Sunday, June 28, 2009

Ahmadinejad filmado em privado

“Homens de vistas curtas, acreditam que os outros não têm nenhuma luz dentro de si”. O presidente reeleito do Irão foi surpreendido em reflexão na Cidade de Qom, na presença serena do seu mestre e outros dignitários da Escola. Uma primeira diferença é indesmentível -não será?- Ahmadinejad, filmado em privado, aparece reflectindo. Já Barroso, Sarkozy, Berlusconi (entre outros) quando são filmados em privado estão realmente a fazer coisas muito diversas da reflexão. Não se sabe como chegou o vídeo – com péssima qualidade e portanto provavelmente não autorizado – mas não é de excluir que tais imagens hajam sido captadas por espírito de admiração e até com intenções de uso privado. A primeira conclusão destas imagens é a de intensíssimas convicções. Religiosas, sim. Mas políticas também. Convicções quanto ao Direito, ainda. Tais imagens demonstram uma determinação clara no compromisso pessoal e político com a redenção do mundo, na mais estrita fidelidade aos mestres. A República Islâmica está longe de qualquer esvaziamento. Sente-se limiar da Era Nova e olha-se como libertador não apenas da Pátria Iraniana, mas do mundo. Isto não está e não estará ao alcance da imbecilidade instrumental de Moussavi ou figura equivalente. Esse Azeri parece não saber que as pessoas nasceram com uma cara e não podem ter duas. Isto não está ao alcance dos jornalistas avençados do Libé ou de qualquer outro lugar e, tão pouco, está ao alcance do Henri-Lévy que envelheceu “novo Filósofo” e se revela sempre tão atento às profundas razões de quem lhe pague os textos cada vez mais medíocres, produzidos a partir de pretensa autoridade intelectual, jamais reconhecida. Este vídeo está a ser usado como propaganda de denúncia ao “tranquilo fanatismo” religioso e ao “perigo político” das convicções aqui expressas. É tudo inútil. Mais depressa os europeus e americanos arrastados para a miséria – pela desonestidade de uns e indigência ideológica de outros - verão aqui uma razão de esperança. Vivendo entre ladrões, usurários, proxenetas, prostituídos, entregues à guarda de vulgaríssimos cretinos, os ocidentais encontram nestas imagens o que não vêm nas suas terras há muito tempo. Gente que fala de convicções. De projectos. De fidelidade à ideia. De empenhamento militante. E da esperança. Da pureza. Da liberdade e do combate a que estão dispostos. Falam da presença de Deus a quem pedem lucidez, coragem e modéstia. Pedindo estudo e reflexão às suas Escolas Teológicas, cujos mestres veneram com a gratidão de quem sabe quanto lhes deve. Henri-Lévy encontrará certamente nisto alguma coisa capaz de fazer com que lhe paguem mais umas páginas de “denúncia”. Mas estas imagens dizem, tão simplesmente, que nenhum serviço de informação, de nenhum exército inimigo, que nenhum dinheiro de ninguém, que nenhuma propaganda conseguirá alguma vez dobrar esta gente. Essa notícia é um alívio em si mesma. Vai ver-se uma grande agitação. Sim. Há aqui uma Escola. E um Escol. Por consequência, uma Escolta. Só homens capazes de se unirem a estes em aspirações congéneres – mesmo que com outros pontos de partida – poderão alguma vez fazer-se respeitar a tais olhos. Ou ser ouvidos. Quanto a tudo o mais, alea jacta como diria o bom velho Júlio. Todos morreremos um dia. Felizes aqueles a quem foram dadas razões para viver e causa pela qual serão lembrados. Pela tua bravura, Ahmadinejad, pelas tuas aspirações de Justiça, pela firmeza dos teus gestos e pela prudência dos teus mestres, pela paz na tua Pátria e pela vitória sobre os inimigos da tua terra, porque são inimigos de todas as terras e inimigos da liberdade e da dignidade de todos os homens – Kyrie Eleíson! Gospodi Pomilui! Duomne Milueste!... E conceda Deus, o Clemente e Misericordioso, que a nossa gente e a tua jamais venham a enfrentar-se .

Thursday, June 25, 2009

POLÍTICA ABORÍGENE NO TUGASTÃO

O estupor da velha declarou (na SIC) querer um debate com Sócrates de Massada, porque, dizia a criatura, ambos são “candidatos ao mesmo lugar” (sic). De hortaliça? Porque é o estupor da velha tão doméstica em tudo? E que ideia terá o estupor da velha do que possa ser uma discussão?

Tuesday, June 23, 2009

FALÊNCIA

Na Letónia, o governo confessa a sua impotência para assegurar os cuidados de saúde, o pib quebra 18%, os preços do imobiliário caíram 50%, o salário mínimo foi reduzido em 20% e as reformas foram cortadas em percentagem insuportável aos reformados. Eis pois a prosperidade prometida. E essa decepção é mais ou menos generalizada a todos os Estados da Europa Oriental, acrescidos dos Estados dos Balcãs. Belíssimo resultado, não há dúvida. E dispendiosíssimo do ponto de vista político. Entretanto, a “crise iraniana”, i.e. a necessária retaliação do Irão sobre as ingerências disparatadas da última semana, promete agravar a instabilidade dos mercados. O tuga médio tem vivido em alegre anestesia esta situação cuja brutal dureza lhe baterá à porta ainda durante este ano. O país depende de duas empresas (!) e ambas estão a fechar. A Auto Europa e a Quimonda não têm salvação visível. Os números portanto cairão acentuadamente. A quebra do pib em breve será confessada com a mesma ordem de grandeza da Letónia. E o resto será sempre pior, porque, justamente, as coisas em Portugal são portuguesas e nada há pior que isso. Resta, evidentemente, uma solução esquecida – a insurreição. Há tudo. Até os quadros para uma revolução. Há os motivos. E a força. Com 18% a menos no pib e qualquer direcção revolucionária opera. Vamos viver dias interessantes. A opressão vivida nesta terra atingiu tais níveis que os simples critérios da Sharia seriam um progresso assinalável no caminho da Liberdade. Aguardemos. Não faltará muito. É preciso ir pensando no que fazer à igreja dos pedoclastas, aos capões do estupor da velha, aos palermas do Sócrates de Massada e, enfim, a toda essa imunda corja de serventuários que apodreceu todos os aparelhos – dos Hospitais aos tribunais – é preciso ir pensando nisso, primeiro, porque há recuperações de recursos a fazer, depois, porque a improvisação seria catastrófica, por último, porque ter o ónus de os alimentar na cadeia parece despesa escusada. (Era o que faltava). Havemos de fazer um pequeno exercício projectivo do que a desorganização da crise poderá representar. Discutir é já alguma coisa. O esvasiamento ideológico é radical. Os poltrões e os seus sicários não têm nada dentro das cabeçorras a não ser sentimentos de medo e revanche. Todos cantarão tudo sobre todos. Os processos respectivos serão fáceis. (Se houver tempo).

Sunday, June 21, 2009

IRÃO, AUTORIDADE E CRISE

Qual é o significado das posições de Ahmadinejad e Khamenei? É o de uma clara convicção em cujos termos o Irão tem, nos USA e na Europa, inimigos perigosos. Que significam as posições europeias e americanas da última semana? Significam que Ahmadinejad e Khamenei têm toda a razão. Entre mil e duas mil pessoas, apenas, desafiaram no Sábado a palavra de autoridade da Oração de Sexta-Feira. Não foi portanto a polícia quem esvasiou as ruas. Nem a palavra de autoridade perdeu, aparentemente, pelo menos, qualquer influência. Onde a autoridade se impõe à crítica, não pode haver crise. É uma impossibilidade lógica. Alguns oposicionistas vieram dizer que não querem mudar o regime. Interessante. E bastante indigno da bravura dos quase dois mil homens que ousaram sair à rua e são, por isso, credores de um respeito que não deve ser-lhes negado. Um outro – porventura oposicionista, mas que sabemos nós? – fez-se explodir sem causar os estragos que porventura visaria. E Moussavi, pobre homem, deu o seu definitivo sinal de fraqueza. Pediu uma greve geral para o caso de o prenderem. E disse estar pronto para o martírio. Cuidou ele de saber se quem o seguia estará pronto para o martírio? Na verdade tão pouco explicou a que testemunho se reportaria tal prontidão. Também isto é bastante indigno da bravura e do entusiasmo de quem o seguiu sob o olhar preocupado e severo da Hierarquia Religiosa. A polícia não utilizou armas de fogo e morreram na rua dez pessoas baleadas. Os jornalistas estrangeiros foram convidados a sair e já não era sem tempo. Umas fêmeas excitadíssimas, ao estilo da Miss Curraleira da RTP, que nem lá deveriam ter ido, por ser despesa inútil aceitar e pagar os comentários do ponto de vista de uma estupidez mais que certa. (Os vistos devem entretanto ter expirado). Este Domingo correu sem qualquer protesto de rua. Falhou outra “revolução colorida”. Khamenei tinha prevenido, na Sexta-Feira - “ o Irão não é a Geórgia”. Pois não. Mas só o La Croix (imagine-se) se deu ao trabalho de noticiar este detalhe. “O Irão não é a Geórgia” e, ao contrário da Geórgia, mostra-se muito longe de qualquer falência. Os serviços de inteligência podem averbar mais uma manifestação de radical idiotia. E a “imprensa livre” (aparentemente sob avença de publicidade redigida), bem poderia tentar regressar à liberdade de palavra que apregoa. O jogo está perdido. E tal como dissera Obama, com alcance mal ponderado, o mundo estava a ver. De registar o facto do bom controlo da polícia (apesar das crises de nervos a que os polícias são sempre atreitos), bem comandada e a intervir sem armas de fogo, em incidentes de gravidade e projecção evidentes. Temos todos visto muito pior, por muito menos e em quase todo o lado. Agora é questão de lucidez e equilíbrio dos tribunais. Carece de sentido que o rescaldo seja pior que o incêndio. E a bravura, mesmo com manifestação deslocada, é um valor em si própria. Supõe-se que chefes de religião e de guerra o saibam ver. O MNE do Irão mandou um recadinho bastante deprimente ao Quai D'Orsay e ao Eliseu. Mas a vergonha não é o forte dessa gente. Lembrem-se de Ben Gurion que nisto falou bem melhor do que logrou fazer: - a posição moralmente correcta, em política, é a única inteligente. Nixon, Ford, Reagan, Bush&Bush foram tão somente labregos. E os seus homens instrumentais na Europa nem essa rusticidade podem invocar como atenuante.

