Saturday, July 31, 2010

A MORTE E AS DISTINÇÕES

O clamor diante da alarvidade nunca estará em excesso. Isto é um homicídio puro e simples. Absolutamente injustificável e levado a cabo com evidente comprazimento. Conhecemos bem estas condutas. Vemo-las com frequência nas forças de segurança. Nos USA ou nos "bairros problemáticos" de Lisboa. Ou numa manifestação de Atenas. Deveríamos porventura ser mais claros. Poderíamos até dizer que - a nosso sempre modesto olhar - soldados ou polícias que fazem coisas destas deveriam ser sumariamente julgados e simplesmente passados pelas armas, no próprio local. Eles dizem-nos que não tinham tempo para distinções. Talvez não. Que lhes dará então o direito e reivindicar esse tempo para eles próprios? Porque haveriam os outros de ter tempo para distinções?

Wednesday, July 14, 2010

TRIBUNAL INTERNACIONAL

Será publicada aos 22 do corrente a sentença relativa à proclamação unilateral de independência do Kosovo pelo UCK e demais corja interessada. A NOVOSTI anunciou também ter recolhido junto de fontes diplomáticas que a sentença sairia possivelmente a 27. Aqui fica o comunicado oficial. O Kosovo "albanês" - nome estranho para uma base da NATO e isso é quase tudo o que aquilo é - vive basicamente de subvenções e tráficos vários, mantendo uma população quase inteiramente desempregada e uma inviabilidade política e económica gritante. Todo o processo traduz um ultraje ao mundo cristão ortodoxo (integrado por não raros albaneses), com fundamento na estratégia do "choque de civilizações" (considerando-se então, coisa entretanto em revisão acelerada, que a Ortodoxia estaria "do lado de lá", alheia e incompatível com o mundo ocidental). Vamos ver o que dizem os juízes.

Tuesday, July 13, 2010

Futebol e Economia

A Itália e a França (como a Argentina) conheceram uma acentuação das suas taxas de crescimento nos anos em que ganharam o Campeonato do Mundo. A coisa está suficientemente estudada para ser assinalada do ponto de vista estatístico. Já os mecanismos não estão estudados. Podem ser os consumos eufóricos, pode ser a resposta externa à popularidade do país. Podem ser várias coisas. Não se sabe quais. Estes estudos ainda não estavam dotados das técnicas de análise que radicam na Teoria dos Jogos e sublinham a Economia dos sujeitos decisores (porque na Economia toda a gente decide), estudando os factores da decisão. E pode bem ser que o Zapatero tenha razão. Que a Espanha se levante por determinação unânime e decisões concertadas de impacto económico que ultrapassem o comportamento pontual. E pode ser que não. Se sim, os independentismos terão a força que a prosperidade traduz na disponibilidade para ouvir ideias novas e ensaiar novos projectos políticos. Se não, os independentismos matizar-se-ão com a urgência da subsistência material das comunidades, culpando o centro político impotente pelo fracasso económico nos territórios das nacionalidades históricas, ou imputando-lhe a parasitagem das prosperidades locais (como há tanto tempo sublinha a opinião pública catalã que se sente a sustentar Madrid). "Espanhóis somos todos" e somos muito diferentes. A nova Hispânia (que é uma nova consciência das insuficiências dos respectivos sistemas políticos e da sua inadequação) pode concertadamente fazer face a problemas comuns num processo novo de integração e cooperações regionais. E pode soçobrar colectivamente em conflitos estéreis, onde toda a gente morrerá de fome e raiva cheias de razão e razões. E um dos vectores mais perigosos para a chegada do futuro à Hispânia é o execrando papismo. Os vectores da tradição republicana - como os da Monarquia liberal - já estão suficientemente distantes do fenómeno para o poderem perceber. É preciso que percebam agora a (premente) necessidade de o eliminar. E com essa eliminação resolver-se-iam alguns problemas económicos. Conjunturais, uns. Estruturais outros.

