Saturday, August 28, 2010

Atenção a quem sobreviver

Duarte Lima diz que os cinco milhões de euros transferidos para conta dele pela assassinada secretária do Feteira eram honorários. Agora nunca saberemos se o seriam ou não. Embora tenha havido uma vaga vitória num processo em Portugal. Júdice diz, por seu turno, que por ter havido vitória anterior - em sentido oposto e no Brasil - os honorários aí pagos à sua gente pela filha de Feteira e cabeça de casal (como se diz na tugária) "são transparentes". A aparição de Júdice torna isto numa coisa realmente inquietante. Sabendo-se como se sabe tratar-se de homem sem escrúpulos de qualquer espécie. Duarte Lima grita que se sente na mira de forças tenebrosas. Mas recusa dizer quem são as forças tenebrosas às quais alude. São todos parvos. E pensam que somos todos parvos. A morte da pobre mulher que viveu com Feteira e foi sua secretária dá bem o modelo de conflito patrocinado pelas "grandes sociedades de advogados" à moda da tugária, como dá o modo de patrocínio e a evolução dele. Tal como em todos os demais casos - isso é patente - o direito é um detalhe e os tribunais são mero pretexto. Nenhum processo chega ao seu termo natural (em última análise, porque uma das partes é assassinada e todos somos assassináveis). O direito é pretexto para assaltar o património alheio sob a epígrafe da "cobrança de honorários", entre outras epígrafes possíveis. Quanto a tudo o mais nem é preciso estudar Direito ou, menos ainda, saber Direito. Basta saber pressionar a decisão. Comprar a decisão. Ou, ao mais pequeno contratempo, basta assassinar ou mandar assassinar o opositor. Impossivel saber de que negócios é capaz esta imunda corja. Duarte Lima está em pânico. Regista-se. Ele há-de conhecer bem a gente com quem tem andado metido. Já agora, que se porte como um homem. (O pânico é alarme nervoso cuja utilidade se esgota escassos segundos depois). Por nós, podem todos matar-se uns aos outros. Conviria em todo o caso examinar atentamente quem sobreviver. Porque a segurança comum exige que não haja sobreviventes. A ideia em cujos termos um dissidio se pode conduzir nestes termos e com êxito pessoal - seja ele de quem for- é conclusão que nenhuma Ordem Pública tolera. É razoável esperar que se matem uns aos outros. É uma decisão conforme à economia. Mas não pode ser tolerada a liberdade de qualquer eventual vencedor ou sobrevivente, nem dos que, com ele, possam lucrar ou ter lucrado com isso.

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