Sunday, September 28, 2008

O declínio

É oficial. Não há distância entre Obama e McCain. Ambos são insultuosamente estúpidos ante a Rússia. A ideia de Obama em cujos termos a Rússia deve retirar da Alânia meridional e da Abkházia é de uma imbecilidade sem nome. Não obstante há ainda uma diferença. A debilitação dos USA seria muito mais rápida com McCain. Isso pouparia trabalho. Mas em nenhum dos casos - e segundo tudo indica - temos homem capaz de conduzir a uma recuperação dos USA. Em escassos anos, não obstante, a população latino-americana será a maioria demográfica naqueles territórios. Talvez alguma novidade venha daí.

Regressões a Sudoeste

A França recua a caminho do séc. de Francisco I. Desde 22 de Agosto pode registar-se, em todas as Gálias, um nado-morto independentemente da fase do seu desenvolvimento (“sans condition de poids ou de durée de grossesse”). O pessoal está aos saltos. Ou em estado de choque. Isso implica o reconhecimento da personalidade jurídica ao embrião, dizem. Bom, implica pelo menos uma acentuação dos absurdos do estatuto jurídico do embrião humano. No tempo de Francisco I as mulheres registavam a gravidez e presumia-se o homicídio se a criança viesse a morrer sem esse registo e privada de baptismo. As feministas estão aos gritos. E estar aos gritos é estar à rasca. Por algum motivo, a rascoeira feminista sempre nos fez lembrar a acção católica do outro lado do espelho. Felizmente, só berram alternadamente. Eventualmente, se as puséssemos a berrar ao mesmo tempo obteríamos um nível de toxicidade capaz de curar a França do seu sarcoma húngaro. E por falar nisto, escassas semanas depois de Sarkozy largar a peçonha papista nas feridas que vai abrindo (com a repulsiva visita de Ratzinger), nada ficou visivelmente mais grave. As gentes do cardeal vinte e três continuam como sempre: a pedir dinheiro. Dizem que não podem viver sem donativos (mas porque é que hão-de viver?) ... E não têm gente, dizem, embora isso não seja completamente verdade (80% do "clero" tem mais de sessenta anos e a coisa é grave porque ainda há 20% com menos de sessenta anos... Como é isto possível?)... Os Latinos (como os bárbaros do sudoeste gostam de se chamar) não sabem ser fiéis à liberdade. Amam-na como todos os homens. Combatem por ela. Mas nunca lhe são fiéis. Olhando a execranda figura de Ratzinger ao lado do horrendo magiar Sarkozy e diante da notícia da "personalização" do embrião humano não pudémos deixar de nos lembrar disto. Balkãs à parte, metade dos colégios eleitorais da Europa do Sul são sensíveis aos fáscio-papistas. Mas haja esperança. Todas as crises são libertadoras.

Thursday, September 25, 2008

A DESGRAÇADA GEÓRGIA

A Geórgia não tem subsistido senão como estado vassalo desde o século XVIII. Aí, temendo o Turco, pediu a protecção do Trono Russo. Acedeu ao estatuto de República Soviética a cuja União deu o homem a quem o actual governo georgiano chama criminoso: Stalin. Após a dissolução da URSS, tem a Geórgia hesitado ante a possibilidade de se prostrar aos pés de novo suzerano. Comprados alguns notáveis locais, de (artificiosa) e recentíssima fabricação, logrou a CIA a sua Revolução Rosa, que vem andando de decepção em decepção, até ao descalabro de 8 de Agosto. Depois da humilhante redução às devidas proporções e da devolução ao lugar natural dos rufias armados (que, por distracção, usavam os nomes de “Exército”, “Guarda Nacional”, “Forças Armadas da Geórgia”) os serventuários locais da OTAN (que olha agora outra direcção) retomam as provocações. E Decidiram fazer um “Museu da Ocupação Russa”, depois de terem feito um “Museu da Ocupação Soviética”. Mesquinharias grosseiras de rufias. A Geórgia é hoje completamente dispensável em tudo. E não consegue subsistir, em nenhum domínio, por si só. O triste papel que os seus dirigentes espectrais lhe reservavam é hoje inviável. Os seus “militares” são imprestáveis. E à aproximação do Inverno os georgianos só podem ter três certezas: A Santa Igreja Russa não abandonará a Igreja irmã da Geórgia, nem a Rússia abandonará os seus cidadãos muçulmanos da Abkházia. E a terceira: a Geórgia não será admitida na OTAN. O resto será uma desgraça. Mas não se sabe ainda que formas essa desgraça tomará.

Golden Parachutes

A patroa dos patrões em França propõe medidas tendentes à anulação dos “golden parachutes (para nós a expressão envolve tudo, tanto os acordos de reforma-chapelada com tempos de serviço ridículos, como as “indemnizações” de montante disparatado no fim de curtos mandatos de gestão) em ordem à “moralização” do capitalismo. Propõe, se bem vemos, que isso opere para o futuro e por consenso a gerar no âmbito dos países do G8. A coisa parece mais simpática do que a vemos. Porque, das duas uma: ou os “golden parachutes” traduzem negócios cujo objecto é contrário à moral, ou não. Se não, as moralizações têm de procurar outras vias. Se sim, tais negócios (os concretizados, como os projectados) são nulos e devem ser declarados como tal, erradicando-se, por consequência, quaisquer efeitos que hajam produzido ou viriam a produzir. Porque a imoralidade reconhecida se reporta, necessariamente, a exigências concretas, permanentes e socialmente consensuais. Não pode corresponder a um arrependimento de poltrões assustadiços perante as consequências desproporcionadas de práticas que são objectivamente (ainda que indiciariamente) criminosas. Já lá dizia o bom velho Óscar: “as coisas são o que são e serão o que tiverem de ser”. A imoralidade em causa está consensualmente presente, mesmo na palavra dos Chefes de Escola. “As Mentiras da Economia” de Galbraith trazem testemunho onde nenhuma dúvida é admissível. E mesmo as últimas formulações de Milton Friedman reconhecem o Estado de Direito como referência fundamental da vida económica e trazem a correcção às formulações anteriores, onde tal condição essencial não está presente. O consenso é pois evidente e há muito tempo. Nenhum problema quanto à nulidade, portanto. (Independentemente de declaração). Nem é preciso construir consensos já construídos.

Tuesday, September 23, 2008

Diletantismo

Mário Soares pensa sobre a crise económica no DN de hoje. Contra Ordem vai dar uma voltinha ao espeto: a ideia segundo a qual as “nacionalizações” americanas traduzem realidade em cujos termos se privatizam os lucros e se nacionalizam os prejuízos, é uma fórmula do “L’Humanité. ("Socialiser les pertes et privatiser les profits", subscrita por Dominique Plihon, ou "les « nationalisations » opérées ne consistent qu’en socialisations des pertes bancaires", com a assinatura de Yves Dimicoli). Não está mal a fórmula. É pelo menos uma óptima provocação para debate. (Nós não estamos ainda convencidos da inelutável justeza da fórmula). Mas Mário Soares já tem idade para fazer correctamente citações. Afinal de contas, não há paternidade mais orgulhosa do que a paternidade das ideias (como aliás dizia alguém cujo nome não nos ocorre agora). Este é o problema do tugastão: um sítio que não está mal concebido pelo Altíssimo, mas onde quase tudo é tuga. Até isto. Felizmente os gregos inventaram a palavra "porra" e nós acrescentámos-lhe um ponto de exclamação. Que diríamos nós sem isso, não é?

Saturday, September 20, 2008

Relatório CIPE

Um dos mais claros instrumentos de ingerência dos USA no mundo publicou o seu relatório de Agosto. Aqui fica, por desfastio.

A crise no Egipto

Enquanto o Egipto treme diante do efeito dominó da crise financeira, a taxa de inflação ultrapassou os 25%. Foi a mais alta desde a segunda guerra mundial. Não obstante, Boutros-Ghali (que tem sido o responsável pela "reparação" da Economia Egípcia) parece estar de volta à cena internacional.

Corrida ao Oiro vista do Chile

Com um "record" de subida, mas apesar de tudo mais barato (ainda) que em Março último, o oiro apresenta previsões de subida para quase o dobro. Previsões são previsões, claro. Esta anotação não é uma recomendação. A imprensa financeira do Chile trata o tema como aqui se deixa.

Do sistema de catástrofe à catástrofe do sistema

A análise (muito interessante) de um marxista. Acabou - se alguma vez tiver existido e ele acha que não - a convergência dos economistas com o belicismo nos USA. As derrotas (ou os atascamentos) militares geraram a crise e os vectores da direcção política fraccionam-se e pressionam-se reciprocamente, sem possibilidade de restauração rápida de qualquer eficácia dos mecanismos de formação da vontade do Estado. Os USA esgotaram-se e esgotaram vários dos seus estados vassalos. Ao lado, insistimos nós neste detalhe: os chefes de escola dos conservadores estão calados. E os comentadores andam em círculo. É este um efeito da doutrina negociada? É uma hesitação dos doutrinadores de encomenda? Tudo é possivel. Mas as universidades cheias de lacaios, têm, também, muita dificuldade em mover-se. As publicações controladas não conseguirão nunca ser lugar de debate livre. Décadas de promoções pelo servilismo, têm sempre o seu preço quando é precisa gente com um mínimo de autonomia. E não se pode pensar sem isso. Em todo o caso, o "pragamatismo" dos conservadores desacompanhados de qualquer reflexão doutrinária - todos o sabemos - perde rapidamente o norte. Não precisavam de pensar porque contratavam quem pensasse... mas com os contratos incumpridos e sem nenhuma conclusão disponível... O resultado é o de sempre. São asnos sem arreata. Todas as quedas de regime (caso não se tenha notado) se fazem neste clima de vacuidade intelectual.

E Agora?