Sunday, July 11, 2010

Memória Eterna

João, Arcebispo resignatário de Helsínquia, Metropolita da Carélia e Primaz da Finlândia partiu ao encontro de Cristo. Canonista eminente, está entre os primeiros europeus que regressaram à Ortodoxia, no caso, a partir da posição Luterana em cujas coordenadas se fez homem. Conduziu a sua pequena e sólida igreja com gentileza paternal nas últimas tempestades da "guerra fria" - que nem sempre foi tão fria como se apregoa - e logrou não se confundir com a hostilização obstinada ao Patriarcado de Moscovo tão característica dessas eras. Teve a alegria de poder ver o sucessor no seu trono pontifical (o brilhante Metropolita Leão). Possam não cessar jamais as suas orações junto do Trono Eterno pela nossa protecção contra os homens cães da igreja do pacto de Latrão e as suas sinistras fratrias de pederastas, burlões e homicidas.

Saturday, July 10, 2010

A Península Reajusta-se

A Constituição Espanhola só consagra uma Nação. Isso é verdade. E significa apenas que a fórmula está errada. Não se ganha nada em exacerbar o brio nacional dos Catalães e Bascos com tretas cuja grotesca formalidade escassamente as separa do crime. Mas os castelhanos nunca precisaram da inteligência onde a força lhes bastou. Aragão e Navarra vão afastar-se, sim. Aliás já se afastaram um pouco mais pela recusa do Estatut. Entretanto Madrid afirma-se o verdadeiro centro da política portuguesa. Os passos do rito de vassalagem foram dados por Coelho em visita ao Partido Popular em Madrid. A quarta geração falangista recebeu a execranda criatura com grande jovialidade (eventualmente em razão do mau gosto da gravata). O partido social cristão que na tugária se chama social-democrata (!) aposta forte nos 40% do eleitorado português que pretendem a integração sob soberania da corôa de Espanha. Mas pretendem também os do "PSD" ser os capatazes locais dessa integração. E isso não é possível conceder-lhes. Era o modo de ficar tudo na mesma e não pode ficar, realmente. A organização política dos estados - como qualquer outra forma de associação- é uma expressão de liberdade. Quando passa a ser sinónimo ou instrumento de assédio, lugar de opressão, é a altura de rescindir o contrato. Com justa causa. É o que se está a passar na Catalunha e no País Basco quanto à organização política do Estado Espanhol. É o que se está a passar em Portugal quanto a esta anedótica estrutura de parasitagem sem fim a que se chama Estado Português. A um lado um Estado dos que se imaginam com direitos à terra e cultura alheias ao ponto de chamarem suas as terras e as gentes que são manifestamente, outras culturas, outra gente e terras de outros a quererem ser quem são, ou seja Galegos, Bascos e Catalães (não esquecendo os muçulmanos andaluzes a exigirem, com razão, a Mesquita de Córdova devolvida ao culto e à comunidade que a construiu). A outro lado um estado de sopeiros e labregos, incapazes de imaginarem o que quer que seja e onde a gente normal aspira a viver entre gente normal, com governo de gente normal e que por isso quer ser espanhola, embora possa ser Galega (e nisso se salda a identidade própria, em boa verdade). Claro que "espanhóis somos todos", como dizia o Senhor D. João II. E somos. É preciso que a Hispânia possa ser o que é. Nem vale a pena discutir muito sobre isso. O Estado é produto de um contrato. Denunciável. Rescindível. Revisível. Aditável. É isso que está em causa. Na Catalunha. No País Basco. Porventura na Galiza. E em Portugal. Sagrada será a Pátria. A Nação não o é em todas as acepções. E se o patriota é sempre aceitável, já a aceitabilidade do nacionalista dependerá de várias coisas (que, definitivamente, "ele há vários"). Mas mesmo nesta situação, mais periclitante do que parece, a desmedida ambição de Castela que se chama Espanha e lhe traduz a grandeza fugidia como todas as grandezas humanas, essa desmedida Espanha, é simpática. As culinárias são óptimas. Admiráveis as arquitecturas. Assombrosas as culturas. Surpreendentes as gentes. E tem aquele detalhe dos Bourbons que testemunham ainda hoje a teimosia do trono de França. E constituem uma "reserva histórica". Estão lá. Podem-se depor, prender, decapitar. É simpático ter um Bourbon no trono. Sempre ofereceria imensas possibilidades à história do futuro, entre o deixá-lo estar e o "renvoi" para a guilhotina. Mas há nisto mais um aspecto - absolutamente imprevisto - que é a ideia do neto de um taxista vir a sentar-se no trono. Trunfo inesperado da Monarquia sobre qualquer forma republicana de Estado. Em República o neto de um taxista nunca pode ser Rei.

