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Sunday, November 11, 2007

FIND MADDIE: Outra vez a polícia portuguesa

Os polícias portugueses descobriram, enfim, a regra do jogo na imprensa inglesa. Trataram de se apresentar a depor no Telegraph, um jornal criticamente importante neste caso. Sabe-se agora que foi a polícia inglesa quem recomendou aos MacCann - e sobretudo à mãe de Maddie - uma estrita contenção de emoções nas intervenções públicas. (Trata-se de evitar qualquer gratificação emocional plausível de um delinquente interessado nos efeitos visíveis da dor por si provocada). Mas por tal contenção a pobre senhora tem sido perseguida, até pelas opiniões dos polícias portugueses, ou com a participação próxima deles. Vem então Carlos Anjos (do sindicato dos policias portugueses) criticar os MacCann pelas proporções atingidas pelo caso na Imprensa (!)… Mas não fora isso, ainda os MacCan estariam a braços com as pseudo-investigações de uma brigada composta por gente boçal e indiciada por crime de tortura. Foi graças à imprensa e concretamente ao Telegraph, que a grosseria daquela gente se fez clara. Foi graças à imprensa que se pôde perceber o alcance objectivo das tentativas objectivamente difamatórias dos queixosos pelos indiciados torcionários. Mesmo assim, a polícia portuguesa demorou seis meses a encontrar um homem normal a quem entregar as investigações. (Isso parece indicio bastante da raridade da gente normal em tais fileiras). Tendo descoberto agora o modo razoável de serem ouvidos pela imprensa inglesa, não devem os medíocres funcionários autóctones imaginar que ali há organismos administrativos imunes à crítica, ou à descrição cabal de tudo quanto se veja. E aquele tom do Daily Mirror pode voltar a qualquer momento. (Deus seja louvado). Lembram-se? –“Cala essa boca estúpida, ó enfardadeira de sardinhas”. Nós não diríamos melhor. (Embora também haja a ponderar o bacalhau com batatas, a carne de porco à minhota, o cozido à portuguesa, a farinheira e a linguiça). Quanto ao embaixador português em Londres, devíamos ver se tal núncio recebeu indicações do MNE para tomar a palavra naqueles termos. Porque, se as tiver recebido, o Daily Mirror deve ser convidado a estender a sua reacção à amplitude em causa. A imprensa portuguesa, entretanto, fez eco da notícia em cujos termos os MacCann tencionariam processar a polícia judiciária. Deve ser a meia informação do costume. A Polícia, enquanto tal, não é processável. Só o Estado, ainda que por causa da polícia. E isso eles devem fazer, sim. Continuamos sem encontrar a Maddie, em todo o caso.

Sunday, October 7, 2007

FIND MADDIE

Os pais de Maddie andam convencidos que não podem falar da situação do caso em Portugal, ao mesmo tempo que a polícia portuguesa, directa e indirectamente, os difama a torto e a direito (numa hostilização pessoal perfeitamente grotesca e incompatível com qualquer equidistância, ou qualquer disciplina processual, como temos visto). Nenhuma defesa têm tido quanto a esta torpe conduta, alegadamente "policial".
Mas há coisas que não podem deixar de dizer. E hoje foi divulgado o modo como se sentem tratados pela Polícia Inglesa, ou seja: bem. (Naturalmente). Profissionais não podem excluir hipóteses que a investigação não haja excluído. Nada mais lícito. Outra coisa é fazer disso um caso pessoal, como o faz a polícia portuguesa (porquê?). Para a polícia inglesa é um caso (evidentemente). Caso difícil, porque a sua possibilidade de intervenção está limitada, sobretudo pela grosseria e inépcia da polícia portuguesa. É tudo. Mas continua a não se perceber para que servem os "advogados portugueses" da Ordem. Nunca se viu tão cúmplice silêncio ante o massacre dos constituintes. Um deles (na foto à esquerda) é candidato à presidência da Comissão de Censura de Lisboa que limita - por disposição inconstitucional - a intervenção pública dos advogados ao exame prévio, (mas não a dos seus componentes, pelos vistos). E quanto ao outro, já foi dito o que havia a dizer.
http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2007/10/07/nmaddy107.xml

