Sunday, February 28, 2010

Nacionalidades Ibéricas

Espanhóis são todos os habitantes da península, mas geograficamente falando. Politicamente, a coroa de Espanha perdeu a consonância das nacionalidades históricas. Embora se tenha aproximado (inesperadamente mas muito) dos portugueses. É simplesmente assim. E o caso basco é perfeitamente arrepiante. Como arrepiante tem sido o tratamento político-institucional do Nacionalismo Basco. Alguns portugueses não queriam que o seu estado (ou o que resta disso) fosse um entre quatro. Isso não é um perigo. Em cada quatro, Portugal estará sempre em sexto enquanto não se libertar da corja. E só conseguiria libertar-se da corja pelo protectorado (talvez da coroa de Espanha, uma vez que 40% de eleitores portugueses aceitariam qualquer integração segundo repetidas sondagens). A máfio-república é a principal ameaça à segurança do estado e das populações e bem assim um perigo para a estabilidade europeia.

Saturday, February 27, 2010

Excesso de confiança alemã, (santo) mau feitio dos gregos

O Vice-Presidente do Governo Grego não gostou nada do que andou publicando a imprensa da Frau Merkel. E fez quanto faria qualquer grego. Lembrou à Alemanha a posição de credor que a Grécia mantém sobre ela. Deus e a opinião pública sabem que a Grécia não pediu dinheiro até hoje para resolver a crise. Mas se os alemães já estão a sentir-se “prejudicados” com a remota possibilidade de terem de pagar alguma coisa, lembrem-se os alemães que ao contrário de quanto julgam ainda não pagaram o que deviam. Porque subiste pendente a indemnização de guerra pela ocupação ilícita do solo grego pelas tropas alemãs na segunda guerra. (Até parecia que os gregos não tinham o direito de dar, como deram, a merecida sova que os italianos levaram). E além da ocupação ainda há o oiro grego do qual se apropriaram os alemães, certamente no intuito de que lhes saísse mais barata a campanha. Ora enrolem lá a língua se não se importam, sim? Olha que coisa!... (É preciso descaramento, realmente). Frau Merkel andou depressa, não obstante. E não quer deixar Georges Papandréou ir aos USA sem falar com ela primeiro. O (muito propriamente dito) Doutor Papandréu acederá a essa pretensão, segundo tudo indica. Estando esta circunstancia de grande enlevo agendada para cinco de Março. Entretanto Der Spiegel desviou os olhos para o (aterrador) sismo do Chile e correspondente maremoto. É um percurso violentamente anti platónico, este. O Grego conceberia, talvez, que da tremura da terra se passasse à do espírito. E os teutões seguiram o percurso contrário. O Presidente Medvedev já aconselhou a Grécia a recorrer ao FMI (sem que se saiba a resposta do Chefe do Governo Grego). As relações entre a Europa e a Grécia começam a gizar-se sobre o principio do “faz força que eu gemo”. Isso não era deste guião. Nitidamente.

A tugária é um crime

Um conflito entre a PJ e o MP - que deveria dirigi-la - é em si mesmo um absurdo excessivamente dispendioso. Traduz radical falta de autoridade do MP. E a inépcia radical da polícia. Traduz também a radical bandalheira na tugária. A polícia deve estar claramente subordinada e não pode viver de outro modo. O MP é evidentemente instrumental e não pode existir de outro modo. Se as lojas pretensamente maçónicas, a corja papista e demais vectores em intrusão negoceiam na polícia e com ela quaisquer interesses (corporativos ou outros), a meio de um processo, a pretexto dele, ou por causa dele, isso significa que aquilo tem de ser varrido. Se o MP não consegue, por isso ou por outra coisa, fazer-se obedecer pelos funcionários de investigação, o MP tem de ser varrido também. É talvez o momento de se pensar nos procuradores independentes incumbidos da investigação de casos específicos - com afectação específica de meios e a responsabilidade de os controlarem do modo mais estrito - o mandato destes procuradores acabaria com o caso. E as conclusões acusatórias seriam remetidas ao fogo do debate judicial. Mas para evitar também o enquistamento de fenómenos análogos na judicatura, alargar-se-ia simplesmente o leque de situações onde os jurados populares devem intervir, devendo blindar-se essa intervenção para que os juízes de beca não manipulem ou intimidem os jurados populares (como parece estar a acontecer mais vezes do que se supõe). Quanto ao alcance geral do fenómeno poderia fazer-se um inquérito parlamentar, se o parlamento não estivesse ferido pelos mesmos problemas e não albergasse, ele próprio, boa parte dos mecanismos de intrusão. Sendo inoperante o parlamento, como é, restam os procuradores independentes. E porventura equipas policiais de outros lados, contratadas para o específico efeito. Isto em três meses limpa-se de uma ponta à outra. E um ano depois, restariam apenas memórias já vagas. Basta querer. Quem quer?... Quem odeia a corja. Evidentemente. Ou seja, toda a gente.

Friday, February 26, 2010

PROFANAÇÃO DO MONTE ATHOS

O Athos foi profanado pelo papismo que difundiu o “trabalho” feito a expensas suas e para benefício seu. A República Monástica protestou. Sem êxito que se conheça. Bertorello, agente secreto do Vaticano, ter-se-á acolhido com a sua gente junto da comunidade do Mosteiro d’Esphigménou a quem provavelmente ludibriou (a comunidade vétero-calendarista fecha-se sobre si própria e sofre a consequência da falta de informação correspondente). Como se sabe os vétero-calendaristas recusam o “calendário juliano rectificado” (neste, mantem-se a Páscoa em comunhão com toda a Ortodoxia, mas celebra-se o Natal de acordo com o gregoriano). E os vétero-calendaristas andam francamente zangados com o facto de alguém ter ousado alterar o ritmo da oração da Igreja. Esta zanga teve preços para toda a gente e para estes monges também. Um aspecto do preço é serem chamados “zelotas”. E o outro é não receberem a tempo informações das quais deviam dispor mais cedo. Três vezes tentou o diabo papista entrar na Montanha Sagrada. E três vezes lhe disseram que não. Então meteu-se em Esphigménou e daí filmou quanto pôde, colhendo algumas imagens da majestade da Santa Montanha e da beleza do Mosteiro, uma vez que não pôde entrar em nenhum dos outros dezanove. Os santos rebeldes de Esphigménou, a quem Deus dotou de gloriosa teimosia para Glória Sua, como a todos os santos, terão falado abundantemente, suscitando a fraterna impaciência e apreensão dos prudentes abades, a quem o Cristo deu a lucidez necessária à protecção da Igreja. E os papistas terão ficado – coisa sobre todas deplorável – com imagens dos tesouros da iconografia e paramentos de Esphigménou, bem como das preciosas alfaias litúrgicas. Filmaram também os santos monges tradicionalistas, o que é terrível e justifica todas as inquietações quanto à segurança destes. É como dar um inventário de bens à máfia. Com o ficheiro dos defensores. Confiemos no facto da Santa Montanha estar entregue à guarda das gloriosas forças armadas gregas. Mas os Santos Monges comungam todos da aversão ao papismo repugnante e, a seus olhos, não pode ser bom que pervertidos desta natureza (organização intercontinental de hereges pedoclastas, homicidas, pornófilos, prostituídos e ladrões) tenham pisado o chão declarado livre de todos os poderes mundanos até ao fim do mundo. Isso é irritante. Queira a Virgem, Abade dos abades e Defensora Invencível, apagar depressa os registos de tão belas imagens, furtadas pelo papismo execrando, e que Deus reservara para corações fieis e ortodoxos. Às imagens – sempre magníficas, porque por mais que se quisesse não se conseguiria -las de outro modo - o filme junta os estigmas do barbarismo e falta de cultura teológica do papismo. A vocação monástica é chamada “renúncia” (como se os Santos Monges tivessem perdido alguma coisa e experimentassem alguma dor por isso) o universo monástico da península do Athos é chamado “ancrónico”. E o Legado Bizantino é referido como se fosse coisa estranhíssima. Os excomungados apresentam os Santos Monges como "cortados do mundo" como se alguém os tivesse ferido pelo anátema. E confessam os agentes papistas que ali não podem entrar câmaras (o que é verdade) nem mulheres, o que é exactíssimo. E também não podem entrar crianças, deviam ter acrescentado. Nem outros imberbes. É um mundo de homens propriamente ditos. Santos, claro. Ou esforçando-se por o serem tanto quanto possam. Mas homens. E livres. Deus é o Mistério Revelado à sua Igreja. E o homem, feito à Sua imagem é coisa misteriosa, de virilidade e liberdade insuportáveis para o barbarismo papista. Como em tudo se nota e outra vez se demonstra.