Agora... É preciso confrontar a situação económica dos USA com as suas posições militares no mundo e os seu projectos políticos para o mundo. E ler bem os fracassos clamorosos das conspirações na Venezuela e na Bolívia. Os bloqueios da "revoluções" laranja e rosa. O atolamento dos exércitos da Ásia Central, no Médio Oriente e, até, na Europa. Confronto feito, as estúpidas ameaças americanas à Rússia adquirem neste contexto colorações especialmente grotescas.

Crise ou mudança?

Enquanto o Governo Russo manda os especuladores para casa (nos seus mercados), a China não autoriza os seus capitais a saírem em socorro da americrise. Para os russos mais vale pará-los que pagá-los. Para os chineses, não há motivo para precipitações. É “deixá-los poisar” e depois logo se vê. Até agora e desde 2007, os fundos de Singapura, China e Golfo averbam perdas contidas e ganhos consideráveis. Os orientes (que ele há vários) emergem da crise com uma dupla faceta, primeiro como grandes travões financeiros a uma recessão mundial, depois, como detentores evidentes de 60% das riquezas do mundo. Esta não é portanto uma crise como as outras. Talvez não seja sequer uma crise, mas uma mudança. Porque traz alterações estruturais associadas no plano da liderança do mundo. Se estamos a ver bem, a Europa deve respeitar a Geografia e perceber-se (enfim) como Eurásia. Os ocidentes (também há vários) devem conhecer a breve trecho uma… perestroika. (Do pior ou do melhor modo, é indiferente). Evidentemente, o tugastão não existe. Nem como projecto. A terra da casa pia governada por um “engenheiro” da independente, à mistura com a padralhada papista, mais a reabilitação dos Pedrosos por via de uma cicatriz, isso não releva sequer como bordel. A espada de Guemaiel está a erguer-se.

Friday, September 19, 2008

O lado de lá do espelho

A Santa Rússia anda zangada com os seus mercados de capitais. Suspendeu-lhes a actividade. Depois deixou reabrir e, numa hora, os índices saltaram (para cima) mais de 17%. O Governo voltou a mandar os especuladores para casa. E suspendeu aquilo, outra vez. É confortável saber que há governo. E que a parasitagem da Rússia não será fácil.

Capitalismo de Estado

À queda do capitalismo de estado de fachada socialista, parece seguir-se a queda do capitalismo de estado de fachada liberal. Caem do mesmo modo, no essencial. Sem convicções. Nem inteligência. Entre ressentimentos. Impotentes. Mas há quem venha dizer que a devastação, longe de ser crise, é catástrofe metodicamente preparada. E explorada. A devastação é uma quebra da resistência política nos mercados, desde o Chile de Pinochet ao Iraque de Bush, passando pela Rússia de Ieltsin. Até um tsunami permite erradicar os pescadores da orla marítima para vender os terrenos em favor de empreendimentos balneares. Não negaremos a apetência pela catástrofe. Nem a avidez que perde e faz perder a noção das proporções. Mas o semelhante gera o semelhante. A catástrofe gerará a catástrofe, com um “senão”: a crise é criativa. E um detalhe: esta crise apanha os conservadores doutrinariamente desarmados. Apanha os socialistas doutrinariamente desarmados. Só a tradição universitária radicada nas humanidades responde ainda. No Direito, como na Economia e Ética. Veremos então o que isto dará. Entretanto, divirtamo-nos ante a imagem dos USA e um sector empresarial de capitais públicos inesperadamente relevante. Divina ironia. Nenhuma análise político economica pode merecer o crédito da maturidade se não focar especificamente este detalhe.

Thursday, September 11, 2008

Portugal-Dinamarca

Os simpáticos Dinamarqueses chegam e cantam “temos uma linda terra, de costas verdes, cercada pelo mar”. Os tugas respondem com a Portuguesa gritando a plenos pulmões “contra os canhões, marchar marchar”. Desajustado. É normal que os outros fiquem um tanto agastados. Irrita isto de chamarem canhões – indiscriminadamente e sempre - aos membros da equipa adversária e em todos os jogos de futebol. Sempre esperámos que alguém perguntasse, alguma vez, no fim do desafinado coro: -“desculpem, mas a quem é que estão a chamar canhões, mais exactamente?”… Não obstante, uma vez que lhes chamaram canhões, os Dinamarqueses dispararam. E ganharam o jogo. Outro disparate, parecido, é aquela dos Italianos. Chegam os Finlandeses (por hipótese) e cantam “Amamos-te querida pátria nascida do mar”. Os italianos respondem “marchemos para a morte, a Itália chamou”. A reacção mais natural seria retorquir -“assim não jogamos”. Não estamos propriamente no jogo de bola dos Maias. Por isso aliás se entende mal tanto nervosismo. Se, ao menos, o chefe da equipa vencida fosse degolado no campo ainda se perceberia a extrema tensão. Assim não se entende. Dizer palavrões à passagem de um árbitro, parece aceitável. Descer ao campo e bater no árbitro, ainda parece compreensível. (Os pretensiosos que querem julgar devem estar sempre preparados para o risco da coisa). Mas aqui se esgota a aceitabilidade. Os hinos guerreiros no desporto estão deslocados. Muito mais razoável é a Espanha cujos jogadores, orgulhosamente, ouvindo a Marcha Real, cantam - a plenos pulmões e urbanamente - “tralálá”... Mas o mais adequado ainda era fazer hinos para as diversas federações, com belas letras sobre meniscos rachados e chuteiras cortantes. Ou cantando a invencibilidade das cabeças que marcam golos habitadas pela força de um coice de mula, ou ainda chorando os guarda-redes em picadinho, podendo até incluir-se um “não há árbitro que vos valha”. Isso estaria bem. Isto é um exagero.

Tuesday, September 2, 2008

Paz Fria: o descongelamento da guerra

A estratégia anti russa é uma estratégia de cerco – de Vladivostok ao Cáucaso, do Báltico à Ásia Central. Não têm obtido grandes resultados em função da gigantesca mobilização de meios, designadamente militares, como os necessários para a instalação e manutenção de vinte grandes bases norte-americanas de cerco. Sendo certo que durante o período Bush os USA abriram novas sediações militares, subindo o número de instalações militares americanas a 730, espalhadas por cinquenta países. Nisto se saldou o “fim da guerra-fria”. Visivelmente trata-se do descongelamento da guerra. "Paz Fria" escreve (num bastante agressivo artigo) o Der Spiegel. Chame-se-lhe como se quiser. Entre tugas, Adriano Moreira lembra hoje o projecto de "libertação" da Europa até aos Urais. E o primeiro a pensar assim na divisão da Rússia, (o primeiro a sonhar assim a derrota da Rússia) foi... Hitler. Todavia, a eficácia militar dos russos, a firmeza da nova Direcção Política Russa, o visivelmente unânime apoio popular às posições tomadas, deixam os "ocidentais" decepcionados (consigo próprios, bem entendido). Enraivecidos, até. E não conseguem sequer pensar. Ninguém formula uma perspectiva de Estado , sequer. Schröder dá razão aos russos. Merkel confessa a sua admiração - se não mesmo o seu impossível amor- pela Rússia. Estão todos os ingredientes da guerra em presença. Até este. (A irracionalidade, sim). E neste âmbito ocorre a tentativa (igualmente obstinada e igualmente impossível) de eliminar o último travão: a capacidade nuclear assegurada da destruição total recíproca. A Rússia mantém essa capacidade. Enquanto a mantiver, não pode ser subalternizada, isolada, ou atacada em campo aberto. Certo, subsistem possíveis ataques de outro tipo. Mas para algumas técnicas já ensaiadas, o tempo parece ter-se esgotado. Revoluções laranja, rosa, azul-celeste ou verde-alface, podem talvez justificar a apropriação (ilícita, claro) de fundos estatais norte-americanos, mas o tempo de eficácia de tais técnicas esgotou-se. Chavez já sobreviveu ao emprego simultâneo da técnica chilena e da revolução laranja. Resta a velhíssima (e tristíssima) ideia de fazer a guerra em casa alheia. Isso poderá continuar a usar-se. Embora não com exércitos de opereta que uma simples divisão desbarata em três dias, desarmando completamente a respectiva república das bananas. É essencial verificar se o estado vassalo tem homens de armas aptos a suportar a provocação militar desejada, antes de a encomendar. Com treino americano, dificilmente haverá qualquer aptidão militar. Basta observar o que se passa em todo o lado perto das bases americanas (perda de soberania, deficit democrático, esgotamento económico, despovoamento, impacto ambiental desproporcionado, crime impune - compreendendo crimes sexuais e a prostituição - problemas de saúde por contaminação). E os cinquenta países onde tais fenómenos se impõem - umas setecentas e trinta vezes, todos os dias - ao abrigo da "aliança", são, diz a retórica oficial, "amigos". Claro que se os americanos não o dissessem, ninguém o notaria. Qualquer treino dirigido por tão má gente é certamente e apenas guiado pelo princípio universal em cujos termos o semelhante gera o semelhante. Gente desta sabe destruir e matar. Mas isso não pode ser difícil. Alguns animais conseguem fazê-lo perfeitamente, embora e em regra tenham motivos visíveis para o fazer. Combater é, porém, outra coisa. E estar pronto para o combate é coisa muito diversa. Das mãos de tal gente sai qualquer Abu Graíb. Qualquer Guantánamo. Qualquer quarteirão de bordeis. Qualquer bombardeamento aéreo de populações civis (na Sérvia bombardearam até os altares da Páscoa - com os votos de Páscoa feliz escritos nas bombas - como bombardearam hospitais, uma igreja do séc. IV e, mesmo, a Embaixada da China). Está por demonstrar que consigam fazer alguma coisa mais do que isto. Está até por demonstrar que haja muitos oficiais europeus capazes de continuarem a conduzir-se como se não desprezassem mortalmente tal corja e a direcção política que lhe corresponda. (E este é também um factor quanto ao qual não será inútil estar atento).

