tête de la Commission. Il reflète l’état de l’Union aujourd’hui : des États qui rechignent à aller plus loin dans l’intégration et qui, sous les coups de boutoir de la crise, sont plutôt tentés de démanteler le marché unique…" (Jean Quatremer).

Thursday, June 18, 2009

PROCESSO IRANIANO

O Conselho Guardião recebeu e ouviu os candidatos vencidos nas eleições e determinou a recontagem dos votos das presidenciais iranianas, bem como o inquérito às alegações de fraude antes das votações e durante as votações. Decretaram-se restrições à liberdade de deslocação de jornalistas estranjeiros e bem assim à liberdade de publicação (blogosfera incluída). Os protestos de rua foram qualificados como acções delituais. Generaliza-se a suspeita de intervenção dos serviços de informação estrangeiros quanto ao financiamento e organização, não apenas pela similitude das tácticas com as das "revoluções" rosa e laranja (não falando já da "laranjada" venezuelana), mas também porque a coincidência dessas tácticas com a pressão internacional onde o Irão é visado (mesmo com o espectro da agressão militar) é fortemente sugestivo do processo organizado (e vivido) em Belgrado antes do ataque militar à Sérvia. A tolerância, nestes termos e tudo ponderado, é coisa para outro sítio.

Tuesday, June 16, 2009

INSURREIÇÃO NO IRÃO?

A Imprensa Europeia insiste no clima de “rebelião iraniana” – inconformismo veemente dos vencidos com aparente catalização externa, porque até o neto do coronel Reza Khan apareceu a aproveitar a oportunidade – falando-se mesmo em “terceira revolução”. Mas, em contrário, o Washington Post vem trazer-nos a posição assente na nationwide public opinion survey of Iranians, em cujos termos as probabilidades do presidente reeleito eram maiores do que as concretizadas. Dois para um, esclarece o texto. Pode haver irregularidades, portanto, mas, fraude não é plausível. Estamos de acordo. Podem fazer-se todas as recontagens. Os vencidos estão polarizados em torno do risco em que o Irão se encontra sob a actual liderança. Mas a República Islâmica sempre esteve em risco. E diante do perigo, as cautelas podem valer menos que as ousadias. Nenhuma delas altera grande coisa, por si. E vale mais a rebeldia do que os vernizes de prudência impossível. O que surpreende é esta vinda a público do Post com tal posição. Quanto à contestação, ela enfraquece o Irão que os contestantes queriam mais preservado, segundo diziam em campanha. Pode desembocar numa atitude de força do regime, ou – o que seria pior - das próprias massas populares. Uma "revolução verde alface" (à imagem da laranja e rosa) estaria sempre e evidentemente votada ao fracasso e "impermeabilizaria" a opinião popular quanto a qualquer pretendida reforma. Às vezes é preciso saber parar. Bem entendido, a presença de Garaudy entre os contestatários (um cretino flutuante que fez figura de inteligente oficial do PCF e chegou a ser ostentado como uma conversão ao papismo) não augura grande coisa. Independentemente de qualquer (estranha) sensatez na América, há nitidamente quem aposte num confronto interno desproporcionado, absolutamente inútil e mais do que dispendioso para o país, fatal para quem insistir em qualquer (estúpida) perspectiva insurreccional. Aqui sempre faltaria a legitimidade popular ou qualquer outra. Mas os serviços de inteligência, como se sabe, assumem com frequência uma direcção política própria. Não é de esperar que a CIA tenha juízo. Não é de esperar que o Mossad ( המוסד למודיעין ולתפקידים מיוחדים ) tenha juízo. Supondo-se que a moderação sem quebras será apenas exigida aos Chefes Religiosos. Essa moderação tem sido mantida. As coisas não estão, porém, a ficar com melhor aspecto.

Monday, June 15, 2009

NOVIDADES NA ORTODOXIA

De acordo com a decisão de 12 de Outubro de 2008, reuniu a comissão panortodoxa preconciliar sob a presidência de Mons. Ianis de Pérgamo. O comunicado dá conta da instituição formal e regulamentação proposta dos órgãos de estruturação do governo pontifical das comunidades da Diáspora, deliberando por unanimidade. Ambos os textos são interessantes. Em Portugal as Santas Igrejas Ortodoxas têm de haver-se com seitas que se reclamam da Ortodoxia e lhe são completamente alheias, muito embora visem explorar – e com êxito, pelo menos num confessado caso – a ingenuidade dos migrantes eslavos e georgianos (os romenos e gregos estão menos expostos). Tal exploração faz-se, de resto, com plena participação do Estado que dá a tais seitas (irrelevantes grupúsculos de gente doentia) tempo de antena como se de Igrejas Ortodoxas pudessem tratar-se. A instituição e regulamentação das conferências regionais de Bispos das diversas jurisdições eliminará, em princípio, qualquer dúvida quanto à exploração fraudulenta do abuso de insígnias episcopais por seitas.

