Monday, January 31, 2011

A ETERNA HISTÓRIA DAS ESCUTAS AO PRIMEIRO MINISTRO TUGA

Porque é que os idiotas das Faculdades de Direito só doutrinam quando têm alguma coisa a ganhar com isso? Não lhes teria sido mais fácil, por exemplo, tratar de redigir os preceitos do Código de Processo com alguma clareza quando foram chamados a formular esses preceitos?... É que parece que nada tiveram a ver com isso... Ocorre que o PM não sabe estar calado e anda com criaturas como o Vara. O Vara é logo um problema, já que entre as letras do nome dorme o destino do homem. O Vara está, como dizem as Sagradas Escrituras, destinado a acolher a legião de diabos e a precipitar-se no abismo? Não sabemos. Mas é melhor mantermo-nos longe de quem tenha por nome a designação de um grupo de porcos. O Chefe do Governo, em todo o caso, decidiu falar com ele, ele estava sob escuta e o PM foi escutado. Como a legislação é feita por professores de direito e os professores de direito são, nesta terra, tendencialmente imbecis,  (salvo raríssimas excepções) o Código não prevê a situação com clareza. As escutas ao Chefe do Governo só podem ser decididas por juizes do supremo funcionando como juizes de instrução. E a escuta acidental criminalmente relevante? Não se sabe exactamente, porque os imbecis que são professores de Direito partiram do principio da sacralidade do poder e esqueceram-se de tratar o problema. Não deixaram na porcaria do Código que qualquer conversa do Chefe do Governo, mesmo acidentalmente localizada, só podia ser escutada, ou preservada, por ordem juízes do Supremo, ou do Presidente do Supremo. De modo que o Presidente do Supremo entende que quanto diga respeito a escutas (quaisquer que sejam) atinentes ao Chefe do Governo é coisa que só pode ser ordenada por si e portanto qualquer conversa recolhida acidentalmente deve se destruída. É uma interpretação. Má interpretação, claro. Porque mesmo que o processo não pudesse comportar tal coisa, não há tribunal neste mundo que tenha , ou possa ter, jurisdição censória relativamente à História. Era o que nos faltava, que o passado voltasse a ser imprevisível. A destruição, portanto, sempre seria um abuso. Por mais abusiva que houvesse sido a utilização de tal conversa, escutada em razão de aparente acaso e vasta estupidez. A melhor solução (do ponto de vista da História) era mandar selar aquilo e entregar à Torre do Tombo para ser aberto daqui a trinta ou cinquenta anos. Depois vem o ponto de vista da responsabilidade política. É evidente que um Chefe do Governo não pode ser descoberto em tão tristes figuras. Devia ser demitido. Mas quem não está em figuras semelhantes? Também o Chefe do Estado devia ser remetido a processo criminal e destituído. E os desgraçados da oposição, também. Do ponto de vista da responsabilidade política não iremos longe. Pelo menos antes de uma insurreição nas ruas, como em Túnis, ou no Cairo. Do ponto de vista do processo penal (da dita face oculta), deparamo-nos, apenas, com um processo penal inviável (e logo este). Porque os paleios telefónicos do Chefe do Governo não podem ser levados a processo que não seja um processo contra o Chefe do Governo?... Ou não podem ser levados a outros autos sem um incidente instrutório que faça intervir o Supremo (antes sequer de haver acusação na primeira instância)? Ou porque não pode subsistir o que já devia ter sido destruído?... Basicamente por nada disso. A confusão atinge este nível porque os professores de Direito - chamados à consulta para a produção legislativa - englobam vastos bandos de cretinos (de uma cobardia intelectual sem nome) incapazes de redigir um texto legal com pés e cabeça, o que não os impede, aliás, de virem criticar os que, com maior ou menor credibilidade, se esforçam por lhes entender as imprestáveis soluções. E essas críticas, apresentam-nas quando e sempre que imaginem ter alguma coisa a a ganhar com isso. Mas nós podemos fazer um teste simples: peguem-se nos manuais de sebentas de processo penal da tugária. Verificar-se-á que em todos esses textos o Processo Penal contra o Chefe do Estado ou contra o Primeiro Ministro se traduz em simples ausência. (Ao contrário do que ocorre em todos os lugares onde há escolas de Direito). Tal tema jamais é tratado. Porque será?... Seja pelo que for, tudo começa aqui. Sim, e isso é para ser discutido e tratado a palavrão. Antes de ser resolvido à tapona. Ninguém cuja conduta deva ponderar-se aqui merece mais do que o palavrão ou a tapona. É escusado, portanto, estar com mais "reflexões". A única coisa que merece ser tratada a tal respeito é o direito dos vindouros saberem o que ocorreu. Os direitos da História devem ser preservados. O resto não tem ponta por onde se lhe pegue (q.e.d.).

