Tuesday, July 26, 2011

A LOUCURA A XENOFOBIA E A C RUZADA

O homem é maluco, diz o defensor do assassino da Noruega. Provavelmente será. O crime contra a dignidade humana ali cometido (ou crime contra a humanidade, i.e. contra a dignidade do género humano) deve ser portanto tratado no plano penal pelo internamento clínico com a duração mínima da pena e podendo ser ampliado de acordo com as necessidades do tratamento. Internamento que deve correr com a declaração de interdição e nomeação correspondente de tutor estatal que, provavelmente, deveria já ser chamado ao processo e julgamento, porque, evidentemente, um louco - com esta periculosidade manifesta, a exceder todas as medidas - não deve, nem porventura pode, ser tratado como arguido, ou seja, como interlocutor lúcido em processo penal.É o que pensamos. E a megalomania do idiota aparentemente apaneleirado (tanto quanto o revela a desmedida vaidade do imbecil) teria portanto e aqui o seu desfecho adequado, na recusa de qualquer estatuto que a outro homem lúcido possa caber. Mas isto obriga-nos a rever os tresloucamentos do ideário da cruzada. Porque sempre deram assim umas coisas destas, ou parecidas. Recordamos o compreensível embaraço de José António Primo de Rivera quanto à sua jovem gente porque uns deles - com o peito cheio da ânsia de epopeia e grandeza - se largaram aos tiros a um "cortejo de rojos", matando com vileza uma rapariga que ali vinha, uma costurerinha, na euforia juvenil de quem regressava do baile em bairro operário. Eis pois o perigoso inimigo e no que a gloriosa batalha  antevista se saldou. Estas ânsias dão frequentemente em coisas destas. E também por isso são indecentes.   O ideário da cruzada é em si mesmo uma barbaridade. Ou seja coisa de bárbaros. Em sentido estricto. Nisto estamos todos de acordo, nós os cristãos (evidentemente ortodoxos que os outros  nós não sabe mos exactamente o que sejam, nem precisamos de saber, confiando, como confiamos, que Deus o sabe). Nós os cristãos (ortodoxos, claro, porque talvez não haja outros) estamos de acordo. E os muçulmanos também.  Aliás o Islão, do nosso ponto de vista (i.e. do ponto de vista da nossa opinião, que é mera opinião  e meramente nossa) é um cristianismo herético - um arianismo, em síntese, como o das testemunhas de Jeová, embora mais culto, mais relevante e infinitamente mais interessante -  e está muito mais perto de nós do que a corja papista com os seus pederastas a almejarem livrar-se da sordidez pela  pretensa "grandeza" saldada nas perseguições, saques e assassinatos a que chamam "epopeias". Isto significa que há um modelo a traduzir problema em si mesmo. Crime em si próprio. E que chamado às colagens caricaturais dos "cavaleiros templários" parecidos com o assassino de Oslo (e são muitos os que com aquilo se parecem) faz lembrar algumas páginas esquecidas do bom velho Évola. A saber, a crítica dos fascismo do ponto de vista da Direita e a crítica do nacional socialismo do ponto de vista da Direita. Os arrebatamentos de alma dos rufias, apaneleirados ou não, são rufianices e as suas caricaturais e sempre ecléticas cartilhas - sempre inconsistentes nos seus múltiplos pastiches justapostos - são lixo. Para lumpen. E o lumpen (olhem  para os funcionários da finanças, para os polícias e para o homem comum do ministério público e procurem evitar parecer-se com isso) o lumpen traduz-se sempre na vacuidade moral. Tal qual. E essa vacuidade ronda sempre a loucura. Porque também a loucura é uma vacuidade.          

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