NETANYAHU, CASO DE MICROCEFALIA ?

Binyamin Netanyahu encontrou o modo de aderir a Obama, resistindo-lhe. O discurso foi uma manobra de intoxicação. Assistimos disciplinadamente à coisa, em directo. Eis a questão: os refugiados palestinianos são um problema que tem de ser resolvido, mas deve sê-lo fora das fronteiras de “Israel”. Não se percebe porquê. Os refugiados estão desalojados, pela força, desde os anos quarenta, de territórios e cidades onde sempre tinham vivido e que ficam “dentro das fronteiras” (por assim dizer). Não se percebe porque haverá tal problema de ser resolvido “fora das fronteiras”. E essa solução seria a de um pseudo-estado. Um bantustão com a particularidade de dar consistência politica definitiva ao estatuto de uma sub-cidadania, deslocada do plano individual (o árabe era um sub-homem, muitas vezes sem papéis e sem registo de nascimento, sequer) para o plano colectivo: um sub-estado sem liberdade no próprio debate político interno (o Hamas seria proibido, não obstante ter ganho as eleições), sem exército e com economia integralmente dependente do inimigo. É fácil compreender que um tal discurso serve (sem suficiência, sequer retórica) o propósito de sustentar a continuação da violência, da ocupação e de vários crimes contra a dignidade humana previstos no Direito Internacional Penal. “Esta é a terra dos nossos ancestrais”. Os persas conquistaram-na duas vezes e, nessa lógica, poderiam ter, também, uma palavra de reinvindicação legítima. “ A Shoah não teria ocorrido caso o reconhecimento – da independência judaica do território - não tivesse sido tão retardado”. Não nos parece, mas a discussão é irrelevante. É sempre inútil discutir o que as coisas teriam sido se... Mas não parece que os europeus assumam, com tal fundamento, qualquer má consciência como os alemães assumiram a deles. Disse ainda que Jerusalém é território israelita. Não é. E não pode ser. Tal discurso é inaceitável, nos pressupostos como nos desenvolvimentos. Veremos não tanto o que pensa Obama, mas o que pode Obama diante disto, já que lhe não sobra dinheiro para a guerra. Nem a intensificação desta frente fará crescer o pouco dinheiro que há.

Sunday, June 14, 2009

Barroso: Camaleão, diz o Le Monde

Não seremos nós quem discutirá o género ou a espécie da criatura. Pode ser camaleão (embora intuitivamente, antes nos inclinássemos para a ausência de esqueleto). Será o que for. Mas é hoje abertamente discutida. E cedo foi perfeitamente compreendida. À chegada, chamaram-lhe “ o sr. banalidades”, assim lhe julgando os dotes de oratória. Conhece-se também a sua (dele) profissão de fé quanto à ilimitada capacidade de obediência a quem lher der ordens. Antes era Bush e Blair. Agora é Merkel. Será quem for. Serviria com igual empenho o Presidente Chavez. Não fora a importância relativa de Cacilhas e da Cova da Piedade na caracterização da personagem e dir-se-ia um Fouché. Mas é apenas o esplendor do tuga médio na sua geração. Nasceu para servir (ainda que se permita andar informado do que fazem os senhores nos respectivos aposentos, interesse ansioso que lhe vem estampado no focinho). Surgirá sempre na posição onde o deixar o vento que sopra. A criatura conseguirá agarrar-se ao posto com alguma probabilidade. (Não traduz uma posição, mas ausência dela). Probabilidade alguma, portanto. Mas consideração nenhuma. De ninguém. Nem de quem o empregar. Mais cinco anos, talvez. E um regresso à parvónia que será doloroso. Coisa, de resto, indiferente a toda a gente.

“Think tanks”

“Think tanks” uma recapitulação útil, aqui. Evidentemente, a eficácia de tais coisas é muito limitada para os preços - virtualmente ilimitados - que praticam. Assim, por exemplo, é inútil dizer que o Chavez é doido se os venezuelanos não estão de acordo. Chavez desmontou a técnica da "espiral chilena" que asfixiou Allende, mais a das revoluções laranja e rosa, em conjugação à qual tornou imune a Revolução Bolivariana. É também inútil dizer que o Putin é um chato, porque ele dá-lhes cabo do canastro em dois tempos, digam eles o que disserem. Talvez até se possa começar a contratar alguns destes mercenários e parasitas dos argumentos, para uma utilização mais limitada: trazer ao ridiculo a apologética, por exemplo. Imagine-se o que seria se o mundo começasse a rir com a tese em cujos termos Bush sempre foi um génio humanista e o seu execrando Barroso é um príncipe da Renascença em Cacilhas. Havemos de voltar ao tema. Mesmo na Gestão empresarial o tema tem graça. E não é mau negócio. Por ora, registe-se o elenco. Mas sem levar a coisa tão a sério - não vale a pena o susto - eles são perigosos, mas têm taxas de ineficácia espantosas e a Net desorganiza-lhes completamente a vida. (Ah! E nunca foram tão bons como imagina quem lhes paga).