Sunday, January 30, 2011

Apontamento

No Egipto - os Ex.mos gajos devem ser tugas, são estupidos como o chamado tuga médio e isso sempre o tomámos por inimitável - os sites da Santa Igreja Copta estão inacessíveis. O site do Santo Patriarcado Grego de Alxandria está inacessível. O jornal Al Ahram não consegue ver-se. E a Al Jazeera foi proíbida. Lindo...  (São realmente estúpidos). Anda toda a gente a arengar sobre o Egipto e os egípcios não conseguem fazer-se ouvir em sua própria casa e sobre si próprios. De modo que ninguém sabe o que pensam os intelectuais locais. Nem os mestres religiosos. Tudo o que ouvimos sobre o Egipto é dito por uns inteligentes do CNRS (que são realmente inteligentes, valha-nos isso) ou  das universidades americanas. São estimáveis, as opiniões. Mas ocorre que temos grande respeito pelo jornalismo local de opinião e era bem importante poder ouvi-lo. Mesmo para o Egipto. Todas as ajudas são bem vindas e o Oumma.com (da comunidade islâmica em França) tem tomado umas posições inteligentes e dado umas informações importantes. Aqui fica a sugestão.

EGIPTO, PÁTRIA COMUM

Pátria comum do Espírito e de todas as ciências, pedra angular de todas as construções imperiais do Mediterrâneo, terra amada de Deus que nela fez conhecer a sua grandeza e a suavidade da sua presença, ali prefigurando as grandes religiões do livro. Terra escolhida para a fundação do monaquismo, lugar de vitória sobre todos os diabos, o Egipto é terra tão nossa - que ali aprendemos a pensar, a viver e a construir - como de qualquer outro povo que ali tenha vivido até hoje. Como Roma, Atenas, ou Jerusalém, o Egipto, nos seus desertos e nas suas Cidades, é terra que não pode ser-nos estranha e que, visitada pela primeira vez, nos dá a estranha certeza de a conhecermos já e completamente, como em Roma, ao entrar na pequena praça onde nos espera a coluna de Trajano, ou um pouco mais à frente, diante do templo de todos os deuses, à passagem pela colina palatina, ou no encontro da Ara Pacis, nada há que nos seja estranho ali. E assim é no Egipto, desde os grandes templos da Antiguidade às discretas igrejas dos primeiros séculos cristãos, desde Santa Catarina do Sinai às praias de Alexandria, desde o sorriso dos estudantes coptas à estatuária do Museu do Cairo, que nos mostra as mesmas caras dos coptas de hoje, o Egipto não poderia senão ser terra amada tanto por Deus, como pelos homens a quem ama. É portanto com a delicadeza de quem ama aquela terra e com a gratidão para com os que ali preservam vivo o passado comum da História da Cultura, é com essa delicadeza que deve exigir-se (com toda a veemência – senão com a violência - necessária à luz das circunstâncias) o tratamento da explosiva crise e da falta de lucidez de um regime que se deixou vencer. E persiste na preservação de um poder que perdeu já. Os exércitos estão divididos, parece, não mantendo a mesma atitude o exército de terra e o exército do ar que ousou sobrevoar ameaçadoramente a sua gente. E todavia a História de Mubarak é a história de sempre. É o pendura. O “jovem promissor e obediente” que não é senão um funcionário e se vai deixando produzir pelo aparelho até ser colocado na direcção respectiva. Nenhum risco correu nunca. Não esteve com Nasser na grande Revolução Árabe (não tinha idade para isso) e em nada contribuiu para alcançar as grandes metas libertadoras que Nasser soube alcançar. O poder era para ele um objectivo em si. Não teve nunca qualquer projecto de grandeza ou liberdade. Nada fez que consiga ver-se e supere o mero campo da decisão administrativa. Todavia estas coisas estão resolvidas há tanto tempo… Não se promove ninguém sem obra, sem distinção substancial, sem coragem visível, sem a sabedoria revelada pelos horizontes abertos na reflexão pessoal. Carreiras administrativas são para as secretarias – talvez também para as polícias - e não para a condução de povos, ou de exércitos. Mas também ali ninguém viu isso em tempo. E o poder - que não é nunca senão um meio - apodreceu nas mãos de Mubarak. Resiste com a estupidez que o conduziu toda a vida e tão “bons resultados” lhe deu, a seus olhos. Não criticamos nele o despotismo. Também o despotismo é um instrumento. Despotismos houve cabalmente legitimados pelo exercício respectivo. Houve despotismos que libertaram. Educaram. Talharam fronteiras novas ou asseguraram as velhas. O problema não está no despotismo. Mas na imbecilidade. Como sempre. E na imbecilidade continua, quando se vê a política externa americana a intervir. Não poderia essa gente pavorosa pensar dois minutos antes de agir?... Quando não se sabe exactamente o que fazer é melhor resolver primeiro esse problema, antes de tentar resolver qualquer outro.

