Tuesday, August 31, 2010

IMAGENS DE ANTHONY BLOOM

Depois de termos encontrado "on line" a presença de Eugraph Kovalevsky, procurámos outra grande figura de entre os seus contemporâneos que foi (é) o Metropolita Anthony. Médico e herói da resistência em França, este imigrado percorreu meio mundo - e às vezes a pé - para vir da Pérsia (onde seu pai era embaixador do Tzar junto do Trono do Pavão) a Paris. Ali se fez homem e ali travou os primeiros combates (em sentido estrito). Sempre fiel ao Patriarcado de Moscovo não obstante a evidente origem tzarista, o Metropolita Anthony foi Exarca do Patriarcado para a Europa Ocidental. Durante esse periodo também ele se interessou pela Ortodoxia Ocidental (i.e. pelas Igrejas da Igreja indivisa, igrejas anteriores ao cisma e ao esmagamento papista) também ele esteve atento aos seus legados. Há até uma fotografia (ou várias) do Metropolita a celebrar ritos ocidentais reconstituídos pela investigação histórica. Nestas imagens vemo-lo amadurecido e sereno. Ainda não era o ancião luminoso que alguns de nós tiveram o privilégio de conhecer. Como Jean de Saint-Denis a "técnica da oração" mereceu a sua melhor pedagogia. Mas aqui vemo-lo a falar sobre a dôr. A leitura das expressões fisionómicas do Metropolita e do jornalista revela um diálogo paralelo e não menos interessante. Recomendamos que depois de ouvir o Metropolita se leia o escrito que Jünger dedicou ao mesmo tema. "Sobre a dôr" tem uma edição catalã e fácil de encontrar. Não é descnecessário ver o que falta a uma e a outra abordagem. Descontando evidentemente o peso da formação política e militar de Jünger que não deve ser esquecido nessa leitura... Não deixando de ser seguro que a um jovem imigrado russo dos anos vinte e trinta não faltou seguramente a proximidade com o testemunho militar de oficiais cuja presença não poderia nunca ter sido indiferente (a começar por Anton Ivanovitch Denikin). A própria experiência do Metropolita na Segunda Guerra também não pode ser indiferente ao que diz sobre a dôr. E o que diz é notável. Não sabemos mesmo se alguma vez o Santo Metropolita terá dito alguma coisa que não fosse notável, (mas esse já é outro tema). A notabilidade desta geração projecta a uma dimensão sobre-humana a presença do Metropolita Sérgio, homem habitado pela mais fascinante genialidade profética e que consegue - com a naturalidade de um Grande Pedagogo - agregar e conduzir grandes poetas, evidentes cientistas e extraordinários teólogos, chamando-os à disciplina demonstrada com indescritível sedução, sem nada ocultar da sua própria fascinação perante a manifestação do Espírito que lhes iluminava as inteligências excepcionais e os guiava nos seus excepcionais destinos. Se as estas gerações incumbir dar um passo que seja além dos caminhos que aqueles abriram - e parece ser essa uma incumbência natural - isso é um motivo de grande preocupação. Parecem inultrapassáveis. E todavia incumbe-nos ir mais além. É preciso portanto começar a subir a montanha. As coisas serão mais fáceis se subirmos simplesmente. "Sobe e não penses nisso", dizia Nietzsche, (completamente alérgico ao que conhecia destes universos). Mas é ir subindo, sim. Sem pensar no significado teórico de tal coisa.

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