Saturday, June 13, 2009

ELEIÇÕES IRANIANAS

Evidentemente, é impossível olhar o Irão com neutralidade emocional. A Pérsia é um dos berços da Civilização e os seus sátrapas foram sempre muito menos sátrapas que outros – alguns dos quais imediatamente contemporâneos e bem ocidentais – a Pérsia não é referência que possa esquecer-se. E é inesquecível o - tão literário - simbolismo do Trono do Pavão. Como é curioso, na Pérsia recente, a fascinação do Imperador pela Guarda Cossaca de onde haveria de sair Reza Khan, para tudo comprometer. Mas esses persas que libertaram Israel e o reconduziram à liberdade de Deus, reedificando-lhe o Templo, esses persas, cuja brilhante cultura herdámos provavelmente, tanto através do judaísmo, como através de Alexandre, essa Pérsia que nunca nos abandonará, essa Pérsia é hoje muçulmana e legitimista (o que naquele quadro significa Chiita). Continua tão combativa como sempre. Só que um tanto diferente. Muito diferente, querem dizer-nos. Porventura sim. Mas numa coisa os persas subsistem iguais a si próprios. Continuam a ser um alvo difícil para ânimos hostis. E teimosos, porque Deus é Misericordioso. Ora o Irão acabou de confirmar o pior pesadelo do “ocidente” naquela região. Disseram que... não. Mas porque haveriam eles de dizer que sim? Os belicistas têm pois o seu incómodo alvo reajustado. Embora não tenham meios para lá irem alvejar com êxito seja o que for, a não ser ao preço da catástrofe. As eleições tiveram uma taxa de participação a rondar os oitenta por cento. Contestados os resultados, importa notar que a coisa é muito provavelmente assim mesmo. Haverá quem pense diversamente no Irão. Claro que sim. Mas é assim que as coisas são. As comunidades atacadas unem-se frequentemente em torno da sua chefia. Devia saber disso quem se proclama defensor da paz e da segurança. E o presidente reeleito é homem modesto, vivendo modestamente, mais ou menos à vista de todos. Não é um Cavaco para quem a dotação financeira dada ao Rei de Espanha não seria nunca suficiente. Não espanta que Ahmadinejad agrade a boa parte da sua gente. Nem espanta que Seyyed Ali Khamenei tenha tornado pública a sua alegria. Haverá uma gente de formação mais universitária, mais educada nesse sentido, pensando e fazendo as coisas que as pessoas bem-educadas costumam pensar e fazer. Sim. Mas talvez eles possam começar pelo princípio. Talvez eles possam influir na subida do nível de todos os outros, trabalhando mais em prol de todos os outros, antes de se proporem dirigir o Estado. (Foi, a seu modo, quanto fez a Hierarquia Religiosa). Os opositores eram aqui mais elegantes. Sem dúvida. Mas a elegância não perde nunca oportunidade. E nada os impede de continuarem a ser elegantes.

ECOS E PROTESTOS

Sempre sensíveis às perspectivas dos nossos amigos, recebemos nota de hesitações quanto ao comentário ao 10 de Junho em Portugal. Acharam alguns que a coisa estava exagerada. Pronto. Mas há uma galeria fotográfica no site do PR Cavaco. Nós não vamos violar direitos autorais, mas sublinhamos esta foto das Ex.mas gajas da tribuna. De acordo com as estatísticas, uma em cada três leva nas ventas lá em casa. Olhadas as ventas, achamos baixa a percentagem. Isso o confessamos francamente. Quanto ao Ex.mo gajo correspondente, ei-lo aqui, sempre na confissão fotográfica oficial. Que horror, não? Pois é. É repugnante o que esta gente ousou fazer a si própria. Imagine-se o que andarão fazendo aos outros. Isto olhado e olhado o desfile, olhadas as ventas das criaturas da Escola da Guarda, da Academia Militar, do Colégio Militar e dos Pupilos do Exército, há alguém capaz de sustentar alguma descontinuidade? Não são as mesmas fisionomias? Não é este o país deformado à imagem de tais deformidades? Evidentemente que sim. Isto vo-lo dizemos sem quebra de fraternidade, no dia do grelhador António, terror de Pádua, localmente designado "santo popular".