A VOLATILIDADE DAS NORMAS

A volatilidade da lei escrita é um dos sinais não apenas da ausência do Direito, mas da inviabilidade da sua presença. A túgária está a alterar os Códigos Penal e Processual Penal uns dois anos e meio depois da última alteração. Dois anos e meio como duração espectável da estabilidade de uma fórmula positivada, em terra onde os processos tendem a apodrecer entre cinco e dez anos na primeira instância, é imagem suficientemente elucidativa do estado das coisas, do estado das cabeças e do vazio de significado do que quer que seja. Depois há o modo como a corja se expressa. Querem estender os crimes em que haja prisão preventiva. Mas nenhum crime pode ser definido em termos tais que deva caber-lhe por qualquer automatismo a prisão preventiva. A prisão preventiva é para defender o procedimento e - em casos excepcionais - a segurança das pessoas e a ordem pública. Mas esta corja não sabe Direito. Nem tem que o saber, porque, justamente, se o arbítrio lhes basta, qualquer reflexão ou estudo sempre seriam simples inutilidades. Trazem os nervos em franja. E sentem-se no direito de trazer isso à produção das normas. O resultado é a simples anomia na acção legislativa, se acaso tal designação puder ainda ter lugar. Porque objectivamente isto traduz simples ausência objectiva de critérios legais. E espelha a radical ausência de qualquer critério, de qualquer objectivo, de qualquer posição doutrinária, de qualquer fidelidade à sensibilidade comum que é modo primeiro de revelação das intuições normativas da comunidade. Que gente esta. Tem de haver um esgoto por onde esta corja possa desaparecer da vida comum...

A ronceira cabeçorra da megera

A megera do PSD recusa o esforço da retractação quanto às escandalosas enunciações relativas à pretensa comparação entre Portugal e Grécia. Nós os gregos, achamos que ela devia retractar-se, sim. O Chefe do Governo na Santa Hélade não é propriamente um filho da independente. É até muito diferente disso. E – assim de repente – nãos estamos a ver ninguém que se pareça, sequer de longe, com um Vara. A Santa Hélade tem uma presença referencial entre Estados Árabes, com quem os Gregos mantêm as melhores relações. É vasta e organizada a Diáspora dos Helenos. São prósperos os seus comerciantes e industriais e a dimensão empresarial atingida por alguns deles faz empalidecer qualquer fenómeno empresarial na tugária, por mais pendurada no OGE que esta se revele. Mostrem-nos entre os tugas indecentemente favorecidos - e vivendo parasitariamente da pobreza da sua própria gente – uma empresa comparável à Niarchos Ltd, um homem comparável a Αριστοτέλης Ωνάσης, uma família com a capacidade da Casa Metaxa. Mostrem-nos a juventude de ânimo viril e apta a combater pelas suas convicções. Mostrem-nos os homens e mulheres capazes de ultrapassar duas guerras crudelíssimas e uma tensão militar permanente com mais de um século. Mostrem-nos os chefes capazes de conduzir as suas facções políticas em circunstâncias análogas. Mostrem-nos os poetas, os compositores, os pintores, os escritores que aqui haja embora se não vejam. Mostrem-nos a vitalidade das tradições e a fidelidade da gente nova que as recebe. Mostrem-nos os adolescentes capazes da ler e cantar uma pauta musical bizantina. Mostrem-nos os adolescentes que, como os gregos do Egipto, falem, escrevam e leiam quatro línguas com a mais natural espontaneidade. Mostrem-nos a fraternidade solidária entre aqueles a quem a pobreza exilou que possa comparar-se à consistência da organização das Comunidades Gregas do exterior. Mostrem-nos na culinária local um só prato cujo requinte se compare ao sabor de um só prato grego. Aqui só vemos a cozinha mais básica dos cozidos, grelhados e fritos. Como se a proibição da imaginação – evidente na escandalosa tugária - começasse na cozinha, como eventualmente começará. Como pode, como ousa, a megera do PSD – que nem a Língua Portuguesa consegue falar - dizer que a tugária está “no caminho da Grécia”? O caminho da Grécia é o da Glória. O da tugária é a morte.

Thursday, February 25, 2010

Prostituto, papista e heterossexual

A corja papista destituiu com rapidez um dos seus membros. Não se sabe se foi um mero afastamento. Ou eventual demissão do estado clerical. Pode até ter ocorrido simples fuga do pobre homem, a quem razões para fugir não faltam. Ou pode estar preso em qualquer lado. Heterossexual prostituído, o pároco oferecia os seus serviços sexuais a mulheres pela net. Mulheres. Gente adulta. Embora se não tenham tornado públicas quaisquer queixas de eventuais clientes, a coisa foi considerada horrível. Eles não querem mesmo heterossexuais ali. Tudo se perdoa, excepto isso. A prostituição, por si, não pode ter sido a causa de tanta severidade. Há ali outras prostituições que não são tratadas assim. É todavia difícil entender esta falha nos critérios gerais de recrutamento. Porque olha-se para o homem e não se vê nada em comum com a fisionomia ou compleição do bispo do Funchal, o de Tenerife ou até do antigo Director Geral dos Impostos da tugária. E na verdade eles costumam ser todos muito semelhantes em todas as latitudes, nas fisionomias, compleições, condutas. São praticamente iguais em Lisboa ou em Varsóvia. E este, realmente, não tem nada a permitir remetê-lo facilmente para essa padronização. Parece ainda que o homem sacou uns dinheiros das caixas das confrarias paroquiais para pagar serviços de linhas porno. Tal pretendido facto deve tratar-se de mero pretexto. E sempre seria, dadas as circunstâncias, coisa perfeitamente habitual. Haja em vista o que faz o fisco na Tugária. É precisamente isso. Saca o dinheiro a toda a gente - com razão às vezes, mas sobretudo sem ela - para sustentar a pornografia exibida todos os dias e à qual aqui se chama “política”. Para reflexão dos crentes junta-se mais esta ocorrência, cujo alcance parece algo mais que meramente terminológico. O arcebispo de Toledo quer uma perícia psiquiátrica ao homem. Modestamente sugerimos que essa perícia se estenda a toda a gente que em tais fileiras surja. Arcebispo de Toledo incluído.

Wednesday, February 24, 2010

A escumalha

Há coisas que definitivamente revelam características da escumalha. O riso é uma delas. As maneiras à mesa (isto é menos importante, mas igualmente incómodo). Há o léxico, também. E as distonias de voz sem causa orgânica. Os temas de conversa. Eis alguns modos de revelação de características fatais como o destino, é certo, mas com um enorme peso do enquadramento social. Podem traduzir evidentes situações deficitárias e as correspondentes inépcias. Mas não traduzem necessariamente a falta de carácter a inviabilizar qualquer confiança. Onde essa falta se nota é nas situações de tensão. A histeria da gente rasca fá-la perder, mais do que qualquer norte, a própria cabeça. Eles próprios dizem, aliás, que estão "de cabeça perdida". Têm a conduta de uma galinha sob o jacto da mangueira. E a coisa não difere muito da conduta da galinha nos primeiros segundos de uma decapitação súbita. Cabeça perdida é boa e exacta designação. Ora vem isto a propósito da extraordinária ideia - enunciada sob tensão política nem sequer extremada - de pôr os magistrados sob escuta, para preservar o segredo de justiça. Os magistrados são suspeitos. (Estamos de acordo). E quem o diz são outros magistrados. Trinta anos depois de um recrutamento obstinado de magistrados na baixa classe média, sem qualquer percurso que lhes permita o afastamento ou superação de tais limitações, o sistema, ele próprio, vem dizer que os magistrados são suspeitos de manter conduta de escumalha. E que não será contra natura esperar que optem pelo crime com mais facilidade do que se admitia. Portanto é necessário prever a sua vigilância por escuta telefónica. Fica por explicar, evidentemente, o motivo pelo qual os magistrados estavam - funcionalmente, segundo tudo indica- isentos de escutas, quando o Chefe do Estado e o Chefe do Governo não o estavam. E fica demonstrado que, na deplorável situação presente, é pura loucura qualquer confiança nas instituições. Tal implica, naturalmente, a quebra de confiança nos que são suficientemente suspeitos para que publicamente se advogue, nestes termos, a necessidade de serem postos sob escuta (os magistrados). E inviabiliza, também naturalmente, a confiança no aparelho que os escutará (conduzido por magistrados). Aqui chegados, deve relevar a assumpção por confissão espontânea do lixo que isto é. Procedendo-se pois aos despejos e limpezas que a salubridade exige. Ou aceitar um desfecho fatal - de consequências mais amplas - determinado pela actividade dos pólos de infecção em presença. Perdida a cabeça sob tensão branda, o aparelho surge num momento de revelação. É uma revelação à qual o aparelho não devia sobreviver.