OS ESBIRROS JUDICANTES DA TUGÁRIA

Os agentes do “sistema judicial” ou “ Justiça”, como abusivamente se chamam a si próprios, não conseguem estabilizar nenhuma “solução” para o seu grande problema: o trabalho por fazer. É vê-los nas comarcas. Chegam às dez para os adiamentos. Saem às dez e meia para um merecido café, regressam às onze não se sabe para quê e saem ao meio-dia para almoçar. Pelas duas e meia, ou três da tarde, procedem aos adiamentos e às quatro, exaustos, estão outra vez no café da esquina. Às cinco saem depois de um dia extenuante. Despacham em casa, com frequência e fazem até constar a menção "à noite" nos respectivos despachos. Entenda-se que “o sistema” é óptimo a tais olhos. Não pode é haver tantos processos. O sistema é óptimo, mas os cidadãos não podem ter tantos direitos. “O sistema é muito garantístico”. E portanto cortaram-se selvaticamente recursos. E estabeleceram-se novas sanções de 1500 Euros para os requerimentos incómodos, escritos ou ditados em acta. São as sanções pecuniárias especiais que se juntam às custas por “incidentes anómalos”. É a armadura processual contra a invocação da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, ou contra a invocação do Tratado Instituidor das Comunidades. E subiram-se as alçadas, permitindo que as mais abusivas decisões não sejam sequer examinadas. Ora, mesmo assim, os processos cresceram. Vinte e cinco por cento. Seja no Trabalho, seja no Comércio. Por causa da crise, dizem. Eles tinham remediado isso com um código de trabalho que restaura a servidão da gleba. E instituíram uma lei de insolvência que é um calvário de horrores e arbítrios sem defesa plausível a não ser a mudança da país (em sentido exactíssimo ecom expresso acolhimento na "lei"). Afinou-se um funcionalismo de sicários e, até, se aumentou a proporção de esbirros judicantes. E nem assim os livram do trabalho. O sistema tem mais "juízes" por número de habitantes do que qualquer outro estado europeu, mais advogados por número de habitantes, mais funcionários do que em qualquer outro lugar da União. Nada lhes chega. Nada os livra. Mas o que é preciso é que nada os livre da sanção de uma reestruturação punitiva. Criatura judicante que tenha violado os Direitos do Homem em decisão – ignorando expressamente a invocação do Direito Internacional, ou violando claramente os critérios jurisprudenciais de Estrasburgo - deve ser excluída da função pública, com efeitos a partir da primeira violação detectada (determinando-se a devolução dos salários e benefícios recebidos a partir daí, o pagamento solidário das indemnizações aos lesados e o pagamento ao Estado das custas de cada revisão de processo requerida). O sistema só é “excessivamente garantístico” para a corja que ali se arvorou. Para os demais não tem, sequer, qualquer utilidade visivel. Habitam-no uns gajos e gajas que vivem na (e da) ignorância do arbítrio, porque nada é necessário estudar ou saber se lhes basta querer. É preciso tratar disto. Com premência. É um dos primeiros problemas políticos locais.

Friday, June 19, 2009

IRÃO, SIM...

Ali Khamenei tomou a palavra sobre a situação política iraniana, na presidência da Oração desta Sexta-Feira. E ordenou, com o imenso peso da sua autoridade religiosa, diante da imensa multidão que o escutava, o fim das manifestações. Reafirmou - e bem - o resultado das urnas. Mas a oposição fez já saber que saírá à rua no Sábado. Os chefes políticos europeus apelam à moderação dos dirigentes do Estado. E as noticias (europeias) quanto aos pretensos indicios probatórios da fraude significam realmente muito pouco, além de uma história muito mal contada. Independentemente das razões do dissídio, estamos diante de um prenúncio de guerra, cuja primeira manobra é o desgaste da liderança do Irão, nitidamente em mira de ataque iminente. Tal ataque, face à penúria de meios do momento, poderia idealmente substituir-se pela sub-contratação assente nas minorias étnicas e ideológicas, exasperando as tensões até à Guerra Civil. O neto do coronel Reza Khan anda excitadíssimo com a perspectiva de poder haver (mais uma vez) um fantoche coroado. E dessa tremenda figura poder ser a dele. (Na verdade, um príncipe Kadjar seria posição bem mais digna do ponto de vista Monárquico e provavelmente mais aceitável do ponto de vista religioso, atento o martírio de Seyyed Hassan Modaress). Uma desgraça, isto. Uma desgraça a clamar pela desgraça. Estamos realmente perante um crime seriamente indiciado. E diante disto há muito pouca coisa a fazer. Ali Khamenei - homem de perenes silêncios - nunca se caracterizou pela hesitação em combate. Feliz ou infelizmente, assim continuará a ser. Possa Mohamad al Mustafa interceder pelos seus junto do Trono Eterno.

IUSTITIA IMPERATRIX MUNDI

Barroso foi unânimemente apoiado pelo Conselho Europeu. Mas o Conselho Europeu excluiu expressamente nomeá-lo. A homem pardo, êxito pardo. Barroso fica pois entregue ao Parlamento Europeu onde não há maioria que o sustente. E como diz o Quatremer, o Parlamento pode votá-lo em Julho, pode votá-lo em Setembro e pode não o votar nunca. A homem de indefinições, a indefinição. A homem da avidez, a incerteza. Poderia haver mais justa situação? mais sábia decisão?

CITAÇÃO DO DIA

"Ce qui plait dans Barroso, c’est qu’il ne dérange personne par des initiatives intempestives et aucun pays n’a envie d’un hyperactif à la tête de la Commission. Il reflète l’état de l’Union aujourd’hui : des États qui rechignent à aller plus loin dans l’intégration et qui, sous les coups de boutoir de la crise, sont plutôt tentés de démanteler le marché unique…" (Jean Quatremer).

Thursday, June 18, 2009

PROCESSO IRANIANO

O Conselho Guardião recebeu e ouviu os candidatos vencidos nas eleições e determinou a recontagem dos votos das presidenciais iranianas, bem como o inquérito às alegações de fraude antes das votações e durante as votações. Decretaram-se restrições à liberdade de deslocação de jornalistas estranjeiros e bem assim à liberdade de publicação (blogosfera incluída). Os protestos de rua foram qualificados como acções delituais. Generaliza-se a suspeita de intervenção dos serviços de informação estrangeiros quanto ao financiamento e organização, não apenas pela similitude das tácticas com as das "revoluções" rosa e laranja (não falando já da "laranjada" venezuelana), mas também porque a coincidência dessas tácticas com a pressão internacional onde o Irão é visado (mesmo com o espectro da agressão militar) é fortemente sugestivo do processo organizado (e vivido) em Belgrado antes do ataque militar à Sérvia. A tolerância, nestes termos e tudo ponderado, é coisa para outro sítio.

Tuesday, June 16, 2009

INSURREIÇÃO NO IRÃO?

A Imprensa Europeia insiste no clima de “rebelião iraniana” – inconformismo veemente dos vencidos com aparente catalização externa, porque até o neto do coronel Reza Khan apareceu a aproveitar a oportunidade – falando-se mesmo em “terceira revolução”. Mas, em contrário, o Washington Post vem trazer-nos a posição assente na nationwide public opinion survey of Iranians, em cujos termos as probabilidades do presidente reeleito eram maiores do que as concretizadas. Dois para um, esclarece o texto. Pode haver irregularidades, portanto, mas, fraude não é plausível. Estamos de acordo. Podem fazer-se todas as recontagens. Os vencidos estão polarizados em torno do risco em que o Irão se encontra sob a actual liderança. Mas a República Islâmica sempre esteve em risco. E diante do perigo, as cautelas podem valer menos que as ousadias. Nenhuma delas altera grande coisa, por si. E vale mais a rebeldia do que os vernizes de prudência impossível. O que surpreende é esta vinda a público do Post com tal posição. Quanto à contestação, ela enfraquece o Irão que os contestantes queriam mais preservado, segundo diziam em campanha. Pode desembocar numa atitude de força do regime, ou – o que seria pior - das próprias massas populares. Uma "revolução verde alface" (à imagem da laranja e rosa) estaria sempre e evidentemente votada ao fracasso e "impermeabilizaria" a opinião popular quanto a qualquer pretendida reforma. Às vezes é preciso saber parar. Bem entendido, a presença de Garaudy entre os contestatários (um cretino flutuante que fez figura de inteligente oficial do PCF e chegou a ser ostentado como uma conversão ao papismo) não augura grande coisa. Independentemente de qualquer (estranha) sensatez na América, há nitidamente quem aposte num confronto interno desproporcionado, absolutamente inútil e mais do que dispendioso para o país, fatal para quem insistir em qualquer (estúpida) perspectiva insurreccional. Aqui sempre faltaria a legitimidade popular ou qualquer outra. Mas os serviços de inteligência, como se sabe, assumem com frequência uma direcção política própria. Não é de esperar que a CIA tenha juízo. Não é de esperar que o Mossad ( המוסד למודיעין ולתפקידים מיוחדים ) tenha juízo. Supondo-se que a moderação sem quebras será apenas exigida aos Chefes Religiosos. Essa moderação tem sido mantida. As coisas não estão, porém, a ficar com melhor aspecto.

Monday, June 15, 2009

NOVIDADES NA ORTODOXIA

De acordo com a decisão de 12 de Outubro de 2008, reuniu a comissão panortodoxa preconciliar sob a presidência de Mons. Ianis de Pérgamo. O comunicado dá conta da instituição formal e regulamentação proposta dos órgãos de estruturação do governo pontifical das comunidades da Diáspora, deliberando por unanimidade. Ambos os textos são interessantes. Em Portugal as Santas Igrejas Ortodoxas têm de haver-se com seitas que se reclamam da Ortodoxia e lhe são completamente alheias, muito embora visem explorar – e com êxito, pelo menos num confessado caso – a ingenuidade dos migrantes eslavos e georgianos (os romenos e gregos estão menos expostos). Tal exploração faz-se, de resto, com plena participação do Estado que dá a tais seitas (irrelevantes grupúsculos de gente doentia) tempo de antena como se de Igrejas Ortodoxas pudessem tratar-se. A instituição e regulamentação das conferências regionais de Bispos das diversas jurisdições eliminará, em princípio, qualquer dúvida quanto à exploração fraudulenta do abuso de insígnias episcopais por seitas.

NETANYAHU, CASO DE MICROCEFALIA ?