Friday, June 12, 2009

O PRINCÍPIO DO FIM DE MUITAS COISAS

Entre os assombros da abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu, deve sublinhar-se o caso das antigas Democracias Populares. A Hungria, bordel e pornódromo, aliás falido, parece que não está grata ao "mundo livre" pela posição com que nele se descobre. Na Polónia, nem o papismo se aguenta aos olhos dos decepcionados (Deus seja louvado). Entre Romenos, esta Europa talvez entusiasme o básico Basescu, mas, talvez por isso, arrepiará os demais. A Bulgária não se sente entusiasmada ante a corrupção doada pela "restauração da democracia", sempre arrastando humilhações sobre humilhações à sua gente e ao país. (Isto não falando já do facto do Tribunal de Estrasburgo ter decidido entrar em guerra com toda a Ortodoxia, intrometendo-se no Direito Canónico e impondo um cisma - sem qualquer relevância social ou prática - como se igreja canónica fosse). As repúblicas baltas afundam na mais evidente desmotivação. Esta Europa é para todos eles (como para os portugueses), um negócio de muito poucos a expensas dos demais. Não obstante as generosas contas, generosamente pagas pela Alemanha. (Sempre transbordando de boa vontade, mas pouco exigente com os capatazes locais, uns Barrosos, ou coisas mais pardacentas ainda). O fenómeno está bem detectado no olhar algo mais do que crítico da Suécia. O eleitorado sueco reagiu em conformidade. Que andamos nós a pagar, ao certo? Expliquem-nos isso, pensa o sueco. (Mesmo aquele sueco com arzinho de tição que chegou do Quénia há uma geração atrás, foi bem educado, como toda a gente e, em conformidade, é gente como os demais). Eis o que, tudo ponderado e tudo junto, pode bem ser o princípio do fim de muitas coisas. Assim Deus o permita. (Sem quebra de estima pelos voluntariosos alemães).

Thursday, June 11, 2009

Dez de Junho: a parada dos monstros

“Sonhei que era português”. Bem nos parecia. O Demóstenes de Boliqueime veio celebrar “a raça” (como ele dizia) ao tugúrio de Santarém. Com aquela cara de homem a quem dói alguma coisa quando fala. Disse o contrário de quanto representa e de quanto fez sempre. Num restolhar de frases feitas (duas das quais pelo Garrett). Exercício costumeiro no qual um monstro - em nome dos monstros - pergunta porque há-de a vida ser monstruosa. (Eles não estão nada convencidos da legitimidade das respectivas existências). Pediu mais austeridade de vida. Não sabemos se a pedia aos seus Loureiros (Dias e Valentim), se ao genro, se ao Oliveira e Costa. Admite-se que não estivesse a pedir mais austeridade de vida aos desempregados ou aos sem abrigo (mas tudo é possível). Entre a praça de toiros de Santarém e lado nenhum, desfilou a tropa fandanga numa sucessão de imagens hilariantes. Os comandantes ofegantes, mal sustentando as barrigas de grávidas e projectando os pés para o lado como se temessem o risco de entalar alguma coisa que (hipoteticamente) lhes estaria entre as pernas bambas… Depois dos comandantes, uma corja inenarrável ostentando todos os desalinhos: passos trocados, camisas com fraldas de fora, bivaques e boinas ao calhas, talabartes mal ajustados (sendo inútil prolongar a enumeração). E as caras! Que caras!... Vem aí o 14 Julho e quem não lembrar já as paradas de Maio em Moscovo, quem não recordar a do 12 de Outubro em Madrid, pode ver em breve o que significa uma parada militar na celebração do 14 de Julho em Paris… Porque há-de a vida ser monstruosa? Pois, porque, justamente, é vida dos monstros. O Moita, polemista oficial da Casa do Sino e de tudo quanto dela sobra, defensor dos agentes do caso Maddie e Joana, (já criminalmente condenados), fez-se presente na jaqueta de presidente de câmara, com as folgas e refegos de mau alfaiate de bairro. A imagem de um parolo. Compostinho. Entre parolos. Mas na tribuna, como na parada, tudo se conjugava perfeitamente. As fisionomias traziam, todas, os mesmos traços desenhados. Desde o bispo da igreja oficial, que oficialmente não há, ao presidente. E tudo se prolongava até às caras dos alunos das escolas militares. É nítido que os da tribuna (e tudo quanto representam) lograram impor ao país, nestes trinta anos, as suas deformidades. É nítido que o país ostenta hoje as suas (deles) mutilações. “Sonhei que era português e que Portugal era outra vez Portugal”. Aceita-se a confissão implícita. Era uma vez um monstro que queria ser. Queria ser juiz. Queria ser médico. Queria ser professor. Queria ser presidente. Era uma vez um monstro que não queria fazer. Não queria fazer justiça, mas apenas ser juiz. Era uma vez um monstro que nenhuma construção projectava, mas queria ser engenheiro. Era uma vez um monstro que nada tinha a dizer, mas queria ser professor. Era uma vez um monstro que não queria servir a comunidade, mas queria ser militar. Que coisa os fez assim? Foi a sodomia, desde a mais tenra infância, ministrada com o catecismo papista? Foram as dez gerações de alcoolismo e sífilis que os precederam? Foram as mãezinhas a levar nas ventas todos os dias (para remissão do pecado que tais crias são)? Não se sabe que coisa os fez assim. Mas, independentemente da explicação do fenómeno, foi isso que ali desfilou. Mesmo o Colégio Militar já só ostenta fisionomias que podiam ser as dos rapazes de qualquer asilo, de qualquer Casa Pia. E dessa escola às Academias Militares nenhuma distinção havia. Eram as fisionomias da tribuna. Labregos. (Nas mais benévolas presenças). Doentes mentais, em algumas das perfeitamente explícitas imagens. Em cujos corpanzis nenhum aprumo habitará jamais. Em cujas cabeçorras nenhuma ideia se acenderá alguma vez. Em cujo horizonte de vida nenhuma beleza, nenhuma nobreza, nenhuma justiça se consentirá nunca. Aquilo foi – em tudo - a negação de tudo. Como não podia deixar de ser. Porque há-de a vida ser monstruosa? Pois, porque àqueles se consente que existam assim. Porque aqueles sobrevivem a todos os poderes, mas nada sobreviverá ao poder deles. (Quod erat demonstrandum).

