Wednesday, November 16, 2011

OS ESFORÇOS DE DESAGREGAÇÃO DA SÍRIA

Prosseguem as maléficas e estúpidas tentativas de cerco e difamação ao regime Sírio, mantendo-se a Santa Rússia na sensatez da sua política externa, secundada pelo bom senso dos herdeiros e zeladores dos interesses do Império Florido do Meio. Neste interessante braço de ferro, entre os que querem estabelecer o inferno nas terras que foram berço de todas as civilizações e os sensatos que prefeririam que não houvesse inferno em nenhum lugar, salienta-se, pelo seu carácter grotesco, a cinzenta Liga Árabe. Há qualquer coisa incomensuravelmente errada neste estranho facto de um sindicato de déspotas exigir tão energicamente a democracia na Síria. O que está a ocorrer na Síria - por obnubilação da inteligência dos dirigentes sunitas- é o lançamento de uma guerra religiosa entre facções radicalizadas (e bastante arcaízantes) do sunismo e os "hereges" nusaris que conseguiram garantir até hoje uma co-existência religiosa perfeitamente pacífica entre todas as confissões e todas as Escolas, do Islão e do Cristianismo, promovendo uma larga ocidentalização do estilo de vida de importante percentagem da população, sem consentir, embora, o desafio insuportável aos pressupostos morais dos outros. Se a estupidez que norteia a CIA lograr a desagregação da Síria, ninguém sabe como travar as ondas de choque. E a Turquia que sonha o regresso à preponderância naquela região, como noutras, melhor faria em ser mais prudente. Apesar de tudo houve uma emancipação árabe que foi militar e anti turca. (Com suporte europeu). Não seria mau se Ankara não esquecesse completamente esse detalhe. Quando se alinha entre inimigos nem sempre se consegue que esses se combatam só entre eles. De resto, a prática institucional mais parecida com a (histórica e sábia) tolerância religiosa turca é justamente a dos nusaris na Síria. Os cristãos estão-lhes gratos. A Síria tem sido um bom guardião da Cátedra de Pedro que é o patriarcado de Antioquia. Os chiitas não têm grandes reclamações a formular. Os drusos têm vivido em paz. Os ocidentalizados têm vivido em sossego. E os nusaris têm mantido brilhantemente o equilíbrio que tem sido condição da co-existência de todos. Aflige pensar que a bela terra Síria, guardiã de tantas referências de significado universal, pode ser condenada ao nível de violência da Líbia ou do infeliz Iraque. Se assim for, é preciso combater. Outra vez e tantas vezes quantas as necessárias. Mas inquieta esta facilidade que alguns têm em levar a morte e a discórida assassina à terra dos outros sem que ninguém lhes retribua isso. Viabilizar a possibilidade de uma retaliação significativa é visivelmente uma condição de paz. É precisa a dissuasão para preservar a paz. Até porque "o ocidente" está a ser conduzido por gente que não sabe o preço da guerra por experiência vivida. Portam-se com uma crueldade infantil. E assim será até que os façam chorar como crianças. Não se mostra dispensável que tenham a experiência que lhes falta. Infelizmente. E vão tê-la, mais tarde ou mais cedo.Nunca na História houve indulgências muito prolongadas face a lacunas destas.

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