Thursday, July 8, 2010

Já está!

A posição oficial está tomada. O sopeirame já está a fugir com os lombos à chibata. Recorda-se o pesporrento Meneses Cabrito (grande jurista à moda do lugar) a dizer que a pretendida ilegalidade da golden share jamais passará nos tribunais portugueses (há, pelos vistos, decisões tomadas antes dos processos e porta vozes oficiosos, como sempre nos tinha parecido). Vamos lá a dobrar a cerviz, criaturas. Obedeçam, ou aguentem-se. (É aliás a vossa lógica na perspectiva mais pura, já deviam estar habituados).Quanto a perder a cara, nós vos garantimos - em caso de dúvida- que também aí se não perde grande coisa.

Wednesday, July 7, 2010

Imobiliário em França: recuperação?

Em crise, compra-se imobiliário. Isso é sintoma de crise. Mas relança vários sectores de actividade económica e traduz um vector da recuperação. Depois da notícia do relançamento da indústria automóvel na Alemanha, vem este elemento interessante de França. O mercado imobiliário está com valores anteriores à crise. Bem entendido, nada de optimismos excessivos. Em última análise, isto pode bem significar sol de pouca dura. E se assim for tem o significado prático de um último assalto à bolsa dos pequenos investidores.

Monday, July 5, 2010

OUVE, "DR. FILHO DA PUTA"

Podem pensar em quem pensarem, não virá por aí mal ao mundo. Mas a banalização do insulto vem muito bem tratada num artigo do Le Monde de hoje. Interessante ver. Sobretudo na tugária que é simultaneamente a terra dos títulos que nada significam. Títulos banalizados e esvaziados, juntos à vulgarização do insulto dá um resultado interessante. O melhor é não usar títulos nem o calão.

Sunday, July 4, 2010

PARADOXAL?

A indústria automóvel alemã teve um arranque inesperado. O aumento súbito da procura americana e chinesa, sobretudo dos veículos de luxo, deixou a indústria com falta de mão de obra e conduziu a uma mobilização massiva das agências de trabalho temporário à procura de operários e engenheiros (de máquinas, aparentemente). Os problema ambientais a suscitar por um eventual meio bilião de chineses a andar de automóvel é outro problema. Mas de novo se afirma a receita secreta da Europa. Os símbolos de prestígio ainda são europeus (não exclusivamente alemães). E a indústria das ideias continua a ser um grande motor.