Saturday, January 29, 2011

OBAMA E O FIM DO MUNDO AMERICANO

Obama tomou finalmente posição pública. Exorta "as autoridades" do Egipto (às quais falta qualquer autoridade) a não usar a violência contra manifestantes pacíficos e a emprender as reformas necessárias do ponto de vista político, social e económico. Ora aqui está alguma coisa que podia perfeitamente ter sido dita há um mês, há um ano, há dez anos. Tomou também posição quanto ao Líbano (menos relevante, esta, para não dizer completamente "igual ao litro"). Já quanto à Palestina nada disse e a coisa está quente, quente porque os arranjos diplomáticos (divulgados) com a Chefia da OLP não agradaram a ninguém (não há nenhum palestiniano disposto a ceder Jerusalém). No Cairo os Irmãos Muçulmanos tomaram posição clara. O Egipto não pode voltar a ser governado por um só homem, por um só partido. É certamente dizer alguma coisa. Mas está longe de significar tudo. Obama deve ter-se esquecido da existência dos Irmãos Muçulmanos. Há até quem pense que os USA sonham em elevar à presidência o General comandante dos Serviços Secretos. Eles não conseguem, lá nos USA, contratar um homem com um Q.I. normal . E  aparecem com cada uma metida na córnea, que tem de haver por lá um déficit  qualquer. muito para lá da gravidade comum. Mubarak também falou e bem podia ter estado calado. A France 24, entretanto, usou uma expressão de génio quanto à Tunísia: "a ditadura que não dizia o seu nome". Perfeito. Tratemos então das ditaduras que não dizem o seu nome. A odiosa tugária vem a seguir?

Friday, January 28, 2011

DAVOS

Em Davos debatem-se medidas de alívio quanto à miséria a que se condenaram os pobres do mundo. Percebe-se o que temem. Mas é talvez tarde para o que querem. Até porque os condenados à miséria têm (não terão?) uma ideia bastante precisa do que fazer. E estão a fazê-lo. Ao olhar para uma e outra coisa, apetece perguntar aos reunidos em Davos que legitimidade têm para condenar à morte a Àfrica sub-sahariana onde ,por exemplo, se manteve proibido o emprego da medicação chinesa contra a malária à espera do grande negócio da eventual vacina dos "países doadores". Doadores de quê? Da morte? Estão a olhar bem para o mundo, os de Davos? (é que a este distância parecem um bocadinho esparvoados e razoavelmente atrasados).

Também a Jordânia?

Manifestações de resposta ao apelo da Frente Islâmica, ainda moderadas em número, fazem tremer o último refúgio da Casa do Sharif de Meca. Prescindir da Casa Hachmita poderia ser um erro estratégico em qualquer perspectiva sunita. Ao menos se maiores erros estratégicos não cometer a casa reinante. O caso é interessante e deve ser seguido atentamente. 

NOVAS REVOLUÇÕES EUROPEIAS?