Monday, June 8, 2009

ELEIÇÕES FALHADAS

O poder de não ser cliente fez-se sentir. Pode-se e deve-se questionar em debate político a ilegitimidade política do parlamento europeu. As taxas de participação ficaram, em média, abaixo dos 44%. A maioria dos eleitorados decidiu ignorá-los, portanto, e fê-lo ostensivamente, não obstante a crise, não obstante os apelos, não obstante tudo. Os que votaram expressaram maioritariamente alguma teimosia nos modelos, lideranças e partidos que conduziram ao desastre. Com ligeiríssimos ajustamentos. O PPE perde tendencialmente em número, mas mantém a liderança com 267 a 271 lugares. O PS perde mais significativamente e ficará entre 155-165 deputados. Os liberais apresentam-se agora com uns orgulhosos 80 a 82 lugares. O número de organizações não filiadas sobe espetacularmente à direita para 83 a 89 lugares (a Europa das Nações perde e fica entre os 33 e 37). Os verdes sobem significativamente para 52 a 56 assentos e a esquerda unitária desce também para os 33 a 37. A Assembleia torna-se menos previsível, mas carecerá de legitimidade própria capaz de se contrapor ao reflexo, em Comissão, das legitimidades parlamentares nacionais. Há umas caras novas: a filha do Presidente romeno e algumas garotas que chamam pai ao Chefe do Governo de Itália. Mais as amigas do Chefe do Estado Francês. (Tudo muito digno, como se vê). Novidade ainda é a presença dos russos pela eleição a partir das minorias russas das repúblicas baltas. Mas veremos portanto que novidades trarão as próximas eleições legislativas nos países-membros, sendo certo que a sustentação de Barroso vai ter uns arrepios. Caso Barroso se mantenha, é sinal de crise para a União (porque nenhum homem de primeiro plano aceitará protagonizar o que a este infeliz será exigido pelos seus mandantes). Em todo o caso, nem do ponto de vista económico, nem do ponto de vista político, tais estruturas fazem sentido. Só a Eurásia faz sentido cabal, no plano económico e político. É preciso deixar de resistir à geografia. Trata-se de uma questão de bom senso. Mas o bom senso é difícil, bem sabemos. Em Portugal as tolices disparatadas que se disseram a propósito desta votação falhada em tudo traduzem apenas a falta de gosto e de senso, habituais em todos os quadrantes desta corja. Nada a assinalar quanto às declarações. Quanto aos votos, a taxa de abstenção não permite valorar definitivamente a posição relativa dos radicais em contexto interno (nem à direita nem à esquerda). Era interessante que os radicais pudessem ser vinte por cento à esquerda. E conviria uma percentagem análoga à direita. Porque é preciso um novo centro para viabilizar politicamente o país. (É da sobrevivência do Estado que se trata, sim). Sem viabilidade política, não há viabilidade económica sequer formulável. A Economia é apenas um dos aspectos da Política. Se a coisa se viabilizar será um processo muito interessante para seguir. Se o país falhar a sua existência será um processo muito interessante para estudar.