Incomodidade

Na revista à blogosfera descobrimos esta manifestação de irritação contra o "juridismo" dos alarves. Só falta passar da dureza dos factos à dureza das ideias. O texto podia ser um desabafo de Herculano. E tal como o desabafo de Herculano, (na 2ª carta a Magessi Tavares, por exemplo), conforta, mas não chega. A paralisia forçada chama-se, em bom rigor, opressão. O juridismo notado assenta num positivismo voluntarista (eles alteram as leis a seu bel prazer sempre que a regra de jogo não convenha) e portanto a coisa não tem nada a ver com nada. Nem com o Direito sagrado por ser expressão de fidelidade a valores eternos. Nem com o Direito intocável por traduzir um compromisso de todos com todos. Nada disto significa nada. Nem a obediência existe, em bom rigor. Só existe o terror da responsabilidade. A inteira função pública labora (no juridismo) para que cada funcionário se livre de responsabilidades. Isto não é senão lixo. E o que é importante nisso, sim, é que ninguém se mova. Está perfeitamente bem observado. Acresce um outro detalhe importante: convém que ninguém diga nada. É por isso que se tem a sensação de falar com uma parede, uma porta, ou um atrasado mental. Eles não falam. Repetem as frases de uma ou outra minuta. Não devem falar, aliás, que é para se livrarem de responsabilidades. Repetir a minuta não é falar, bem entendido. Se alguma vez tiverem de falar entrarão em pânico. É muito divertido desmontar-lhes as arengas em interrogatório judicial por exemplo (quando o juiz cumpre as regras do jogo e nem isso acontece sempre, o juiz também aplica minutas já que tem uma carreira com que se preocupar e a inspeção para satisfazer). Importaria observar a coisa também desse ponto de vista.

Futebol e política

Escassos detalhes políticos estão entre as lições do mundial de futebol. É interessante que no Parlamento francês se tenha posto em causa (ainda que em conversas informais) que magrebinos pudessem representar a França (em alusão evidente à composição da selecção). Isto é interessante. Porque revela uma fractura de que toda a gente fala sem ninguém o dizer. Mas essa fractura é o fim da França. A França nunca foi uma etnia. E a aceitação das coisas nesses termos (o simples facto de se pensar nesses termos) no partido do húngaro que a CIA põe na chefia do Estado Francês pode sair muito cara. Sim, os magrebinos podem já não se sentir franceses. Pode ser esse o significado de não cantarem a Marselhesa. E isso é uma desgraça. Para construir o Estado Nacional (ou até o Estado pluri-nacional) foi preciso fazer secundários alguns factores. Reconhecer que não tinham importância. A etnia, a religião, o pensamento político divergente, são bons exemplos disso. Eram coisas sem importância. Primeiro as pessoas eram cidadãs. Depois – e só depois – tinham o que tivessem entre os seus legados culturais próprios que isso só lhes acrescentaria encanto, como factor de curiosidade intelectual e de respeitabilidade acrescida. Era tendencialmente assim. Depois o Estado confessou-se incapaz de preservar algumas coisas e frequentemente de se preservar a si próprio. Os grandes espaços de comunhão de soberanias visaram resolver esses problemas, mas desencadearam uma dinâmica própria de integração intensificada e expansão necessária. Para isso o projecto iniciado como meramente instrumental pode não ter a força de impulsão necessária. Mas a cidadania desfocou-se. É europeia, por exemplo. Aos limites do Império – já trazidos à experiência vivida - corresponde outro tido de homem, com outro tipo de referências. Como na Idade Média, afinal. As pessoas são, primeiro, cristãs, ou muçulmanas (por exemplo). Depois, inserem-se num espaço político vasto (a Europa, sempre por exemplo) e, por fim, em último lugar, conectam-se com a realidade política da comunidade (vivem em Lisboa, em Paris, em Londres, onde gostam de algumas coisas e se aborrecem com algumas outras). O Estado fica ali algures no meio nem se sabendo exactamente e já para que serve (gere coisas importantes como a segurança social e a política fiscal, mas basicamente é só isso que interfere directamente - e em regra mal - com a vida das pessoas). Depois no grande espaço europeu há estados e culturas marcadas por intenso orgulho comum. Mas são a excepção. A Alemanha é uma excepção. A Dinamarca pode ser outra. Os africanos da Suécia e da Dinamarca cantam o hino, como os turcos da Alemanha. Em França já não. Isso é interessante. E é parte da crise actual. Como os 40% de portugueses que aceitariam a integração em Espanha, com os catalães a dizerem nos jornais deles (Vanguardia, por exemplo) "Eles que entrem, desde que a gente saia". Mas a Catalunha não é um problema novo. A Catalunha nasceu como fronteira com a Península e não como parte dela. Não se sente bem aqui. Sente-se provincionalizada. E tem nisso toda a razão. A Catalunha parece sonhar ainda com as Baleares como lugar de salto para a Itália do Sul. A Catalunha é mediterrânica. Mas não é peninsular.