Podem as chamas alastrar à margem Norte do Mediterrâneo? Claro que sim. A insubmissão grega – pese embora o voto de confiança que deu há pouco ao seu governo e pese também o excelente combateque tem travado o seu primeiro-ministro – a insubmissão grega (tão grega, graças a Deus) é uma pressão imprescindível e favorável. E pode passar à rebelião a qualquer momento. O desencanto italiano pode, de um momento para o outro, despertar coisas parecidas (muito embora os governos regionais possam resolver muitas coisas e por aí viabilizar a vida quotidiana à margem das crises do Governo Central). A tugária - coio de corja inqualificávelmente imunda escorada na ignorância, nos cortes de informação, e compactuando na gestão comum, embora instável, dos inqualificáveis segredos que a unem e dividem - a tugária é talvez o lugar mais favorável a uma tal explosão, até porque, à imagem da situação tunisina, é o lugar onde ninguém tem voz. Há é certo a contestação “encenada” pela “concessão” do estatuto de contestatário oficial . É o caso de sindicatos quase mortos e advogados a representar o papel defensores de direitos humanos, como se isso fosse possível na imunda corporação que os contém e polícia com critérios de polícia política,. Neste detalhe sublinha-se que se vai ao ponto e levarem a condenação disciplinar uma citação de Norberto Bobbio. O subscritor desse repugnante texto, mais condenável que condenatório, usa por nome a designação blasfema de "Manuel Cordeiro". E há-de encontrar a justiça numa esquina à qual desde já fica entregue. E só na tugária há a necessidade de discutir em publicação clandestina, como esta. Só na tugária a corrupção significa a imediata pobreza da população, o seu sacrifício sempre desmedido, a falta de educação (mascarada depois com coisas que nada significam), a ineficácia dos aparelhos de saúde, a falta de habitação, a fragilidade da vida que enche as ruas de homens e mulheres com fome e sem-abrigo e que há escassos meses ainda tinham emprego e família. Isto é a tugária. E nem vale dizer que não há pena de morte na tugária, porque isso é uma tão fórmula vazia como todas as demais. A polícia e a guarda prisional sempre mataram quem quiseram matar, com toda a liberdade. E pode-se ir parar à cadeia (ficando ao alcance da execução extra-judicial - por alegar tortura em defesa dos Direitos Humanos), já que nenhum juiz ousa recusar essas condenações por “injúria qualificada” em razão dos temores de carreira que o vinculam à “jurisprudência dominante”. Ocorre que os condenados podem não ter dinheiro para pagar as multas e ficam portanto ao alcance de tudo... Resta ver se do ponto de vista jurídico pode essa gente, que tais coisas perpetra, ser levada ao pelotão de fuzilamento, ou ao garrote vil. Do ponto de vista do Direito dos Homens, não. Mas eles excluíram-se do Direito dos Homens, porque excluíram todos os outros do Direito dos Homens. E Direito que não se aplica é direito que não há. É o mesmo não haver Lei ou não a aplicar. Os religiosos virão dizer-nos que resta o Direito Divino. E do ponto de vista Vétero Testamentário ou da Sharia as soluções para esta gentalha são de uma evidência gritante. E, sim, são libertadoras. Embora tremendas, não nos surgem desproporcionadas face aos crimes em presença. A esta luz, o garrote vil não é aplicável. Mas a lapidação é. A eventual vitória de uma Revolução não nos evitará debates muito crus, como bem se vê. Um ponto de debate parece poder avançar-se desde já .Esta gente vive sob todos os poderes, mas ninguém sobrevive sob o poder deles. Importa que ao menos uma vez se tente fazê-los desaparecer? Diriamos que sim. Como? Discutiremos depois de os termos no cárcere.

AS NOVAS REVOLUÇÕES ÁRABES


Depois de ter perdido o controlo da América Latina, a política externa dos USA arrisca-se a perder qualquer simpatia na África do Norte e no Médio Oriente, onde apoiou sempre, como antes o havia feito contra as populações latino-americanas, regimes cuja decomposição construiu (com eficaz intervenção dos serviços de inteligência) afundando-os na corrupção e apoiando sem quebras os fragilizados por essa corrupção dando-lhes a eles a ilusão de força e guardando para si a estranha ideia de que só os USA teriam a chave capaz de usar a fragilidade construída. Não previram estes serviços de inteligência o desespero de um vendedor ambulante que se imolou pelo fogo, assediado pela polícia que aqui, na tugária, se conhece perfeitamente, porque a polícia tunisina, ou a polícia egípcia, são a polícia tuga, sem tirar nem pôr. São os mesmos focinhos, as mesmas práticas, as mesmas lógicas, a mesma desgraça e os mesmos desgraçados com a vaga vantagem dos magrebinos e árabes reconhecerem pelo menos a Ética positivada num Livro Sagrado (enquanto a besta tuga nada reconhece e chama espiritualidade à pedrastia papista). Ora as chamas que devoraram o corpo do pobre vendedor ambulante que entregou a vida a Deus, ameaçam agora todos os regimes tocados pelos serviços de inteligência norte americanos. Marrocos ainda não está atingido (o que não significa nada, por ora) e a Argélia (a frágil Argélia, a linda Argélia) ainda não recomposta da violenta crise recente, que foi objectivamente uma guerra civil (nem ganha, nem perdida) espera inquieta, sem nenhum espaço de manobra. Os USA não sabem ainda o que pensar e menos o que fazer. E está a registar-se uma contradição (fatal) entre a “direcção política” dos serviços de inteligência e a formação de vontade do Estado. O que diz a senhora Clinton não tem nada a ver com o que os americanos estão a fazer no terreno e é isto que marca, porque é isto que importa. Importa o que se faz e não o que se diz. Entretanto, as chamas chegaram ao Iémen.

