Wednesday, October 6, 2010

INVESTIGAÇÃO CONTRA O CANCRO DE LEONOR BELEZA, POLICARPO, CAVACO E COELHO

No dia quatro de Outubro a Universidade de Salamanca anunciou a comprovação de eficácia de nova terapêutica do cancro da mama – eficaz na sua variante mais agressiva - e o investigador responsável enunciou a sua convicção de que em trinta anos teremos a vitória total sobre estas formas de cancro. É definitivamente alguma coisa. Nunca esquecendo que os espanhóis estiveram na vanguarda deste (sério) combate nos últimos dez anos e com resultados que de tal combate fizeram um percurso exaltante. Ora no dia seguinte vieram os pacóvios tugas. Chamaram a grande e viscosa amiba que sob o nome (imodesto) de Policarpo se apresentou às benzeduras mais o Cavaco e o Coelho. Tinham um novo edifício onde tencionam instalar a investigação futura contra o cancro. À beira Tejo. Perto do pavilhão das descobertas. Dinheiro da fundação Champalimaud. E lá apareceu também uma filha da criatura, outra personagem feliniana, cheia de tiques como não raros doentes mentais. E como os demais doentes mentais presentes. Fizeram a inauguração a cinco de Outubro. Que dizer? Em primeiro lugar que este centro vem marcado pela falta de gosto do costume. E pela falta de senso. Nada a dizer ao arquitecto, todavia. Nem ao presidente da comissão científica, evidentemente. A falta de gosto e senso vem neste ruralismo a cujos olhos nada é preciso saber quando se tem dinheiro para pagar a quem sabe. Quando lhes dá a mania das grandezas são mais ríspidos: não é preciso fazer desde que se possa comprar quem faça. Foi isso que ali se viu. E isto é causa suficiente de fiasco iminente. O fenómeno remete-nos para a segunda parte do problema: é impossivel trabalhar em qualquer organização guiada por tal mentalidade, ali patentíssima. O edifício é engraçado e se-lo-ia mais se não fosse ostensivo  em tudo o que ultrapassa o traço do arquitecto. O edifício é engraçado, mas se-lo-ia mais se não comportasse a exposição pública dos doentes na pretendida "transparência" de estruturas. A própria ideia seria interessante, se este arranque em parada e com fanfarra não lembrassse outros arranques em parada que acabaram nuns regressos à sucapa. O simples facto de Champalimaud colocar à frente de um tal projecto da sua Fundação uma criatura como Leonor Beleza parece sarcasmo (um sarcasmo que o caracterizava). É a mulher cuja indiferença pela dôr alheia determinou que o Ministério da Saúde adquirisse lotes de plasma sanguíneo mais baratos (por ninguém lhe poder dar a "certeza absoluta" de que os mais caros não estavam infectados pelo HIV) assim condenando à morte muitos hemofílicos. Safou-se do processo crime, claro. Porque prescreveu. Já o Cónego Melo se safou do julgamento pelo homicídio do Padre Max pela mesma técnica. Cenas tremendas, estas. Com a eterna estupidez em cujos termos o dinheiro compra qualquer coisa e, portanto, também compra qualquer êxito alheio, motivo pelo qual não precisam de prosseguir qualquer êxito próprio. Irão pois onde tiverem de ir e chegarão onde tiverem de chegar. Vaticinamos que chegarão ao sítio do costume. Quanto a "saúde como investimento do sector privado" havemos de falar mais. Mas noutra ocasião.

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