Saturday, October 23, 2010

A SEMANA E A IMPRENSA







Cento e nove mil mortos imputáveis a crimes de guerra - dos quais 63% civis – é o preço em vidas humanas da ocupação militar do Iraque, ao abrigo da doutrina da legítima defesa preventiva e assente na maior intoxicação da opinião pública de que há memória, que foi também a mais falhada operação de marketing politico-militar. Wikileaks dá disso notícia – com aviso prévio - e a Itália foi o primeiro país europeu a trazer isso a debate público, durante a madrugada. A imprensa alemã reagiu às primeiras horas deste Sábado. Seguida da espanhola. Às 8h39 reagiu a imprensa francesa. O Telegraph, nestas informações,  pôe em destaque um asqueroso crime de guerra. E fez bem. Os sindicatos ingleses começam agora os seus protestos e a coligação governamental dá mostras de nervosismo precoce. A França ocupa-se com a sua rebelião. (Deus seja louvado). Há quem se rebele. Os editoriais do L’Express e do Nouvel Obs opôem-se na perspectivação dos factos. Estamos mais perto do Nouvel Obs. Evidentemente. Mas para perceber o momento é preciso ir a Paris ver as montras dos  livreiros da rue Souflot, porque elas reflectem as sugestões para o debate da semana e os reflexos dele. Espanha remodelou o governo e os sindicatos levam ao legislativo as suas contra propostas sob forma de anteprojectos de lei. (Isto é defintivamente alguma coisa). A Alemanha discute a Europa, preocupa-se com a política orçamental inglesa, discute-se e discute a qualidade dos seus dirigentes. Merkel mostra o vazio de convicções que a caracteriza, desde a censura à xenofobia até à assunção dela. Não se pode ter à frente da Alemanha uma desgraçada da democracia cristã, antiga funcionária de organizações comunistas de juventude da Alemanha Oriental, porque isso, no caso, significa um grande vazio dentro da cabeça quanto ao rumo político próprio. Espécie de asilada do sistema político que em nada se distinguiu antes de subir e não tem para onde voltar quando saír. Isto daria para a imunda tugária (onde só há criaturas assim). Mas não para a Alemanha. Um novo astro desponta. Descendente de Gutenberg (parece) casado com uma neta de Bismark. Um barão regular. Não precisa de favores que o sustentem. É inteligente. Tem presença agradável. E o negócio da Família traduz uma velha presença na Cultura Alemã. Está feito. Ou parece estar. Em todo o caso dir-se-ia inútil procurar mais. É preciso que alguém desarticule o cigano húngaro de Paris com uma gargalhada politicamente espontânea e moralmente legítima. Alguém que com um olhar cale o Barroso (esse outro desgraçado) e nos dê repouso quanto àquele paleio de caixeiro viajante (o homem tem um talento único para nada dizer em cinco línguas (como a esquerda do Parlamento Europeu sublinha sem descanso). Convinha calá-lo. A escumalha de direita é pior do que a escumalha de esquerda e vice versa. É precisa gente normal numa e noutra posição. Por falar em falta de gente normal, a imprensa tuga organiza-se neste Sábado em torno de uma entrevista do fenómeno cavaco e parvoíces equivalentes.Mas um serviço noticioso da manhã teve a boa ideia de comparar preços de mercearia em Portugal e Espanha. Até cem km da fronteira compensa aos portugueses ir fazer compras ao país vizinho uma vez por semana, pelo menos. Compensação acrescida pelo preço do combustível. Supõe-se que os portugueses conseguirão fazer o que é evidente. Não há motivo para se ser solidário com uma "economia nacional" que exclui a população da vida, nem com um sistema político-legal que explora e domina a população como antes explorou as colónias. Os residentes devem retribuir o modo como são tratados.  Façam-se as compras, mensais ou semanais, em Espanha sempre que possível. Caso se viva a mais de cem quilómetros, pode-se sempre ir em conjunto com amigos e dividir as despesas, sempre devendo dizer-se que mesmo as revisões do carro são mais baratas e infinitamente mais honestas em Espanha.

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