Tuesday, February 23, 2010

Mota Pinto confrangido

Paulo Mota Pinto, professor de Coimbra e filho de professor de Coimbra, patrocinador de outro Mota Pinto assistente de Coimbra (tudo na pretensa e bastante estéril Faculdade de Direito) veio classificar a entrevista de Sócrates de Massada da Beira. Achou-a confrangedora. Se bem compreendemos – e parece que sim – o confrangido pretende opor à suspeita da patrimonialização ilícita de cargos de direcção política, a licitude da patrimoniaização nepotista e perfeitamente estabelecida de cargos públicos administrativos no sistema nacional de ensino. Num caso, a verificar-se – e parece que se verificará, se alguém puser nisso algum empenho – teríamos a construção de contratos onde Sócrates de Massada se alçaria às alturas de um Putin (e neste cenário ele” dizeria” qualquer coisa como -“olha, compra o Komersant”). Isso em Putin traduz-se num motivo de admiração. Afinal de contas o dono do Komersant era um mafioso insubmisso, muito mais estúpido do que é razoável admitir-se. No homem de Massada da Beira, engenheiro independente, esse mimetismo suscita o riso. (Até pelo resultado). Mas olhando o detractor Pinto, também não estamos mal. Porque, pela mediatização de uns concursos onde todas as cumplicidades são pressupostas, se chegou ao extraordinário resultado de cargos públicos de acesso hereditário. Isso antes da Revolução Francesa era simplesmente assim. Agora é caso de vómito, se não for caso de cadeia. Sócrates da Beira bem podia tratar disso. Três linhas num despacho bastariam para devolver a tais Pintos a noção das proporções. Por algum motivo, porém, a melhor solução ainda nos parece a do bom velho Vlad Tzepes.

tomar o conhecimento

O chefe do governo da tugária deu uma entrevista a um jornalista, filho de jornalista. Pretendido escritor, filho de escritora. Antigo advogado, filho de advogado. O chefe do governo não é filho de chefe do governo. Ainda não pegou a ideia romana da adopção pelo antecessor. É divertida a ideia de ver Sócrates de Massada enunciar cerimionialmente o título de “filho de Guterres” e “neto de Cavaco”. Como Adriano se reclamava neto de Nerva e filho de Trajano. Isso seria divertido, mas não é antevisível. Quando muito é filho da independente, no que à alegada Engenharia respeita. Está a ser censurado, o chefe do governo, por dizer que não sabia. Mas isto é uma terra de gente que não sabia. Terra de funcionários, sai-lhes muito a minuta do “não tomo conhecimento”. É o que ouvem ao chefe. A frase parece-lhes distinta. Porventura mesmo inteligente, embora à ignorância voluntária caiba sempre a classificação de estupidez. A execranda tugária é uma terra de gente que “não tomou conhecimento”. Gente que todavia “já tinha dito”. E até, que “sempre disse”. É por isso que o imundo léxico da execranda tugária vai perdendo amplitude, sentido e nexo. Mas isso não pode ser imputado a Sócrates de Massada. Nem sequer à Independente. Isso simplifica, apesar de tudo. A todas as frases feitas que o tuga médio arrota, cabe sempre uma resposta muito simples e muito grega: - porra. E eventualmente a lusitanização dessa grande palavra: a porrada. É praticamente impossível imaginar o alarve médio com uma arroxada pelas ventas abaixo, a rosnar, solene, o “não tomei conhecimento”. Assim sendo, parece esta a terapêutica recomendável para tão velho e sinistro mal. É também uma forma adequada à progressão intelectual táctil que parece caracterizar tais criaturas. (A coisa liga-se à dificuldade na compreensão de ideias gerais). O chefe do governo disse ainda duas coisas engraçadas à saída. Disse "crise" por crime. (Isso está substancialmente certo). E "dizeria", por diria. É ver agora o que "fazerão" os seus detractores. Mas na execranda tugária há muita gente que ainda não tomou, nem toma, conhecimento das regras da conjugação verbal.

Monday, February 22, 2010

Chefe do Governo Israelita indiciado por homicídio

O assassinato é um vício e não uma arma política. Não é admissível. Como os bombardeamentos de fósforo não o são na guerra. E o assassinato de um militante palestiniano e dirigente do Hamas enche de justa fúria o Emir que o havia acolhido (e não deve ser o único príncipe enfurecido, não falando já do Sultanato do Omã e demais reinos e repúblicas árabes). O Hamas será um inimigo. Ainda incapaz de proteger a população que se lhe confiou, mas já capaz de fazer com que Israel tenha precipitadamente posto fim a uma ofensiva militar no território. Todavia a “guerrilha de Estado”, consubstanciada em assassinato (terrorismo de estado seria dizer melhor), não tem legitimidade para se queixar da “guerrilha militante” que se olha - digam o que disserem os outros - como resistência e reage no atentado. O terrorismo de estado jamais será legítimo. A Interpol tem agora o rude trabalho de enfrentar a política externa americana. E nas relações internacionais, os árabes têm o rude trabalho de impor o Direito. Trata-se de saber se um homicídio é um homicídio, ou não. Havendo a registar, evidentemente, a protecção que um Príncipe Muçulmano deve outorgar àqueles a quem acolhe. Onze agentes da Mossad foram identificados pela polícia do Dubai. Que também responsabiliza o próprio Estado de Israel. O Chefe do Governo está indiciado. Esperará que a tempestade passe. Mas estas tempestades não passam. E os USA têm de rever a sua terminologia. Onde escrevem “constância”, deve ler-se “burrice”. Essa gralha tem de ser corrigida.

Sunday, February 21, 2010

Fevereiro de 2010

Enquanto a União Europeia procura remendar a crise grega, em ordem a travar a tentação da confederação dos Estados dos Balcãs, os USA e a OTAN parecem apostados em travar militarmente o declínio americano, em parar pela dissuasão militar o novo pólo económico de desenvolvimento, visando, parece, obstar pela guerra, ou pela ameaça dela, à (geograficamente evidente) unidade eurasiática. Usam o pretexto do Afeganistão e do Irão. (Há até quem pense que a presença do Sheik Ossama é simples invenção da CIA). Repartem custos com os estados vassalos e aliados. Acentuam o cerco militar da Rússia - continuam a querer por-lhe misseis a vinte Km da fronteira Ocidental - e estendem o cerco à própria China, que provocam sem pudor nem medo, na esperança – que é em si mesma uma loucura - do enfraquecimento pela secessão territorial e, nem sequer discretamente, estimulam essas perspectivas quanto a Xiang Jiang e ao Tibete, porventura sonhando já com a Manchúria. Na Europa, fazem os USA questão de sublinhar o seu papel na segurança europeia. E usam a subalternidade e fragilidade da Roménia e da Bulgária para ali instalarem parte do seu escudo de mísseis (falhado o projecto ucraniano) e aí obtiveram uma imprudente – e seguramente precária - anuência de governos que nem receberam mandato eleitoral para tanto, nem têm a legimidade política que ultrapasse a de uma mera fracção, conjunturalmente mais votada, é certo, mas que não basta para comprometer os seus países com tal perspectiva belicista. Uma tal guerra, como a que ora se giza, traduz-se em derrota certa, com abertura de novas frentes e sem qualquer possibilidade, remota que seja, da disponibilidade de recursos financeiros para tal aventura. Talvez seja, por isso, um (dispendioso)"bluff". Mas a resposta não pode sê-lo por ser resposta às inquietações semeadas. Terá Obama nesta ofensiva o simples papel de um lubrificante? Tudo indica que sim. Mas até isso parece estar ressequido. O Tratado Start dificultou-se. A Rússia alterou em conformidade – e em velocidade record – a sua doutrina militar, acelerando a prossecução do re-armamento e intensificando, com o vigor da urgência, os contactos com os seus aliados que perderam qualquer possibilidade de cepticismo perante a conduta da OTAN. E a população russa sente isso como um projecto prioritário. A evolução recente da situação na Bósnia com preparativos de avanço militar sobre Banja Luka é parte integrante da reiterada provocação à Rússia. Vamos ver, primeiro, se os USA conseguem evitar a falência financeira, objectivo para o qual dependem em muito da boa vontade chinesa. Sem dinheiro eles não têm fidelidades. E não está excluído, como desfecho de uma vitória no plano das relações externas, o ingresso da Rússia na OTAN. Isso transformaria a Aliança na inutilidade absoluta. Mas, por enquanto, aquilo é uma inutilidade muito nociva e muito perigosa. Operacionalmente dirigida por gente francamente estúpida, saída de uma geração que não conheceu a 2ª Grande Guerra e não tem suporte vivido a permitir-lhe uma noção plausível de coisa análoga.