Monday, September 1, 2008

Perfil de Sarkozy

Quase divertido. Podia fazer-se o de Durão Barroso. Mas o homem é tão instrumental que não vale o trabalho.

Saturday, August 30, 2008

O Cáucaso, a Crimeia e o Tugastão

Inevitável. A Crimeia não será outra coisa senão Russa. E os russos são a maioria da região. A Crimeia é portanto o próximo episódio e a sequência natural dos acontecimentos do Cáucaso. Não vamos sequer (e evidentemente) ficar por aí. "A Ucrânia não está morta mas falta pouco"?... A "t-shirt" dos garotos russos de Sebastopol é um exagero de garotos. A Ukraína é um território da fronteira. Fronteira dos russos. Também há a pequena-Rússia, ou Ruténia, a estender-se até aos Cárpatos. Sempre cruzada por muitos inimigos da Rússia. Sendo certo que, como fez cantar Prokofiev, não há inimigos da Rússia. (Ou, à letra, " a Rússia não tem inimigos vivos"). Ninguém sobreviveu, nunca, muito tempo a tal inimizade. A Ucrânia, lugar do Baptismo da Rússia, não pode senão sentir-se amputada em qualquer separação imposta. Bogdan Khmelnitsky demonstrou-o bem. Esse grande chefe cossaco em cujas terras libertadas apareceu pela primeira vez, parece, uma rede de escolas como manifestação do que poderia já chamar-se política de educação e ali foi a primeira preocupação de um chefe de guerra, depois das questões da Fé - a liberdade dos ortodoxos assentou na bravura dos sabres cossacos - depois da defesa dos territórios libertados do polaco e contra o polaco. O regresso da Rússia à sua dignidade natural no concerto das nações, trará algumas correcções evidentes. Sim, o Séc. XXI será um século como outro qualquer para a Grande Rússia. E a Grande Rússia será o que sempre foi, independentemente das formas de Estado. Um grande país, certamente estranho, mas por nenhuma forma bárbaro - com uma ideia única da grandeza própria e da salvação do mundo - diante do qual todos os demais estados são compelidos a posicionar-se. E já aconteceu que os estados que pior se posicionaram - os mais desleais, os mais agressivos - desapareceram, ou viveram longos períodos de radical neutralização política e nem sempre militar, sequer. Ao polaco, por exemplo, Catarina a Grande comprou-lhe simplesmente a nobreza. E nem sequer foi cara. Bastará fazer hoje outro tanto a dois ou três pequenos estados-fantoche para que a OTAN e a UE se reduzam à sua posição natural. O Tugastão é uma dessas repúblicas fantoches com gente (por assim dizer, mas dizendo muito pouco) francamente barata. E está longe de ser o único caso. Também neste quadrante a concorrência baixará os preços. O MNE tuga já disse, do alto da nula importância do seu tugastério, que "não podemos" pagar a prática de uma política externa fiel a pressupostos ideológicos. A OTAN implicava pressupostos ideológicos e a UE também os implicaria, mas afinal, não... Tanto quanto diz o MNE tuga. Os princípios e as fidelidades no Tugastão são, portanto, "um luxo". Esta gente (nada concedendo) parece pronta a vender as próprias mães e as próprias filhas com a mesma facilidade com que tem consentido a prostituição forçada e homossexual dos órfãos e desvalidos da Casa Pia. Resta determinar a base de licitação. E nós, os outros, os que não podem pagar o preço de qualquer infidelidade aos princípios, devemos sublinhar que -por princípio - em democracia não há irresponsabilidade política a partir dos maiores de 18 anos. Nem há civis maiores de 16. Inútil portanto dizer que uma coisa é o MNE tuga e outra coisa o país. O MNE tuga é o país dos tugas. Como a Casa Pia. Como a Polícia Judiciária de Faro. Como o juiz de Monchique. E a de Monção. Como A GNR. Ou a PSP. (Em nada relevando o "segredo de Estado" do Ministro Pereira quanto ao respectivo estado das coisas). Valerá sequer a pena comprar tal gente? Não será melhor varrê-la, simplesmente, por respeito para com a dignidade natural do género humano? E os tugas querem ser gente e varrem eles próprios tais quadrilheiros, ou preferem ser lixo a varrer com eles?... Se as coisas assim continuam vai ser necessário um certificado de abstencionista eleitoral nos últimos vinte anos, para evitar as imputações correspondentes à acreditação legitimadora de tal corja.

Nada de novo?

O Tribunal da OTAN na Haia vai patinando no caso Karadzic e lança a perseguição contra uma pariguinha que decidiu ganhar uns cobres à custa do "processo" Milosevic (saldado na morte do presidente). A OTAN vai acumulando vasos de guerra no Mar Negro que os russos, placidamente, dizem que demorariam vinte minutos a destruir, sendo caso disso. A cimeira do Pacto de Shangai ouviu um discurso de escacha do presidente Medvedev. E a UE pondera em público umas medidas contra a "elite russa". Já que a Grécia e a República Checa se pronunciam claramente contra quaisquer sanções europeias contra a Rússia. Mas a pseudo-ideia das "sanções contra a elite russa" pode, parece, enquadrar-se na coacção (obviamente ilícita, evidentemente típica e clamorosamente dolosa) de dirigentes da Federação Russa. Tal coisa podendo resolver-se com a emissão de mandados de captura para prisão preventiva à ordem dos tribunais da Federação Russa. Sendo caso disso, (bem entendido). A Santa Rússia não pode voltar atrás. E nada será como antes.

Tuesday, August 19, 2008

O Pereira, a Geórgia e o Mundo

O "crítico oficial" Pereira está em desalento. Ainda bem. Uma prosa preguiçosa espalha-se, parda, pelo seu blog deprimido, sob o título "A emergência de novas potências". Coisa medíocre e bastante arrastada. Achará o critico Pereira que um governo militar chinês de ocupação, em Lisboa, trataria pior a população local do que a gentalha que hoje a parasita?... Nem por sonhos. Tudo melhoraria. Não é concebível pior do que um regime onde o Pereira é o crítico oficial. Nada mais encantador que vê-los diante da morte prefigurada... Mas a verdade é que nem a morte os parece querer.

O tanas...

A OTAN reúne em cimeira na capital belga – capital do estado falhado mais próspero que se conhece - e a Rússia já tomou posições suficientemente claras. Já ninguém se dá ao trabalho de manter a máscara quanto à instalação do sistema ABM na Polónia e na República Checa. Resulta agora evidente que se trata de acto militar contra a Rússia. E a Rússia deixa claro que responderá imediata e eficazmente à simples deslocação dos elementos de tal sistema. Quanto à Geórgia, os objectivos otanascas sofrem uma reformulação nítida nos discursos oficiais. Clamorosamente demonstrada a inépcia dos rufias treinados pela América como “exército” da Geórgia, a OTAN visa agora ocupar as repúblicas libertadas por “forças de paz” compostas pelas suas tropas. Ninguém aceitará tal coisa, evidentemente. O espectro da guerra surge pois perfeitamente evidente. Do ponto de vista da OTAN, não se percebe com que exércitos seria travada. Nem com que fundos poderia ser paga. Nem com que opinião pública se sustentaria tal guerra. Há, evidentemente, países capazes de fornecer soldados cuja morte sai barata, como Portugal, a Polónia e a Turquia. Os portugueses, num tal combate, teriam conduta de ineficácia asinina. Os polacos talvez aguentem alguma coisa mais, mas há noventa mil cristãos ortodoxos em armas nas fileiras polacas. Fazê-los combater os irmãos russos teria efeitos imprevisíveis em quase metade do exército da Polónia. Resta a previsibilidade dos turcos. Mas essa previsibilidade inclui a estranha situação de combater ao lado de gente que, como Sarkozy, deixou dito que a Turquia não é Europa e ao lado de gente que sustenta interesses nos quais a Turquia não quer sequer pensar em reconhecer. É o caso dos curdos do norte do Iraque. Restam os albaneses. Mas para os albaneses costumava chegar a polícia sérvia. A OTAN poderia decidir continuar a esticar a corda. Mas a corda partir-se-ia. Era bom que a última derrota de Bush e Rice não fosse partilhada pelo mundo inteiro. Bush e Rice estimularam a níveis doentios a crispação das repúblicas baltas e da Polónia contra a Rússia. Agora chegou o momento de dizer a estas republicas que... Não. Não há nenhum motivo sério para que o mundo inteiro partilhe uma tal e tão claramente prefigurada desgraça. Uma informação da Stratfor dá nota de intenções que se traduziriam numa simples representação teatral em Bruxelas. A verdade porém é que nada é seguro, em matéria onde a insegurança atingiu um clímax planetário. Segundo tudo indica, se a OTAN não ceder já, pode bem ter de ceder do pior modo. Segundo os da Stratfor todos o sabem. Nisso podem dar-se por assentes dois pontos: não há inocentes, primeiro; e em segundo lugar, acabou a "Nova Ordem Mundial". Ou como diz a Stratfor, com alguma graça, o Séc. XXI será igual a qualquer outro. Resta a possibilidade dos imbecis ainda em Varsóvia, com as ânsias de alma de nacional-católicos, fazerem, eles próprios, um gesto à Saakashvili esperando talvez que o execrando Ratzinger lhes chame "últimos grandes cavaleiros da cristandade". Os da Stratfor não admitiram essa possibilidade e não a exploraram. É verdade que só a unanimidade conduz a OTAN. Mas também é verdade que todos os membros da OTAN estão vinculados a assistir militarmente qualquer membro da aliança que provoque, com êxito, um ataque militar alheio. O golpe de teatro pode ter efeitos imprevistos. E a NATO está agora confrontada com o preço plausível do triunfalismo infantil em que tem vivido.