Binyamin Netanyahu encontrou o modo de aderir a Obama, resistindo-lhe. O discurso foi uma manobra de intoxicação. Assistimos disciplinadamente à coisa, em directo. Eis a questão: os refugiados palestinianos são um problema que tem de ser resolvido, mas deve sê-lo fora das fronteiras de “Israel”. Não se percebe porquê. Os refugiados estão desalojados, pela força, desde os anos quarenta, de territórios e cidades onde sempre tinham vivido e que ficam “dentro das fronteiras” (por assim dizer). Não se percebe porque haverá tal problema de ser resolvido “fora das fronteiras”. E essa solução seria a de um pseudo-estado. Um bantustão com a particularidade de dar consistência politica definitiva ao estatuto de uma sub-cidadania, deslocada do plano individual (o árabe era um sub-homem, muitas vezes sem papéis e sem registo de nascimento, sequer) para o plano colectivo: um sub-estado sem liberdade no próprio debate político interno (o Hamas seria proibido, não obstante ter ganho as eleições), sem exército e com economia integralmente dependente do inimigo. É fácil compreender que um tal discurso serve (sem suficiência, sequer retórica) o propósito de sustentar a continuação da violência, da ocupação e de vários crimes contra a dignidade humana previstos no Direito Internacional Penal. “Esta é a terra dos nossos ancestrais”. Os persas conquistaram-na duas vezes e, nessa lógica, poderiam ter, também, uma palavra de reinvindicação legítima. “ A Shoah não teria ocorrido caso o reconhecimento – da independência judaica do território - não tivesse sido tão retardado”. Não nos parece, mas a discussão é irrelevante. É sempre inútil discutir o que as coisas teriam sido se... Mas não parece que os europeus assumam, com tal fundamento, qualquer má consciência como os alemães assumiram a deles. Disse ainda que Jerusalém é território israelita. Não é. E não pode ser. Tal discurso é inaceitável, nos pressupostos como nos desenvolvimentos. Veremos não tanto o que pensa Obama, mas o que pode Obama diante disto, já que lhe não sobra dinheiro para a guerra. Nem a intensificação desta frente fará crescer o pouco dinheiro que há.

Sunday, June 14, 2009

Barroso: Camaleão, diz o Le Monde

Não seremos nós quem discutirá o género ou a espécie da criatura. Pode ser camaleão (embora intuitivamente, antes nos inclinássemos para a ausência de esqueleto). Será o que for. Mas é hoje abertamente discutida. E cedo foi perfeitamente compreendida. À chegada, chamaram-lhe “ o sr. banalidades”, assim lhe julgando os dotes de oratória. Conhece-se também a sua (dele) profissão de fé quanto à ilimitada capacidade de obediência a quem lher der ordens. Antes era Bush e Blair. Agora é Merkel. Será quem for. Serviria com igual empenho o Presidente Chavez. Não fora a importância relativa de Cacilhas e da Cova da Piedade na caracterização da personagem e dir-se-ia um Fouché. Mas é apenas o esplendor do tuga médio na sua geração. Nasceu para servir (ainda que se permita andar informado do que fazem os senhores nos respectivos aposentos, interesse ansioso que lhe vem estampado no focinho). Surgirá sempre na posição onde o deixar o vento que sopra. A criatura conseguirá agarrar-se ao posto com alguma probabilidade. (Não traduz uma posição, mas ausência dela). Probabilidade alguma, portanto. Mas consideração nenhuma. De ninguém. Nem de quem o empregar. Mais cinco anos, talvez. E um regresso à parvónia que será doloroso. Coisa, de resto, indiferente a toda a gente.

“Think tanks”

“Think tanks” uma recapitulação útil, aqui. Evidentemente, a eficácia de tais coisas é muito limitada para os preços - virtualmente ilimitados - que praticam. Assim, por exemplo, é inútil dizer que o Chavez é doido se os venezuelanos não estão de acordo. Chavez desmontou a técnica da "espiral chilena" que asfixiou Allende, mais a das revoluções laranja e rosa, em conjugação à qual tornou imune a Revolução Bolivariana. É também inútil dizer que o Putin é um chato, porque ele dá-lhes cabo do canastro em dois tempos, digam eles o que disserem. Talvez até se possa começar a contratar alguns destes mercenários e parasitas dos argumentos, para uma utilização mais limitada: trazer ao ridiculo a apologética, por exemplo. Imagine-se o que seria se o mundo começasse a rir com a tese em cujos termos Bush sempre foi um génio humanista e o seu execrando Barroso é um príncipe da Renascença em Cacilhas. Havemos de voltar ao tema. Mesmo na Gestão empresarial o tema tem graça. E não é mau negócio. Por ora, registe-se o elenco. Mas sem levar a coisa tão a sério - não vale a pena o susto - eles são perigosos, mas têm taxas de ineficácia espantosas e a Net desorganiza-lhes completamente a vida. (Ah! E nunca foram tão bons como imagina quem lhes paga).

Saturday, June 13, 2009

ELEIÇÕES IRANIANAS

Evidentemente, é impossível olhar o Irão com neutralidade emocional. A Pérsia é um dos berços da Civilização e os seus sátrapas foram sempre muito menos sátrapas que outros – alguns dos quais imediatamente contemporâneos e bem ocidentais – a Pérsia não é referência que possa esquecer-se. E é inesquecível o - tão literário - simbolismo do Trono do Pavão. Como é curioso, na Pérsia recente, a fascinação do Imperador pela Guarda Cossaca de onde haveria de sair Reza Khan, para tudo comprometer. Mas esses persas que libertaram Israel e o reconduziram à liberdade de Deus, reedificando-lhe o Templo, esses persas, cuja brilhante cultura herdámos provavelmente, tanto através do judaísmo, como através de Alexandre, essa Pérsia que nunca nos abandonará, essa Pérsia é hoje muçulmana e legitimista (o que naquele quadro significa Chiita). Continua tão combativa como sempre. Só que um tanto diferente. Muito diferente, querem dizer-nos. Porventura sim. Mas numa coisa os persas subsistem iguais a si próprios. Continuam a ser um alvo difícil para ânimos hostis. E teimosos, porque Deus é Misericordioso. Ora o Irão acabou de confirmar o pior pesadelo do “ocidente” naquela região. Disseram que... não. Mas porque haveriam eles de dizer que sim? Os belicistas têm pois o seu incómodo alvo reajustado. Embora não tenham meios para lá irem alvejar com êxito seja o que for, a não ser ao preço da catástrofe. As eleições tiveram uma taxa de participação a rondar os oitenta por cento. Contestados os resultados, importa notar que a coisa é muito provavelmente assim mesmo. Haverá quem pense diversamente no Irão. Claro que sim. Mas é assim que as coisas são. As comunidades atacadas unem-se frequentemente em torno da sua chefia. Devia saber disso quem se proclama defensor da paz e da segurança. E o presidente reeleito é homem modesto, vivendo modestamente, mais ou menos à vista de todos. Não é um Cavaco para quem a dotação financeira dada ao Rei de Espanha não seria nunca suficiente. Não espanta que Ahmadinejad agrade a boa parte da sua gente. Nem espanta que Seyyed Ali Khamenei tenha tornado pública a sua alegria. Haverá uma gente de formação mais universitária, mais educada nesse sentido, pensando e fazendo as coisas que as pessoas bem-educadas costumam pensar e fazer. Sim. Mas talvez eles possam começar pelo princípio. Talvez eles possam influir na subida do nível de todos os outros, trabalhando mais em prol de todos os outros, antes de se proporem dirigir o Estado. (Foi, a seu modo, quanto fez a Hierarquia Religiosa). Os opositores eram aqui mais elegantes. Sem dúvida. Mas a elegância não perde nunca oportunidade. E nada os impede de continuarem a ser elegantes.

ECOS E PROTESTOS

Sempre sensíveis às perspectivas dos nossos amigos, recebemos nota de hesitações quanto ao comentário ao 10 de Junho em Portugal. Acharam alguns que a coisa estava exagerada. Pronto. Mas há uma galeria fotográfica no site do PR Cavaco. Nós não vamos violar direitos autorais, mas sublinhamos esta foto das Ex.mas gajas da tribuna. De acordo com as estatísticas, uma em cada três leva nas ventas lá em casa. Olhadas as ventas, achamos baixa a percentagem. Isso o confessamos francamente. Quanto ao Ex.mo gajo correspondente, ei-lo aqui, sempre na confissão fotográfica oficial. Que horror, não? Pois é. É repugnante o que esta gente ousou fazer a si própria. Imagine-se o que andarão fazendo aos outros. Isto olhado e olhado o desfile, olhadas as ventas das criaturas da Escola da Guarda, da Academia Militar, do Colégio Militar e dos Pupilos do Exército, há alguém capaz de sustentar alguma descontinuidade? Não são as mesmas fisionomias? Não é este o país deformado à imagem de tais deformidades? Evidentemente que sim. Isto vo-lo dizemos sem quebra de fraternidade, no dia do grelhador António, terror de Pádua, localmente designado "santo popular".

Friday, June 12, 2009

O PRINCÍPIO DO FIM DE MUITAS COISAS

Entre os assombros da abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu, deve sublinhar-se o caso das antigas Democracias Populares. A Hungria, bordel e pornódromo, aliás falido, parece que não está grata ao "mundo livre" pela posição com que nele se descobre. Na Polónia, nem o papismo se aguenta aos olhos dos decepcionados (Deus seja louvado). Entre Romenos, esta Europa talvez entusiasme o básico Basescu, mas, talvez por isso, arrepiará os demais. A Bulgária não se sente entusiasmada ante a corrupção doada pela "restauração da democracia", sempre arrastando humilhações sobre humilhações à sua gente e ao país. (Isto não falando já do facto do Tribunal de Estrasburgo ter decidido entrar em guerra com toda a Ortodoxia, intrometendo-se no Direito Canónico e impondo um cisma - sem qualquer relevância social ou prática - como se igreja canónica fosse). As repúblicas baltas afundam na mais evidente desmotivação. Esta Europa é para todos eles (como para os portugueses), um negócio de muito poucos a expensas dos demais. Não obstante as generosas contas, generosamente pagas pela Alemanha. (Sempre transbordando de boa vontade, mas pouco exigente com os capatazes locais, uns Barrosos, ou coisas mais pardacentas ainda). O fenómeno está bem detectado no olhar algo mais do que crítico da Suécia. O eleitorado sueco reagiu em conformidade. Que andamos nós a pagar, ao certo? Expliquem-nos isso, pensa o sueco. (Mesmo aquele sueco com arzinho de tição que chegou do Quénia há uma geração atrás, foi bem educado, como toda a gente e, em conformidade, é gente como os demais). Eis o que, tudo ponderado e tudo junto, pode bem ser o princípio do fim de muitas coisas. Assim Deus o permita. (Sem quebra de estima pelos voluntariosos alemães).

