Wednesday, October 26, 2011

A ALEGRIA DE EMPOBRECER

."Temos de empobrecer". Os desgraçados dizem-no com um ar de alegria. (Seguramente sem sombra de pesar). Ou porque se sentem inteligentes por o dizerem. Ou porque estão contentes por ainda serem contratados para o dizer. Dizem-no todos. Em coro. Como sempre se disse o que "é mister" dizer na tugária. Todos - e sempre os mesmos - a dizerem o mesmo em todos os lados. Parece que só há um jornal. Só há uma televisão. Só há uma rádio.Desse ponto de vista é radicalmente inútil a existência de tantas antenas, tantas redacções, tantas direcções. Bastava um de cada. Um jornal. Uma rádio. Uma televisão. E tanto dava que fosse pública ou privada. É o mesmo. O próprio estado se privatizou, em certo sentido. às vezes há um esforço de novidade e aparece uma cara nova. A coisa revela relativa utilidade, desde que a condição de base se mantenha: é preciso que diga o mesmo. E o mesmo que há para dizer, desta vez, é que é preciso empobrecer. Isto significa que as lógicas de exploração colonial e neo-colonial se deslocam agora para o interior das fronteiras?... É o que parece. Mas não havendo fronteiras em algumas regiões, é preciso disputar, ainda assim, a população a explorar. A tugária não precisa de população (parece). Ou se precisar não tem meios para a manter, seduzir, fixar. A tugária é agora uma plantação espontânea de fungos tóxicos. Se ali continuar a haver população, a população morrerá. A cultura no território morreu. Suspeitava-se até, durante muito tempo, que a lingua da tugária era instrumento de difusão do retardamento mental, insusceptível de produzir qualquer escrito com mérito literário reconhecível por outros (i.e. objectivamente reconhecível). Mas depois deram um nobel da literatura a Saramago (coisa de que a tugária não gostou nada) e ficou a dúvida de saber se é possivel pensar em tal língua, uma vez que pelo menos num caso isso se conseguiu. Ora há territórios europeus onde se precisa de população (aos milhões). E há a Santa Rússia que precisa de população (aos milhões também). Preferencialmente educada (o que exclui imediatamente boa parte dos tugas) e com iniciativa (o que não será o forte dos tugas). A tugária pode ter uma existência precária como entreposto do Brasil na Europa. Precisará de manter uns portos e uns terminais de caminhos de ferro, um ou outro aeroporto, uns bordeis. Uns postos médicos (eventualmente mesmo, um Hospital ou outro) para acidentes de trabalho e venerologia. E está feito. Até chegarmos a essa fase de decantação são úteis uns liquidatários e uns relações públicas (embora esses estejam a mais porque é um excesso ter trinta desgraçados a repetirem a mesma coisa em estrutura modal -e nem sequer polifónica- é um desperdício). Bastam dois. Um que diga as coisas com cara de satisfação (satisfação com as coisas e não consigo mesmo, porque a masturbação deve, ao menos por enquanto, ser do domínio pessoal do desgraçado). E um outro que diga as coisas com ar pesaroso (mimetizando a compaixão e partilha fraterna do desespero). Isso basta. Os liquidatários devem ser remunerados com o produto de quanto conseguirem extorquir à população, enquanto houver população e depois podem morrer, sendo plausível que se matem uns aos outros quando começarem a querer as liquidações recíprocas. (Estas actuações têm a utilidade adicional de estímulo para que a população saia daqui e vá viver para lugares onde seja desejada a sua presença). "Temos que empobrecer". Não, não é assim.  Na verdade, a Ásia vai retomar a parte que lhe cabe na partilha das riquezas do mundo e isso será uns sessenta por cento, ou mais. O que resta, não é europeu. E portanto o problema que se coloca é de uma simplicidade transparente: O que resta não é europeu, mas esta Europa também não existe. Só existe a Eurásia. Ocorreu uma mudança de eixo. Não é preciso morrer ninguém por isso. Mas algumas estruturas devem abandonar-se. Porque não prestam.  

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