Monday, August 18, 2008

“Saakachvili must go”

Um homem nunca tem útero, mas pode ser histérico. A um histérico dá-se algum desconto. Mas Saakachvili passou os limites. Assinou um compromisso (com o Ministro dos Estrangeiros da Finlândia) em cujos termos se absteria de usar a linguagem de proxeneta histérico em relação à Federação Russa. Incumpriu. E a Federação Russa acaba onde começara guiada pela mais certeira intuição: “Saakachvili must go”. A Rússia não aceita falar mais com a criatura. A Geórgia que arranje outro. Quanto à anunciada reunião da OTAN, a Rússia declara-se pronta a rever as suas relações com esta estrutura se da próxima reunião sair uma posição “irreflectida” (sic). Quem tomou a posição (formal) foi o Embaixador Dmitri Rogozine junto da OTAN. A Rússia declara, portanto, que já aturou tudo o que havia para aturar. E não atura mais. Está muito bem. Quanto à parvoíce ucraniana, o Comando russo esclareceu que os vasos de guerra voltam a Sebastopol, quando se entender que é o momento de voltarem a Sebastopol. E agora? Era de rever a posição tomada por Salomé Zourabichvili (antiga diplomata francesa e antiga ministra dos Negócios Estrangeiros da Geórgia) aos 9 de Agosto e quanto aos americanos : -"si tant est qu'il y ait eu des erreurs commises par la direction géorgienne, (ils) partageront cette responsabilité puisqu'ils ont été très proches de la direction géorgienne et n'ont sans doute pas assez encadré cette direction géorgienne".

Patriarca Elias II

O Santo Patriarca da Geórgia invoca limites territoriais do séc. XVII para legitimar as pretensões territoriais sobre a Ossétia. Formula queixas. E censura operações militares entre países de povos ortodoxos. A carta está datada de 12 de Agosto. Deixa-se o documento sem comentários, esperando, com o Patriarca, que a natural fraternidade entre os dois povos possa não voltar a ser perturbada. Já no dia 14 de Agosto, o Santo Patriarca visitou Gori - sob escolta militar Russa de filial solicitude - e o Santo Patriarca de Moscovo ordenou uma recolha de fundos para auxílio às populações georgianas.

Da guerra de palavras à desgraça iminente

Infelizmente nenhum dos chefes de Estado em presença combateu numa guerra. Ninguém sabe, por experiência vivida, o que isso seja. Bush é - e sempre foi - fisicamente um cobarde. Merkel, antiga dirigente juvenil da Alemanha comunista também não tem grandes ideias sobre o preço de dor da guerra. Sarkozy, esse, enfim, tem o testemunho do pai, mas não lhe chega. Os ministros estão na mesma. Rice vem de uma politica universitária pateta, que doutora os negros por serem negros. E já nos seus tempos de estudante tinha um grande fascínio pela imposição violenta da vontade do Estado. Neta de escravos, o poder é para ela a possibilidade da violência impune... É a Secretária de Estado (nada brilhante) de um imbecil. Na crise da Geórgia o alemão e o sueco vêm falar... Como inimigos tradicionais da Rússia. E os USA que aqui tudo perderam (como conselheiros, como técnicos que asseguram o treino militar, como utilizadores militares do território georgiano) não conhecem o valor do léxico em utilização. Extremam-no. Rice diz que um acordo outorgado na tarde de 16 de Agosto se mostra atrasado na sua execução já na manhã de dia 18. Agora alegam que a Capital da Geórgia está ao alcance do tiro russo (sempre esteve, não?)... A Suécia diz que Hitler fez o mesmo que a Rússia está a fazer (!)... Ora palavras destas exigem os actos em conformidade. Conseguirá o Bush dar-nos uma guerra global antes do fim do seu mandato, pensando que estava só "a dizer umas coisas"?... Os provocadores (serviços da CIA?) ocupam já os comentários "on line" de todos os jornais europeus, como ocorreu na guerra de 1999 na Sérvia. Mas sem conseguirem calar os factos, como conseguiram na campanha contra a Sérvia. O site da Novosti, aliás, chegou a ser "abatido" por intrusão, durante as operações militares na Geórgia. Estarão as bestas europeias preparadas para combater? E tencionam fazê-lo com exércitos de velhos, ou vão mobilizar imigrantes? Não os assusta a falta evidente de eficácia militar das suas tropas face à Rússia? Ou tencionam fazer uma guerra nuclear? Isto não legitima atitudes de excepção em legitima defesa da comunidade dos povos? E radicando tal situação na estupidez de indivíduos em concreto considerados, não será melhor neutralizá-los imediatamente?

Verdade Olímpica

Os tugas deixaram, na madrugada de dia 18, de estar abaixo do Togo. Passaram a estar abaixo da Etiópia. Não parece previsível a mudança de posição. Normalmente é assim. O tuga parte em parada e regressa às escondidas. "Este país" ia ganhar tudo. Eis a luz fatal dos factos.

Jogos Olímpicos: verdade transparente

Tugas abaixo do Togo. E, acrescentaríamos, nisto como em tudo. (A começar, porventura, pelo "segredo de estado").

Sunday, August 17, 2008

SEGREDO DE ESTADO À PORTUGUESA

A incompetência, os delitos e a crueldade das forças de segurança portuguesas motivaram um relatório do Inspector-geral da administração interna. E o Ministro Pereira considerou-o abrangido pelo “segredo de estado”. Interessante. É o “isso não se pode dizer do Pacheco Pereira”. Em Portugal abundam os homens com nome de vegetal, tal como abundam os que vegetam sob forma humana. Ele há os Pereiras, os Loureiros, os Laranjeiras, os Oliveiras, os Figueiras, os Nogueiras e os Carvalhos, mais os Moitas, os Flores e os Silvas. Depois há as madeiras secas e mais ou menos trabalhadas: os Lemes, os Portas. É assim. Para que o país vegete regularmente, o Ministro Pereira, amigo de Portas, seguiu o conselho do crítico Pereira, alérgico a Portas. Quer que a coisa gritantemente pública seja secreta. Será então secreta, embora toda a gente o saiba. Que sabemos nós? Pois que a criminalidade mais violenta é a cometida pelas forças de segurança. Não há muitos casos de delinquentes a meterem balas no recto de alguém, mas a PSP de Évora conseguiu-o há uns anos. Não há delinquentes conhecidos a decapitarem as suas vítimas e, depois, a abrirem um buraco à sovela, para imitar uma bala que se teria disparado por acidente (bala interessante porque os fragmentos de osso estavam orientados para fora, segundo o relatório, mas logo se fez outro, menos chocante, e o tribunal preferiu acreditar nesse). Este prodígio inesquecível foi feito pela GNR de Sacavém. Mesmo no plano da extorsão organizada, deveria lembrar-se que o posto de Albufeira da GNR foi todo “dentro”, embora o resultado final do julgamento tenha sido menos interessante. Mas em Trás-os-Montes houve caso análogo. Também não se conhece nenhum grupo de delinquentes que tenha batido num Cônsul, mas isso aconteceu com a Guarda Prisional de Santa Cruz do Bispo. Segredo, claro. Pelo menos o Ministro deve achar. E o crítico Pereira. O problema é que não são apenas os portugueses as vítimas disto. Uma brasileira foi vítima de tortura. E disse-o. E quando a PJ prende (logo veremos com que fundamentos) uma cidadã espanhola e um dos inspectores se masturba para cima dela, no calabouço, é normal que sejam os tribunais espanhóis a tratar do caso. Que vai o Pereira dizer ao Tribunal Espanhol? Que é segredo de Estado? O Pereira quer um mandado de captura internacional? Uma coisa concedemos secreta. É que, hoje, as “forças de segurança” podem organizar as extorsões que quiserem e as violências que quiserem sem que ninguém possa falar disso, a não ser o Inspector da Administração Interna e o MP. (Mas também não sabemos em que circunstâncias são eles autorizados a falar disso, que o próprio PGR foi alvo de exigências de demissão pelos seus próprios subordinados). Porque a estrutura de parasitagem do Estado faz com que o simples guarda prisional tenha estranhos apoios tendencialmente em toda a hierarquia do Estado, capazes de “tramar o advogado que não se cale. A começar pelos “Conselhos Disciplinares” da Ordem dos Advogados (uma polícia tão cheia de delinquentes como as outras, menos violentos que os da outras, o que não quer dizer menos ferozes). Tais protecções abrangem necessariamente o MP que habitualmente persegue por injúria qualificada quem arguir o problema, sem investigar a arguição. Mesmo na Direcção política da vida institucional esses apoios funcionam (em favor, até, da gentalha mais rasca que pode conceber-se). Podemos também dispor de exemplos públicos: uma secretária do PGR organizava chantagens em torno dos processos em curso; um responsável da segurança de Jorge Sampaio foi preso por tráfico de droga…porque estavam eles ali? Que os pôs lá? Que estrutura lhes permitia isso e quando é que deixou de permitir?... Segredo de Estado afirma Pereira Ministro. “Isso não se pode dizer”, exclama o Pereira crítico. E é vasta a estrutura de constrangimento ilícito para impor o silêncio. O problema são os tribunais de Espanha. E os do Brasil. E os de todo o lado. Quem emitiu um mandado internacional contra Pinochet, emite mais facilmente um outro para qualquer Pereira.

