Friday, January 28, 2011

NOVAS REVOLUÇÕES EUROPEIAS?


Podem as chamas alastrar à margem Norte do Mediterrâneo? Claro que sim. A insubmissão grega – pese embora o voto de confiança que deu há pouco ao seu governo e pese também o excelente combateque tem travado o seu primeiro-ministro – a insubmissão grega (tão grega, graças a Deus) é uma pressão imprescindível e favorável. E pode passar à rebelião a qualquer momento. O desencanto italiano pode, de um momento para o outro, despertar coisas parecidas (muito embora os governos regionais possam resolver muitas coisas e por aí viabilizar a vida quotidiana à margem das crises do Governo Central). A tugária - coio de corja inqualificávelmente imunda escorada na ignorância, nos cortes de informação, e compactuando na gestão comum, embora instável, dos inqualificáveis segredos que a unem e dividem - a tugária é talvez o lugar mais favorável a uma tal explosão, até porque, à imagem da situação tunisina, é o lugar onde ninguém tem voz. Há é certo a contestação “encenada” pela “concessão” do estatuto de contestatário oficial . É o caso de sindicatos quase mortos e advogados a representar o papel defensores de direitos humanos, como se isso fosse possível na imunda corporação que os contém e polícia com critérios de polícia política,. Neste detalhe sublinha-se que se vai ao ponto e levarem a condenação disciplinar uma citação de Norberto Bobbio. O subscritor desse repugnante texto, mais condenável que condenatório, usa por nome a designação blasfema de "Manuel Cordeiro". E há-de encontrar a justiça numa esquina à qual desde já fica entregue. E só na tugária há a necessidade de discutir em publicação clandestina, como esta. Só na tugária a corrupção significa a imediata pobreza da população, o seu sacrifício sempre desmedido, a falta de educação (mascarada depois com coisas que nada significam), a ineficácia dos aparelhos de saúde, a falta de habitação, a fragilidade da vida que enche as ruas de homens e mulheres com fome e sem-abrigo e que há escassos meses ainda tinham emprego e família. Isto é a tugária. E nem vale dizer que não há pena de morte na tugária, porque isso é uma tão fórmula vazia como todas as demais. A polícia e a guarda prisional sempre mataram quem quiseram matar, com toda a liberdade. E pode-se ir parar à cadeia (ficando ao alcance da execução extra-judicial - por alegar tortura em defesa dos Direitos Humanos), já que nenhum juiz ousa recusar essas condenações por “injúria qualificada” em razão dos temores de carreira que o vinculam à “jurisprudência dominante”. Ocorre que os condenados podem não ter dinheiro para pagar as multas e ficam portanto ao alcance de tudo... Resta ver se do ponto de vista jurídico pode essa gente, que tais coisas perpetra, ser levada ao pelotão de fuzilamento, ou ao garrote vil. Do ponto de vista do Direito dos Homens, não. Mas eles excluíram-se do Direito dos Homens, porque excluíram todos os outros do Direito dos Homens. E Direito que não se aplica é direito que não há. É o mesmo não haver Lei ou não a aplicar. Os religiosos virão dizer-nos que resta o Direito Divino. E do ponto de vista Vétero Testamentário ou da Sharia as soluções para esta gentalha são de uma evidência gritante. E, sim, são libertadoras. Embora tremendas, não nos surgem desproporcionadas face aos crimes em presença. A esta luz, o garrote vil não é aplicável. Mas a lapidação é. A eventual vitória de uma Revolução não nos evitará debates muito crus, como bem se vê. Um ponto de debate parece poder avançar-se desde já .Esta gente vive sob todos os poderes, mas ninguém sobrevive sob o poder deles. Importa que ao menos uma vez se tente fazê-los desaparecer? Diriamos que sim. Como? Discutiremos depois de os termos no cárcere.

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