Thursday, June 11, 2009

Dez de Junho: a parada dos monstros

“Sonhei que era português”. Bem nos parecia. O Demóstenes de Boliqueime veio celebrar “a raça” (como ele dizia) ao tugúrio de Santarém. Com aquela cara de homem a quem dói alguma coisa quando fala. Disse o contrário de quanto representa e de quanto fez sempre. Num restolhar de frases feitas (duas das quais pelo Garrett). Exercício costumeiro no qual um monstro - em nome dos monstros - pergunta porque há-de a vida ser monstruosa. (Eles não estão nada convencidos da legitimidade das respectivas existências). Pediu mais austeridade de vida. Não sabemos se a pedia aos seus Loureiros (Dias e Valentim), se ao genro, se ao Oliveira e Costa. Admite-se que não estivesse a pedir mais austeridade de vida aos desempregados ou aos sem abrigo (mas tudo é possível). Entre a praça de toiros de Santarém e lado nenhum, desfilou a tropa fandanga numa sucessão de imagens hilariantes. Os comandantes ofegantes, mal sustentando as barrigas de grávidas e projectando os pés para o lado como se temessem o risco de entalar alguma coisa que (hipoteticamente) lhes estaria entre as pernas bambas… Depois dos comandantes, uma corja inenarrável ostentando todos os desalinhos: passos trocados, camisas com fraldas de fora, bivaques e boinas ao calhas, talabartes mal ajustados (sendo inútil prolongar a enumeração). E as caras! Que caras!... Vem aí o 14 Julho e quem não lembrar já as paradas de Maio em Moscovo, quem não recordar a do 12 de Outubro em Madrid, pode ver em breve o que significa uma parada militar na celebração do 14 de Julho em Paris… Porque há-de a vida ser monstruosa? Pois, porque, justamente, é vida dos monstros. O Moita, polemista oficial da Casa do Sino e de tudo quanto dela sobra, defensor dos agentes do caso Maddie e Joana, (já criminalmente condenados), fez-se presente na jaqueta de presidente de câmara, com as folgas e refegos de mau alfaiate de bairro. A imagem de um parolo. Compostinho. Entre parolos. Mas na tribuna, como na parada, tudo se conjugava perfeitamente. As fisionomias traziam, todas, os mesmos traços desenhados. Desde o bispo da igreja oficial, que oficialmente não há, ao presidente. E tudo se prolongava até às caras dos alunos das escolas militares. É nítido que os da tribuna (e tudo quanto representam) lograram impor ao país, nestes trinta anos, as suas deformidades. É nítido que o país ostenta hoje as suas (deles) mutilações. “Sonhei que era português e que Portugal era outra vez Portugal”. Aceita-se a confissão implícita. Era uma vez um monstro que queria ser. Queria ser juiz. Queria ser médico. Queria ser professor. Queria ser presidente. Era uma vez um monstro que não queria fazer. Não queria fazer justiça, mas apenas ser juiz. Era uma vez um monstro que nenhuma construção projectava, mas queria ser engenheiro. Era uma vez um monstro que nada tinha a dizer, mas queria ser professor. Era uma vez um monstro que não queria servir a comunidade, mas queria ser militar. Que coisa os fez assim? Foi a sodomia, desde a mais tenra infância, ministrada com o catecismo papista? Foram as dez gerações de alcoolismo e sífilis que os precederam? Foram as mãezinhas a levar nas ventas todos os dias (para remissão do pecado que tais crias são)? Não se sabe que coisa os fez assim. Mas, independentemente da explicação do fenómeno, foi isso que ali desfilou. Mesmo o Colégio Militar já só ostenta fisionomias que podiam ser as dos rapazes de qualquer asilo, de qualquer Casa Pia. E dessa escola às Academias Militares nenhuma distinção havia. Eram as fisionomias da tribuna. Labregos. (Nas mais benévolas presenças). Doentes mentais, em algumas das perfeitamente explícitas imagens. Em cujos corpanzis nenhum aprumo habitará jamais. Em cujas cabeçorras nenhuma ideia se acenderá alguma vez. Em cujo horizonte de vida nenhuma beleza, nenhuma nobreza, nenhuma justiça se consentirá nunca. Aquilo foi – em tudo - a negação de tudo. Como não podia deixar de ser. Porque há-de a vida ser monstruosa? Pois, porque àqueles se consente que existam assim. Porque aqueles sobrevivem a todos os poderes, mas nada sobreviverá ao poder deles. (Quod erat demonstrandum).

Monday, June 8, 2009

ELEIÇÕES FALHADAS

O poder de não ser cliente fez-se sentir. Pode-se e deve-se questionar em debate político a ilegitimidade política do parlamento europeu. As taxas de participação ficaram, em média, abaixo dos 44%. A maioria dos eleitorados decidiu ignorá-los, portanto, e fê-lo ostensivamente, não obstante a crise, não obstante os apelos, não obstante tudo. Os que votaram expressaram maioritariamente alguma teimosia nos modelos, lideranças e partidos que conduziram ao desastre. Com ligeiríssimos ajustamentos. O PPE perde tendencialmente em número, mas mantém a liderança com 267 a 271 lugares. O PS perde mais significativamente e ficará entre 155-165 deputados. Os liberais apresentam-se agora com uns orgulhosos 80 a 82 lugares. O número de organizações não filiadas sobe espetacularmente à direita para 83 a 89 lugares (a Europa das Nações perde e fica entre os 33 e 37). Os verdes sobem significativamente para 52 a 56 assentos e a esquerda unitária desce também para os 33 a 37. A Assembleia torna-se menos previsível, mas carecerá de legitimidade própria capaz de se contrapor ao reflexo, em Comissão, das legitimidades parlamentares nacionais. Há umas caras novas: a filha do Presidente romeno e algumas garotas que chamam pai ao Chefe do Governo de Itália. Mais as amigas do Chefe do Estado Francês. (Tudo muito digno, como se vê). Novidade ainda é a presença dos russos pela eleição a partir das minorias russas das repúblicas baltas. Mas veremos portanto que novidades trarão as próximas eleições legislativas nos países-membros, sendo certo que a sustentação de Barroso vai ter uns arrepios. Caso Barroso se mantenha, é sinal de crise para a União (porque nenhum homem de primeiro plano aceitará protagonizar o que a este infeliz será exigido pelos seus mandantes). Em todo o caso, nem do ponto de vista económico, nem do ponto de vista político, tais estruturas fazem sentido. Só a Eurásia faz sentido cabal, no plano económico e político. É preciso deixar de resistir à geografia. Trata-se de uma questão de bom senso. Mas o bom senso é difícil, bem sabemos. Em Portugal as tolices disparatadas que se disseram a propósito desta votação falhada em tudo traduzem apenas a falta de gosto e de senso, habituais em todos os quadrantes desta corja. Nada a assinalar quanto às declarações. Quanto aos votos, a taxa de abstenção não permite valorar definitivamente a posição relativa dos radicais em contexto interno (nem à direita nem à esquerda). Era interessante que os radicais pudessem ser vinte por cento à esquerda. E conviria uma percentagem análoga à direita. Porque é preciso um novo centro para viabilizar politicamente o país. (É da sobrevivência do Estado que se trata, sim). Sem viabilidade política, não há viabilidade económica sequer formulável. A Economia é apenas um dos aspectos da Política. Se a coisa se viabilizar será um processo muito interessante para seguir. Se o país falhar a sua existência será um processo muito interessante para estudar.

Sunday, June 7, 2009

Geert Wilders, eleito

Geert Wilders já foi eleito para Estrasburgo (com a admoestação de Bruxelas pela publicação antecipada dos resultados da Holanda). Foi eleito não obstante a sólida reputação de “xenófobo” (melhor dizendo, anti-islamista) e de “extrema-direita”. Nós não sabemos o que possa ser a “extrema-direita” num holandês. O amor à Pátria num holandês implica evidentemente o amor à Tradição do primeiro país europeu a decretar a liberdade de consciência. O mais natural é que essa “extrema-direita”se trate de pura inviabilidade lógica. Wilders vai a Estrasburgo para “lixar aquilo” pelo interior, segundo nos diz. Está zangado. Mas tal ira não pode ser mais intensa que o desprezo absoluto dedicado pelos Holandeses a tal eleição. Pouco mais de trinta e quatro por cento de votantes. Mais inteligente seria não ir. E recusar a legitimidade política de tal titularidade. Mas que vá. E irá com os nossos votos de fulgurante êxito. É preciso “lixar aquilo”, sim. Mas lixar aquilo, não é polir aquilo? (Deus nos valha. O trabalho que dá entendermo-nos!)... Quanto ao anti-islamismo, já temos falado disso. A radicalização agressiva (ou defensiva, mais exactamente) de algumas escolas muçulmanas, anda a par com o florescimento de posições intelectuais muito interessantes noutras. (Hassan al Bana é contemporâneo de Jamal al Din al Afghani e de Mohamad Abduh). Obama já viu isso (e já ia sendo tempo, que a coisa demorou muitos milhares de mortos a compreender). E Wilders pode irritar-se com o que quiser, convindo embora que não provoque males maiores do que aqueles aos quais pretende pôr termo. É desagradável o modo como os árabes tratam as mulheres. Isso é verdade. E inquietante. Quando se pensa que tratam assim as mães deles e as irmãs deles, os cristãos perguntam-se o que pode acontecer aos outros. Mas - poligamia oficialmente à parte - os cristãos (quase todos os cristãos) já trataram as suas mulheres de modo semelhante (ablação cirúrgica do clitoris incluída). E até há muito pouco tempo. (Hoje, por exemplo, os laicistas torturam-nas e deformam-nas com a "moda" feita por maricas que visam, dizem, torná-las "sedutoras" para os outros e o resultado é uma concepção de "elegância de bordel", nisso não podendo ninguém vêr progresso enunciável em voz alta). Os papistas continuam a tratar as crianças de modo especialmente repulsivo e aliás criminoso. E às decapitações do Iraque podem opor-se os voos da morte da Argentina (com a benção de Mons. Tortolo), ou a tortura de Abu Graib e Guantánamo (determinadas por um cristão renascido). O equilíbrio é dificil. É certo. Mas a falta do equilíbrio traduz-se na queda. Não se pode escolher entre monstros. E o menosprezo não é a atitude mais inteligente face aos Textos Sagrados de qualquer religião em nome das referências de outra. Não disse o Cristo que há outros redis com ovelhas suas?