Friday, February 19, 2010

Ludwigshafen

Menos de um ano depois de Winnenden (onde um garoto de quinze anos matou 15 pessoas na escola local suicidando-se em seguida) foi a vez de um ajuste de contas em Ludwigshafen. Um antigo aluno da Escola foi cobrar a desqualificação recebida do antigo professor que lhe deu notas baixas. E abateu-o. Não foi abatido pela polícia e entregou-se. Terá ainda esperança. E alguma confiança em alguma coisa. Confessou-se até cheio de raiva. A ocorrência foi notícia. Mas a notícia é, nestes casos, sempre a mesma. O arbítrio das vítimas é em regra mais fácil que o dos vitimadores. É só questão das vítimas ousarem entender isso. Perceberam mal o problema aqueles que vêm e pervertem o Direito como se de coisa sua se tratasse. O rapaz ruma agora a um futuro previsível. Mas o abatido não fará mal a mais ninguém. É provavelmente assim que o rapaz vê a coisa. E ninguém estará facilmente em condições de lhe dizer se ele tem razão, ou não. O poder exercer-se-á facilmente posto que ele o aceita. Mas a Justiça exigirá sempre algo mais do que isso.

O "lambecús"

Nem insistiram muito em chamar-lhe fascista, parece. Só escreveram nos cartazes "lambecús". Não lhe concedem qualquer respeito, sequer remoto. Para aqueles estudantes asturianos, Aznar é um merdas. Apenas. Cúmplice servil de um genocídio. Chamaram-lhe “presidente” por piada. Aznar perdeu as estribeiras. Foi a última coisa que perdeu. Não a única. Foi à Faculdade de Economia, cercado de seguranças, para explicar que um pirómano não pode ser bombeiro. E os rapazes riram-se. Dele. Blair, se bem nos lembramos, sempre montou em pelo. E a Barroso nunca teriam sido úteis as estribeiras, que ao vilão da peonagem tal problema nem se põe. Mas Saddam Hussein - horrível criação americana - foi assassinado numa forca, ouvindo vivas aos seus inimigos, por sentença de caricatural juiz que não disfarçava as expressões de ódio pessoal. E a guerra continua. Sim, Aznar é um merdas. A "educação" nacional-católica fez dele um funcionário. "Categorizado", imaginar-se-ia. Mas com automatismos de funcionário. E servilismos à escala. Os semelhantes a ele vieram falar em "respeito". Mas o homem não merece segundo olhar. Não importa quem seja o pai, ou quem tenham sido os avós. É um merdas, sim. E não é o único. Os miúdos riram bem.

A clareza de Joe Stack

Sentindo-se inábil para expressar os seus pensamentos com graciosidade e clareza Mr. Stack decidiu mergulhar no seu monomotor sobre uns serviços fiscais em Austin, Texas. No mesmo edifício funcionavam umas dependências da CIA e do FBI. A fachada caiu. O edifício incendiou-se. Desapareceu uma pessoa (além dele próprio) e duas outras foram hospitalizadas. Os serviços fiscais mudarão presumivelmente o local de funcionamento. Ocorreu ao principio da manhã de dia 18 de Fevereiro. Dois caças da Força Aérea levantaram voo na sequência da acção suicida. Não se percebe para quê. Mr. Stack conseguiu, por uma vez, ser radicalmente claro. Isso não é possível negar-lho. Ninguém teria sido mais claro, Joe. Mais eficaz, talvez. Mais claro, não. E estamos de acordo em quase tudo.

Thursday, February 18, 2010

Gabriela Cunha Rodrigues mantém proibição, advogados da Ordem em abuso de posição

O ex-policía Gonçalo Amaral viu hoje confirmada a proibição judicial de abuso de posição e de informação reservada para publicar livros sobre o caso Maddie. O Ex-polícia, criminalmente condenado no âmbito do caso de tortura de Leonor Cipriano, era defendido por membro do Conselho Superior da Ordem, enquanto os McCann eram representados por Pinto de Abreu papista presidente do Conselho Distrital de Lisboa da mesma Ordem dos Advogados (que tem a ICAR como igreja oficial e promove missas oficiais). A decisão judicial é óbvia. É evidente que um polícia, ou ex-polícia não pode abusar da informação à qual tenha tido acesso exclusivo no exercício de funções, assim como é óbvio que não pode abusar da posição no sentido de deixar supor, ou insinuar, que conhece factos comprometedores para qualquer cidadão mesmo que os não diga e cuja prova não produziu em processo. A utilização pessoal de informação privilegiada com o propósito de ferir, perseguir, ou por qualquer outro modo lesar particulares, não tem nada a ver com a liberdade de expressão. O tribunal decidiu bem. Mas envolvendo a decisão do tribunal está uma monstruosidade (à qual o tribunal é completamente alheio) e se traduz no facto de ninguém se atrever a enfrentar um advogado membro dos corpos da Ordem, sem ser com outro advogado membro dos corpos da mesma Ordem. O risco de perseguição é efectivo para advogado que saia à estacada sem ser nesses enquadramentos. Porque a gentalha da Ordem permite-se ser juiz em denúncias próprias, com radical ausência de defesa dos advogados vitimados por tais práticas. E é esse o significado de ali se enfrentarem, como advogados, o Presidente do Conselho Distrital de Lisboa com um membro do Conselho Superior. Isto não pode ser. Ou aquilo é extinto, ou eles suspendem o exercício profissional enquanto desempenham cargos da Ordem, ou (é uma terceira possibilidade) se retiram à Ordem quaisquer funções de natureza jurisdicional, embora assegurando-lhe a audição prévia como representante da profissão (ou uma das representações possíveis da profissão). Caso contrário temos tão simplesmente violação da disciplina da concorrência e abuso (permanente) de posição (indesejavelmente) dominante por parte daqueles titulares (e, por consequência, das capelas, sacristias, lojas, sociedades, partidos e outras agremiações a quem devem a promoção e as vitórias eleitorais para que as sirvam). Tremenda tugária. Até a razoabilidade de um juiz aparece contaminada pela sórdida (e perigosa) mesquinhez.

Wednesday, February 17, 2010

RATZINGER E A IRLANDA, O PAPISMO E O MUNDO

O execrando Ratzinger reúniu com os seus execrandos bispos irlandeses para “resolver” coisas sobre a execranda conduta da correspondente gente no Eire. Violação de crianças, claro, entre outras violações de direitos da infância. Veio dizer que ali há um problema de fé. Que novidade!... Isso já Montherland o tinha escrito há décadas. Isso já o Santo Patriarca Photius de Constantinopla o tinha notado há mais de mil anos. Quer "restaurar a credibilidade da igreja". Isso porém não parece possível. Entretanto, os bons velhos teutões estão com os nervos em franja ao aperceberem-se que o abuso verificado num colégio de jesuítas de Berlim está longe de ser caso isolado no país. Como sempre nestas coisas, a primeira leva de reacções papistas é a da cretinice mais descabelada e também aqui se não fugiu à regra, tendo o execrando bispo Mixa vindo dizer que isso da “culpa” da pederastia é da “revolução sexual” (vejam-me bem o imbecil) e também – acrescentou - da ressocialização como fim das penas no Direito Penal. Estará ele a falar de si próprio, em alguma medida? Sentia-se mais confortável com a repressão e a fogueira, parece. (A fogueira sempre permitiria queimar as vítimas). O idiota de Tenerife dizia que a culpa é das vítimas, como costumam dizer os violadores. Este acha que a culpa é da liberdade. Tivesse a ICAR conseguido manter as suas fogueirinhas e tudo seria diferente. E diferente seria, não há dúvida nenhuma. À parte isto, de Roma, como de Berlim e de Dublin, elevam-se execrandas declarações de execranda boa-vontade dos papistas. Isso visa, dizem, pagar. Mas não há preço que baste. E a única forma que teriam os execrandos papistas de se mostrarem úteis era extinguirem-se. Porque estes problemas, como sempre o temos dito, ou decorrem de um critério geral de recrutamento, ou decorrem de mecanismos gerais de perversão dos homens pela organização. Num ou noutro caso é a organização que deve ser colocada em posição de não poder repetir o que tem andado a fazer. Isso é questão a tratar pelos tribunais e pela cooperação judiciária internacional, claro. Mas também uma questão de política global. Trinta e cinco mil vítimas na Irlanda, por exemplo, sabendo nós que a maioria das vítimas não falará nunca, é coisa com um impacto social arrasador e provavelmente não apenas num país (a diáspora irlandesa é vasta). E quantas vítimas terá havido na tugária? E por que modo esse número (seguramente desproporcionado) contribuiu para fazer disto a terra de gente execranda que isto inquestionavelmente é?... A imunda organização actual do papismo deve ser extinta. A falência é forma de extinção tão boa como qualquer outra. É preciso extinguir aquilo.

