Tuesday, October 19, 2010

ORDEM TUGA DOS ADVOGADOS FRUSTRES: o rustre Varela de Matos

Salazar concebeu a PIDE de forma um bocadinho rustre. E a democracia parlamentar pegou em gente tão frustre quanto aquela e alçou as criaturas a “advogados”. E ele há vários. Há o mafioso do football – sempre preocupado com a “elevação de linguagem”, concebida à imagem da solenidade cómica de um proxeneta  - e há o especialista dos “encostos”.  O Marcelino é um destes. Algures entre os soldados-comando reformados na barriga de odre de cerveja e a corja dos proxenetas da Grande Loja, sempre se encontra alguém capaz de “dar um encosto”, ou “apertar um pescoço”. Aqui o temos, ao Marcelino, no auge da sua glória, fazendo transbordar a rasquice, como tasqueiro que devia ter sido. Certo, a gravação teria sido - noutras circunstâncias- provavelmente ilícita. Mas a verdade é que ele notou a filamagem e consentiu-a visivelmente (até fez um sorriso para a câmara). Desligado o telemóvel, o Marcelino dá conta de que conhece os detalhes da agressão à qual se reporta. Usa esse conhecimento como ameaça nítida. Diz que a vítima deitou a língua de fora quando lhe apertaram o pescoço... E identifica a vítima como aquele que ali estaria a provocá-lo. Acrescentando que precisa que lhe apertem o pescoço outra vez e pelo mesmo motivo. Porque "continua a provocar". Um primor, isto. E um primor jurídico, bem entendido. Mesmo ilícitas, se ilícitas puderem ser estas imagens, uma vez tornadas públicas, revelam conteúdo de interesse público. O frustre Varela de Matos é advogado jamais punido pelos conselhos de deontologia. É exemplar, portanto. Se houvesse sido punido não poderia ser candidato. (As punições "disciplinares" servem para afastar concorrentes incómodos e obtêm-se, até, porque o membro do colégio disciplinar se sente ofendido com o rival e participa dele, instruindo a queixa, formulando acusação e votando a decisão com os "colegas"... Sim, é exactamente assim). O conteúdo destas imagens tem pois um alcance antropológico e sociológico indesmentível. Vê-se por aqui o que a Ordem protege (e aquilo que serve para proteger). E imagina-se facilmente a moeda de troca paga aos protectores. Não é lícito, por isso, retirar tal fita do domínio público onde se encontra já. E importa caracterizar melhor o candidato à presidência do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados. Diga-se que há quem olhe com esperança para a eventual vitória desta candidatura, porque seria o modo mais prático de acabar tanto com o rustre Conselho Distrital, como com o próprio - e frustre- Varela de Matos. Este antigo electricista de Fernando Teixeira conseguiu a licenciatura numa universidade privada, ao abrigo da tutela de Luís Arouca. E seguiu Arouca até à “universidade independente”. Aí o fizeram, imagine-se, “professor universitário” (licenciado). Porque a independente pagou - segundo arguido em processo criminal conhecido - a campanha da Lista de Rogério Alves, O Marcelino pôde enfim aparecer na Ordem dos Advogados como membro dos júris de agregação. E como conferencista(!)... Advogado, é figura conhecida da Conde de Redondo, artéria que em Lisboa se define pela prostituição de travestis. Andar pela Conde de Redondo, não dá boa reputação a ninguém. No escritório, foi engravidando umas fêmeas escolhidas para o efeito. (Talvez pela ansiedade que o enche por ir todos os dias à Conde de Redondo). Aderiu à prepotência de sargento como critério e modelo. Antigo praça miliciano, nunca acedeu a nenhuma divisa, nem de cabo. Raso. Mas comando. Ficou-lhe por isso a prepotência do sargento como modelo de exercício do poder. E o fascínio da coisa militar. Então, certo dia, rapou no escritório o cabelo à mãe de uma das suas crias – funcionária sua - porque, justamente, essa é a solução para o recruta que fez asneira e a pobre mulher tinha (ou não tinha) feito qualquer coisa, que o labrego decidiu “sancionar” assim. Máquina zero. Sem mais. Sempre fascinado pelos militares, pôs o rapaz, filho da mulher de cabeça rapada, no Colégio Militar. Espera-se que o garoto não tenha ali sido sodomizado. Pobre miúdo. O Marcelino chegou a ser “Grande Porta Gládio” do defunto Fernando Teixeira (o que não é de estranhar, já que o dito Teixeira, para manter o controlo da Loja a encheu com trabalhadores rurais que “iniciou” como “irmãos maçons”). O melhor modo de devolver o sentido das proporções ao Marcelino seria entrevistar o pai dele, ou qualquer familiar (que ele procura esquecer), qualquer pessoa saída dessa gente esforçada que, descida da Beira, vinha encarregar-se dos trabalhos sazonais do Alentejo e por ali se deixou ir ficando. Mas Marcelino já nasceu na orla da coisa. É um filho da Moita. Sempre sensível às questões da Justiça Social (essa justiça tem de ser-lhe feita), participou, por isso, activamente, na ocupação (violenta) de herdades do Alentejo em 1975. Mas também veio a participar na desocupação (violenta) de herdades. Designadamente na de José Núncio. Feitos em bifes os toiros para reprodução e comidos esses bifes, o Marcelino compreendeu que era preciso ir buscar mais carne a outro lado. E com “outra perspectiva das coisas” (como na independente o ensinaram a dizer) veio à desocupação contra os camaradas da ocupação. Tem um gosto pela toirada. E acha-se um matador. O Marcelino Varela de Matos, filho da Moita, é produto dos “ratinhos da beira”, essa gente em apoio de cuja pobreza as “casas da malta” eram deixadas nos caminhos. Está todavia longe de ter tantos méritos quantos os que essa gente necessariamente tem. E talvez por isso se envergonha da gente que lhe deu origem. É um gangster. Evidentemente. A cara de irmão metralha não engana. Sim, quem vê caras vê corações. Podia ter ganho a vida honestamente como taberneiro. Mas queria ser advogado. Eis o resultado. E a personagem. Sim, o Marcelino é perigoso. Sim, o Marcelino é vingativo. E, sim, o Marcelino não tem a menor noção de que haja limites para o que quer que seja. (Até por ter uma confiança ilimitada na confraria da "grande loja"). Votar no Marcelino para a Ordem é, por tudo, uma óptima ideia. E porventura uma condição necessária para o meter na cadeia. Eis um desígnio a que dificilmente poderá obstar, segundo tudo indica, o irrelevante arquitecto do universo do Marcelino. 

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