Saturday, June 6, 2009

DELENDA EST!

A iminência da aprovação de uma Lei nos USA instituindo o prazo de um ano para qualquer vítima, em qualquer idade, apresentar queixa por qualquer abuso ou violência que haja sofrido enquanto criança, fez a padralhada entrar em pânico. Dizem que vai ser muito mau. Que vão à falência. Que vão fechar escolas. Que a sociedade fica privada do contributo deles. E alguns congressistas hesitam. Nós não. Tais argumentos valem uma confissão. Venha portanto a falência. E fechem tais escolas. Qualquer que possa ser o contributo assente na licença de abusar de crianças (ou na impunidade por o ter feito) isso sempre será lixo. Tratemos de deixar essa gente em situação de não poder fazer mais mal a mais ninguém. De uma vez por todas.

Friday, June 5, 2009

O PORNO-CANONISMO PAPISTA

Enquanto o “pontifex maximus” se ocupa da pretensa teologia moral do preservativo, um franciscano polaco reformula a "teoria geral do coito matrimonial". Trata-se de uma compilação idiótica de fantasias e abusos, com o significado prático de sempre: o porno canonismo. Eles agora distinguem entre cunnilingus (e fellatio) legítimo e ilegítimo. Os legítimos, agora, se não são obrigatórios, são pelo menos muito recomendados. Mas se a coisa durar até ao orgasmo equivalerá ao onanismo e será um pecado. Seria portanto necessária a confissão do facto. Como seria necessário confessar a insubmissão de não querer aquilo na boca por qualquer motivo ou em alguma circunstância. Os desgraçados lá vão descobrindo modo de apimentar as repulsivas existências, em síntese. Pondere-se - com este abuso, pretensamente canonista - o que pode ser o “novo cânone sexual ” no “novo confessionário” desta gente e até onde (por consequência) eles imaginam que podem ir na indiscrição e  intrusão nas vidas alheias. Impõe-se o aconselhamento público às pessoas que possam ser confrontadas com tais e tão previsíveis interpelações inquisitórias. Na falta de aconselhamento visível este modesto blog assume-o. (Usar-se-á a terminologia tradicional do papista médio a norte do Mondego). Quando ouvirdes de vosso confessor a pergunta (piedosa) pela qual esse santo varão visa clarificar se houve, ou não, bem como até quando houve, os contactos oro-genitais - recomendados pelo magistério - com vosso cônjuge, não vos perturbeis. Com o coração pleno de caridade, tratai imediatamente de lhe enfiar um pano encharcado pelas ventas abaixo. (Pode fazer-lhe mais intenso bem à alma se o pano estiver encharcado em água benta). E enquanto lhe enfiais as ventas no pano encharcado, dizei-lhe com brandura: -“assim, nem o Rego te salva do Jornal Nacional e da Manela Moura Guedes”. Acreditai que, assim fazendo, travareis o bom combate. E isto vo-lo dirá qualquer homem sensato em qualquer lugar do mundo. Um pano encharcado pelas ventas abaixo. E Deus, que vos não acusará jamais por tais coisas, Deus que jamais legislou sobre o cunnilingus e o fellatio, Deus há-de abençoar-vos como sempre o fez. 

Wednesday, June 3, 2009

ELEIÇÕES EUROPEIAS: ABSTENÇÃO!

O projecto europeu deveria ter-se fortificado com o exemplo da Suiça, deveria traduzir-se numa democracia sem quebras, nem batotas, no enraizamento de consensos, no progresso comum, em comum acordo. Deveria assentar na condução das instituições europeias - onde a comunhão das soberanias se materializaria - por homens cuja autoridade e prestigio intelectual fosse alicerce dessas instituições e uma condição mais da sua eficácia. Isso tudo que faz da Suiça um fenómeno de prosperidade e paz. Isso que faz de qualquer cidadão da Confederação Helvética, por mais conservador que seja, uma espécie de radical de esquerda aos olhos de um qualquer húngaro, austríaco, espanhol, português, irlandês, até italiano e mesmo francês. Um suíço faz figura de radical junto de qualquer vítima de qualquer terra onde a presença papista tenha tido qualquer influência sobre a concepção de Estado. Mas ao invés de quanto se projectara, os oportunismos de circunstância atiraram para a Comissão uns desgraçados, como o infeliz Barroso, subalternos em quase tudo e incapazes no resto. Gente que faz nosso o seu caminho sempre perto do fiasco, que a outros – e não tanto aos europeus - pode ser conveniente a qualquer momento. Estes desgraçados são inevitáveis. Mas deveria haver um saneamento a permitir pô-los em melhor lugar, à espera de mais ajustado destino. Todos os organismos vivos produzem excrementos. A vida política também. Os Barrosos são o excremento da vida política. Deviam seguir o seu caminho, como coisa biodegrável, rumo à reciclagem. Ao invés, um qualquer Pasolini enlouquecido põe-nos aquilo à mesa. Haverá outra reacção que não seja a de nos levantarmos? Não há outra forma de reacção. E o levantamento deve revestir a forma da abstenção. O voto nulo desqualifica a abstenção dos outros. O voto de protesto, também. É preciso ferir as circunstâncias com a ilegitimidade política da aquisição dos estatutos da deputação. É um pouco como o combate à prostituição, isto. Trata-se substancialmente da mesma coisa, aliás. Num e noutro quadrante resta-nos apenas o poder de não sermos clientes. Tal poder é apreciável. É preciso usá-lo.

Friday, May 29, 2009

A NOVA PIEDADE, MARINHO PINTO E OS TUGANAIS

Marinho Pinto continua a dinamitar convicções. Agora meteu-se com o novo dogma da “violência doméstica”. E uns bandos de piedosas fêmeas (ou institutos afins) largaram-se-lhe às canelas. Marinho Pinto tem e não tem razão. Mas ninguém tem mais razão que ele. A tipificação da violência doméstica é textículo a consubstanciar um exemplo quase perfeito da síndrome de confusão mental. É o contrário da tipificação. É mera menção, com noções de conteúdo radicalmente indeterminado, sob cuja invocação, com a vítima, sem a vítima, ou contra a vítima – se houver vítima, porque pode até não haver – se destrói não importa que família, de não importa quem, nem importando, tão pouco, em que circunstâncias. Isto, quer haja factos, ou não haja factos, quer haja ou não haja prova. Mesmo que a vítima grite a plenos pulmões e ao longo dos sete ou oito anos do processo que tinham sido os miúdos com o DVD alto de mais e por mais que os miúdos o confirmem. A “lógica” do processo dará sempre razão ao vizinho a dizer ter ouvido grande estardalhaço várias noites, temendo pela segurança da vítima… A jurisprudência acrescentará que não é por haver a protecção de quatro paredes e pelo arguido manter o poder de silenciar mulher e filhos que escapa impune… E paf!… A violência doméstica é um problema grave. Mas esta tipificação é um problema maior. E quanto à aplicação que os tribunais tugas (os tuganais) têm feito disso, nem vos diremos agora que problemas causam e de que grotesco se revestem as respectivas arengas. Um homem lê aquilo e ri a chorar. Repugnante. (Como quase tudo nesta terra). Só levando a corja dos tuganais ao largo do pelourinho e aplicando-lhes ali a Sharia é que se poderia explicar-lhes duas ou três coisas. Marinho Pinto não tem razão integral. Mas nisto não há razão nenhuma. Isto é mais uma desgraça. Sem evitar nenhuma das desgraças que se propunha combater. São bem filhos do papismo, estes atrasados mentais. Em tudo o que estruturam saem-lhes, espontaneamente, a inquisição, o asilo e o bordel. São as três soluções que têm para tudo: inquisição, asilo e bordel. Nós os gregos temos uma palavra adequada ao comentário genérico a tal coisa. E essa palavra é “pôrra”!

ROUCO, CAÑIZARES, A PEDOCLASTIA, A VIOLAÇÃO ABSOLVIDA E A TRANQUILIDADE E ORDEM PÚBLICAS

Para os papistas o prazer é ilícito em si mesmo e portanto, parece, tanto lhes dá o sexo fora do matrimónio, como a violação, ou, porventura, mesmo, o abuso sexual de menores. É o que vem dizer o pasquim do cardeal Rouco Varela de Madrid. Por isso, de resto, ao cardeal Cañizares parece pior haver quarenta milhões de abortos do que a padralhada papista andar a abusar de crianças pelo mundo inteiro. É um pouco como se dissessem que, se qualquer um pode ser livre, se qualquer um pode ter o que prefere, os laicistas heterexosexuais são piores do que os clérigos pedoclastas do papismo, porque gostam de “coisas piores”. E, pior, seria, justamente, a relação heterosexual entre adultos livres. Só essa “conduz” aos quarenta milhões de abortos aos quais os papistas gostariam de somar quarenta milhões de processos criminais, pelos vistos, para que nenhuma infelicidade deixasse de ser tragédia e para que nenhuma tragédia deixasse de ser ampliada. Vão ao ponto de dizer que, assim sendo as coisas, ou seja, não sendo o aborto punido e podendo o prazer ser coisa livre, deve ser descriminalizada a violação. Imagine-se. Eles confessam a matriz “doutrinária” do problema. Uma das vantagens da liberdade de palavra, como se vê, é que ela permite olhar sem impedimentos para estes anormais. A igreja papista oferece o espectáculo de um hospício psiquiátrico onde os internados tivessem entrado em autogestão. Quanto ao aborto, como ninguém aborta por gosto, importaria detectar e resolver o problema subjacente a tais números – realmente impressionantes – que vão sendo publicados. E o primeiro problema é a moral papista entranhada no tecido social. A ideia de bastardia – que não pode ter hoje qualquer relevância prática, ou qualquer importância social – a ideia de desonra na maternidade maritalmente desacompanhada, o condicionamento da vida humana à existência de recursos cuja obtenção seria exclusiva responsabilidade pessoal do(s) progenitor(es) e cuja falta seria tragédia inelutável (como se as coisas pudessem ser assim, nos casos em que assim continuem sendo). Tudo isso é lixo. Nada disso pode, sequer de longe, valer a dor moral do aborto. E na medida em que isso - pelo pavor ou pelo medo - determine o aborto, estaremos na presença de mecanismos de constrangimento inaceitáveis. Deviam ser criminalizados em muitos casos e, noutros, simplesmente removidos. A matermidade e a paternidade são valores socialmente eminentes em si mesmas. É portanto necessária uma protecção da respectiva honorabilidade, sobretudo em terras onde a pedoclastia papista anda à solta com a sua pretensa moral. Quanto a Rouco e Cañizares, já deviam estar sob internamento psiquiátrico compulsivo há muito tempo. Tudo isto revela a incompatibilidade da prática institucional do papismo com os princípios de ordem pública. E é preciso extrair daqui as consequências necessárias.

