Sunday, June 27, 2010

A AVERSÃO LOCAL A SARAMAGO (OUTRA VEZ)

O príncipe de Broncança falou sobre Saramago. Outra vez, porque não é a primeira. Príncipe não opina nesses termos, como já lhe devem ter dito. Para que os outros não tenham legitimidade para responder nestes. Usemos então completamente a licença que Sua Alteza implicitamente impõe. Repetiu que aquele Nobel não devia ter sido atribuído. Que Saramago dizia coisas inconvenientes. Eis aqui um ente exponencial da tugária. A tugária é assim. Se um pianista de génio lhes saiu do meio e toca à frente deles, eles dirão “é nosso”, mas, no íntimo, querem partir-lhe as mãos. Não foi assim com Maria João Pires? Se um atleta atinge o oiro olímpico, eles gritam “é nosso”, mas acalentam a secreta esperança de que parta a coluna. Este "é nosso" é, em boa verdade, a afirmação de um estigma. "É daqui", parecem eles querer dizer. Comunga portanto da indignidade originária comum. Este "é nosso" suplanta todos os méritos. Como uma acusação de crime imprescritível. Este "é nosso" não é apenas (ou não parece ser) uma utilização pela mediocridade local de um mérito do qual quer orgulhar-se. Ou que quer exibir. Não. É uma redução. Tuga és e à tugária hás-de voltar, dizem eles aos que saíram. Um pouco como quem diz, não vais voar sempre. Levas na alma a maldição do fiasco local. Aqui nunca farás nada e se alguma coisa digna de nota fizeres fora daqui, aqui voltarás para seres esquecido. Este "é nosso" devia ser ouvido assim por aqueles a quem se aplicar. O significado real é tremendo, passe embora por natural a ouvidos alheios. É por isso que o execrando tuga-médio tem mar, mas não veleja, nem rema. Nem aliás consegue nadar decentemente. De resto não há sequer marinha mercante. Não navega, simplesmente. Tem cavalos e campina, e planície além Tejo, mas não monta. Tem sol e fecha-se em tugúrios, a que chama casas, construídos por inimigos de toda a luz. Está firmemente convencido que é preciso um título de legitimação específico para levantar os ombros. Ou os olhos. Tem Língua Antiga e nobre, mas só usa o léxico suficiente a um cão bem treinado. Umas trezentas palavras esgotam o que lhe parece lícito dizer. Traz o passo arrastado como antes os escravos travados, dia após dia, por grilhetas de cinco quilos em cada perna. Ficou-lhe essa forma de andar como atavismo. Acha-se até "pimpão" por isso. Quando são mulheres, trazem a concepção de elegância das putas de estrada. Com os gostos do cliente na alma. Mais as ânsias das sopeiras (ou equivalente) que as pariram. E ficou-lhes um rancor surdo ante toda a normalidade. Sorvido talvez (é o mais provável) na padralhada papista, inepta em tudo, salvo raras excepções e sempre excepcionada a falsificação dos textos – que a fez inimiga de toda a inteligência e toda a verdade, como de qualquer estudo que atinja quaisquer conclusões – inepta em tudo, excepto no ódio, na intriga, na aversão a qualquer homem, ou mulher, que não mostre os estigmas das suas amputações. Gente execranda. Não podem aplicar-se-lhes as matrizes com que julgam?... Avessos a todo o modo de vida europeu, não poderá o Direito Corânico arrancar-lhes as línguas, ou cortar-lhes as mãos? Não pode a Sharia vazar-lhes os olhos baços de infinita sordidez? Defensores das castas, não pode o Direito védico fazê-los esmagar por elefantes? Cultores dos ombros descaídos, não podem as leis velhas da velha China enfiá-los nas picotas? E, inimigos de toda a modernidade, não podem as leis do Direito Antigo pendurá-los em forcas, ou fazê-los arder nas fogueiras que antes acendiam? Não podem aplicar-se-lhes as matrizes com que julgam?... Parece que não. Que gritante aparência de injustiça. E não há também pena, nem penitência, pior do que aquilo a que já se condenaram. Comparativamente falando, o mesmo se passa com os cardeais. Podemos -los a todos na cadeia, mas duvidamos que isso represente para eles a dor da condenação ao inferno na terra. Porque o inferno na terra são eles próprios. Talvez o hospício psiquiátrico possa ponderar-se, como solução. Eles são muito exactamente doentes mentais. Não fora a República ceguinha de todo e teria em Portugal um grande aliado neste príncipe de Broncança. (Valham-lhe as mães de António Montes, excelência parvíssima do papismo bragantino). Mas a República, em Portugal, é feita de broncos frequentemente piores que esta augusta figura que traz a estupidez á proclamação solene. Lessem os leigos papistas o seu Tomás de Aquino e saberiam que a estupidez é pecado. Porém "leigo" para a perversa hierarquia papista (a quem nunca faltou atrevimento), significa, exactamente, ignorante. Os leigos mais convictos, portanto, mantêm-se, com ascética e obstinada disciplina, fidelíssimos à pretensa canonicidade da mais berrante cretinice. Um ou outro até gritou "abaixo a inteligência". E outros ainda verberaram as "rebuscadas teorias históricas e filosóficas", que é outra forma de gritar o mesmo. (Isto tem que estar proibido algures, para além das páginas de Tomás de Aquino). Talvez por tudo isto, quarenta por cento dos eleitores locais, segundo as sondagens, aspiram, ou não se oporiam, à integração sob soberania da Coroa de Espanha. Só quarenta por cento… O resto é número a coincidir com os sessenta por cento da iliteracia que há-de ferir a generalidade dos partidos políticos locais. Que esperança pode haver para um sítio assim?

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