Thursday, January 27, 2011

Vésperas da Conversão de Paulo

Em S. Paulo fora dos muros celebrou Ratzinger as vésperas da Conversão do Apóstolo dos Gentios. A coisa foi mais teatral que solene. Faltou virilidade, como sempre. Faltou a força de alma dos celebrantes. Faltaram os coros masculinos com vozes de homens e femininos com vozes de mulheres. Produziam uns sons miscigenizados onde não pode ver-se a representação litúrgica da humanidade diante do altar, nem a repesentação dos coros angélicos ante a oração dos homens. Nada, como sempre. Um pavor, aquilo. E sempre com aqueles manejos de turíbulo que parecem... Uma paneleirice. Alguém devia ensiná-los a usar o turíbulo. E não faltaria aos deveres da Misericórdia quem os ensinasse a ser gente (já agora).

PINTO DE ALBUQUERQUE

Mais um golem do papismo local segue o seu curso. O papismo gosta deles assim. Esquálidos. Quebradiços. Grasnando por minuta. Ainda não há muito tempo Pinto de Albuquerque defendia a revisão dos parâmetros da liberdade de expressão para defensder Cavaco do caso BPN. Como se na tugária existisse liberdade de expressão. Pois agora vai para o tribunal de protecção das liberdades europeias. O papismo está de parabéns?... Não. Sendo o papismo lixo e tóxico -como inquestinavelmente é - o mais natural é que a duplicidade em que tão bem treinaram a sua nova criatura se faça agora notar. A anotação do Código de processo penal subscrita pela criatura é extraordinária nas omissões... Vamos ver para que lado pendem agora as suas fidelidades, porque é seguro que penderão para onde melhor vingar o interesse próprio e a respectiva chaveta de conveniências. Pobre papismo que ainda não aprendeu que o semelhante gera o semelhante. Não aprendeu que de si não pode saír senão coisa semelhante a si. É muito mau. Bem o sabemos. Talvez a rebelião nos permita enfim resolver as coisas, passada, como parece estar, a fase da contestação. A falta de liberdade de palavra vai forçar-nos a saltar a etapa da contestação.

O ESTADO DOS PEDRASTAS

O miserando agente do proxenetismo homosexual de crianças órfãs ou desvalidas da Casa Pia veio agora dizer - depois de ter dito o contrário em audiência - que tinha sido forçado a mentir em julgamento e em processo e que quem o havia forçado tinham sido os polícias e o seu próprio defensor. Todavia toda a gente sabe - porque um agente da CIA o divulgou em Março de 2004 - que quinhentos nomes com relevância política e económica no território eram (são?) membros da rede de clientes daquele pavoroso comércio. O facto de nada ter sido investigado não pode surpreender-nos. E o facto de um décimo de processo se ter transformado num espectáculo inqualificável de ignomínia também não deve espantar-nos. Isto significa um país de pedrastas, governado por pedrastas, com uma igreja de pedrastas. Nada pode ser tão insultuoso para as pessoas normais  ainda residentes aqui do que a "cidadania portuguesa". Ser juiz aqui é uma ignomínia. Ser advogado aqui é uma vergonha. Ser militar aqui é uma anedota. Ser médico aqui é um terror. Viver aqui é um pesadelo. É certo que as insurreições do Norte de África (com situações sociais e morais igualmente graves) nos enche de esperança quanto à possibilidade de extensão do fenómeno  à imunda tugária (a Tunísia era basicamente uma coisa assim, com uma polícia assim, juízes assim, comércios parecidos e advogados provavelmente iguais, onde "o sistema" também teve o cuidado de eliminar o exército pela redução do contingente e a falta de equipamento). Talvez um fim parecido venha a ocorrer. Talvez não esteja sequer longe e possamos enfim ajustar as contas que não podem esquecer-se. Deus o permita.

Tuesday, January 25, 2011

TUGÁRIA ENCAVACADA

Não chega a metade da metade, dizia uma televisão local da votação de Cavaco, o golem do papismo local. Pois não chega. tão pouco ele próprio chega à metade da metade do que quer que seja. E portanto está certo. A "direita", i.e. a corja do BPN, dos submarinos do caso portucale e quejandos aspira já à crise política. Mas a "esquerda", essa bem poderia tratar de um processo criminal para a destituição do Chefe do Estado com fundamento na história do BPN. A probabilidade de nada ficar de pé era enorme. E portanto o progresso seria significativo. A "esquerda" também pode ser alvejada com os seus escândalos.  A Casa Pia é um deles. E nem sequer é verdade que a subida dos juros tenha grande significado para "as gerações futuras" (ou para as presentes, porque só cá fica quem quer). Só paga isso quem o quiser fazer. E nós não queremos.Isto não são compromissos de Estado. Mas de gangs. Os gangs que paguem a crise.