Wednesday, May 27, 2009

MOEDA FALSA

ל כֶּסֶף נִמְאָס, קָרְאוּ לָהֶם: כִּי-מָאַס יְהוָה, בָּהֶם. {פ}

(Jer 6,30)

No corridinho das máfias ficámos a saber que o virtuoso Cadilhe – de quem não ouvíamos falar desde o caso Taveira – ganhou duas vezes e meia mais (em dois anos) do que o Oliveira e Costa nos últimos dez. Ficámos também a saber que o Dias Loureiro se movia pelo BPN, ameaçando. E em processo, mentindo. Nada que não esperássemos destas criações de Cavaco. O homem devia mudar de nome para Cavaco Selva. Pai das máfias à moda local. De olhinho baço posto na Califórnia. Isto tem um de dois desenlaces plausiveis. Ou o Oliveira e Costa vai para o Conselho de Estado, ou o Dias Loureiro entra em prisão preventiva. Perguntava este Cavaco, há dias, “que será de Portugal?” É pergunta grande demais. Perguntemo-nos preferencialmente que fazer com tal corja.

Tuesday, May 26, 2009

OS CENTRISTAS E A BONECA INSUFLADA

Algumas boas almas emergem da classe média com uma ideia de boa educação francamente peculiar. Materializa-se na cara de prisão de ventre. Não lhes parece que a naturalidade fique bem. Distinto, distinto, é “cagar sentenças”. São um problema gigantesco para si próprios. Essa história de cada qual ser quem é, aflige-os. Não sabem ser quem são. Quem não atravessa a vida com cara de prisão de ventre, “perdeu o controlo”. E, portanto, Marinho Pinto “perdeu o controlo”. É o centrismo à moda das circunstâncias. Mas há coisas que convém discutir a partir do princípio. Eis o princípio: Marinho Pinto é Bastonário porque é advogado e porque foi eleito. A “Manela” é pivot porque dorme com o chefe. A “Manela” foi feita jornalista numa estação com largos traços de bordel e outros tantos de asilo. Há um “link” evidente entre a circunstância do homem ser chefe e a (pública) exuberância (oficial) da respectiva vida sexual. (Que vergonha). Parece uma novela do bom velho Fiodor Mikhailovitch, isto. Precisará o homem da aprovação do auditório nacional? Da aprovação de todos os outros homens? E pensar que o D. João V se disfarçava antes de ir para o “engate”… Um tal background dificilmente habilitará para porta-voz da Moral e do Direito no “Jornal Nacional” (“nacional” porquê, já agora?)... Em contrário, parecem pronunciar-se a Literatura e a História atestando, há muito tempo, que as “pêgas” são moralistas. Sim. Mas são-no no bordel. Ou em casa. Dali alimentam a Literatura, de resto. Desde Zola, parece. Tudo “por bem”, naturalmente. D. João I irritou-se com essa e - perdendo o controlo, como diria o centrista - espetou com as pêgas num tecto de Sintra, enfiando-lhes o “por bem” no bico, pelos séculos dos séculos. São moralistas, sim. Aliás como outros desviantes. Uma coisa é indesmentível, em todo o caso: Marinho Pinto aceitou ser entrevistado (por assim dizer) naquele cenário. Isso é matéria de decisão sua, evidentemente. Mas tudo melhorará quando as pessoas normais tomarem posições, mais à Berlusconi, talvez, mas infinitamente mais ajustadas às circunstâncias apesar disso. Os entrevistados deviam passar a dizer que a seriedade do que têm a tratar é incompatível com aquilo. E passariam então a ir a outro lado, se o houver. Ou aq parte nenhuma, que também dá. Os entrevistados (quaisquer entrevistados) não podem ser chamados ao eventual facto do Moniz preferir agora dormir com esta e não com qualquer outra. E aqui passaríamos do princípio para os Princípios. E não é “a Manela” a única a quem tal ajustamento de atitude devia opor-se. Quanto ao Mário Crespo e à sua “vinda a terreiro”, ele que se deixe de coisas. Lá porque a criaturinha lhe dava tesão há trinta anos, não temos que aturá-lo, com os efeitos de tais memórias, a vida toda. Mas o Crespo não será completamente um centrista, para estes efeitos. Há apenas algumas memórias que o emocionam. Acontece a todos.

Monday, May 25, 2009

MARINHO PINTO E A BONECA INSUFLADA

Os silicones da "Manela" trepidaram visivelmente. Nem o botox logrou manter-lhe completamente a paralisia facial através da qual logra berrar, como cabra desmamada, para espanto do telespectador médio. A conhecida personagem decidiu, parece, retaliar sobre um (eventual) apoio de Sócrates. Não tendo porém grande formação em Física, o fenómeno, com aquele seu arzinho de boneca insuflável, senão mesmo insuflada, recolheu do bastonário dos advogados – sob assédio das corjas da opus e demais máfias de outros parasitas da corporação -  o peso específico de uma verdade cabalmente demonstrada: a temperatura é a medida da agitação molecular. 

Thursday, May 21, 2009

O DESCARO

Os chefes papistas de Dublin confessam e pedem perdão. Confissão e pedido, parecem-nos mera pornografia. Mas sempre haveria aqui uma pequenina desproporção - muito banalizada - entre o que isto ousa pedir e aquilo que tem sido capaz de dar. Vejam aqui. Quanto ao perdão, entendemos modestamente que o Tribunal Criminal (todos os Estados têm competência para julgar tais factos ) deverá, a seu tempo, pronunciar-se sobre isso. Por nós, advogaremos sempre que ninguém tem legitimidade para perdoar crimes contra a dignidade humana. E que essa estrutura organizacional deve ser julgada criminosa enquanto tal.

PEDOCLASTIA PAPISTA

“Território jurisdicional exclusivo” do papismo (como Portugal e Espanha), a Irlanda pagou um preço elevado pelo apego papista àquelas infelizes terras (Como Portugal e Espanha). Os Irlandeses acabaram de concluir que trinta e cinco mil alunos das instituições papistas, ou assistidas pelo clero papista, devem ser declarados vítimas de maus-tratos. Dois mil deles deixaram em depoimento terem sido objecto de abuso sexual. Há indícios suficientes para que a organização em si própria seja declarada criminosa. O carácter permanente do problema (sessenta anos examinados na Irlanda) e a disseminação planetária deste problema nas estruturas daquela organização alegadamente religiosa (da Austrália ao Canadá passando pela Europa, África e América do Sul) não consentem a nossos olhos que se tome tal coisa como um problema nas estruturas. É um problema dessa estrutura enquanto tal. Traduz um critério de recrutamento. Uma orientação global quanto aos níveis de submissão desejáveis a inculcar. Um treino global dos agentes consubstanciado na respectiva perversão. Tal fenómeno traduz crimes incontáveis contra a dignidade humana. Imputáveis à estrutura organizacional. Deve ser deduzida acusação em conformidade, em todos os lugares da terra e preventivamente presos até julgamento os ministros de tal estrutura, em razão do perigo iminente (e salvo mais agudo olhar evidente) de continuação da actividade criminosa. E a estrutura deve ser extinta. Proibindo-se a designação de "Igreja Católica Apostólica Romana" e proibindo aos respectivos ministros a recomposição da estrutura, sob qualquer forma, independentemente da designação que venham a adoptar ou que pretendam adoptar. Jacobinos: voltem que estão perdoados. As demais jurisdições eclesiásticas cristãs melhor fariam em reponderar o ecumenismo a esta luz. O governo irlandês não tem qualquer legitimidade para garantir a imunidade a condutas que consubstanciam indiciariamente crimes contra a humanidade. "No legal way" para uma tal pretensão. O Direito Internacional comum não é derrogável assim e, de resto, traduz, nestes domínios, modo de revelação da Norma à qual nada pode opor-se. E o cardeal Policarpo deveria, no futuro (com os que se lhe equipararem) emitir as suas disparatadas parvoíces sobre o Islão, apenas a partir do cárcere e com a obrigação expressa de glosar em seguida uma frase execranda do execrando Escrivá (de execranda memória): - "é tão belo ser vítima".

Saturday, May 9, 2009

Manobras de opereta às portas do inferno

A OTAN mantém a sua provocação militar nas fronteiras da Rússia, procurando conservar em urânio empobrecido a múmia de Saakachvili, grande e único monumento da respectiva política para o Cáucaso. Revolução Rosa, diziam eles. Coisa bastante negra, afinal. A Santa Rússia não se ilude quanto ao casus belli. Um óbvio suicídio da OTAN. Oficialmente apresentam-se “em socorro da Geórgia” que os não quer lá. Apresentam-se com a sua clamorosa inépcia militar (foram eles quem rufianizou os rapazes a quem Saakachvili chamava forças armadas, com tal treino os deixando em estado de debandada à frente dos escassos dez mil homens da Divisão Russa que ali foi para resolver o problema e o resolveu). A OTAN traduz-se em exércitos de funcionários, coisas de opereta e propaganda, especializadas no cobarde ataque a populações civis na escora das armas que teoricamente combateriam sem eles e teriam a inteligência que lhes falta. É o que sabem fazer bem. E o que se vê por todo o lado. Conseguem bombardear igrejas, hospitais e embaixadas, como demonstraram na Sérvia. Conseguem deixar tudo contaminado pelo urânio empobrecido. É quanto deles se conhece. E com isso se propõe aquela gente desencadear, em casa alheia, problemas que não conseguirá nunca resolver. A oposição georgiana mantém a exigência do enterro de Saakachvili, em manifestações de rua contínuas. Desde há um mês. A imprensa da UE diz que, hoje, ainda são vinte mil os manifestantes (serão portanto, presumivelmente, dez vezes mais). E as unidades militares que restam parecem à beira do motim. A U.E. oferece-se no papel de lubrificante, como”mediador”. A falida Ucrânia oferecerá à OTAN a existência da revolução laranja, mas corre o risco de perder a Crimeia – presumivelmente sem um tiro disparado por forças externas - e qualquer perspectiva de futuro das actuais fronteiras orientais. Os papistas da Polónia, com a moeda já a valer metade, talvez se candidatem a mais uma desvalorização em metade do que resta, para acabarem de arruinar os bancos que nela investiram (como o BCP). E se a Rússia comprar a Quimonda, passará a deter em permanência o controlo dos tugas na OTAN, porque passará a controlar directamente 5% do pib que estes não podem perder sem perderem a própria viabilidade a curtíssimo prazo. É bastante mais barato e muito mais eficaz que uma guerra. Lá para Outubro veremos melhor o significado disto.

