Friday, September 4, 2009

Moura Guedes desavinda com a malta do El País

A TVI pode estruturar os seus serviços noticiosos como quiser. E não quer o "Jornal Nacional" no estado em que estava. É normal. Sobretudo porque a malta do El País faz jornalismo propriamente dito e não teatro de revista. E resilta natural querer reconduzir um serviço noticioso à função noticiosa propriamente dita. Mas não, parece, sem que a Moura Guedes de largue aos gritos. E aos gritos nos diz que "tem" (por assim dizer) coisas novas sobre o caso Freeport e aliás contraditórias com as versões oficiais. Nós não estamos nunca do lado das versões oficiais. Mas a coisa é estranha. Porque, evidentemente, as “cachas” não são nem de Manuela Moura Guedes, nem do Jornal Nacional que, de resto, não é uma publicação, mas um noticiário da TVI. E portanto se essas coisas existem, a TVI pode noticiá-las quando quiser. Em qualquer serviço ou rubrica noticiosa que entender. As notícias são propriedade dos jornalistas? A Moura Guedes está a dizer que se não a deixam tornar pública a "sua" notícia, no “seu” jornal, não contará a história a mais ninguém? Está a dizer que não fornece os elementos à estação? Ou está a dizer que lhe suspenderam o jornal para ela não dar a notícia e, nesse caso, que coisa a impede de dizer isso ao MP, ou que coisa a impede, simplesmente, de dar a notícia nas declarações que está a prestar? O MP não a notifica para ir depor ao caso Freeport (já que tem ali anunciados elementos novos)? E a TVI não averigua disciplinarmente se há justa causa de despedimento por indiciada violação do dever de lealdade? Quase tudo nesta quincagenária travestida de adolescente nos parece estranho. Aguardemos a evolução das noticias.

Wednesday, September 2, 2009

OS PORNOCRATAS E A SATANARQUIA

As revistas de imprensa assinalam hoje mais um pronunciamento banal do porno jornalismo da tugária. O jornalismo de referência, como bem se sabe, tem nesta terra -que também ele faz um bocadinho mais execranda e todos os dias- a função clara de promover a prostituição e as condutas desviantes. Os "grandes jornais" são vitrinas de centenas de bordeis e comprados por isso pelos respectivos interessados e a coisa surge ocasionalmente secundada pela promoção da "publicidade redigida" em "grandes reportagens" televisivas, também. Ou nas "grandes revistas" de "informação geral". E foi o caso, hoje. Uma "grande revista de informação geral" vem dar conta do "fabuloso mundo da prostituição de luxo" (sic). E lá vem a história dos "poderosos" que se fazem dominar por "profissionais" muito "bem pagas". E a coisa tem mais importância do que parece. Não só porque demonstra que boa parte da vida política portuguesa está ao nível do bordel como sempre esteve, não só porque demonstra que os "poderosos" anseiam pela punição e até pagam a quem os puna... Isto é referência também importante porque reitera a matriz "conservadora" à moda do sítio. Os conservadores de cá -que o papismo gerou- não se limitam a ir às pêgas (como Berlusconi) nem a casar com umas de entre elas (como Berlusconi). Eles vão para serem martirizados. A coisa traz a marca da ascese papista em que o senhor prior os treinou desde a mais tenra infância, metendo-lhes "os valores" (como eles ainda dizem) pelo rabo dentro, ou pela boca abaixo (segundo as informações disponíveis). Daqui resulta que tudo quanto é natural se fez "pecado" à luz do pecado contra o Espírito que tais "valores" consubstanciam. Casam com sopeiras. E admiram as pêgas. Sendo capazes de matar de tédio e horror umas e outras. Geram umas crias piores que eles em tudo que vão pendurando, também, no Orçamento de Estado. Protegem-se em lojas e sacristias lá de umas confrarias às suas escalas. Têm horror à liberdade de palavra porque em qualquer palavra pode vir o espelho do que eles são. (E esse horror à liberdade de palavra conduz a formulações "legais" e "jurisprudenciais" consubstanciadas em absurdos que são crimes com réus de morte a várias luzes). E todavia, tudo quanto são transborda para o pais que eles modelam à sua asquerosa imagem. E também disso não gostam, porque o horrível é universalmente reconhecido. Esta notícia das antologias de imprensa de hoje confirma que a simples Sharia representa um progresso indesmentível para esta terra sob as patas de tal gentalha. Mesmo que a Sharia nos force - como força- ao tremendo dever de assistir à morte pública desta escumalha. Mas isto tem que ter um fim. Seja ele qual for. O recuo ao Direito do Velho Testamento não parece nada excessivo para quem trata assim a liberdade própria e a alheia. Nada pode alguma vez ter dignidade mínima nesta terra com esta gente à solta. Nada estará nunca seguro sem poder contar-se aos nossos netos o desfecho fatal das vidas de tal escumalha e dos seus serventuários. Eles já não sentem sequer a dôr própria. Não podem sequer e por isso ter grande noção da dôr alheia. Nem se vê que punição possa caber-lhes porque não há nada pior do que eles já fazem a si próprios. Têm simplesmente que desaparecer. E não devem ser eles a escolher o modo desse desaparecimento.

