Sunday, October 17, 2010

ORÇAMENTO CONCRETO DE ESTADO-PRIVADO

O partido socialista apresentou o seu orçamento geral de estado em governo minoritário, com uma romagem de pressão dos banqueiros aos demo-social-cristãos do psd. Vinham os banqueiros dizer ao demo que três bancos faliriam se os social cristãos do psd falhassem com a viabilização de tal orçamento. A romagem, parece, tocou-lhes o coração. Todavia a banca não pode continuar a viver tão parasitariamente nestas paragens. tal banca foi construída sobre a usura politicamente viabilizada nos governos Cavaco (cobrava taxas de 30% como remuneração dos seus múltiplos financiamentos), isso bastou para condicionar a economia, porque, evidentemente, eram poucos os que aguentavam sustentar uma tal usura (são poucos os negócios que dão mais de trinta por cento de lucro). A construção e a têxtil - se nada interferisse, sendo certo que tudo interfere - aguentaram esta loucura. Mas a têxtil faliu sob pressão dos preços do fio e da tela vindos da Ásia e com a quebra do dólar. E a têxtil era a única indústria digna do nome nesta infeliz terra (incapaz de desenvolver qualquer outra indústria na exploração do comércio ultramarino e colonial ao qual se dedicou por cinco séculos). Restou a construção que tinha, evidentemente, o problema da descoberta do segredo de construir para a especulação e não para as necessidades de habitação ou sediação de actividades económicas. E lá construíram, desenfreadamente, "grandes empreendimentos", de grande "luxo", em zonas protegidas e desprotegidas. Construíram sobre gessos. Lodos. Sobre areias. E até sobre lixeiras que continuam a produzir metano. Construíram sobre subornos e sobre extorsões. Porque o vereador queria 10% sobre o valor da construção, depois das vicissitudes de aprovação do loteamento que duravam, em regra, sete anos de inferno. Depois ainda era preciso subornar os fiscais e, em último, era preciso pagar os impostos que tudo duplicavam. Pela corrupção e pela usura fiscal, a Banca viu o Estado entregar-lhe como reféns todos os construtores que, paulatinamente, Estado e Banca foram arruinando, selectivamente embora. De caminho, arruinaram a generalidade dos empresários das actividades industriais subsidiárias e deitaram mão à tarefa de centralizar a riqueza em empresas de regime (das rochas ornamentais às sucatas já só existem livres de assédio as empresas de regime como a Mota Engil que não é a única evidentemente). Construtoras do regime usam o Estado (empregando futuros e antigos ministros) para parasitarem outros Estados, como parasitaram este. Estados de África. (Luanda é um escândalo na proliferação cancerosa desta imunda corja, emobra a casta a governar seja sujeito de iniciativa e não objecto dela). Estados da Europa Oriental, também. E a banca local segue-os. (Sempre empregando os seus homens de mão no aparelho, nas fases baixas do respectivo ciclo). Isto dito, a banca local constrói-se sobre o Estado e sobre a corrupção dele. Porque não haveria esta imunda gente de falir, se nem existir teria podido? Mas este orçamento, onde se preservam todos os fornecimentos do Estado como oportunidade intocada de corrupção - e onde grassa a corrupção mais desaustinada na duplicação mais evidente de custos - este orçamento traz o descaro de comunicar aos doentes que vão deixar de poder contar com o Estado. O omeprazol, por exemplo, vai deixar de ter comparticipação e, portanto, quem estiver a convaslescer de hemorragia digestiva que se “desenrasque”. Este orçamento comunica aos pais que isso de dar sumos de fruta aos filhos passa a ter 23% de IVA (sublinha-se que cenoura é fruta na tugária sendo esta estranha classificação uma grande vitória da política externa respectiva). Comunica à metade (privilegiada) da população activa (a que teve até agora um emprego estável) que não pode contar com promoções de carreira e que vai passar a ganhar menos 10% do salário bruto. E até aumenta os impostos para quem está no limiar do salário mínimo, i.e., para quem trabalha mas já não tem dinheiro nem para comer nem para se alojar com independência. E com isto fica a imunda tugária institucional à beira da insurreição popular radicalmente legítima.

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