Sunday, June 7, 2009

Geert Wilders, eleito

Geert Wilders já foi eleito para Estrasburgo (com a admoestação de Bruxelas pela publicação antecipada dos resultados da Holanda). Foi eleito não obstante a sólida reputação de “xenófobo” (melhor dizendo, anti-islamista) e de “extrema-direita”. Nós não sabemos o que possa ser a “extrema-direita” num holandês. O amor à Pátria num holandês implica evidentemente o amor à Tradição do primeiro país europeu a decretar a liberdade de consciência. O mais natural é que essa “extrema-direita”se trate de pura inviabilidade lógica. Wilders vai a Estrasburgo para “lixar aquilo” pelo interior, segundo nos diz. Está zangado. Mas tal ira não pode ser mais intensa que o desprezo absoluto dedicado pelos Holandeses a tal eleição. Pouco mais de trinta e quatro por cento de votantes. Mais inteligente seria não ir. E recusar a legitimidade política de tal titularidade. Mas que vá. E irá com os nossos votos de fulgurante êxito. É preciso “lixar aquilo”, sim. Mas lixar aquilo, não é polir aquilo? (Deus nos valha. O trabalho que dá entendermo-nos!)... Quanto ao anti-islamismo, já temos falado disso. A radicalização agressiva (ou defensiva, mais exactamente) de algumas escolas muçulmanas, anda a par com o florescimento de posições intelectuais muito interessantes noutras. (Hassan al Bana é contemporâneo de Jamal al Din al Afghani e de Mohamad Abduh). Obama já viu isso (e já ia sendo tempo, que a coisa demorou muitos milhares de mortos a compreender). E Wilders pode irritar-se com o que quiser, convindo embora que não provoque males maiores do que aqueles aos quais pretende pôr termo. É desagradável o modo como os árabes tratam as mulheres. Isso é verdade. E inquietante. Quando se pensa que tratam assim as mães deles e as irmãs deles, os cristãos perguntam-se o que pode acontecer aos outros. Mas - poligamia oficialmente à parte - os cristãos (quase todos os cristãos) já trataram as suas mulheres de modo semelhante (ablação cirúrgica do clitoris incluída). E até há muito pouco tempo. (Hoje, por exemplo, os laicistas torturam-nas e deformam-nas com a "moda" feita por maricas que visam, dizem, torná-las "sedutoras" para os outros e o resultado é uma concepção de "elegância de bordel", nisso não podendo ninguém vêr progresso enunciável em voz alta). Os papistas continuam a tratar as crianças de modo especialmente repulsivo e aliás criminoso. E às decapitações do Iraque podem opor-se os voos da morte da Argentina (com a benção de Mons. Tortolo), ou a tortura de Abu Graib e Guantánamo (determinadas por um cristão renascido). O equilíbrio é dificil. É certo. Mas a falta do equilíbrio traduz-se na queda. Não se pode escolher entre monstros. E o menosprezo não é a atitude mais inteligente face aos Textos Sagrados de qualquer religião em nome das referências de outra. Não disse o Cristo que há outros redis com ovelhas suas?

Saturday, June 6, 2009

DELENDA EST!

A iminência da aprovação de uma Lei nos USA instituindo o prazo de um ano para qualquer vítima, em qualquer idade, apresentar queixa por qualquer abuso ou violência que haja sofrido enquanto criança, fez a padralhada entrar em pânico. Dizem que vai ser muito mau. Que vão à falência. Que vão fechar escolas. Que a sociedade fica privada do contributo deles. E alguns congressistas hesitam. Nós não. Tais argumentos valem uma confissão. Venha portanto a falência. E fechem tais escolas. Qualquer que possa ser o contributo assente na licença de abusar de crianças (ou na impunidade por o ter feito) isso sempre será lixo. Tratemos de deixar essa gente em situação de não poder fazer mais mal a mais ninguém. De uma vez por todas.