Saturday, August 16, 2008

PERESTROIKA CAUCASIANA

É importante fazer o balanço da intervenção russa na Yugo-Alânia, ou Ossétia do Sul. Mas tão importante como isso é pensar a situação do Cáucaso. Ali, na Ossétia, tratou-se da legítima defesa (nem sequer “preventiva”) da população que recusou a cidadania georgiana e manteve, como a população abkhaz, os passaportes soviéticos. No quadro da inviabilidade jurídica destes, receberam essas populações, unanimemente, a cidadania russa e o correspondente passaporte. Os mais atentos recordar-se-ão de uma visita ao Presidente Putin, feita pelo Presidente da Arménia, para decidir especificamente esta questão. Porque nas fronteiras arménias haviam sido recebidos milhares de refugiados da Abkházia que, teimosamente, apresentavam os passaportes soviéticos e não aceitavam nenhuma proposta para resolver o problema, por mais fraterna que a proposta fosse. Foi isto resolvido com a outorga da cidadania russa, no enquadramento de uma decisão da CEI reconhecendo à Rússia a sucessão das obrigações e direitos da União Soviética para resolver (também) tal questão. A Rússia não poderia nunca abandonar dezenas de milhares de cidadãos seus sob agressão militar. O quadro das fronteiras políticas reivindicadas pela Geórgia está em radical contradição com a situação material. O Cáucaso, aliás, é um caleidoscópio étnico ao qual nenhuma síntese organizacional pode convir senão a de uma integração capaz de respeitar a singularidade das tradições étnicas (e da história das suas implantações territoriais locais) e, ao mesmo tempo, de assegurar a viabilidade económica, a defesa e os direitos de participação política na direcção dos destinos comuns. A História demonstra que os povos do Cáucaso conseguem relativizar a importância política das mil fronteiras étnicas. Como demonstra a intangibilidade das referências identitárias para esses povos. É “apenas” necessário tomar isso como dois gritantes dados de facto. Saber se a síntese possível deve assumir a forma de uma federação caucasiana, se a de várias federações, se a integração num grande espaço político onde se partilham as mesmas referências (religiosas, institucionais, históricas) e onde a economia revela vastos interesses comuns, isso é coisa que os próprios povos hão-de dizer. Talvez em breve. Porque a presente indefinição não tem muito mais tempo de vida.

O CERCO IMPOSSÍVEL

A ideia em cujos termos a Geórgia poderia ser a “guarda avançada” do “Ocidente” (seja isso o que for) diante da Ásia e da Rússia, assegurando a impossível subalternidade da Rússia na cena política internacional, morreu. Há evidentemente umas manifestações de falta de inteligência norte-americana em sentido oposto. Dizem, por exemplo, que a Rússia pode ser excluída do G8. Quem assim fala – como bem se sabe – está tocado pela mais quadrada idiotia. E a isso respondeu o Vice-Primeiro-Ministro Russo, de modo claro, em entrevista na semana passada à BBC. Procurar marginalizar a Rússia no G8 e na OMC provocaria uma contradição directa e imediata com os interesses económicos e políticos da China, da Índia e da América Latina (para não falar senão nos espaços mais visíveis, acrescentamos nós). Portanto, isso corresponderia a dizer que a OMC e o G8 perderiam o significado e não subsistiriam com o mesmo papel. A pretendida subalternidade da Rússia, caso subsista como projecto político, acarretará a ruína do “mundo ocidental”, a começar pela da Europa organizada na União Europeia. E isso significaria a pulverização de várias coisas. A começar pela da NATO. Mobilizar a NATO para tal tensão é inútil. Podem montar uns radares na Polónia ou na República Checa, claro. E apressaram-se até a outorgar os acordos respectivos. Mas tudo pode mudar de figura e rapidamente(!). Segundo Zbigniew Brzezinski cujo depoimento não é fácil de ignorar. E a isso responderá a tomada de posição de forças militares russas, no plano da mais estrita perspectiva de defesa. Mas não é bom hostilizar quem vende o petróleo e o gás. Não é prudente hostilizar quem compra as coisas que os países-tampão produzem. A Polónia quer vender carne à Rússia? A Geórgia quer vender vinho à Rússia e quer ter petróleo russo? Quem diria… A guerra coral aberta, como segunda frente, por Bush e Rice não chegará sequer à dignidade de uma Zarzuela. Sarkozy negociou uma coisa. Rice quer outra. São a mesma NATO? E, entretanto, Bush e Rice ainda terão tempo para pensar no ataque ao Irão?

UMA DIVISÃO CONTRA UM EXÉRCITO

É pacífico. Bush reconheceu que a Rússia deslocou para a Ossétia e aí fez intervir dez mil homens. Assim foi. Dez mil homens. Com meios de apoio aéreo e naval muito limitados. E o exército Georgiano em fuga desde o primeiro dia, alegando combates de violência sobre-humana. Trinta e sete mil soldados, vinte mil praças da Guarda Nacional e cem mil reservistas de calças na mão. A artilharia pesada transformada em sucata. O que sobrou dos 230 tanques recolhido em Tbilissi. A marinha invisível, porque a única unidade vista foi pique pela intervenção de um navio de Sebastopol. Os outros navios terão ido a pique em Poti. A força aérea em terra, trinta aviões que não darão para combater, mas chegaram para bombardear civis na Ossétia. A defesa anti-aérea, enfim, parece, terá feito estragos limitados (faz sempre alguns). Há dois pilotos russos dos aviões abatidos (parece) em hospitais georgianos. A guarda nacional volatilizou-se. E todo o equipamento militar comprado pela Geórgia nos últimos anos, dir-se-ia, até, nos últimos meses, designadamente à Ucrânia, foi destruído. Destruídas todas as bases a partir das quais a Geórgia poderia relançar operações análogas contra os cidadãos russos da Ossétia e da Abkhazia. Isto em três dias. Os vendedores de armamento podem rejubilar. Vão poder vender tudo outra vez. Mas é preciso algo mais do que rufias armados para se ter um exército. A expressão de Medvedev é exacta. Rufias. Conduzidos por homem com todo o estilo de um proxeneta. Todos com radical ausência de noção das distâncias, das proporções e da importância própria. Coisa vulgar entre rufias e proxenetas. Os cerca de doze mil quilómetros quadrados das Repúblicas da Yugo-Alânia e da Abkhazia podem considerar-se definitivamente subtraídos ao território da Geórgia que perde metade da costa que ficcionava sua. Mas continuará contando com uns cinquenta e poucos mil quilómetros quadrados, se a Adjária, a sul, permanecer estável. Saakashvili quis um cessar fogo, assinou um cessar fogo e ao mesmo tempo enunciou claramente a reserva mental, no próprio acto de outorga (nunca tal coisa se viu, a não ser no desarranjo mental de um proxeneta em cólera). Medvedev fez, outra vez, bastante bem. A agitação de Bush e Rice tem bons motivos. Os americanos bombardearam durante três meses a Yugoslávia, usando munições de urânio, confessando, no fim desse alarde de destruição, que haviam apenas atingido trinta por cento da capacidade militar sérvia e só no Kosovo (!)… No Iraque, onde anunciaram a vitória numa vasta operação de pilhagem a que chamaram guerra (todavia não declarada), continuam atolados num terreno onde todos os odeiam (a justo título). Também estão atolados nos Balcãs, onde gozam da paz podre (e excessivamente dispendiosa) de um clima de guerra latente. Atolados no Afeganistão, também. Mesmo no Afeganistão, a segurança em Kabul é muito mais frágil do que o era no tempo da presença militar soviética. Incomoda os comandantes americanos ver uma simples unidade militar, com meios muito restritos, a fazer em três dias o que eles não fazem em anos, com meios ilimitados, mesmo depois de – prematuramente - anunciarem “vitória”. É incomodativo. Mas é assim. A comparação não é apenas desfavorável. Torna-se, em si própria e por si própria, um factor de descrédito (mais um) para Bush (o que seria o menos) e para a América (coisa bastante mais grave). Todo o aparato militar americano parece uma compilação narrativa (de relativo interesse prático) com três capítulos: negócios, propaganda e (gigantesca) inépcia, onde a crueldade se integra. É normal que não vão longe. Mas a propaganda não é tudo neste mundo. Às vezes é mesmo necessário fazer o que há para fazer. As unidades militares russas, fazem. Os exércitos americanos, não. Isso é aborrecido para os americanos. Compreensivelmente. Há nestas reacções (institucionais) muito da indignidade do cábula. Muito do ressentimento do inepto. Isso constitui um perigo. E planetário. Do qual a América tem o estrito dever de livrar-se. É um perigo para a segurança do Estado que o homem comum se revele mais competente que os militares de alta patente, ou os dirigentes desse Estado.

UCRÂNIA E MAR NEGRO: MAIS LIXO

Interessante que o presidente ucraniano tenha abandonado a CEI sem votação parlamentar. Onde irá ele buscar o combustível no próximo Inverno? Resistirá ele a esse Inverno? Igualmente interessante é que tenha decretado (em acto nulo) que qualquer movimentação da base naval russa de Sebastopol deve ser previamente autorizada por ele próprio. Eis uma autorização que ninguém lhe pedirá. Eis mais um problema. E para a Ucrânia. A Crimeia nunca foi ucraniana. E ainda hoje não é. A população é constituída, em perto de sessenta por cento, por cidadãos russos. A estrutura política local é a de uma “república autónoma” (sendo certo que a Ucrânia não é uma federação). A parte oriental da Ucrânia é habitada por gente que se reclama russa. E a parte ocidental é habitada por gente de origem polaca. (É aliás território historicamente polaco). Nenhum dos partidos no governo actual teve a maior votação eleitoral expressa. E o próprio presidente da Ucrânia tem, actualmente, uma representatividade eleitoral mais que duvidosa. O cisma organizado pelas congeminações dos serviços de inteligência (visando a Igreja Ucraniana sob o Omofórion do Patriarca de Moscovo) foi reduzido a poeira pela Ortodoxia (globalmente considerada). A “revolução laranja”, assente na (hoje decepcionadíssima) população de origem polaca, bem poderia chamar-se agora qualquer outra coisa, excepto revolução. E qualquer outra coisa além de laranja. Saldou-se na imposição de uma crise. E na mais absoluta impotência para a resolver. É portanto com um país partido em três - com uma situação económica menos que miserável - e com os cossacos zaporog prontos para qualquer crise (a Rada Cossaca elegeu um Ataman e todas as organizações cossacas se declararam prontas ao combate pela Ossétia) é pois com o território neste estado de intranquilidade e incerteza que aquele pateta se põe com fitas destas… A CIA tem que os recrutar melhor. Definitivamente. Não há NATO que aguente. Até porque não houve acordo interno para desencadear tais problemas. De certeza que ainda querem pôr ali seja que radares ou mísseis forem? E queriam limitar o acesso russo ao Mar Negro, não era? Percebem, ao menos, que o resultado ante visível parece exactamente o oposto?... O melhor seria (à cautela) a NATO exigir já a entrega integral, pela Ucrânia, do Delta do Danúbio à Roménia. Sempre era menos um problema presente. E menos um gigantesco problema futuro.