Barroso e Constâncio: orgulho da tugária

A tugária exporta serventuários. Quem diria que a produção de gente abaixo de todas as classificações poderia ser rentável? Depois de Barroso, Constâncio. Na tugária a classe dominante não se incomoda em descer às tarefas de estado, entrega-as a sócios comanditários. O filho do caseiro. O filho do contínuo. O filho do polícia. O filho do gasolineiro. Não há exemplo na Europa de uma tão grande falta de respeito pela dignidade do estado. O filho do Marquês vem à direcção da Direita Espanhola, o senhor d’Estaing e o príncipe Poniatowsky vieram à direita francesa. O herdeiro da coroa imperial da Áustria (ele próprio) veio à direcção da direita alemã. Já o labrego tuga se dispensa disso. Enriquecido pelo esclavagismo tardio do estatuto do indigenato, pela venda de toneladas de feijão pôdre ao exército, ou simplesmente pela decisão política de Salazar que o mandou fazer bancos, o labrego pensa (“honestamente”) que pode “contratar” o governo à sombra do qual viverá. (Nem sequer se importando que surjam outros como ele, como os Loureiros plantados de estaca por Cavaco).E assim a tugária produziu este fenómeno único de àvidos e mediocres sopeiros graduados. O clero papista – sodomizando-os desde a mais tenra infância – enraízou neles uma ideia da humildade, da confidencialidade e da funcional ausência de limites do poder. Os mais republicanos terão suportado, em vez do senhor padre cura, um qualquer venerável com gostos análogos e cara parecida. (É menos repugnante a cara de Ferro Rodrigues que a de Policarpo?)... Sabem obedecer. Jamais saberão mandar, mas sabem matar, constranger e, sobretudo, sabem ignorar. Não se esperaria que tivessem alguma utilidade para alguma outra coisa, ou para mais alguém. Mas ei-la. Os membros do Directório de Estados da Europa não desdenham o emprego destes pobres diabos, imprestáveis para tudo a não ser para isso que os contratam. O Directório de Estados não precisa de dispersar os seus quadros. Nem de se incomodar demais com uma Europa onde o controlo das instituições pode ser telecomandado ou delegado em gente muito obediente. Os subalternos tratarão disso. Vindo até de estados vassalos. Estados falhados. Protectorados potenciais. E só há um estado capaz de integrar tal tipologia com radical perfeição: a tugária. E quem melhor na tugária para supervisionar o sistema financeiro europeu do que o serventuário com as provas de ter falhado em tudo na supervisão do sistema financeiro autóctone?

Sunday, February 14, 2010

A IMPRENSA E A JUSTIÇA

Granadeiro, mignon do Arcebispo de Évora, alcandorado a alturas com as quais nunca sonhara, sente-se encornado. Saberá reconhecer quanto sente por não ser a primeira vez. E di-lo a rir-se, como os mansos. Tudo conforme. Mas neste alarme da gente (sobretudo de direita) perante a tentativa de controlo da comunicação social pelo primeiro-ministro, há coisas a serem esquecidas. A primeira das quais é que a comunicação social já está sob controle e que, portanto, um tal projecto seria um desalojamento de parte dos controlos actuais. Isso não seria em si próprio nem mais nem menos negativo que a situação presente. Depois era importante ver quais são os mecanismos do actual controlo e isso é fácil, por serem coisas do mais bacoco que há. A concentração de títulos e a titularidade do capital social das respectivas sociedades é alguma coisa, mas definitivamente não é tudo. Também há a “concentração de jornalistas”. Uma escola como a Católica pode dar títulos aos jornalistas “professor universitário” por exemplo e simultaneamente dá-lhes uns cobres a ganhar, propicia-lhes umas exibições e, evidentemente, tem a boa vontade editorial da equipa liderada por eles. A “universidade independente” era um desses casos. A “moderna” tinha-o sido, também. A “universidade católica” nunca deixou de o ser. A “universidade lusófona” vai-o sendo à sua escala. São mecanismos permanentes de distorção. Mas ainda há outros. Que vão da “press list” da embaixada americana, a todas as “press lists” concebíveis. E há o desvirtuamento infinito introduzido pelas agências de publicidade, porque o negócio da “imprensa portuguesa” (compreendendo o audiovisual) não são as notícias, nem a análise, nem a autoridade intelectual - ou a prospectiva - da opinião pessoal, nem sequer a mobilização da opinião pública, que de resto a imprensa simplesmente não mobiliza, ao menos aqui. Um bom trabalho jornalístico seria investigar a corrupção na imprensa (que vai desde a encomenda de silêncios e escândalos à publicidade não autorizada, passando pela concorrência desleal). O negócio da imprensa é a publicidade. Os jornalistas são funcionários que recortam e colam coisas das agências noticiosas e dão eco a um ou outro escândalo emergente das frequentes zangas entre a gente rasca que lhes controla os pontos e os teclados, sempre em risco perante um sistema judiciário que, ainda assim, encontra motivo para perseguir jornalistas e efectivamente os persegue em violação evidente do art. º 46º da CEDH. Mas globalmente, são mais as coisas que a imprensa portuguesa cala do que aquelas das quais pode ou quer falar. O negócio da imprensa é a publicidade, porque o negócio da imprensa é o do sistema político. E por isso a imprensa partilha do seu desprestigio. Como “a justiça”. Todos têm um estigma comum: a escandalosa restrição do léxico, a insuficiência no manejo da Língua, a circunstância de falarem muitas vezes do que não sabem e portanto, nada terem a dizer que mereça ser lido ou ouvido, a não ser às vezes, como anedota (e isto desde o discurso parlamentar, à notícia de jornal, passando pelos acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça). O primeiro-ministro quis fazer alguma coisa disto, ou nisto em quanto respeita à imprensa? Eventualmente sim. Qual é a diferença? Eliminaria uns agentes de outros. Eventualmente sim. As sequelas organizacionais da casa do sino enxofram-se com o Grande Oriente e fazem rebentar em cima da gente deste todos os escândalos que conhecem. E este gostaria de tirar dali os agentes daquelas coisas. Por nós, podem tirar-se uns aos outros de todo o lado. Daqui virá algum progresso se - e apenas se – com isto se conseguir uma redução substancial dos funcionários prostituídos do jornalismo autóctone. Ainda assim há os canalhas do papismo (que não deviam ser esquecidos e vão sobrevivendo a estas periódicas tentativas de razia). A recente questão do Sol tem alguma graça, em todo o caso. Mas só porque José António Saraiva é, nisto, um fenómeno atípico. Seja como for, os melhores em distribuição no território continuam a ser o El Mundo e o El País. As melhores estações de televisão continuam a ser a France 24, a TV5, a BBC e a CNN. E o melhor modo de suprir as lacunas de informação é a Net. E a Liberdade de imprensa em Portugal, como qualquer outra forma de liberdade de palavra, só poderia ser atingida com o estabelecimento de organismos de informação e debate fora das fronteiras. Nem os advogados têm já, ou podem ter, palavra livre nos tribunais.

Friday, February 12, 2010

BELO NÍVEL

A ordem dos advogados da tugária tem gente assim nos conselhos distritais. E nos de deontologia. E de alguma coisa hão-de ser representativos, uma vez que são eleitos. (Deus saberá a troco de quê e com o dinheiro de quem a pagar-lhes as campanhas). Verdadeiros alarves. Umas vezes esquivando-se por cobardia. Outras apostando na violência. Agora imagine-se o que pode fazer um homem normal com gentalha desta como “decisores disciplinares”. Se esta gente tem estatuto de advogado, os homens normais não o podem ter. De certeza.

Ele que pague as próprias contas

A National Secular Society entrou em cruzada contra a visita de Ratzinger ao Reino Unido. O homem pode lá ir, claro, visitar aquela gente que eventualmente o siga. Mas já serem fundos públicos a pagar isso é outra questão. O Reino Unido tem mais que fazer ao dinheiro. “Façam o Papa pagar” é o título da campanha contra a visita programada para Setembro. Vai haver manifestações públicas e seria bom que gentes de toda a Europa fossem lá solidarizar-se com a National Secular Society. O homem que pague as viagens próprias como toda a gente. Há crise, ou não? Mesmo que não houvesse crise, haveria certamente melhor destino para vinte milhões de euros. Ter aquele emplastro ali, já é incómodo. Ter que largar duas dezenas de milhões ainda por cima, é francamente excessivo. É assim mesmo. Apoiado. Ele que pague ou vá a nado.