Tuesday, September 1, 2009

Berlusconi em colisão com o papismo

O Avvenire, jornal clericalista de Itália, dirigido por Boffo, saltou em cima de Berlusconi. Saltar em cima de Berlusconi, bem entendido, é quanto resta quando os demais temas parecem excessivamente comprometedores. Quando nada se pode dizer além das generalidades já ditas sobre a crise e a retoma, sobre a dureza da vida, sobre a guerra, o terrorismo, as migrações ilegais, sobre a delinquência, sobre as alterações climáticas, resta sempre este tema específico que é Berlusconi. Il Cavalieri está sempre lá. Basta malhar-lhe. E assim fez Boffo. Mas Boffo, como a generalidade dos papistas, não deve tocar em público na temática da vida sexual alheia. É certamente aborrecido ter um primeiro-ministro que vai às pêgas. Seguramente exasperante é ter um primeiro-ministro que leva as pêgas para casa. Absolutamente repulsivo é ter um primeiro-ministro que casou com uma pêga. Um homem fica siderado quando descobre que umas pêgas foram levadas às listas para o Parlamento Europeu e eleitas como se de outra gente se tratasse. Não pode excluir-se, bem entendido e à luz dos princípios, a candidatura de umas pêgas enquanto tal, nem a eleição eventual destas, se votadas nessa qualidade, ou sem a ocultação dessa característica conduta. O problema aqui é terem sido eleitas como se fossem outra gente. Como se tivessem feito só outras coisas. Estamos perante contratos nulos pela imoralidade do objecto. É certo. E toda a gente tem o direito de bater nisto. Toda a gente tem o direito de bater em Berlusconi por isto. Toda a gente, excepto a corja papista. Porque onde Berlusconi se apresentou a contratar em nítido abuso de posição dominante, como o sabemos sempre tarde, a corja papista surge flagrantemente a molestar. Como toda a gente sabe desde sempre. Ora foi isto, foi por isto, que o director do Il Giornale tratou de saltar (muito) em cima de Boffo. E mandou publicar a referência à sentença judicial onde Boffo surge condenado por conduta sexual molestante. Il Giornale é de Berlusconi (irmão). E a presidência da “conferência episcopal” italiana toma a palavra “em nome dos cristãos” (imagine-se) para considerar muito grave o “ataque ao Dr. Boffo”. Atente-se que tais criaturas são iguais em toda a parte. É um critério organizacional. A normalização é um instrumento do poder. (Até no Tugastão). Eis pois aqui mais um idiota (entre cujas aptidões a hombridade não pôde nunca estar presente) a dizer que não se pode falar em público de nenhuma perversidade que a ele lhe diga respeito, directa ou indirectamente. Por mais pública que seja. “É muito grave” falar disso. Em todas as panascracias a coisa funciona assim. (No tugastão também). Não se trata aqui da homossexualidade (seja isso o que for). Homosexual terá sido Júlio César. Esta corja tem portanto de ser outra coisa. E assim vai, portanto, a “sociedade perfeitíssima”. Igual a si própria, como bem se vê. Il Cavalieri “apruma-se”, por assim dizer, e diz que não gostou de quanto publicou “Il Giornale”. (Como se o Tribunal não tivesse emitido sentença pública contra Boffo). Compreende-se que a reacção espontânea da sua gente lhe caia mal agora. Primeiro, porque anda congeminando modo de processar o La Republica. Mais o Nouvel Observateur e ainda uns jornais ingleses. (Não se afigura provável o almejado êxito). Mas talvez por isso, a última coisa que lhe faltaria era que um jornal “dele” tratasse a o papismo “crítico” como os demais críticos lhe tratam as borgas próprias. Mas não foi exactamente assim. Em alguns casos, andaram a espreitar-lhe por cima dos muros – ou coisa equivalente - e isso enerva. Em república, a vida pessoal está fora do espaço público. O rei deita-se em público, acorda em público, come em público. E avaliando pelo Paço Real da Pena onde a sanita régia é exibida como património da república, o rei não se limita a viver radicalmente em público. Tudo o que faz pode ter um peso na história comum. E esse peso não é sequer intuível. A sanita de D. Carlos é exibida como um tesouro, coisa que seguramente lhe não terá passado pela cabeça. O casamento do rei é negócio público. E as garotas