Friday, May 8, 2009

"Bairros Problemáticos", Problema mal pensado

As “entidades oficiais” estão a usar impensadamente e há tempo demais a expressão “bairros problemáticos”. Usam tal expressão o Ministro da Administração Interna, o PGR e o próprio serviço público de televisão. Ocorre porém que uma designação específica e “legitimadora” da denegação de direitos fundamentais a grupos sociais inteiros (e tão bem determinados que até foram colocados em zonas específicas) traduz apenas - e a nossos olhos - situação relevante à Luz do Direito Penal Internacional. Tal expressão é pois um crime. Como a situação que vem expressar.

O Toninho da Bela Vista

Recapitulemos: os “bairros problemáticos” são várias coisas. Umas vezes são bairrros bem desenhados. Mas quando assim é ficam colocados no topo de uma colina íngreme e os transportes públicos não passam por lá. As escolas não estão lá. Não há posto de saúde, ali. E a recolha do lixo não se faz. O único equipamento social que ali existe, às vezes, é uma esquadra de polícia. Na maior parte dos casos nem isso. A população está esmagadoramente desempregada. E é constituída por grupos étnicos entre os quais resulta fácil o conflito. Como a polícia não está ali para tratar da segurança das pessoas daqueles bairros, mas para os ocupar, ou para os atacar, os grupos tratam da sua segurança e, às vezes, armam-se até aos dentes. Não lhes é difícil arranjarem armas, desde que consigam arranjar dinheiro para as pagar. A delinquência que daqui emerge é maioritariamente a do furto, ou roubo. Não há informação relativa aos crimes sexuais. Nem há notícia de homicídios frequentes. Mesmo os afrontamentos armados entre grupos étnicos parecem traduzir dissuasão recíproca. Não foram noticiadas mortes. As mortes são em regra provocadas pela polícia. Foi o que aconteceu ao Toninho da Bela Vista na semana passada. A polícia diz que ele estava a assaltar uma caixa Multibanco. E matou-o. O simples facto da polícia o ter morto, faz-nos duvidar que ele estivesse a assaltar uma caixa multibanco. Se ao “discurso legitimador” não bastasse menos que um “ele estava armado”, a polícia teria provavelmente dito que ele estava armado. Mas o que é mais desagradável é que os agentes enervam-se quando nos bairros alguém se manifesta em homenagem aos rapazes abatidos. E foi o caso. Desta vez dispararam sobre uma manifestação de homenagem ao Toninho. E não disseram que a manifestação estava a assaltar uma caixa multibanco. Não o disseram porque não precisaram, já que desta vez dispararam mas sem matar ninguém.

Thursday, May 7, 2009

A polícia da panascracia

Clemente Lima lá saiu da Inspecção-Geral da Administração Interna, porventura ao abrigo do princípio do “isso não se pode dizer”, em tal caso enunciado pelo Pacheco Pereira. Bem entendido, os chuis respeitam tendencialmente a “estratificação social” manifestada pelo "regime". O filho de Pacheco Pereira ainda não foi alvejado a tiro pela soldadesca da GNR, ou pela escumalha da PSP. Já a mesma sorte não teve Kuku. Mas o novo Inspector-Geral da Administração Interna veio reconhecer mortes a mais e “sem razão nenhuma” (sic). Esta corja, portanto e segundo o Inspector-Geral, dispara a matar sem ser em legítima defesa. Quem gritará agora o “isso não se pode dizer”? E quem gritará, por fim, as coisas por dizer na falta de uma efectiva Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça? Quantos homicidas há na guarda prisional? Quantos violadores há na PJ? Quantas mortes, violações, extorsões, foram cobertas pela primeira lei do regime e que é (como o atesta a "jurisprudência" interminável de tribunais agindo como polícia política, mais o Pacheco Pereira) o princípio do "isso não se pode dizer"? ... Mas Pacheco Pereira veio "testemunhar", há uma semana, que antes do 25 de Abril não se podia escrever que "o governo de Sócrates é mediocre". E agora pode, diz ele. Reagia contra a "direita da blogosfera " e esta parece-lhe "modelo Portas". Mas só aqui se pode escrever que o Pacheco Pereira é parvo. E não há um "modelo Portas". Na verdade, isto é apenas uma panascracia homicida e esta gentalha assemelha-se toda entre si. Desde o cardeal de Lisboa ao Pacheco Pereira (de quem se esperariam diferenças mais significativas). "Modelo Portas" é o regime inteiro. Os outros estão só com acessos de vómito. Ou perto disso.

O LINGUAREJAR DAS BESTAS

O acordo heterográfico vai entrar em vigor. Tudo se tornará mais colorido para o fim da Língua. E embora mais confuso, seguramente mais divertido. A impossibilidade objectiva de distinguir entre “frigida” e “frígida”, entre “cagado” e “cágado” vem juntar-se à incapacidade subjectiva do deputado médio distinguir entre o “mandasse” e o “manda-se”. Ou entre “a vez” e o “vês”. Vem tudo somar-se à asquerosa língua do juiz médio que já dizia “instência” por “instância”, ou “sigilio” por “sigilo”, motivo pelo qual nessa peculiar forma de vida se toma por universal delito tudo quanto da minuta se arrede, porque fora da minuta anda esse homúnculo médio perdido (Deus seja louvado). Ainda bem. O linguarejar da indigência na terra do “isso não se pode dizer” vai enriquecer-se com o inteiro país a deixar de saber escrever. A “questão de fato” vai tornar divertida a demarcação da questão de direito. O direito, aqui, é algo mais ou algo menos que um fato puído. Porventura, está mesmo podre. Abandonado às traças, o Direito abandonou esta terra. Agrada pois que esta gente deixe também de saber como escrever. Dar-lhes cabo da grafia é ideia luminosa. É como arrancar-lhes a Língua. Nem Basílio II de Constantinopla decretaria melhor. E a malta normal que ainda há pode sempre recorrer às formas galegas, enquanto por cá ficar (a parte viva da Gales peninsular ficou evidentemente fora de tais loucuras). Quanto a tudo o mais é deixá-los cair num crioulo que ninguém entenda. Mas tudo fazendo para que ninguém precise de o entender.

Wednesday, May 6, 2009

Tratamento Iraniano da falsidade de um Diploma

A Assembleia da República do tremendo tugastão bem podia aprender com o Parlamento Iraniano. Ali Kordan, ministro do interior, foi demitido pela Assembleia Parlamentar por ousar apresentar um certificado universitário falso, sob invocação da Universidade de Oxford. Oxford reagiu. E nem o Chefe do Estado valeu ao infeliz. (Embora não tenha sido vergastado em público, coisa para a qual ainda nos faltam as explicações). Kordan lá invocou uma “London Oxford University”. Uma (in)dependente de Chelas, está visto, se no Irão houvesse Chelas. Ainda não apareceram o Arouca nem o Verde do lugar, talvez também porque ali não haja disso. Segundo tudo indica, se alguém ali se lembrou de ser Arouca ou Verde, ou até Pinto Verde, morreu certamente com a ideia. Mas o que no Irão não pode haver é um Sócrates. Não sabemos se poderia haver um estupor de uma velha sequer parecida com o estupor da velha. Mas, no mínimo, eles tapar-lhe-iam as ventas, ou parte daquilo. E também isso nos parece conforto apreciável. Concluímos portanto pela nítida superioridade moral e estética do Irão. À beira das eleições do tugastão, devíamos deixar este sublinhado. Sim. Sublinhe-se ainda o genuíno desprezo dos parlamentares iranianos pelos erros de ortografia contidos no pretenso certificado. Em S. Bento, os erros de grafia e sintaxe são regra da existência quotidiana, como bem se sabe. Por tudo, a imprensa do tugastão passou pela coisa fazendo-se desentendida. (Que atrevimento). Mas, também por isso, aqui fica a coisa para a reflexão do Colégio Eleitoral e em prol da abstenção ou do voto de protesto. Só um insensato escolhe entre monstros.

A hipernormalização dos servos

A circunstância da maioria dos patrões portugueses dispor de habilitações escolares inferior à média da demais população activa, significa que a “educação portuguesa” não seria senão uma “formação” para a subalternidade? A “Escola Portuguesa” é uma "escola" da servidão, onde se enraízam medos, aversões, inibições e todas as inépcias? Com o prolongamento da escolaridade obrigatória irá diminuir, mais drasticamente ainda, a capacidade de iniciativa pessoal ou empresarial? Não seria melhor acordar com a Coroa de Espanha, com a República Francesa, com o Reino Unido e com a República Federal da Alemanha (sem excluir a Federação Russa e a Roménia) a expansão das respectivas escolas no território português? Não será essa a única forma (e a mais económica) de propiciar uma educação normal às gerações futuras de portugueses?

Monday, May 4, 2009

Faculdade de Direito de Lisboa

A (congénita?) imbecilidade que ali se espraia é de tal ordem que no site daquilo se noticia a pendência de assinatura de um protocolo de cooperação com a “Universidade Independente”. Tal antro foi extinto, como se sabe. Era a segunda linha da Moderna. Esperemos que os da Faculdade de Direito de Lisboa não se esqueçam de prevenir quando assinarem tal “protocolo”. Mas fica a natural suspeita dos demais protocolos anunciados terem a consistência deste “projecto pendente”. (Ad cautelam) não seria melhor fechar aquilo, não?