O SOL, O ALVES, O NASCIMENTO E A JUDITE

O Sol esteve-se nas tintas para a decisão judicial que lhe vedava a publicação do que pretendia publicar. Isso está globalmente certo neste caso. O tribunal não pode atravessar-se nestes domínios e nestes termos, embora possa discutir e decidir, a posteriori, a publicação como conduta lesiva. Não incumbe a um tribunal travar o debate político. Isso é impensável. Mas como eles não pensam, nada do que é impensável os impressiona. Se o tribunal intervém no debate politico, deve ter uma réplica nesse plano. E assim sendo, o Sol reagiu bem. Era agora questão de resistir à tentação das espertezas do Rogério Alves, a sugerir que o Sol não foi notificado. Ele que use essas espertezas no gang que lhe pagou para controlar a Ordem dos Advogados, ainda cheia com a escumalha que ele lá plantou. É preciso estarmos à altura das decisões próprias. Pelo menos isso. O Sol não deveria prescindir da nobreza da posição tomada em favor de um truque pardo, congeminado no cérebro de um animal rastejante. Entretanto, Noronha do Nascimento, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, veio dar uma entrevista à D. Judite – antiga docente da independente- e aquilo foi um doloroso momento de verdade. Mostrou-se homem desprovido de qualquer elevação, de qualquer educação, de qualquer noção do que quer que seja, cheio de trejeitos e tiques de gente rasca, mas, não obstante, cheio de si, sendo certo que é tão pequeno que a mais pequena coisa poderia enche-lo em qualquer circunstância e, portanto, seria escusado enchê-lo com a presidência do STJ. A personagem não tem nada dentro da cabeça. Perguntado quanto à posição da opinião pública relativamente à sua decisão, disse que há coisas que as pessoas com experiência decidem melhor do que as que a não têm. Mas se o argumento da experiência fosse absoluto, teria sido escusada a Revolução Francesa. Ninguém tinha mais experiência de Estado que o Rei e, assim sendo, Noronha do Nascimento estaria então e ainda hoje servindo na gleba, onde porventura se notariam menos a sua grosseria e a sua estupidez. A resposta evidente seria que as tarefas da opinião pública não são as do Supremo Tribunal de Justiça. E não são. Mas a evidência para esta gente é dolorosa. Fogem das evidências com medo de se verem a si próprios. Ficou-se então pela experiência. Um pouco como quem diz que o burro na montanha vê mais que o cavalo na planície. Isso é globalmente verdade, claro. A menos que o burro seja cego. E esse parece ser o caso.

Thursday, February 11, 2010

A Tugária, as escutas, a censura e os tribunais como polícia política

O Sol foi parado (por providência cautelar) para não continuar a publicar as escutas. Não se sabe ainda se sairá a edição de amanhã. Temos algumas observações a fazer. 1º É uma loucura imaginar que se pode fazer um investimento - com segurança mínima - num órgão de imprensa sediado na tugária. É evidente que a liberdade de imprensa só pode ser assegurada com publicações sediadas fora do território. É, por isso, igualmente evidente que uma tal prática merece ser levada ao Tribunal de Justiça da União Europeia a ver se isto acaba de vez. 2º Não se faz esta gestão de uma coisa destas, o jornal não pode fazer a publicação de tal coisa por episódios a menos que pretenda transformar estes incidentes em propaganda própria (e não é má propaganda, por acaso). 3º O facto de um tribunal fazer uma coisa destas significa que o juiz não faz a menor ideia do que anda a fazer. Na verdade, uma coisa é que o STJ tenha declarado que o produto das escutas era irrelevante para o processo criminal e que, em conformidade, as escutas devessem ser destruídas, no fim do processo, como diz a a lei, se nenhum interesse de peso maior a isso se opuser. 4º E na verdade há interesse maior em oposição. Antes de mais, a fiscalização política da actividade do governo. E depois, a História Política do país. Nem os tribunais são donos da História. Não faltaria mais nada que ser um tribunal a dizer o que as gerações futuras têm, ou não têm, o direito de saber quanto à história política do país. São as gerações futuras quem julga o direito das presentes e não o contrário. 5º No plano do debate político, sempre se dirá que não há nada mais patético que ver o execrando Moniz a bramar pela liberdade de imprensa diante do execrando Sócrates. Convém não perder a noção das proporções. Os monstros podem achar-se preferíveis uns aos outros. Mas nós não temos de escolher entre monstros. Teremos sido claros?

Barroso: excesso de lastro para o Euro

No dia seguinte ao da validação parlamentar da Comissão Europeia – com a vitória dos hipócritas, como gritou Cohn-Bendit - o Euro continuou a cair. Não obstante, Bruxelas anunciou que apoiaria a Grécia. Mas este é um outro problema. Que credibilidade tem a pardacenta gente de Bruxelas face aos mercados? Que podem os investidores esperar de funcionários? Que pode ser o execrando Barroso senão um funcionário?... A Europa precisa de um governo económico, diz-se. Talvez. A existência de um governo económico da Europa, ou da simples consciência dos deveres políticos gerais dos organismos políticos centrais, poderia Não ter sequer permitido a eclosão da crise Grega. Bastaria uma imposição política suficientemente enérgica – no plano das relações internacionais - para dispensar a Grécia de gastar 4% do pib em despesas militares face ao risco permanente que para ela significa a agressividade da Turquia. Cohn-Bendit fê-lo notar e com razão. Mas isso exigiria alguém com dois dedos de testa na Comissão Europeia. Ao invés disso há apenas o chorrilho de banalidades do funcionário Barroso. Um funcionário de merda. Com a merdices de sempre. Uma criatura de décimo plano. Porque nenhum homem de primeiro plano aceita viver a subalternidade que para Barroso é brilho bastante. E o semelhante gera o semelhante. Há coisas que não podem nunca ser melhores do que os homens que as fazem.

A merda do funcionário de merda (que é sempre a mesma)

É a primeira vez desde há muitos anos que se verifica um despejo em França em pleno Inverno. O Abbé Pierre conseguiu provocar, há muitas décadas atrás, uma comoção geral ao anunciar ao país que havia encontrado uma velha, moribunda, na rua, segurando na mão, ainda, enquanto morria de frio, a ordem judicial de despejo. E isso nunca mais voltou a ocorrer desde então. Não há despejos no Inverno. Melhor, não havia. Porque há sempre uma besta de um funcionário capaz de fazer recuar num segundo – por simples conveniência do seu horáriozinho - vários séculos de aquisições da generosidade, ou da simples noção das proporções. Este funcionário é evidentemente um homem banal. E essa banalidade é exactamente o que há de mal nisso e nele. Este monstrozinho não precisa de formação nenhuma. Não é preciso fazê-lo compreender nada. Basta impedi-lo de fazer barbaridades destas. Ele não precisa de formação. Precisa de hierarquia. E convém que o hierarca traga uma chibata de montar na mão. O funcionário (aquela merda de gente) veio dizer, justificando a medida (administrativa), que o edifício estava muito degradado havia anos. Portanto já o estaria na Primavera passada, não? Que coisa os impediu de fazer isto nessa altura? As organizações cívicas e militantes de solidariedade não se lembraram de pedir uma suspensão de eficácia do acto administrativo. E pronto. O funcionário foi dormir para casa. E os miseráveis que se alojavam no pardieiro (havia anos, sim) ficaram no meio de um nevão. Que coisa faremos ao funcionário? Esfregamos-lhe o focinho na neve, para o acordar?

Tuesday, February 9, 2010

RATZINGER CONDENA

Voijtila exigia ainda a obediência a Groer ao horrorizado laicado austríaco. Corria o ano de 1995. Mas os austríacos forçaram a resignação. Foi o inicio da lenta viragem. Ratzinger foi responsável, nesta época, pela instrução geral de silêncio protegendo a pedoclastia na mais repulsiva forma de violação de crianças e trabalho forçado de menores desvalidos privados até de escola. Os mesmos problemas em todo o mundo. Onde há corja papista, estes fenómenos estão enraizados. É o papismo que deixa tal gente em tão deplorável estado, ou o recrutamento desta gente decorre da matriz geral de selecção? Tanto dá. Há dias, a única estrutura que preservava ainda a respeitabilidade foi envolvida num escândalo peculiar. Jesuítas, elite educadora de elites, violavam jovens adolescentes num colégio alemão de elite. Estranhíssimo. Inaudito. Membros da elite alemã violentamente sodomizados desde amais precoce infância, é chocante. Imaginamos os tugas nesses preparos. Com facilidade, aliás. A gente olha-lhes para as caras e, realmente, só pode ser isso. Isso explica muita aliança na tugária desde o humanista Teixeira Gomes ao cardeal Policarpo vão vastas as coincidências de gostos e práticas. E tudo lhes está nas ventas. Escarradinho. Mas isso entre os alemães era inimaginável. Esperemos que a Alemanha trate disso. E que trate disso à alemã. Pois agora, visando a Irlanda o Ratzinger decide “condenar” a pedoclastia e ao invés de assumir isso como característica da estrutura que comanda, vem com a treta em cujos termos “alguns homens” (homens?)... E alguns homens mas em todo o lado do mundo, cobertos por todos os outros homens da estrutura até que a situação se tornou insustentável?... Pois sim velho repugnante, condena, condena, mas os termos da tua condenação caem sobre ti. Os pedoclastas caem, sim. Mas porque haveriam de cair sem ti, criatura repulsiva? E quando falarás tu da imunda tugária e dos horrores que aqui ocorreram e ocorrem com os da tua corja?