Friday, January 21, 2011

A SANTA IGREJA RUSSA E A POLITICA DE FAMÍLIA

Findas as festas de Natal, a Santa Igreja pede a reapreciação da política de família e a reformulação dos trâmites administrativos relativamente ao aborto. O Estado mostra-se sensível à questão. Sessenta abortos por cem nascimentos é uma desproporção aterradora. A adopção de parâmetros de vida ocidentalizados parece comportar parte da explicação destes sinistros números. A verdade é que a pobreza pode ser aceite como regra de vida. Mas a miséria não. E não saber o que nos acontece, ou pode acontecer, será suportável quanto a nós próprios, mas já não é tão claro quanto a um filho. Será isto, porventura. O fantasma da "bastardia" e da "desonra" (tal como ocorre na execranda tugária, por influência letal do papismo, principal sustentáculo desses e doutros espantalhos) isso não pode existir em nenhuma terra sacudida pela hecatombe da segunda grande guerra. E também não existe na Santa Rússia. Isso parece ser um terror propriamente tuga. A que o papismo quer juntar o novo terror da perseguição penal. Pois na Rússia pede-se que a saúde mental das mães que querem abortar seja mais bem preservada, dando-lhes a possibilidade de entender (em tempo útil) que as facilidades administrativas e a ausência de sanção penal, não significam iguais facilidades no equilíbrio pessoal. Para uma complicação destas, a proposta não parece mal calibrada. E não há nascimento de criança que deva tomar-se por inconveniente. Isso nem sequer pode consentir-se. Mas a solução não pode ser repressiva. Ou, pelo menos, não pode ser repressiva das mulheres. O que devia ser objecto de repressão seria a situação em que elas se encontram. Porque o aborto parece razoavelmente  traduzir uma situação de opressão intolerável em si mesma. Implica, no mínimo, que alguém perspective a vida com o filho como coisa pior que a morte deste. Isso não arrepia? É isso que tem de ser resolvido e sem juntar novas causas de dor às que já ali estão.  

Tuesday, January 18, 2011

QUANTO DURA UMA GUERRA


A Santa Igreja Sérvia enunciou o unânime acordo sinodal quanto à canonização do Presbítero Budimir Sokolovic, que acompanhou a resistência sérvia à ocupação alemã e foi fuzilado pelos titistas em 1945 com outros soldados sérvios e realistas. O filho do Padre Budimir, ele próprio sacerdote da Santa Igreja Sérvia (representando a 42ª geração da sua família no sacerdócio) cresceu sem poder dizer o nome do pai, sempre forçado a ocultar, senão a negar, a sua filiação, por respeito ao medo de sua mãe a temer que lhe fuzilassem também aquele filho. No seminário, o pobre garoto só confessou a sua filiação aos padres mais velhos que de resto tinham conhecido o Padre Budimir. Resta a este filho uma única recordação de infância daquele pai que entrou um dia a cavalo na aldeia, pôs as duas crianças na sela e lhes disse -“vocês são a minha vida”. Única recordação. Mas que recordação! Recebida a notícia da canonização de seu pai, o venerando ancião compôs hinos litúrgicos com os pedidos de intercessão junto de Deus que se dirigem aos santos. O nome que não podia dizer-se explodirá agora nas vozes dos coros e diante de todos os altares. Há portanto dores – e esperanças - bem vivas ligadas às feridas de 1945. Numa Europa de imbecis, dirigida por quem não faz a menor ideia do significado humano da guerra e dos seus preços em dor, está longe de ser inútil olhar para estas subsistências de uma guerra que se imagina ter sido há muito tempo, mas tem sequelas tão visíveis, tão vivas, tão facilmente transmissíveis e tão dispendiosas. E por todos os que por isto cresceram e viveram sem poder dizer o nome do pai, forçados a esconder a identidade própria, Gospodi Pomilui!

Thursday, January 6, 2011

С нами Бог !


Esta noite resplandece no mundo a luz da inteligência. Os que estudavam os astros foram conduzidos ao Sol de Justiça e contemplaram o Oriente no Teu Nome e nos seus corações. E embora no mais sórdido lugar da terra que é a tugária, cercados embora pela gentalha mais repulsiva, desviemos o olhar dos homens-cães do inimigo e esqueçamos a horrível língua das suas imundas minutas para nos juntarmos ao coro universal na grande celebração:С нами Бог!