Friday, June 5, 2009

O PORNO-CANONISMO PAPISTA

Enquanto o “pontifex maximus” se ocupa da pretensa teologia moral do preservativo, um franciscano polaco reformula a "teoria geral do coito matrimonial". Trata-se de uma compilação idiótica de fantasias e abusos, com o significado prático de sempre: o porno canonismo. Eles agora distinguem entre cunnilingus (e fellatio) legítimo e ilegítimo. Os legítimos, agora, se não são obrigatórios, são pelo menos muito recomendados. Mas se a coisa durar até ao orgasmo equivalerá ao onanismo e será um pecado. Seria portanto necessária a confissão do facto. Como seria necessário confessar a insubmissão de não querer aquilo na boca por qualquer motivo ou em alguma circunstância. Os desgraçados lá vão descobrindo modo de apimentar as repulsivas existências, em síntese. Pondere-se - com este abuso, pretensamente canonista - o que pode ser o “novo cânone sexual ” no “novo confessionário” desta gente e até onde (por consequência) eles imaginam que podem ir na indiscrição e  intrusão nas vidas alheias. Impõe-se o aconselhamento público às pessoas que possam ser confrontadas com tais e tão previsíveis interpelações inquisitórias. Na falta de aconselhamento visível este modesto blog assume-o. (Usar-se-á a terminologia tradicional do papista médio a norte do Mondego). Quando ouvirdes de vosso confessor a pergunta (piedosa) pela qual esse santo varão visa clarificar se houve, ou não, bem como até quando houve, os contactos oro-genitais - recomendados pelo magistério - com vosso cônjuge, não vos perturbeis. Com o coração pleno de caridade, tratai imediatamente de lhe enfiar um pano encharcado pelas ventas abaixo. (Pode fazer-lhe mais intenso bem à alma se o pano estiver encharcado em água benta). E enquanto lhe enfiais as ventas no pano encharcado, dizei-lhe com brandura: -“assim, nem o Rego te salva do Jornal Nacional e da Manela Moura Guedes”. Acreditai que, assim fazendo, travareis o bom combate. E isto vo-lo dirá qualquer homem sensato em qualquer lugar do mundo. Um pano encharcado pelas ventas abaixo. E Deus, que vos não acusará jamais por tais coisas, Deus que jamais legislou sobre o cunnilingus e o fellatio, Deus há-de abençoar-vos como sempre o fez. 

Wednesday, June 3, 2009

ELEIÇÕES EUROPEIAS: ABSTENÇÃO!

O projecto europeu deveria ter-se fortificado com o exemplo da Suiça, deveria traduzir-se numa democracia sem quebras, nem batotas, no enraizamento de consensos, no progresso comum, em comum acordo. Deveria assentar na condução das instituições europeias - onde a comunhão das soberanias se materializaria - por homens cuja autoridade e prestigio intelectual fosse alicerce dessas instituições e uma condição mais da sua eficácia. Isso tudo que faz da Suiça um fenómeno de prosperidade e paz. Isso que faz de qualquer cidadão da Confederação Helvética, por mais conservador que seja, uma espécie de radical de esquerda aos olhos de um qualquer húngaro, austríaco, espanhol, português, irlandês, até italiano e mesmo francês. Um suíço faz figura de radical junto de qualquer vítima de qualquer terra onde a presença papista tenha tido qualquer influência sobre a concepção de Estado. Mas ao invés de quanto se projectara, os oportunismos de circunstância atiraram para a Comissão uns desgraçados, como o infeliz Barroso, subalternos em quase tudo e incapazes no resto. Gente que faz nosso o seu caminho sempre perto do fiasco, que a outros – e não tanto aos europeus - pode ser conveniente a qualquer momento. Estes desgraçados são inevitáveis. Mas deveria haver um saneamento a permitir pô-los em melhor lugar, à espera de mais ajustado destino. Todos os organismos vivos produzem excrementos. A vida política também. Os Barrosos são o excremento da vida política. Deviam seguir o seu caminho, como coisa biodegrável, rumo à reciclagem. Ao invés, um qualquer Pasolini enlouquecido põe-nos aquilo à mesa. Haverá outra reacção que não seja a de nos levantarmos? Não há outra forma de reacção. E o levantamento deve revestir a forma da abstenção. O voto nulo desqualifica a abstenção dos outros. O voto de protesto, também. É preciso ferir as circunstâncias com a ilegitimidade política da aquisição dos estatutos da deputação. É um pouco como o combate à prostituição, isto. Trata-se substancialmente da mesma coisa, aliás. Num e noutro quadrante resta-nos apenas o poder de não sermos clientes. Tal poder é apreciável. É preciso usá-lo.