Monday, February 8, 2010

CAVACO DE BOLIQUEIME E SÒCRATES DE MASSADA

Chamarás lei à coerção com a qual te impões aos teus inimigos, de molde a que sofram a tua vontade. Chamarás liberdade de informação à actuação dos canais pelos quais exigirás ouvir dos teus inimigos a conformação à tua vontade, sob a forma de dor, ou sujeição. Escreverás até sujeição na lei. Chamarás justiça ao aparelho de serventuários que reputarás sagrado e a quem incumbes da fixação punitiva e definitiva, da imagem dos teus inimigos diante do povo, quanto a quem a pobreza e o crédito asseguram o medo e a submissão, sem necessidade de maior terror. Chamarás imunidade, privilégio ou irresponsabilidade, conforme os casos, ao estatuto dos teus serventuários pelo qual lhes permitirás traficar em prol dos seus apetites e por modo tão repugnante para a moral subsistente que por nenhuma forma lhes passe pela cabeça qualquer vontade pessoal acima das questões próprias dos seus ventres. Às aflições consentirás o apelo a Deus, desde que os sacerdotes sejam pedoclastas e tão sórdidos como quaisquer serventuários teus. Mas organizarás o laicismo em maçonarias que o sejam também de traficantes de tudo. Não consentirás nenhuma normalidade de ânimo em qualquer ponto do teu horizonte político ou pessoal. Falarás apenas de lei, ordem, segurança, estabilidade, crise, retoma, desenvolvimento. E de ti próprio. Isto dito, Satanael calou-se sorrindo diante da perversão obtida. E ali os temos. Cavaco. Sócrates. Portas. Policarpo. E os seus sicários, sequazes e fâmulos. À sua interação chama-se "situação política".

ELEIÇÕES UCRANIANAS

Durante seis anos, a CIA impôs uma crise à Ucrânia sem lograr impor a solução dela. Apoiou-se na minoria de origem polaca da Ucrânia, nas nostalgias do independentismo germanófilo (alinhadamente nazi e oferecido ao oportunismo papista como uniata) bem como nas aspirações autocefalistas dos Ortodoxos dissidentes do Arcebispo Mtzlav (radicado no Canadá com uma comunidade ucraniana brilhante que o Patriarca Ecuménico não desdenhou de receber sob o seu Omofórion). Em reforço pôde ainda usar a decepção do Metropolita Filaret de Kiev, locum tenens do trono patriarcal reduzido ao estado laico e cujo clero, evidentemente, não aceitou tal solução. Os vectores de Mtzlav e Filaret acabaram por, no decesso do primeiro, ponderar a organização comum sob a mitra do segundo, mas a isso obstou Bartolomeu I. Todavia ninguém logrou convencer a maioria do laicado que permaneceu fiel ao Cânone. Foi a mesma história. Não lograram a vitória, mas impuseram o cisma. A pseudo-revolução laranja fez-se destas coisas. E a desorganização que se lhe seguiu teve apenas a (imensa) vantagem de impor uma liberdade de palavra à prova de bala com alguns reflexos (muito) positivos na liberdade de imprensa à qual, evidentemente, não faltou matéria de protesto. A menina das tranças pôde exibir durante seis anos os seus talentos, que de resto virou com razoável eficácia contra o aliado da véspera hoje reduzido ao desprezo dos seus compatriotas. Chegou agora o momento de ser realista. A Ucrânia está partida em duas, mas sempre o esteve. Já no reinado de Catarina II estava partida em duas. No essencial. Stalin não facilitou as coisas, com sua visão dos direitos da vitória, instalando a Ucrânia sobre território historicamente polaco e retirando à Moldávia um braço do delta do Danúbio que também deu à Ucrânia. Essas coisas têm consequências. Mesmo que os greco-católicos sejam tão detestados pelos polacos como pelos outros ucranianos. E são. Revelaram-se um (comparativamente pequeno) vector de resistência ao domínio russo. Mas os ortodoxos são um (comparativamente esmagador) vector de resistência ao domínio polaco e ao uniatismo. Têm um campeão comum: Bogdan Kmelnitsky. A liberdade religiosa da Ortodoxia assentou, contra Sigesmundo Vasa, na bravura indomável dos sabres cossacos. A Ucrânia Oriental não esquece que é russa e, aliás, a primeira Rússia. E mostra-se inamovível. Constante. Clara. Terá desenvolvido entretanto interesses económicos próprios. Porventura mesmo, interesses políticos próprios. Mas nenhum dos seus caminhos pode coincidir com o deplorável carnaval ao qual aquela grande terra foi condenada neste período. A menina das tranças ameaça vir para a rua. Mas para a rua ela já foi. É uma mulher da rua, aliás, e em mais de um sentido, infelizmente. Mas a rua já lhe deu o que tinha a dar. E vice-versa. Agora é o momento da Ucrânia fazer o seu caminho na unidade cultural que é a sua. Com as proximidades naturais. E a força que lograr readquirir. A União Europeia começará a fugir dela como o diabo da cruz. A NATO não vai querer sequer ouvir falar nela. Moscovo tem – entre alguns motivos de lamento- razões para rir a bandeiras despregadas. Era muito interessante ver a terra histórica, onde todas as Rússias se fundaram, integrada na União Europeia. Era uma bela cunha. Sobretudo considerando que o futuro das unidades europeias não pode deixar de ser Eurasiático. Os homens da NATO vão ter de pensar, também eles, noutras formas de emprego. E possa essa reflexão ser mais feliz do que o foi até agora.

Sunday, February 7, 2010

Eleições na Ucrânia

Quebra da moeda em 50% nos últimos dois anos, 10% de inflacção não obstante o congelamento geral dos preços, desabamento do pib cuja quebra foi de 14%, são os resultados obtidos em dois anos de governo da nininha das trancinhas, Ioulia Timochenko, adolescente eterna no limar dos cinquenta anos. Conseguiu, por outro lado, ter algum juízo quanto à crise georgiana e logrou mesmo ser (bem) recebida em Moscovo, capital pela qual mantinha ressentimentos aparentemente evanescentes. Os russos olham a Ucrânia de dois modos: terra mãe, no discurso do Santo Patriarca de Moscovo e todas as Rússias, ou “um país a custo” no realismo atento do Kremlin, mesclado de indulgencia e desdém. Viktor Ianoukovitch apresenta alguns aspectos em comum com a nininha das tranças. Ambos passaram pela cadeia, ela por corrupção em 2001 e ele, bem mais cedo, por uma questão de costumes que usa designar como “erro de juventude”. Nenhum deles tem programa que se veja. Do ponto de vista da segurança jurídica o país vive em regime próximo da tugária, onde a lei se faz para que o teu inimigo a cumpra, ou melhor dizendo, a sofra. Isto é mais interessante do que parece, porque se a boa educação ensina a que nos façamos leves para os outros, não deixam de ser interessantes estes estados de alarves (na tugária eles existem sob a forma vulgar de homens-kavako) onde a lei lhes serve para se fazerem tão pesadamente odiosos quanto o consigam. Enfim... A Timochenko tem sido descrita como completamente destituida de convicções ou escrúpulos, como é frequente nas personalidades fragilizadas senão adoecidas em regimes autoritários. Apresenta-se dotada de inteligência razoável. Parece impossível de aconselhar. E mantém, dizem os diplomatas, uma aptidão para mentir capaz de ruborizar qualquer velho sodomita dos paços do Vaticano. Possa S. Vladimir de Kiev, cuja memória hoje comemoramos, interceder pela dignidade e liberdade do seu povo. As eleições ucranianas terão lugar no Domingo do Filho Pródigo. Sete de Fevereiro. E não há dúvida que a Ucrânia está já a comer com os porcos. É talvez o momento de voltar ao convívio dos seus.