que lhe tornam a vida suportável tendem a receber título oficial, embora isso nem sempre ocorra. Ninguém precisa de espreitar porque aquilo é – em todos os quadrantes - cenário de Estado. E o rei, nestas matérias, pode fazer quase tudo à condição de que o faça com graça e sem exceder o orçamento. Contrastando isso com as matérias da governação onde quase nada pode fazer e esse esforço de abstenção é trabalhosa ascese para a qual se lhe exige uma circunspecção ostensiva. Mas em república não é assim. Ou pelo menos não era. E porque não vinha no caderno de encargos que as borgas domésticas (de adultos) eram fotografáveis e arguíveis, il Cavalieri mostra-se um bocadinho contrariado. Evidentemente, a publicação de tais fotografias não corresponde à referência ou reprodução da sentença judicial contra Boffo, por um lado. Todavia, será sempre lícito perguntar porque andam as garotas que il Cavalieri promove (politicamente) a chamar-lhe “papá”. Isso não está na Lei (republicana) do Protocolo de Estado. “Paizinho”, bem o sabemos, era o modo de tratamento que os russos davam ao Tzar e todos sabemos porquê. Não estaria nas regras do cerimonial, mas correspondia à liberdade que o diácono do exterior devia conceder aos filhos de Deus, mesmo abstendo-se de lhes abolir a servidão. O que ainda não sabemos é porque é que aquelas garotas (e mais nenhuma das outras) chamam “papá” a Il Cavalieri. Querer indagar tal coisa é motivo para forçar uma discussão judicial com os jornais europeus?... Il Cavalieri é um homem exuberante. E há momentos em que deve marchar-se galhardamente - e a expensas próprias, quem objectará? – para a derrota. Mas apoiar simultaneamente a padralhada e o seu Avvenire é contraditório. E tanto mais cómico, quanto mais solene. A corja papista dá votos?... Eventualmente sim. Embora ninguém saiba quantos. Mas o grotesco tira todos os votos. Isso toda a gente o sabe. O caso perturbou a Itália. E a gente do combate antimáfia até veio tomar posição contra Berlusconi, como se fosse preciso. Nunca é preciso tomar posição contra Berlusconi. Ele nasceu e medrou para o mundo estar contra. Apoiar Berlusconi é ideia a reservar para a cabeça do chefe de escola eventual de um novo Surrealismo. Talvez Diógenes também encontrasse motivos para tanto. Ou os eleatas. Berlusconi pode usar-se para demonstrar que – realmente – o movimento é tão impossível que os gostos, as condutas e os problemas, quando não são exactamente os mesmos, são perfeitamente semelhantes. Milhares de disparos depois, verifica-se que a flecha nunca saiu do arco. E nenhuma bala saiu nunca do cano de qualquer espingarda. Os babuínos têm melhor organização societária. Isto nos diria um eleata. E o eleata preferiria Berlusconi por lhe parecer mais bem disposto. Um surrealista poderia preferi-lo porque, pelo menos, já está pintado e essa pintura é um manifesto. E um cínico veria nele o único, porventura, capaz de transformar a injúria que lhe é dirigida em título próprio (como os cínicos fizeram). Apoiar Berlusconi seria uma posição de radicalidade excessiva à qual anda avesso o homem comum. Por ora. (Nestas coisas nada há de definitivo). Por outro lado, se o papismo está contra Berlusconi, aconteceu esta coisa imprevisível de Berlusconi ter obrigatoriamente razão (por menos que a queira ter e por mais que fuja dela) porque Deus, segundo tudo indica, brinca com a sua Criação. E para que as proporções se mantenham, ao sentido de humor infinito corresponderá a plausível causticidade infinita de Deus. É a mais razoável explicação razoável para o fenómeno de um Berlusconi com razão e a fugir dela a sete pés. Por outro lado, o papismo está sempre do lado oposto ao nosso. E sempre contra a razão. Nós podemos não estar a favor daquilo a que o papismo se opõe. Mas contra o papismo, isso estamos sempre (por escolha perversa do papismo e responsabilidade exclusiva deste, para usar aqui uma terminologia mais otanasca). Apoiar Berlusconi é contra a natureza das coisas, porque ele não existe para ser apoiado. Dar razão ao papismo também é contra a natureza das coisas. O papismo opõe-se a qualquer razão. Resta-nos o riso, por consequência.