AS VAREJEIRAS E O DIREITO

O funcionário procede à patrimonialização da sua posição na função pública. É coisa conhecida. E há uma versão disso à portuguesa. É outra coisa conhecida. O funcionário faz-se, por isso, empecilho universal para a vida alheia. É outra coisa evidente. Boa parte da chamada corrupção é na verdade crime de extorsão. Atente-se na “corrupção para acto lícito”: alguém paga – sem constrangimentos - o direito que é seu?... Mas o “respeito devido às instituições” traduz-se – no tugastão – em ameaça de condenação penal por “injúria qualificada”, ou “difamação qualificada”, a quem apontar tais evidências. É outra coisa conhecida. O que se vê nessa matéria não se pode dizer. O que se diz não se pode escrever. E o que se escreva nesta matéria não se pode assinar. Tudo se passando como se isto fosse “normal em democracia”. É a “liberdade com responsabilidade”, como diz a igreja papista sem cessar. Mais a mania dos "limites ", como se houvesse outros limites além dos que dão as definições. "Limites", dizem eles. Mas limites pouco aplicados a si próprios, como demonstra sodomização de crianças pelo seu clero. Entre outros, bem sabemos. São “os limites” que se traduzem, como um dia deixou claro Pacheco Pereira, no “princípio” do “isso não se pode dizer”. Não obstante, a “crítica dos factos” tem apontado, aqui e ali, por exemplo, a filha do Almeida Santos, instalada, como larva de varejeira, na estrutura do Estado. Entre outras larvas de outras varejeiras. E as larvas de varejeira têm a função de limpar o cadáver, libertando o esqueleto à observação fácil. Os paleontólogos usam-nas até para isso. As criaturas são sempre repugnantes, mas a sua acção não é necessariamente negativa, se assim for. São, primeiro, um sinal de morte. Depois, uma força que se alimenta da putrefacção assim libertando dela a terra. Mas há sempre disfunções e as moscas transmitem doenças e fazem-se, assim, inimigas da saúde e da vida. Tudo isso é conhecido. E doença de tais moscas é talvez o que aconteceu às Faculdades de Direito. Percorrem-se os corpos docentes e percebe-se a inépcia que as caracteriza. O escândalo da imobilidade e do servilismo sebenteiro. A inércia de cadáveres. Aquilo está cheio de larvas. Canotilho, larva de Canotilho, é assistente. Pinto Monteiro, larva de Pinto Monteiro, é assistente (aliás com mais de uma larva e em mais de um lugar). Castanheira Neves, larva de Castanheira Neves, é assistente. Miranda – larva de Jorge Miranda? – é assistente. Romano Martinez, larva de Soares Martinez, é professor. Mota Pinto, larva de Mota Pinto, é professor (havendo outra larva que é já assistente). “Normal em democracia”, pelos vistos. Os cargos públicos não se herdam no Estado Contemporâneo. Mas isto não tem nada a ver com o Estado Contemporâneo. Pensar que na suavizada Alemanha a malta não pode, sequer, fazer o mestrado e o doutoramento no mesmo sítio… Pensar que se esperava das Faculdades de Direito locais a voz crítica (como de todas as outras, em todos os outros lugares). Mas o que possa ser a voz das larvas está nítido. Pensar no que tais varejeiras possam ter feito aos outros, os intuitivos, os vivos, os inteligentes, os de palavra fácil, ou escrita elegante… Imagine-se a avidez posta na surda perseguição de tais rapazes e raparigas, para diminuir a concorrência às suas larvas. Como haveria aquilo de funcionar? Como pode aquilo viver senão no mais servil silêncio? Como poderia aquilo produzir outra coisa senão os imbecis serventuários que encontramos hoje sob a beca de juízes ou procuradores, ou sob a toga de advogados? Não estão todas as coisas à medida umas das outras?

Saturday, May 2, 2009

CAUSA SIVE RATIO

Em Nanterre, Richard Durn (mestre em Ciências Políticas e licenciado em História) reestruturou a tiro o concelho municipal, logrando o suicídio em pleno interrogatório na brigada da polícia. Há níveis abaixo dos quais não convém fazer viver os outros. Há modos de vida que correspondem a dizer aos outros que as suas vidas nada valem. E eles podem responder com recíproco arbítrio. Em Richard Durn só os anarquistas ousaram o apoio explícito. (No tugastão teriam sido criminalmente perseguidos, por umas gajas sopeirescas travestidas em procuradeiras e umas megeras mascaradas de juízes, brandindo minutas que nada significam a não ser um forte indício de doença mental). Não havia ali arbítrio para os anarquistas. Diziam que enquanto a violência desta gentalha se chamar justiça, a justiça da rebelião chamar-se-á violência. A ideia percebe-se. Mas é o arbítrio, sim. Arbítrio recíproco. Nítido. E tudo ponderado, o arbítrio é sempre fácil. Para todos e não apenas para alguns, como imaginam os imbecis sempre excessivamente numerosos. Uns miúdos completamente estuporados - não é inútil saber como chegaram a tal ponto - têm desatado aos tiros nas escolas respectivas na Alemanha, na Finlândia, na América e também não mataram pouco. "Culpa-se" a facilidade com que puderam aceder às armas. Na verdade, porém, qualquer coisa pode servir de arma a tal determinação. A pólvora não é difícil de fabricar. O gás de consumo doméstico também explode. A electricidade é incendiária. E um automóvel também mata. O mesmo podendo dizer-se de um tijolo. (Nas ruas de Lisboa há uns arrumadores que mordem e às vezes passam o HIV com a mordedura... Não convém deixá-los aproximarem-se demais, não; e afastá-los com as mãos nuas também não é boa ideia). Em Apeldoorn o Sr. Karst S, segurança desempregado, carregou ao volante de um carrito com o aparente intuito de atingir a Família Real Holandesa e matou uns cinco, ferindo uns onze, alguns dos quais morreram entretanto. Estava sem dinheiro. Sem trabalho. E perderia a casa no dia seguinte. Decidiu aparentemente não viver assim. Decidiu também, também aparentemente, morrer matando. E agora? O moralista imbecil teria vindo dizer que “isso não lhe dá o direito”. Claro que não. Mas ele sempre se estaria nas tintas para o moralista. O segundo moralista vem e diz, “o desemprego tem as costas largas”. Terá. Como a crise. Mas a pergunta continua onde estava. Subsiste a provocação anarquista. Um homem ficar sem vida não se chama violência. Mas à retaliação dele, chamam-se coisas a mais para que a razão possa assisti-las. Uma coisa subsiste: a inviabilidade prática de quaisquer medidas de segurança perante tal fenómeno. Essa impossibilidade de resposta útil à raiva daqueles a quem nenhuma resposta útil é dada nunca é um permanente sinal de êxito praticamente assegurado. A esta luz deveriam re-examinar-se algumas práticas institucionais de risco.

Sunday, April 26, 2009

Viva a Desgraça

Paz, pão, saúde, habitação, trabalho, educação, liberdade. A este “programa” de há 35 anos, podia juntar-se a “política de verdade” do general Spínola. Comecemos pela verdade. A verdade do Freeport, da Casa Pia, do BPN, do BPP, do BCP. A verdade da escumalha fiscalizadora sempre cúmplice de tudo. São dispensáveis outros comentários. A liberdade, essa conheceu uma mutação importante com o MP e a judicatura a desempenharem funções da polícia política (com gosto evidente dos respectivos agentes) ao abrigo dos pretensos crimes de injúria e difamação (mais as respectivas formas qualificadas) a pretensa “resistência e coacção a funcionário”, mais as pretensas “organizações terroristas” e as “armas proibidas” (onde se incluem a faca de mato do escuteiro, a adaga de caça, a faca de mergulho e o arco de plástico ou fibra mais as flechas do brinquedo, com ventosas e tudo, presume-se). As forças de segurança, desde a PSP à guarda prisional são fonte da criminalidade mais violenta. E um torcionário representa Portugal no Comité Europeu de Prevenção da Tortura. (A PIDE nunca foi tão imaginativa, nem tão ousada). A educação também não está nada mal. Multiplicaram-se fraudes e pretensas licenciaturas que significam coisas tremendas, a começar pela pretensa licenciatura do primeiro-ministro. Os nove anos de escolaridade básica satisfazem-se na presença material em recinto escolar e não carecem de qualquer efectividade de ensino ou aprendizagem, dispensando por consequência as respectivas aferições. Tal solução vai agora estender-se até ao 12º ano. Sessenta por cento da população ferida pela iliteracia é o número que sucede ao antigo (e duro) ferrete de trinta por cento de analfabetismo. Desapareceram os concertos. As óperas. O teatro. Desapareceram os escritores. O sistema inventa “escritores” cujos papéis distribui: há o filho do tareco, o filho do Lucas Pires, a filha do Ivo Cruz. O trabalho descobriu a precariedade radical sobre a qual assenta o crédito bancário que coloca toda a vida sob a ameaça de um jogo de azar. A dignidade do trabalho é a “subordinação jurídica” lida – e aplicada - como nova servidão da gleba. (Mesmo no texto legal: a lei de Marcelo Caetano desenrola-se sem escrever as palavras “subordinado” ou “subordinação” uma única vez, mas o código Félix eriça-se de “superiores” e “subordinados” como se a hierarquia não fosse apanágio do Direito Público, como se pudesse haver sujeição pessoal à luz dos pressupostos do sistema). Habitação, fizeram-se extensos bairros marginalizados do perímetro urbano, onde os serviços de limpeza urbana não vão (não há recolha de lixo, por exemplo) atulhados com população desempregada, misturando grupos étnicos não integrados e em conflito entre si. Perfeito. A outra forma social de acesso à habitação é o crédito bancário. Na saúde, alguns resultados se obtiveram: queda da mortalidade infantil, generalização de cuidados básicos e aumento da esperança de vida. Porque os resultados eram bons, tratou-se rapidamente de gerar a crise do sistema e já não há médicos bastantes, nem enfermeiros, nem técnicos, e a saúde pode voltar a ser negócio, sustentado na “criatividade” da “iniciativa privada”. Quanto ao pão, estamos em plena crise de carência alimentar, envolvendo números impressionantes da baixa classe média sempre em evidente agravamento. A paz, nota-se pouco. Tendo fugido com êxito da guerra em África, as depauperadas forças militares portuguesas mantêm guarnições de combate nos Balcãs, no Afeganistão e onde quer que a OTAN precise de economizar deve responder o Orçamento Geral do Estado da terrinha (entre os de outros estados vassalos, ou para-exíguos). Mesmo a aquisição de equipamento militar se faz em função destas “necessidades” e não das evidências da defesa territorial. Estamos portanto conversados. Há um cheirinho a rebelião popular nas ruas. Villepin alerta formalmente para um “risco de revolução”. Aguardemos. Nada pode ser pior que isto. Nenhuma sarjeta pode vomitar pior escumalha do que esta a transbordar do funcionalismo político-partidário. Só é possível melhorar. Já lá pedia Pessoa a desgraça ou ânsia. Venha a desgraça, mas que seja outra.