Tuesday, January 4, 2011

JUDICATURA EM DESORDEM

Quando o sindicato dos magistrados judiciais disse, em síntese, que não estava para aturar cortes nos "salários" dos magistrados, tudo se passou como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Vamos ver se é. Eles disseram que iam proceder a uma denúncia ao Conselho da Europa por violação das recomendações quanto à retribuição dos magistrados. E acrescentaram que iam fazer uma concentração de protesto às portas do Supremo Tribunal de Justiça na abertura do ano judicial. Por seu turno, os funcionários públicos entregaram (parece que ao Alves, coitadinho, ou pelo menos o Alves apareceu a botar faladura como se o processo fosse dele) uma providência cautelar contra os seus próprios cortes nos salários. E logo o jornalista acrescentou que o juiz também tem o mesmo problema, significando isso que - enfim - pode haver solidariedade entre vítimas. E pode. Ora está tudo fora do sítio como é costume. Admitamos que os cortes dos salários e a subida de impostos são matéria de salvação pública. A resposta ds funcionários públicos seria vagamente compreensível, se acaso os tribunais não devessem respeitar o princípio da separação de poderes e se as Leis não devessem ser aplicadas por eles (ainda que nos termos do respeito pela respectiva hierarquia, coisa que permanentemente os tribunais ignoram). Se estas disposições legais forem inconstitucionais, então é necessário suscitar as questões no plano geral. E os magistrados e funcionários teriam podido desencadear as respectiva diligências junto dos órgãos com poderes para tanto (provedor de justiça, por exemplo). Mas não. Eles tentam transformar os tribunais em organização sediciosa. E se for acolhida a tentativa, se os tribunais administrativos aceitarem tratar como acto administrativo  evidentes determinações legislativas, então temos aqui um problema realmente sério. Porque o arbítrio que campeia nos tribunais e em regra se volta crudelissimamente contra os cidadãos, se viraria agora contra a própria organização política do Estado. Isso vai ser interessante. Era aliás o toque que faltava. Mas é uma decorrência lógica da profunda desorganização de tudo e do desnorte radical de todos. Por outro lado, se a judicatura quisesse ter sido corajosa, se quisesse ter sido desorganizante da corrupção, se quisesse ter-se perfilado como garante da Lei e voz do Direito, talvez pudesse não ter consentido os meios-processos onde protegeu todas as corrupções, fugiu de todos os debates, contornou todas as questões e até protetegeu (ou perpetrou) todas as perseguições que lhe encomendaram (ao abrigo dos pretensos crimes de injúria e difamação) como se lhe coubesse (e coube) o papel de polícia política ao serviço de uma oligarquia de pederastas, burlões e homicidas. Mas agora querem os juizes invocar não exactamente o Direito, mas o seu direito a não verem cortadas as suas retribuições. Era o que faltava. O que resulta de tudo isto é absolutamente evidente: esta gente (ou gentalha?) anda ali a tratar da vidinha própria, das continhas próprias, das necessidades domésticas. (Não é esse o terreno de todas as corrupções?) E isso é forma de estar radicalmente incompatível com a natureza da função. Esta incompatibilidade traduz a idiotice dos minuteiros, à qual se junta, agora, a crise de nervos das donas de casa. Estes desgraçados não são sequer juristas. O pretensiosismo de quererem ser juízes é em si próprio grotesco. O facto de esse gosto lhes ter sido consentido é um crime. E o resultado não podia deixar de ser a ruína. Ei-la. Invocam até  e agora o Direito Europeu, sendo certo que a "jurisprudência" que lhes sai dos cascos é claramente resistente ao Direito Europeu. Que violam, ignoram e desprezam todos os dias e o têm feito em detrimento dos interesses dos cidadãos.  A jurisprudencia dos tribunais portugueses é vergonhosa desse e doutros pontos de vista. Verdadeira compilação de nódoas. (Cuja pretensa seriedade é imposta por via da repressão aos advogados, da qual é hoje primeiro instrumento a corja da ordem dos Advogados). Sublinhe-se portanto que nada do que reivindica esta pobre gente, tão doméstica em tudo, nada disso tem alcance de interesse público (e nada do que fizeram teve globalmente outro significado, ao longo de mais de trinta anos, senão a radical traição do interesse público). Querem agora que aqueles a quem serviram lhes não traiam os interesses. Mas o código de honra das máfias é para os que conseguem ser máfias. Eles nem isso. Coitados. Vão morrer tão mal como viveram. Porque viver bem - não o sabiam?- viver bem é outra coisa.