Sunday, August 10, 2008

Geórgia e "Imprensa Portuguesa"

As armas russas, integradas nas forças de paz, libertaram completamente Tskhinvali sob ocupação parcial congeminada por Saakachvili. A Rússia declarou que não está em guerra com a Geórgia – ou já não haveria guerra, ou Geórgia – e a China apelou a um cessar-fogo imediato. As Forças da Abkásia desencadearam, em segunda frente, uma operação militar no vale do Kodori, da qual não há ainda informações precisas. Saakachvili pretendeu a declaração da lei marcial. Mas anunciou a retirada da Ossétia. E levantam-se vozes na Rússia apelando à instituição de um Tribunal Internacional capaz de julgar os responsáveis por esta ignomínia. A situação permanece calma na Adzharia. Projecta-se já a reconstrução da Ossétia. Tivessem Bush e o seu o Saakachvili logrado a integração da “revolução rosa” na OTAN (sob a capa da Geórgia) e o mundo estaria hoje, plausivelmente, em guerra. Ou a Geórgia em guerra civil. Ou a OTAN em desmembramento. Duas destas coisas podem ocorrer ainda. E até em paralelo. Mas a provocação falhou clamorosamente. Só um heterodoxo como Saakachvili, completamente descristianizado, poderia desencadear tal coisa na Festa da Transfiguração. O Santo Patriarca Elias II fez celebrar em todos os altares um ofício pela Paz e o Santo Patriarca Alexei II reafirmou a unidade de Espírito com a Igreja da Geórgia (ambos na foto). Uma menção devida à “imprensa portuguesa” que fez só hoje as primeiras publicações sobre os confrontos. Uma semana de atraso, quanto aos factos. A fatigante cretinice e o alinhamento de sempre quanto à linguagem e às opiniões escusadas. “Guerra entre a Rússia e a Geórgia”, por exemplo, no DN. Na RTP-n, apareceu uma criatura comentadeira (morfologicamente e em primeira análise, um cro-magnon) chamando a Stalin "o grande pai da Revolução Russa". Enfim, perspectivas. A conduta da Imprensa Brasileira é – mais uma vez - muito diversa. E o El Pais afirma-se, de novo, o natural jornal peninsular para portugueses.

Wednesday, August 6, 2008

O PRÍNCIPE DOS CABOTINOS

Somos portugueses”. Site monárquico, segundo diz. Alguém devia proibir à estupidez a estúpida reivindicação de uma pátria. A única pátria da estupidez é o inferno. A estupidez também não pode reivindicar-se de nenhuma ideia. O “somos portugueses” pretendia ser um “tanque”. E é um balde. De ideias, pretendia. E apresenta uma mistela parda de comicidades ficcionais e banalidades. Tem o D. Duarte. Evidentemente. “Duque de Bragança”, como se apresenta, apesar do título parecer extinto, como parece. Aquele site, aliás, é dedicado ao culto da personalidade que não há. E, forte da sua radical irrelevância, D. Duarte decidiu censurar o Comité Nobel. Acha que Saramago não devia ter tido “um prémio literário” (está a referir-se ao Nobel). Não desqualifica apenas o laureado, a quem chama "senil". Desqualifica o prémio. O príncipe dos cabotinos entende, portanto, reagir ao único Nobel da Língua Portuguesa pelo protesto, aliás retardado, como tudo o que faz. Tudo o que é. Tudo o que diz. Se em tal amorfismo houvesse algum nervo, dir-se-ia enervá-lo que Saramago diga inevitável a integração de Portugal em Espanha. Não quer que Portugal seja “uma província espanhola”. Efectivamente não o será. Portugal fragmenta-se regionalmente, de acordo com a dinâmica social e económica. Os agricultores espanhóis estão a proceder à integração do Alentejo no tecido económico espanhol, porque os “tugas”, privados da possibilidade de explorar a mão-de-obra em regime esclavagista e em extensões de terra inverosímeis, deixaram de saber o que fazer com a terra. A Beira acabará por seguir o caminho do Alentejo. O Minho e Trás-os-Montes estão a integrar-se no tecido económico e social da Galiza, com alguns sobressaltos, mas a coisa vai. O Algarve é um tanto rasca e perigoso – não há rasquice sem perigo - mas acabará talvez por funcionar como “segunda linha” da Andaluzia balnear. As Universidades Espanholas educam os portugueses que aqui não encontram satisfação intelectual possível. E são muitos. O Corte Inglês trata, a preços aceitáveis, dos fornecimentos necessários à vida quotidiana da classe média urbana em Lisboa, sendo o centro comercial mais frequentado nesta faixa. Os bancos espanhóis asseguram o tratamento urbano e prudente de uma clientela portuguesa fiel, sem os escândalos e os crimes da “banca portuguesa”, (o “tuga-banqueiro” é uma caricatura, também). E o único Nobel da Língua Portuguesa prefere viver em Espanha, onde pelo menos um cabotino como o Sousa Lara, arguido criminal do escândalo da Universidade Moderna, não poderia nunca censurar-lhe os escritos. Espanha, com amável naturalidade, trata Saramago como um dos seus. Tanto basta para que alguma gentalha se ponha a escarrar contra o vento na esperança de atingir o Nobel. Criaturas cuja inépcia as impede de preservar como seu o que quer que seja. Sem gente sua, portanto. Nem terra sua. Nem obra possível. Nem identidade que não radique no mundo dos delírios. Nem futuro. Nem presente. Fazem das ficções (e das mais aberrantes) o terreno das suas negras compensações. Coisa descrita nos tratados e manuais de psicopatologia. São portugueses, sim, neste sentido. O país inteiro é governado nesta antilogia que ilegítima a invocação de todas as denominações políticas ou ideológicas. Monárquico que olhe para aquele site, há-de sentir, irresistível, o apelo da República. Português que olhe para este território, mais atentamente, quer fugir para Espanha. Saramago responde a isto como o fez a Defesa de Aquilino contra o canalhal que latia à Obra "Quando os lobos uivam". Quando já ninguém se lembrar disto, ele ainda continuará a representar "este país". Talvez. Mas o problema é que tais criaturas dizem que "este país"se consubstancia nelas. E ninguém devia correr o risco de representar tal fenómeno. À luz da experiência comum, a malta vê-se grega, aqui. Contra Ordem, como se sabe, é um Blog grego. E clandestino. Em homenagem às pulsões liberticidas destas grotescas criaturas que se afirmam ser "este país" - todas equivalentes, senão iguais, entre si, mas nenhuma igual a alguém que se conheça - e de quem não se sabe, sequer, se ao menos puderam amá-los as senhoras que trouxeram tais fenómenos à luz.

Monday, August 4, 2008

TRIUNFO DA ORTODOXIA

Bartolomeu de Constantinopla e Alexei de Moscovo, bem amados de Deus, concelebraram na celebração da conversão da Rússia, em Kiev. Nenhum dos cismas, construções políticas do papismo e de Washington, teve acolhimento na grande concelebração canónica. E histórica. As coisas vão mudar na Europa Oriental. Entretanto o Papa Teodoros II, Patriarca da Cidade Guardada de Deus de Alexandria, está em visita à Geórgia, ou Ibéria, onde ficará até ao próximo 11 de Agosto, no momento mais duro desta provocação belicista (delegada) da Otan à Rússia, forçando já as crianças da Ossétia do Sul a refugiarem-se na Alânia por bombardeamento de alvos civis na capital da Ossétia do sul.

PAPISMO EM PORTUGAL

Manuel Clemente é o mais universitário dos bispos papistas portugueses e o único que aparenta ser um homem normal. (Gente capaz de vida intelectual é sempre outra coisa). Fez um ponto da situação do papismo em Portugal a suscitar todas as esperanças. Aquilo só tem à volta de três mil padres e continua a diminuir. Por cada dois que partem ao encontro de Voitila, aquele antro apenas consegue fabricar um. Manuel Clemente alerta as suas estruturas (chamemos-lhes provisoriamente assim) para o facto de ser necessário relançar o proselitismo papista, em terra até agora dada por conquistada. Não bastam já a intriga e a violência (que não recuava sequer diante do homicídio). Não basta já a perseguição confessional, própria ou delegada. É preciso fazer alguma coisa decente. Não chega engendrar as pestes com o senhor da noite e sentar-se nos degraus do trono de Júpiter. Manuel Clemente sonha portanto a transformação da coisa. Mas as coisas são o que são. E serão o que tiverem de ser. De útil, Manuel Clemente deixou-nos isto: aquela coisa (parda e viscosa) tem menos gente que a Direcção Geral dos Serviços Prisionais (outra coisa parda e viscosa). E continua a reduzir, assim Deus Clemente e Misericordioso o consinta. Todas as heresias terminam como seitas irrelevantes. Contra Ordem sabe que a igreja papista será proximamente processada pela cumplicidade na ostentação (politica, claro) da marginalização religiosa de advogados (a Ordem dos Advogados tem-na por igreja oficial, especialmente ostentada nos bastonatos de Júdice e Alves) e ainda pela ostentação dos desvios de mecanismos do Estado (a Igreja papista é a única entidade que, em Portugal, faz desfiles militares, com todos os ramos das FFAA a que se juntam as forças de segurança – embora o serviço de fronteiras e a ASAE, a polícia económica, sejam, nesse folklore, ignorados pela jerarquia). O projectado processo promete alguma graça. Em resposta a Manuel Clemente, dizemos que os fundamentos do papismo e o seu programa político tal como definido na Libertas Praestantissimum são incompatíveis com os pressupostos do sistema político e com os fundamentos de Ordem Pública. (A demonstração em interpelação judicial segue dentro de momentos).