Friday, February 5, 2010

RETEMPERANTE PERFUME DA DESGRAÇA

O forte e retemperante perfume da desgraça paira sobre a Europa ocidental com os primeiros raios de sol. É o momento de pagar as tolices onde se cantava a inferioridade da Europa do Sul. Os investidores levaram a sério tais tolices e na dúvida quanto à capacidade da Europa do Sul pagar os seus deficits, o euro precipita-se. E a União abana. Porque abana a união monetária, entenda-se. Pensemos por um instante nos efeitos benéficos para os tugas da sua exclusão do espaço euro. A moeda cairia por dez no dia seguinte. E os sindicatos da função pública - por cujas cabeças não passa sequer a solução irlandesa de pôr toda a administração pública a ganhar metade – teriam então a surpresa de descobrir os seus membros a ganhar um décimo do que ganham hoje. Um décimo do que ganhavam ainda na véspera. Os sindicatos têm alguma razão (embora não toda) a ganhar metade anda aqui toda a gente desde sempre. É a usura como lei do lugar. Mas e agora, com a perspectiva de ganhar um décimo da metade?... Agora devia ser – ou nem assim será? - a rebelião. O ideal seria a revolução, mas é duvidoso que tanto cretino tão lasso consiga ir tão longe. De resto eles querem quem os proteja e não propriamente assumir o governo de aspirações comuns. Porque à beira da desgraça os corações se elevam, do discurso de sobranceria relativamente à Grécia, passámos já a ouvir o panegírico de Papandréu. O homem de quem tudo depende. (Que exagerados). Mas é seguramente um homem. E dele não dependerá tudo, embora dependa alguma coisa. (Outras coisas dependem de metades de homem, ou homens-kavako). Nós os gregos sempre achámos que o homem providencial haveria de nascer na Santa Hélade. Notámos o estatuto (ou falta dele) de” pedra desprezada” na construção. Mas também isso nos é familiar. Há uma velha história assim, no legado cultural comum. Talvez Papandréu salve a união monetária. E talvez não. E quem nos dirá quanto sente Papandréu ao olhar o corrupto labrego (papista) da tugária?

Thursday, February 4, 2010

GRÉCIA EM QUASE-TUTELA, TUGÁRIA EM PROTECTORADO?

A Grécia apresentou – com garbo, senão altivez e com clara ambição – o seu plano de recuperação do deficit orçamental. Deixou claro que não precisa de apoio financeiro da UE para a concretização do plano que a Comissão olha como “ambicioso, mas realizável”. Todavia foi colocada mais do que sob observação directa, sob uma quase tutela dos burocratas da União. Há aqui problemas. O primeiro resulta de uma relação turbulenta com a Grécia porque os romoi, os que contam, sempre foram pouco entusiastas relativamente a algumas referências da Europa ocidental e central, a saber: são alérgicos ao papismo e naturalmente avessos ao (vago) antipapismo que representam as obediências maçónicas ainda dignas desse nome (as que não são dignas desse nome traduzem meras máfias). Para eles a Europa ocidental é uma colecção sem interesse de bárbaros e saqueadores. Recebem da Europa ocidental pouca indulgência. E quase nunca estão de acordo seja com o que for. Os burocratas de Bruxelas (nunca houve burocracia inteligente, porque as funções da burocracia não são as da inteligência) ainda não perceberam exactamente com quem se estão a meter. E menos ainda se aperceberam das implicações do que estão a fazer. A Grécia cumprirá o programa. Olhará para os seus irmãos ortodoxos dos Balcãs e seguirá atentamente o chorrilho de desconsiderações e barbaridades às quais são submetidos. A Roménia, a grande Roménia - irmã maior dos países balcânicos - é violentamente insultada, ainda sem reagir. A Sérvia foi alvo do mais criminoso culturicídio de que há memória desde 39-45. A Bulgária, a doce Bulgária, é tratada como lugar de gente intelectualmente menor. Tudo se reúne, portanto, para que os quatro grandes marginalizados passem a agir em conjunto -uma vez que têm evidentemente todos os problemas em comum - e, enfim, entendam que uma frente balcânica comum, porventura mesmo, uma Confederação dos Estados dos Balcãs bem apoiada numa boa relação com os Estados Eslavos e os Estados Árabes, é a única solução para deixar os Estados da Europa Ocidental no seu lugar. (Lugar muito mais pequeno do que imaginam). Em todo o caso, a Grécia, a Roménia, a Bulgária, a Sérvia (como a Macedónia, o Montenegro e a República Serbska) estão muito mais à frente do que se imaginam. E no desfavor de que são alvo, há mais brilho político do que actualmente suspeita quem dirige circunstancialmente essas nações de grandes povos. É um brilho genuína e intensamente europeu. Isento das disfunções do papismo e das reacções que suscitou. Como dos preços de uma e outra coisa. A novidade que se espera na cena europeia, virá provavelmente pelas suas mãos. A Grécia será pois colocada quanto à vida financeira numa quase tutela. Os outros seguir-se-lhe-ão. Mas quanto à imunda tugária - comparativamente falando - é preciso notar que só o estatuto de protectorado pode salvar, nesse território, a pouca gente normal que aí vive ainda e almeja a intervenção externa capaz de pôr fim ao terror do nacional-catolicismo e de o devolver aos esgotos. Porque a metafísica católica do Estado vai sempre dar – nunca repararam? – ao esgoto. O sagrado na sua teologia política serve apenas para proteger de toda a crítica aquilo que eles são e isso que são é inenarrável, embora eles o confessem nas câmaras de horrores em que os seus templos se consubstanciam (para não falar já nas sacristias). Não espantam as taras onde até há uma metafísica da tara, uma moral que cristaliza as taras e uma disciplina de silêncios protectores que visa legitimar todas as censuras e abriga todas as cumplicidades concebíveis. O primeiro problema na tugária é o papismo. É preciso extirpá-lo. Para que a vida volte ao seu curso. E à fidelidade natural ao Projecto Divino da Criação. E para um tal arcaísmo pode bem haver uma solução arcaica. Um despotismo libertador, como no iluminismo? Não há tempo para gerar um tal príncipe. Um regime de protectorado bastará. Uma contenção burocrática do papismo em ordem à redução drástica do seu desproporcionado e dispendioso peso. Com remessa a tribunal criminal das multidões de tarados que delinquiram. Uma barreira burocrática com protecções automatizadas das liberdades civis. Uma perseguição policial da corrupção - talvez com quadros europeus - em ordem à correspondente recuperação de fundos. E, evidentemente, uma Faculdade de Direito propriamente dita, com a remessa para antologias cómicas do que os pretensos juristas locais têm escrevinhado. Escrevinhado, sublinhemos, no mais cretino clima de elogio recíproco e na mais evidente protecção recíproca de todas as inépcias.

Wednesday, February 3, 2010

MINISTROS COMPADREANDO

Pode a corja do governo juntar-se com jornalistas num restaurante e falar em alta voz de um qualquer cidadão – que identificam - como se a vida quotidiana desse cidadão fosse um problema? Pode isto ser assim? Na tugária tudo pode ser assim. É um pouco como os desembargadeiros no restaurante a discutirem em voz alta processos pendentes da (sua) decisão, ou a falarem mal dos colegas ausentes. Também não pode ser assim. Mas é. A primeira pergunta, a mais espontânea, visaria saber a que esgoto foram buscar tal escumalha. De que buraco saiu isto? É evidente que qualquer cidadão identificadamente discutido nestes termos por ministros tugas se sente fundadamente em risco. Igualmente evidente que se trata de risco tuga, trazendo, portanto e por isso, o grotesco à mistura. A partir daqui, tudo depende da posição pessoal da vítima face ao grotesco. Numa primeira hipótese, o grotesco é olhado como produto da fantasia de um péssimo gosto e então pega-se numa folha de papel e escreve-se ao ministro beirão dizendo-lhe, à moda da Beira, que para a próxima se lhe enche a bocarra de caralhetes para que, no futuro, a recordação do incidente o ajude a pensar no que diz, antes de dizer. Outra hipótese, igualmente plausível, é o cidadão assustar-se com os monstros. É legítimo ter medo dos monstros. Sobretudo na terra deles. Terceira possibilidade é o homem contar a história tal como a conheceu, tal como lha contaram. Foi o que fez Mário Crespo. E o Jornal de Notícias não deixou. E o Director de Informação da SIC até veio dizer que a história não era bem assim. Mas saber como foi a história é irrelevante. É inútil dizer que os ministros não disseram exactamente quanto foi relatado. Relevante é que deviam ter as matracas no saco quanto a tais questões, sobretudo insistindo eles, como insistem, que isto ainda não chegou à Madeira. E que fazem os ministros em alegre promiscuidade com jornalistas (embora não com o jornalista visado) a grasnar quanto a tais coisas? Isto ninguém ainda o esclareceu. E o Mário Crespo não conseguiu publicar a história. Embora toda a gente a conheça já. Que fazer?... Há uma reacção para qual estamos sempre a tempo. É editar um jornal em português distribuindo-o a partir da Galiza. Ou de Badajoz. Ou de Huelva. Ou passar a escrever num jornal espanhol. Isso parece fácil. E de Espanha, num jornal em português, pode-se dizer aos ministros que à próxima lhes encheremos as bocarras de caralhetes (que assim o beirão entende) para que, no futuro, a recordação do incidente os ajude a pensar no que dizem, antes de o dizerem. E a corja dos desembargadeiros poderá então discutir o que quiser, onde quiser, que isto não discutirá de certeza a não ser no estatuto de inculpados num Tribunal da Coroa de Espanha.

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