Wednesday, March 3, 2010

Hoje

Está tudo como ontem. A ETA deve estar tratando de se recompor dos últimos golpes. Os talibãs devem estar a preparar as mortes da semana nos diversos sectores de combate. No Iraque, ontem um atentado fez alguns mortos e centenas de feridos mas as tropas dos USA passaram para a retaguarda (até que os descalabro as obrigue a regressar ao papel anterior). A Rússia prepara-se para assistir o Chile onde os saques de quem não tem nada para comer se sucedem e são controlados pelo exército cujo comando preferiria -não?- que as pessoas morressem de inanição por modo mais pacífico. Em paralelo os russos comprazem-se com os frutos do êxito em França. E a França está agradada por poder ter sido lugar de um êxito russo. Está tudo igual a ontem. A Grécia sorri diante da reformulação da posição alemã (agora pronta para apoiar o que for preciso). O galinheiro de S. Bento tem as mesmas criaturas e cacarejam como sempre. A imprensa espanhola discute a ETA e Zapatero faz o que pode para relançar o emprego. A primeira página do Telegraph nunca nos pareceu tão doméstica. Notícia, hoje, é que os ursinhos brancos nascidos há três meses no zoo de Moscovo saíram pela primeira vez. Isso lembra-nos que a vida vai seguindo o seu curso natural sempre que o consegue.

Saturday, October 23, 2010

A SEMANA E A IMPRENSA







Cento e nove mil mortos imputáveis a crimes de guerra - dos quais 63% civis – é o preço em vidas humanas da ocupação militar do Iraque, ao abrigo da doutrina da legítima defesa preventiva e assente na maior intoxicação da opinião pública de que há memória, que foi também a mais falhada operação de marketing politico-militar. Wikileaks dá disso notícia – com aviso prévio - e a Itália foi o primeiro país europeu a trazer isso a debate público, durante a madrugada. A imprensa alemã reagiu às primeiras horas deste Sábado. Seguida da espanhola. Às 8h39 reagiu a imprensa francesa. O Telegraph, nestas informações,  pôe em destaque um asqueroso crime de guerra. E fez bem. Os sindicatos ingleses começam agora os seus protestos e a coligação governamental dá mostras de nervosismo precoce. A França ocupa-se com a sua rebelião. (Deus seja louvado). Há quem se rebele. Os editoriais do L’Express e do Nouvel Obs opôem-se na perspectivação dos factos. Estamos mais perto do Nouvel Obs. Evidentemente. Mas para perceber o momento é preciso ir a Paris ver as montras dos  livreiros da rue Souflot, porque elas reflectem as sugestões para o debate da semana e os reflexos dele. Espanha remodelou o governo e os sindicatos levam ao legislativo as suas contra propostas sob forma de anteprojectos de lei. (Isto é defintivamente alguma coisa). A Alemanha discute a Europa, preocupa-se com a política orçamental inglesa, discute-se e discute a qualidade dos seus dirigentes. Merkel mostra o vazio de convicções que a caracteriza, desde a censura à xenofobia até à assunção dela. Não se pode ter à frente da Alemanha uma desgraçada da democracia cristã, antiga funcionária de organizações comunistas de juventude da Alemanha Oriental, porque isso, no caso, significa um grande vazio dentro da cabeça quanto ao rumo político próprio. Espécie de asilada do sistema político que em nada se distinguiu antes de subir e não tem para onde voltar quando saír. Isto daria para a imunda tugária (onde só há criaturas assim). Mas não para a Alemanha. Um novo astro desponta. Descendente de Gutenberg (parece) casado com uma neta de Bismark. Um barão regular. Não precisa de favores que o sustentem. É inteligente. Tem presença agradável. E o negócio da Família traduz uma velha presença na Cultura Alemã. Está feito. Ou parece estar. Em todo o caso dir-se-ia inútil procurar mais. É preciso que alguém desarticule o cigano húngaro de Paris com uma gargalhada politicamente espontânea e moralmente legítima. Alguém que com um olhar cale o Barroso (esse outro desgraçado) e nos dê repouso quanto àquele paleio de caixeiro viajante (o homem tem um talento único para nada dizer em cinco línguas (como a esquerda do Parlamento Europeu sublinha sem descanso). Convinha calá-lo. A escumalha de direita é pior do que a escumalha de esquerda e vice versa. É precisa gente normal numa e noutra posição. Por falar em falta de gente normal, a imprensa tuga organiza-se neste Sábado em torno de uma entrevista do fenómeno cavaco e parvoíces equivalentes.Mas um serviço noticioso da manhã teve a boa ideia de comparar preços de mercearia em Portugal e Espanha. Até cem km da fronteira compensa aos portugueses ir fazer compras ao país vizinho uma vez por semana, pelo menos. Compensação acrescida pelo preço do combustível. Supõe-se que os portugueses conseguirão fazer o que é evidente. Não há motivo para se ser solidário com uma "economia nacional" que exclui a população da vida, nem com um sistema político-legal que explora e domina a população como antes explorou as colónias. Os residentes devem retribuir o modo como são tratados.  Façam-se as compras, mensais ou semanais, em Espanha sempre que possível. Caso se viva a mais de cem quilómetros, pode-se sempre ir em conjunto com amigos e dividir as despesas, sempre devendo dizer-se que mesmo as revisões do carro são mais baratas e infinitamente mais honestas em Espanha.