Sunday, August 3, 2008

Nada de novo: a estupidez nos seus postos

William Montgomery antigo embaixador dos USA na Croácia e em Belgrado, veio dizer que a versão das promessas de Holbrooke a Karadzic o fazia rir. Está bem. Mas Holbrooke que é felizmente um atrasado mental reconheceu já ter negociado com Karadzic a sua retirada dos cargos na Republica Srbska. Muito bem. E a troco de quê, então? Se negociou a retirada, que deu ele em troca?... Mais interessante é o facto deste oligofrénico ter acrescentado que Karadzic merece a pena de morte. É uma opinião interessante, por acaso coincidente com quanto diz Karadzic. Nós não vamos dizer o que Holbroke merece. Tadic, entretanto, passou ao ataque. Se Karadzic esteve protegido pelos americanos (ou por alguns deles) a culpa não pode ser da Sérvia. Não é um argumento bonito, porque uma tal discussão é discussão de poltrões. Mas como há uns mais poltrões que outros, esta ideia tem a sua graça. Em todo o caso e no dia 2 de Agosto, foi divulgada em Lisboa uma entrevista televisiva (ao programa Sociedade das Nações) do Ministro dos Negócios Estrangeiros português. E este reconheceu que, antes das eleições presidenciais na Sérvia, o Conselho da UE aprovou as condições para a celebração do acordo (para “ajudar”) favorecendo Tadic. E antes das parlamentares aprovou o acordo de associação (embora suspenso) também para ajudar Tadic. Uma intrusão absoluta, portanto. Por outro lado o MNE português reconheceu como provável que os USA desencadeiem uma operação militar contra o Irão antes do fim do mandato de Bush… Se essa probabilidade se verificar, tudo isto é inútil. Primeiro, porque os vectores euro asiáticos determinantes se aglutinarão imediatamente em apoio do Irão (Rússia, China, Índia, não falando já da Ásia Central). Isso terá repercussões imprevisíveis nos estados da Aliança Bolivariana, como em toda a América Latina. Acrescendo a completa desorganização do quadro de relações com África e a explosão do Médio Oriente. Sem poder esquecer-se a reacção imprevisível das opiniões públicas nos USA e nas Europas. (Dificilmente se conceberia mais disparatada ideia). Depois, porque o Irão vence qualquer afrontamento militar que lhe seja imposto no seu território, contra qualquer exército, mesmo sofrendo o emprego de armas nucleares. E imporá retaliações duríssimas durante o confronto, com preços de vitória tanto mais violentos, quanto maior for a violência empregue contra ele. Por último, porque a UE desapareceria numa crise sem salvação (devendo designadamente pagar o gás e o petróleo dez vezes mais caros - se encontrar quem lhos venda – e, isso, se não viesse a ser alvo de respostas militares a semear-lhe os territórios de escombros e cadáveres)… Pensar em tal coisa é francamente mau. Mas vir um MNE europeu dizê-la, seria impensável salvo tratando-se de um imbecil. Porque dizer tal coisa é - objectivamente - colocá-la como problema em agenda. Um problema de legítima defesa de dois terços do mundo. (Foi o que o MNE português veio fazer, com uma tranquilidade de atrasado mental). Postas as coisas nestes termos, é bem possível que depois da antevisível tempestade, reúna um tribunal internacional para julgar os do tribunal ad hoc, entre muitos outros. Nada nos Balcãs é definitivo. Nada é definitivo, em nenhum quadrante geográfico. Mas pode confiar-se na estupidez como a grande constante conjuntural, se acaso isso for um consolo. Voltando a Karadzic, a imprensa europeia começa a acordar. Os franceses, por exemplo, demoraram bastante a fazer o que os brasileiros do Globo fizeram imediatamente. Uma nota: se a imprensa da América Latina reage mais depressa do que a Europeia, a opinião pública de lá também anda mais depressa. Vamos continuar a olhar. Com paciência.

Friday, August 1, 2008

CRIMES DE GUERRA

Os sicários do “tribunal” da OTAN declararam abertos os jogos. Um idiota, larga-se de um jornal abaixo, falando em TPI (!) outros falam do “Tribunal de Haia”… Não se trata nem de um, nem de outro. Nenhum tratado subjaz a tal coisa que é por isso um “simples”(?) “tribunal ad hoc”. Sendo certo que o Conselho de Segurança não tem competências para instituir tribunais. Resulta este vómito de uma dominação política circunstancial do Conselho de Segurança pelos USA, posta ao serviço da sua “nova doutrina” em política externa, nem mais nem menos que a velha tese da soberania limitada dos outros. E (por consequência) trata-se do “tribunal” que “absolveu” Ramush Haradinaj, “primeiro-ministro do Kosovo” cujo processo contou com a morte inusitada e não investigada das principais testemunhas antes da audiência (mortos sob custódia da OTAN, claro, como o inteiro território do Kosovo). É o “tribunal” que libertou Naser Oric que, a partir de Srebrenica, onde comandava a milícia dos “muçulmanos bósnios”, lançava razias contra os civis das povoações sérvias circunvizinhas, sob a execranda cobertura das "forças internacionais", tendo isto durado até que Mladic decidiu pôr e pôs, em boa hora, cobro àquilo. Depois de retiradas as forças – bem disciplinadas - de Mladic, essas “milícias” (litote para designar bandidos armados) terão voltado, ou tentado voltar, aos confrontos e não se saíram especialmente bem. As forças de Mladic não intervieram, nesta fase, porque os grupos armados dos sérvios trataram disso. Mladic, lembramo-lo todos, garantiu que não haveria retaliações, nem perseguições... e com uma frase muito clara: -"nós os sérvios, somos diferentes". Como se passou tal coisa? É uma boa pergunta e, se pudesse haver inquérito, deveria procurar-se a resposta. Mas as “milícias” muçulmanas da Bósnia, nunca se saíram, saem ou sairão bem. São uma anedota, em combate. Servem para assassinar, não para combater. Sim, é possível que não sejam caso único. Manifestaram, em todo o caso, apenas a ferocidade dos cobardes. Mas largam-se a ganir mal lhes toquem em resposta. Isso o atestam as mulheres. É tremendo ver aquelas mulheres gritando ainda - só instrumentalmente, ali não se mostrou nenhuma dor - que lhes morreram o filhos e os maridos… Como se só os outros pudessem morrer assim. Ainda hoje querem sangue. E pedem-no. Intui-se, ao olhá-las, que males se geraram em tais ventres. Que terrores vieram por tais mãos. Entreve-se, nestas mulheres sobrevivas, de que mortos falamos. Não custa nada imaginá-las em guerra. Sim, a pedir sangue, como o pedem hoje. Embora esperassem e quisessem – isso o concedemos - outro sangue e não o que agora estão carpindo. As mães de filhos mortos, em quaisquer perseguições, como as viúvas, costumam pedir Justiça. Da América Latina a Belgrado. Mas estas não. Nunca a imprensa tinha encontrado e revelado depoimentos como estes, nem mulheres como estas, ante cuja ferocidade apetece pegar em armas. Nunca vimos tais coisas nas mães sérvias, ou nas viúvas sérvias. Nunca. Pois não?... E a Clara Del Ponte chegou a dizer que os albaneses assassinam sérvios (no Kosovo, sim) para lhes traficarem os órgãos. Foi ela que o disse (aliás escreveu-o). Este é um bom coro para aquele “tribunal”. Karadzic está e esteve bem. Temos a certeza que morrerá bem. Esteve bem ao deixar claro que teme ser morto durante o julgamento. Bem, igualmente, ao afirmar que um julgamento – propriamente falando – é ali inviável. Excelente, ao afirmar o rapto do qual foi (efectivamente) vítima. As gentes do “tribunal” portaram-se como bandalhos. Porventura, serão bandalhos. A palavra foi cortada. As mil cabeças da medusa grunhiram as suas versões concertadamente distorcidas por todo o lado. Embora se note, nitidamente, uma quebra de força. Curiosamente, o Globo disse simplesmente quanto havia para dizer. Muito bem. Falta evidentemente julgar os crimes de guerra. Relembremos alguns: o ataque sem declaração de guerra, fora do quadro de legalidade internacional e sem mandato do Conselho de Segurança. O bombardeamento maciço com urânio empobrecido, por exemplo. Está documentado e confessado tal bombardeamento no Kosovo. Mas ainda não o está em Belgrado. Não está confessada a contaminação do Danúbio e do seu delta, nem os reflexos que essa contaminação tem no Mar Negro. Isso são crimes de guerra. Crime foi também a destruição de mais de novecentos templos, mosteiros e outros edifícios dedicados ao culto, entre os quais se contaram capelas do primeiro milénio. Crime, ainda, o bombardeamento dos altares da Páscoa Sérvia com o heróico episcopado nas suas catedrais, cheias com o mais admirável laicado da terra. Outro crime, também, é este “tribunal”. A instrumentalização da Justiça como arma de guerra é, razoavelmente, um crime de guerra. Mas talvez seja necessária outra guerra para os julgar.