Friday, May 29, 2009

A NOVA PIEDADE, MARINHO PINTO E OS TUGANAIS

Marinho Pinto continua a dinamitar convicções. Agora meteu-se com o novo dogma da “violência doméstica”. E uns bandos de piedosas fêmeas (ou institutos afins) largaram-se-lhe às canelas. Marinho Pinto tem e não tem razão. Mas ninguém tem mais razão que ele. A tipificação da violência doméstica é textículo a consubstanciar um exemplo quase perfeito da síndrome de confusão mental. É o contrário da tipificação. É mera menção, com noções de conteúdo radicalmente indeterminado, sob cuja invocação, com a vítima, sem a vítima, ou contra a vítima – se houver vítima, porque pode até não haver – se destrói não importa que família, de não importa quem, nem importando, tão pouco, em que circunstâncias. Isto, quer haja factos, ou não haja factos, quer haja ou não haja prova. Mesmo que a vítima grite a plenos pulmões e ao longo dos sete ou oito anos do processo que tinham sido os miúdos com o DVD alto de mais e por mais que os miúdos o confirmem. A “lógica” do processo dará sempre razão ao vizinho a dizer ter ouvido grande estardalhaço várias noites, temendo pela segurança da vítima… A jurisprudência acrescentará que não é por haver a protecção de quatro paredes e pelo arguido manter o poder de silenciar mulher e filhos que escapa impune… E paf!… A violência doméstica é um problema grave. Mas esta tipificação é um problema maior. E quanto à aplicação que os tribunais tugas (os tuganais) têm feito disso, nem vos diremos agora que problemas causam e de que grotesco se revestem as respectivas arengas. Um homem lê aquilo e ri a chorar. Repugnante. (Como quase tudo nesta terra). Só levando a corja dos tuganais ao largo do pelourinho e aplicando-lhes ali a Sharia é que se poderia explicar-lhes duas ou três coisas. Marinho Pinto não tem razão integral. Mas nisto não há razão nenhuma. Isto é mais uma desgraça. Sem evitar nenhuma das desgraças que se propunha combater. São bem filhos do papismo, estes atrasados mentais. Em tudo o que estruturam saem-lhes, espontaneamente, a inquisição, o asilo e o bordel. São as três soluções que têm para tudo: inquisição, asilo e bordel. Nós os gregos temos uma palavra adequada ao comentário genérico a tal coisa. E essa palavra é “pôrra”!

ROUCO, CAÑIZARES, A PEDOCLASTIA, A VIOLAÇÃO ABSOLVIDA E A TRANQUILIDADE E ORDEM PÚBLICAS

Para os papistas o prazer é ilícito em si mesmo e portanto, parece, tanto lhes dá o sexo fora do matrimónio, como a violação, ou, porventura, mesmo, o abuso sexual de menores. É o que vem dizer o pasquim do cardeal Rouco Varela de Madrid. Por isso, de resto, ao cardeal Cañizares parece pior haver quarenta milhões de abortos do que a padralhada papista andar a abusar de crianças pelo mundo inteiro. É um pouco como se dissessem que, se qualquer um pode ser livre, se qualquer um pode ter o que prefere, os laicistas heterexosexuais são piores do que os clérigos pedoclastas do papismo, porque gostam de “coisas piores”. E, pior, seria, justamente, a relação heterosexual entre adultos livres. Só essa “conduz” aos quarenta milhões de abortos aos quais os papistas gostariam de somar quarenta milhões de processos criminais, pelos vistos, para que nenhuma infelicidade deixasse de ser tragédia e para que nenhuma tragédia deixasse de ser ampliada. Vão ao ponto de dizer que, assim sendo as coisas, ou seja, não sendo o aborto punido e podendo o prazer ser coisa livre, deve ser descriminalizada a violação. Imagine-se. Eles confessam a matriz “doutrinária” do problema. Uma das vantagens da liberdade de palavra, como se vê, é que ela permite olhar sem impedimentos para estes anormais. A igreja papista oferece o espectáculo de um hospício psiquiátrico onde os internados tivessem entrado em autogestão. Quanto ao aborto, como ninguém aborta por gosto, importaria detectar e resolver o problema subjacente a tais números – realmente impressionantes – que vão sendo publicados. E o primeiro problema é a moral papista entranhada no tecido social. A ideia de bastardia – que não pode ter hoje qualquer relevância prática, ou qualquer importância social – a ideia de desonra na maternidade maritalmente desacompanhada, o condicionamento da vida humana à existência de recursos cuja obtenção seria exclusiva responsabilidade pessoal do(s) progenitor(es) e cuja falta seria tragédia inelutável (como se as coisas pudessem ser assim, nos casos em que assim continuem sendo). Tudo isso é lixo. Nada disso pode, sequer de longe, valer a dor moral do aborto. E na medida em que isso - pelo pavor ou pelo medo - determine o aborto, estaremos na presença de mecanismos de constrangimento inaceitáveis. Deviam ser criminalizados em muitos casos e, noutros, simplesmente removidos. A matermidade e a paternidade são valores socialmente eminentes em si mesmas. É portanto necessária uma protecção da respectiva honorabilidade, sobretudo em terras onde a pedoclastia papista anda à solta com a sua pretensa moral. Quanto a Rouco e Cañizares, já deviam estar sob internamento psiquiátrico compulsivo há muito tempo. Tudo isto revela a incompatibilidade da prática institucional do papismo com os princípios de ordem pública. E é preciso extrair daqui as consequências necessárias.