Tuesday, October 5, 2010

Cinco de Outubro: Relembrar Basílio Teles

Um homem olha para este panorama e rememora o programa de Basílio Teles em 1911. Só assim, realmente haveriamos de ir (ou ter ido) a algum lado.  Eventualmente e agora isto não vale sequer o esforço. Na República ardia em todos o amor à Pátria. Hoje a aversão de todos a uma terra de merda queima-nos a fogo lento. Não haverá hoje nem o tempo, nem a convicção de que valerá o esforço fazer aqui seja o que for. Mas se valesse a pena tentar alguma coisa, haveria de ser como Balío Teles o viu. Estado de sítio com suspensão dos Direitos Liberdades e Garantias. Encerramento das escolas até à conclusão da reforma respectiva. E restauração da pena de morte. O Teles olhou para os avós desta imunda corja. E sentiu, com vemência, exactamente quanto sentimos hoje. Seria preciso voltar ao início. Isto falhou no despotismo iluminado. É aí que é preciso voltar para tudo refazer. Porventura jamais iríamos (como não temos ido) a parte nenhuma sem uma ditadura pela qual se imponha uma pedagogia do Direito e dos legados civilizacionais comuns. Só com um despotismo, talvez. (Foi assim que os outros fizeram esta parte do caminho). Um despostismo colectivo, porventura, porque não estamos já no séc.XVIII. Um príncipe contemporaneo. (Interessante que a novidade ou contemporaneidade do Príncipe seja tão repetida: de Gama e Castro a Gramsci, não se pode dizer que seja pequeno o leque). Mas o novo estado deveria laicizar, enfim, e varrer de vez os pedrastas, burlões e homicidas papistas e os seus sequazes e eunucos e sicários. Passando alguns pelas armas. E porventura sumariamente. Como não? Interessante que a União Europeia nos imponha a existência como Estado. E como Estado contemporâneo. Estará a União Europeia à altura das exigências que formula? Claro que não. A União pode dar uma grande ajuda, não obstante: acolher os que neste horrendo lugar - contra todas as espectativas e excedendo todas as esperanças razoáveis - conseguiram ou conseguirem, apesar de tudo, educar-se. E manter no território as escolas francesa, alemã, inglesa e espanhola que são a única esperança de educação secundária para quem aqui tenha filhos.

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