Tuesday, August 24, 2010

Simplicidade

Enfim a objectividade. Para que serve um veículo de uso pessoal? Para afixar o estatuto. Para engatar umas gajas, sobretudo nas terras onde, entre gentes de merda, a inteligência não é um instrumento de sedução. Nem um índice de êxito. Antes se mostrando um sintoma de graves problemas, mais ou menos próximos. Em terras onde o êxito é a subalternidade bem colocada, o veículo serve para o engate. As megeras são-lhe sensíveis. E quando essas megeras usam um veículo, isso corresponde a uma afixação do preço actual. Os veículos servem para compensar a crua ausência de imensas coisas, que continuam e continuarão a faltar. Aos homens sem família, o veículo serve para afixar a prosperidade da solidão. Como quaisquer outros adereços caros. Há até, também por isso, uma publicidade especificamente dirigida aos homossexuais. Um gajo com coisas caras demais deve sempre ser suspeito de paneleirices, além da costumada suspeita das trafulhices. A sobriedade é um atributo da virilidade e da decência. Como o menosprezo pelas "regras" dos snobs é atributo dos últimos aristocratas que restam. E assim é também com o impulso de vómito ante o normativismo parolo (porque quererá a filha da porteira ser jurista, senão mesmo juiz?). Aristocratas são os homens livres que há. E saber ser dono do que se tem não é pequena qualidade. Mas prossigamos. Servem pois para imensas coisas, os carros e motas, além daquilo para que deveriam servir. Mas eis enfim a objectividade. A simplicidade. A evidência. A limpeza. O preço acertado. A utilidade clara. A solução vem do oriente, isso dá jeito a um ocidente desorientado. É solução barata e isso dará jeito a uma Europa do sul que perdeu o norte. A malta está desorientada, desnorteada e de cabeça perdida. Mas o norte e o oriente estão lá. Não há prazo fixo para os redescobrir. Já repor no lugar as cabeças perdidas parece sempre urgente. Ainda que algumas devam rolar por exigência da natureza das coisas e "as coisas são o que são e serão o que tiverem de ser". (Já lá dizia o Óscar que cruamente o verificou).

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