O TUGA E O DIREITO COMUNITÁRIO

Sócrates e demais corja preparam-se para resistir à sentença do Tribunal do Luxemburgo. Isto é perfeito. Há décadas que o execrando tuga anda pendurado nas subvenções europeias mas frustrando completamente os objectivos de desenvolvimento que elas visavam. Há décadas que resiste ao Direito comunitário. Há décadas que ignora o Direito Europeu. Mas essa resistencia é sempre disfarçada. As Sentenças do Tribunal de Estrasburgo são letra morta. As Sentenças dos organismos de Direitos Humanos da ONU são letra morta. O Tratado Instituidor da União é letra morta (o Tribunal Constitucional recusa-se a aplicá-lo, por exemplo, tal como o Supremo Tribunal de Justiça). Mas isso é disfarçado. Agora, a novidade é que as coisas se formulam às claras. Os gajos acham-se gente. Imaginam que podem falar como gente. Imaginam que podem recusar-se a aplicar o Direito Europeu e até dizem que a Itália já fez o mesmo. Mas ainda que a Itália tivesse feito o mesmo (e nunca fez) a Itália é a Itália. E isto é isto. Eles que façam o que lhes parece. Um dia acordam com isto abaixo do nível da Moldávia e vão ter poucas coisas a explicar aos motins, enquanto os populares em fúria os pendurarem nos candeeiros. É justo que a imbecilidade se mate a si própria, injusto seria que mais alguém tivesse trabalho com isso. É assim que deve ser. Vão em frente. E às claras, assim mesmo, armados em gente.

"As empresas estratégicas"

Primeiro os negreiros de kavako tiraram à RTP a rede emissora onde esta havia investido tudo o que tinha e não tinha. Depois deram isso à Telecom. E privatizaram a Telecom. Com a Telecom a população local teve a imensa alegria de pagar as telecomunicações mais caras da Europa. Com os salários mais baixos da Europa. Também foi assim com a EDP. E com a GALP. Sobre a GALP pode-se retaliar (embora ninguém o faça). Pode-se não abastecer naqueles postos. Dentro ou fora das fronteiras, um posto GALP no caminho, significa mais trinta Km. Só deve abastecer-se no próximo. Até eles serem forçados a baixar os preços. Mas mais ninguém faz assim. Sobre a GALP pode-se retaliar pela distorção dos preços do mercado. Sobre a EDP e a Telecom não se pode retaliar com eficácia directa. E o território compraz-se com a energia mais cara da Europa, o combustível mais caro da Europa e as telecomunicações mais caras da Europa. Com este asqueroso panorama, vêm dizer-nos que "as nossas empresas" são estratégicas. Nem duvidamos. Pensamos é que tal "estratégia" deve seguir o seu curso natural rumo ao destino de todas as inépcias e de todas as coisas odiosas. Estratégicas serão. Mas eles que paguem essa estratégia. Então Sócrates anatematiza: "liberais". E não é que os "liberais" do PSD e do CDS vêm dizer não são liberais puros?.... Estão de acordo com Sócrates. Pois estejam. Nós não estamos. Há sobretudo que ter em conta que ninguém tratará pior a população local do que esta gentalha (toda) o fez. E mesmo que o risco fosse de ocupação militar estrangeira,essa seria a opção correcta. Antes a crua linguagem alemã que as frases feitas desta corja. E tais empresas entre tais patas servem apenas o sustento de clientelas encadernado com fantasias de estratégia, sustentadas no abuso permanente de posição dominante. A população não consegue acabar com isso. Mas se a dinâmica do mercado o fizer, tanto melhor. Se estes homens-hienas conseguiram gerar uma imagem de rentabilidade que faz tais empresas uma tentação para outros (ainda que nós saibamos como e esses outros não) aguentem-se agora com as consequências disso (naturais em mercado). É natural perder o que nunca se devia ter tido.