Thursday, July 31, 2008

A OTAN e otanascas, UE e federastas

Indigno. Fazer comparecer um combatente num "tribunal" da OTAN (é exactamente isso que aquilo é) onde se absolvem chefes de máfia albanesa, onde se ignoraram criaturas como Tudjman e sob cuja custódia morrem dois dirigentes sérvios, na mesma semana, não é coisa aceitável. Instrumentalizar a justiça como arma de guerra, não é coisa aceitável. Lavrov tem toda a razão. Como a tem o Presidente da Duma. Como a têm os sérvios que gritam traição, porque é precisamente quanto há a dizer. Entregaram, em pretensa "extradição", um cidadão nacional. Ora, contam-se pelos dedos os países que o fazem, mesmo quando a extradição é a sério e não simples entrega ao inimigo. Tadic desvaloriza-se a si mesmo. E faz indigna a Chefia do Estado de uma Grande Pátria que ostenta, orgulhosa, a cruz de Bizâncio nas suas armas nacionais. O testemunho do Semanário Sérvio de Madrid é precioso pela contenção. Tadic e o seu controlo de imprensa mentem como a OTAN. O primeiro por subserviência e a segunda por conveniência. O comentário do Blic é especialmente repugnante. Tadic não tem governo sem o apoio do Partido de Milosevic. A hostilização do Partido Radical - que só não é governo por não fazer alianças estúpidas - é a hostilização (bastante otanasca) da própria Sérvia. Os sérvios vão notá-lo. Tadic não recua sequer perante a imunidade parlamentar. (O Blic mantém o apoio). Mas é a imunidade dos dele que está a lesar, por mais que consiga atacar, prender, calar os deputados do Partido Radical. Aliás ninguém votou tal coisa. Tão peregrina ideia não estava sequer - nem podia estar - no programa eleitoral. Tal conduta percebe-se perfeitamente. E está fora do mandato. Nem faz sentido hostilizar os sentimentos manifestados pelos partidos fora do governo, porque essa é a maioria nacional (mesmo com os votos úteis, em Tadic ou nos socialistas). Traição, claro. E portanto, legítima defesa da Comunidade Nacional (é isso que Tadic quer proibir que se diga, mesmo no Parlamento)... Logo veremos como isto continua, porque não parece que vá acabar tão depressa.

POLITICAMENTE CORRECTO

É politicamente correcto criticar o politicamente correcto, desde que isso não seja politicamente incorrecto. A rebeldia estimula-se, até, diz-se, mas só como arremedo, bem entendido. Como forma sem ideia. Representa isto a determinação em cujos termos nenhuma rebeldia se consente. Evidentemente. Mas se a rebeldia esperasse tal consentimento não seria rebeldia. A rebeldia não precisa de nenhum estímulo senão o da existência de um poder claro, qualquer que ele seja, claramente nas mãos de imbecis, labregos, perversos, ou medíocres. Nenhum rebelde precisa de maior estímulo. Felizmente.

Wednesday, July 30, 2008

Jiménez Losantos

Um provocador a soldo da ”Conferência Episcopal Española”, colégio papista a pretender-se vagamente correspondente ao Santo Sínodo das Santas Igrejas de Cristo. Tem sido repetidamente condenado nos tribunais criminais de España pelos seus “ajustes de contas” radiofónicos, até com conservadores (se acaso em España houver alguém que seja outra coisa). Chamou “traidor” ao antigo Director do ABC. E tal periódico é um precioso órgão da direita española onde ela se nos confessa, quase sempre com toda a clareza, evitando-nos o imenso e inglório trabalho de lhe adivinhar as intenções. Mas nem isso basta já à Igreja de Franco, parece. Nenhum homem tem útero – bem o sabemos – mas, mesmo assim, aqueles parecem histéricos. Que o provocador insultante seja condenado, não nos inquieta. Mas as formulações das sentenças e até as da imprensa española já nos preocupam. O antigo Director do ABC confessou-se “satisfeito” (imagine-se). Já isso nos parece estranho. Não é certamente o Estado quem nos dá a honra. E não pode, por isso, ser o Estado quem no-la devolverá (este é o primeiro equívoco destes processos). A segunda questão resulta do facto das formulações adoptadas pelos juízes españoles e jornalistas solidários com eles, poderem ser subscritas por qualquer juez de qualquer ditadura latino americana. “A liberdade de expressão não é absoluta” (claro que não, todo o direito é relativo, aliás, é uma regulação de relações) e o Losantos teria expresso apenas “sentimentos pessoais” (e então? Porque não haveria ele de expressar sentimentos pessoais?) “insultantes” (cada um sente o que sente) “reiteradamente” expressos (completamente irrelevante, quanto mais se repete um insulto mais se esvazia). E enfim, (finalmente) um fundamento (um único fundamento) aceitável: Losantos imputava factos falsos às suas vítimas. Esta é a única coisa passível de condenação judicial (muito embora, a condenação cível seja mais adequada a tal debate do que o enquadramento penal). Quanto a “los demócratas españoles” Contra Ordem recomenda mais atenção. Não se sacrificam (como aqui nitidamente ocorreu) posições estratégicas a objectivos meramente tácticos. A Lei Penal Española fixa bem os critérios (embora continue a parecer-nos que o enquadramento penal da Liberdade de Imprensa é sempre desajustado). O desprezo temerário pela verdade é um bom critério. Mas só quanto à informação, i.e. quanto aos factos. Não devem fazer-se exigências penais de verdade à opinião. A opinião inidónea é punida no debate onde intervém e pelo resultado desse debate. Não noutras sedes. O tribunal é mau lugar para a tutela dos direitos da verdade nos debates ocorridos fora dele, porque também no formalismo do processo são iguais os direitos da verdade e da mentira. E não podem deixar de ser. Não há melhor solução prática. O tribunal dá muitas vezes a vitória à mentira sobre a verdade, de modo que a punição do vencido como mentiroso não seria, também, boa solução e jamais haveria outra. A Liberdade de Expressão deu demasiado trabalho aos melhores juristas de España como ao Tribunal Constitucional e é excessivamente clara desde os últimos textos jurisprudenciais de 1995, para voltar a ser posta em causa nos tribunais da Coroa, sobretudo por tão pouco. Não partilhamos o entusiasmo do El Pais. Embora o Losantos nos pareça um estupor. E da sua (dele) Conferência Episcopal, nem queremos (evidentemente) falar.

Tuesday, July 22, 2008

Revisão Constitucional consumada em França

Aprovação à tangente. Mas aprovação. Actos de guerra sem informação prévia ou qualquer aprovação parlamentar (art. 35), excepto para o prolongamento das operações além de quatro meses. Possibilidade do Presidente intervir no Parlamento sem que as suas posições possam ser questionadas ou dar origem a qualquer voto sobre as matérias tratadas (art. 18). Novos poderes parlamentares, mascarando novos direitos da maioria parlamentar, permitindo agora a recusa de recepção de Projectos de Lei e cingindo a discussão em plenário ao textos adoptados em Comissão, podendo o parlamento instituir mais duas comissões do que actualmente (art.s 41,42,43). Novos poderes do governo quanto ao agendamento (em duas semanas, sobre quatro), como determina o “novo” art. 48 da reforma. O controlo difuso da constitucionalidade (art. 61.1) é formalmente intensificado (recurso para o Conselho Constitucional em impugnação da norma inconstitucional – por violação dos Direitos Fundamentais - traduzindo a respectiva declaração de inconstitucionalidade uma revogação automática, nos termos do art. 62). Mantendo-se, não obstante, o controlo político do Conselho pelo mecanismo da nomeação. O parlamento pode votar resoluções (sem carácter vinculativo e, por isso, inúteis) relativamente aos projectos da UE, sem qualquer possibilidade prática ou teórica de resistência política (88.4). Mas pode interpor recurso para o Tribunal de Justiça contra qualquer acto legislativo europeu por violação do princípio da subsidiaridade (velha figura cara à doutrina jurídica papista). A França pode participar na UE de acordo com as condições definidas pelo Tratado de Lisboa, quaisquer que sejam as circunstâncias políticas da União Europeia. O Conselho Superior da Magistratura é politizado, constituindo os seus membros de nomeação política a maioria deste órgão (art. 65). É instituído um defensor dos direitos (espécie de provedor dos cidadãos, em teoria) aglutinando as competências da protecção administrativa de menores, controlo das prisões e deontologia das forças de segurança, com as competências de intervenção junto de todos os serviços públicos, centrais ou municipais, sendo o seu titular de nomeação presidencial (art. 71.1). A tudo se junta um imoderado poder do Presidente da República quanto ao recurso ao referendum, dispensando todavia qualquer consulta o tema das novas adesões à UE (com excepção da Turquia). É a vitória, precária embora, da França de Hauriou e do Nacional Catolicismo. Sendo especialmente grave a “constitucionalização” do truque generalizadamente usado na guerra de 99 contra a Sérvia, para o efeito “desqualificada” na designação de “operação”. Tal regressão, formalizada, é gravíssima no plano global. Concretamente, porém, ponderadas as características do sarcoma a ferir a República Francesa, tais poderes podem resultar na mais negra tragédia para a Europa, pela lógica das vinculações por aliança. Lang votou isto favoravelmente. Porque o sarkozismo é um petainismo à escala das circunstâncias, não faltando sequer o apelo ao "novo espírito" e à "nova França". Perfeita loucura. E o semelhante gera o semelhante. Nem a França será uma excepção. Nem a eventual eleição de Obama poderá ser travão suficiente (e isto poderá revelar-se a resistência possível à mudança ante-visível na orientação da política externa americana). As reacções populares alemãs deixam antever uma transmutação possível no "eixo-atlântico". A reacção acantona-se já - à cautela - no eixo europeu "Paris-Roma"? A inconsistência na política externa dos conservadores na Europa avança, isolada embora, para o belicismo? Tudo é possível. É até possível (perfeitamente possível) que Obama não venha a representar o prometido papel. Mas em breve teremos tudo esclarecido. Não demorará um ano, sequer.

FIND MADDIE!

Loading...