QUERER E CRER: O BALANÇO DO ANO


O ano de 2010 ficou marcado pelo suicídio da estupidez. Mas o caracter suicidário da estupidez não é uma novidade. Assim foi, em todo o caso. A estupidez matou-se várias vezes ao longo do ano. Desde o despenhamento de Lech Kaczynski e dos noventa dignitários polacos, ao caso WikiLeaks. Desde a falência do Estado da Califórnia à crise Grega. E a crise global vem sublinhando a estupidez – também ela letal - da alienação de inúmeros vectores da produção industrial nos processos de deslocalização que privilegiaram a Ásia e agora revelam, em toda a amplitude, a derrota estratégica como factura das medíocres vitórias tácticas visadas. Na tugária, recorda-se o único momento de reflexão pessoal de José Sócrates - que ninguém notou no seu terrível significado – quando este dizia, coitado, que os dirigentes políticos acentuadamente marcados pela erudição literária são latino-americanos e não europeus. Uma Europa entregue às bestas, portanto, como se sabia. No testemunho de uma besta, segundo tudo indica. E uma América Latina que reflecte seja no combate político que a atravessa, seja quanto ao futuro que pretende, guiando-se, evidentemente, pelas Humanidades. Como toda a gente que tem de debater tais coisas, aliás. As questões fundamentais, realmente, estão nos sistemas de convicções que condicionam todas as decisões. Além dos impulsos imediatamente animais, não estamos a ver domínio onde seja possível querer sem crer. (Digam o que disserem os pretensos engenheiros tugas da pretensa independente tuga). À escala global, o execrando Ratzinger continua às voltas com a sua porno estrutura, alegadamente eclesiástica. Em torno da teologia moral do preservativo. Tratando da beatificação de Voitila, grande protector do Padre Maciel e canonizador de genocidas. Multiplica os dislates. Mas vem sendo menos mal sucedido na vertente financeira da coisa. Porque continua a evitar pagar o que deve em sede indemnizatória. E o banco daquilo continua a fazer lavagens de dinheiro e, portanto, a desempenhar importante papel nas acções de sombra (cobertas pelas razões de estados tão pouco razoáveis) onde se libertam fundos (sem controlo estatal) para as mais estranhas operações (sem controlo parlamentar). Por algum motivo no Afeganistão sob precária ocupação militar da OTAN se multiplica a produção e comercialização do ópio. No plano da tugária o ano correu na costumada compilação – sempre desinteressante - de ignomínias e abandonos. Podemos destacar o asqueroso servilismo de Santos Ferreira do BCP, oferecendo à CIA a sua radical falta de qualquer verticalidade (na qual a CIA nenhum interesse viu), por via de uma perspectiva de negócios com o Irão que não chegou a concretizar-se. O Amado dos Negócios Estrangeiros revelou-se também o que toda a gente da sua laia não consegue deixar de ser: um sopeiro. E porque o semelhante gera o semelhante, os pseudântropoi nem como fiascos revelam interesse. Na campanha eleitoral para as presidenciais destaca-se o execrando Cavaco – veneranda figura de arrepiante parolo, tão característica da chamada “política portuguesa” – mas desta vez a criatura não reivindica a sua importância na construção da “Califórnia da Europa” de que tanto se orgulhava há cinco anos. Aqui está a tugária. Califórnia da Europa, realmente. Mas nem sequer europeia pela mentalidade, ou o Cavaco não poderia, tão simplesmente, existir desta forma. E por todo o lado – aqui também - o pretenso anonimato das grandes titularidades dos grandes interesses financeiros claudica na evidência das identidades dos indivíduos responsáveis pelos vários descalabros. E na, política como nas finanças, tudo se revela estar, afinal, a níveis excessivamente domésticos, excessivamente primários, excessivamente claros. Esta clareza é a grande aquisição da época. E será plausivelmente determinante na evolução próxima. Na tugária tudo será como sempre foi. Quando tudo depender da multidão em (justificada) fúria, ninguém haverá que coloque a multidão na dependência da palavra lúcida. Porque, justamente, a presença da literatura e das humanidades é nula. Na antecâmara das novas guilhotinas um tribunal popular dirá, desta vez com acerto, que a república não precisa de cavacos. O outro dissera com radical desacerto que a república não precisa de sábios. A república precisa de sábios, sim. Mas aqui só conseguimos ver labregos ostentando togas e becas usurpadas. Como Cavaco. E os cavacos travestidos de gente ajuizada realmente não fazem - e nunca fizeram - falta nenhuma. O mundo teria sido bem melhor sem eles.

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