Friday, July 2, 2010

PORTUGAL TELECOM E A ESTUPIDEZ COLONIAL

A imprensa espanhola mantém a atenção. Mas os jornais são discretos. O El mundo até é simpático quando deixa pistas de reflexão sobre a complicada relação deste país da África do Norte com a Europa, onde se descobre perdido, confuso e sem Corão. Mas também sem possibilidade do liberal e paternal auxílio de Sidi Mohamad VI, Príncipe dos Fiéis e soberano natural destas gentes (e demais fenómenos que a gentes se assemelhem, porque há diferenças entre "laos", "demos", e "etnos"). Já os ingleses invectivam as bestas. Estupidez colonial, disseram, quanto ao uso da “golden share” para travar o projecto da Telefónica. O diagnóstico é exacto. Mais exacto do que os ingleses podem supor. Caracteriza não apenas a perspectiva do governo da tugária quanto aos investimentos externos das empresas do regime, caracteriza também a sua relação com o povo e eleitorado locais. Não há nenhuma diferença entre o tratamento do trabalho, da propriedade, da vitalidade intelectual, da liberdade de palavra concedido aos portugueses e um estatuto do indigenato, revisto, claro, mas nem sequer aliviado. Apenas reformulado e com as coisas de sempre. Os tiques de sempre. Os escravos eram “contratados”. Na verdade não lhes pagavam, mantinham-nos pela força nas plantações, aplicavam castigos corporais. Mas eram "contratados". Com a circunscrição destas "contratantes" bestas à “metrópole”, as cangas passaram a aplicar-se aos de cá. São todos cidadãos (como os outros eram contratados), mas a sua vinculação a qualquer autoridade define-se pela sujeição pessoal. A Lei escreve frequentemente “está sujeito” (e refere-se a pessoas e não a actividades económicas). Há hierarquias em direito privado (!), como no “direito do trabalho” (passe a expressão) onde há “superiores” e “subordinados” (coisa que nem o marcelismo se atreveu a escrever na LCT). Corj’imunda, realmente. E muito estúpida. Colonial, sim. Avessa a qualquer desenvolvimento, porque avessa a qualquer liberdade. A prosperidade, para eles, é a exploração desenfreada. O lucro não vem nunca da inventividade e da inteligência. Vem da escravatura (a que podem chamar cidadania, até, isto não é gente de princípios e os nomes são-lhes indiferentes, à excepção de uma ou outra palavra que, parece, lhes traz azar). E toda a propriedade debilita, nesta execranda terra. Seja o proprietário um pequeno accionista, um pequeno agricultor, um pequeno industrial, ou um pequeno proprietário imobiliário. Tudo se conjuga para lhe onerar a propriedade, para a desvalorizar, para explorar o proprietário, para o esbulhar, no limite. Terrível coisa. Isto em favor de interesses que podem ser dos grandes grupos locais, ou dos grupos mais pequenos mas que podem empregar agentes próprios do controlo político do "mercado", independentemente de se dizerem socialistas ou sociais-cristãos (i.e. nacional-católicos). Terrível gentalha. Sim, a população tudo tem a ganhar com qualquer passagem de controlo da gestão de qualquer empresa para qualquer centro de interesses europeu. É pena, mas é exactamente assim. E quanto à Portugal Telecom, os tugas devem tirar as patas do Brasil. Devem. E também deviam tirar as patas de Portugal, já agora. Sem nenhuma dúvida. Razão têm os que vão procurando colocar-se sob a protecção dos tribunais da Coroa de Espanha. E são muitos. É a única forma eficaz de resistir. Com a tomada de controlo da própria PT por uma OPA hostil, nenhum português perderia nada que não tenha já perdido. E ganharia porventura alguma coisa. Quanto mais não seja a existência de gente normal na gestão. Todo o recuo destes doentes mentais no terreno que ocupam, é uma vitória táctica da normalidade.

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