Sunday, November 7, 2010

A "DIREITA QUE CONTA"

A direita conservadora é - aqui, porque noutros sítios não será sempre assim - gentalha sem nada dentro da cabeça, além da aspiração acerada pela voracidade e temperada pela revindicta. Trazia e traz basicamente o medo de perder o negócio. E o medo de perder o emprego, ou de não obter. A estratificação social, a “ordem”, traduzem no essencial da sua radical ausênci de reflexão estes “direitos” seus. Alguns de entre eles, ou quase todos, sentiam-se credores de honras públicas – e carreira devida - por terem logrado a licenciatura, o mestrado, ou o doutoramento. Coisas em regra perfeitamente mediocres como o demonstram as respectivas “teses”, quando as há, que têm todas em comum o facto indesmentível de serem sempre o oposto de uma tese. Os desgraçados microcéfalos das Faculdades de Direito locais, então, fazem bem em esconder as ridicularias que apresentam aos júris de doutoramento e que estes aceitam por terem recebido a incumbência, expressa ou implícita, de o fazerem. Esta é outra direita. A “que conta”. Mas também é a direita que debanda em crise. A direita que trucida antes do medo a fazer fugir. A direita que se sente apreensiva diante de qualquer pensamento. E odeia a inteligência e "os intelectuais". E esse ódio integra o seu sistema de medos. Em caso de alarme grita "deixem-nos trabalhar". Não cultiva grandezas que superem a da conta bancária recheada pela corrupção. Esta não usa na vida pública mais do que um sistema de sinais em publicidade (e nenhuma ideia). O orçamento é a única coisa em que se consegue pensar neste quadrante. Por isso, em crise, ninguém sabe o que fazer. Nem o que pensar. Contratam-se então uns tipos de quem se diz que pensam. E uns outros de quem se diz que fazem. Mas esses são sempre iguais aos outros. Ou quase iguais. (O Marcello Rebello de Sousa, por exempllo, transforma a análise política no que podia ser um artigo da Nova Gente, sendo dificil conceber mais grotesca caricatura). Esta gente torna-se então, à primeira crise, francamente perigosa. Se alguma vez deixou de o ser. As caricaturas são sempre perigosas quando pretendem que as levem a sério. A única técnica que conhecem para isso é o terror. E usam-na sem nenhuma cerimónia. Tal direita sempre a teremos, de um modo ou de outro, enquanto o sistema nacional de ensino assumir o funcionalismo como escopo da sua “pedagogia”. Esta gentalha é o salazarismo no essencial. E o salazarismo já era esta escumalha. Os professores do secundário podem imaginar-se de esquerda. Mas integram um sistema de ensino que produz salazaristas porque só faz funcionários. As disfunções que isto gerou estão à vista. As outras direitas havemos de tê-las, de um modo ou de outro, enquanto um adolescente puder entrar numa biblioteca e descobrir aí páginas deslumbrantes, sem encontrar ninguém com quem falar delas. Falará disso aos amigos e nessa medida forma-os, porque partilha o deslumbramento. Depois vão todos à procura da última gente que se pensa que pensava assim. E a estruturação começa. Com a gente de esquerda "desalinhada" não é muito diferente. Outra questão: a idade do oiro está no horizonte de todos. E no horizonte de todos a censura ao presente. O despotismo como solução de caminho para a redenção também é tema comum (com umas diferenças de terminologia e estrutura). O que os divide, claramente, é o igualitarismo e a propriedade. A esquerda pensou, sectorialmente, melhor nisso que a direita. (O papismo, bem entendido, foge do tema a sete pés, mas a Ortodoxia não). Neste sentido, a direita que não conta e a esquerda desalinhada não podem deixar de continuar a estudar. Neste sentido também, o essencial das suas posições traduzem uma vocação (em sentido etimológico). E essa é uma bela forma de marcar uma posição. A "direita que conta", como a "esquerda que conta" - em regra produto de um percurso educacional comum - também se parecem muito uma com a outra. Produzem e são produzidas por gente sob muitos aspectos repugnante. E pelos mesmos motivos.

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