Friday, December 23, 2011

A DURA SITUAÇÃO SÍRIA E O MAIS QUE ESTÁ A VER-SE

O atentado em Damasco traz-nos a linguagem combatente de outros lugares onde as posições estão extremadas. É dura. Tanto que, no confronto com isto, os soldados da besta otanasca se suicidam em números às vezes superiores aos das mortes em combate, ou em atentado. (Soldados de sodoma, têm os esfincteres alassados). Mas esta dureza, envolvendo as terras que são as sedes históricas dos Califados (Iraque e Síria) vai crescendo à medida que os modelos ocidentalizados de Estado vão enfraquecendo. O grande problema é que este radicalismo sunita parece-nos pouco oriental. É certamente uma posição de árabes. Mas é pouco árabe esta intransigência relativamente ao que pensam e sentem os outros. Parece-nos estranha, entre árabes, esta luta religiosa contra outras facções do Islão, ou outras religiões do Livro. Pouco árabe e pouco islâmica. Bem entendido, há roupagens religiosas que devem ser combatidas como posições políticas nefastas, sustentadas por inimigos cruéis cuja conduta os excluiu da possibilidade do perdão dos homens, senão do perdão de Deus. (Esse é o caso do execrando papismo). Mas a ruptura dos sunitas no Iraque e na Síria, com as radicalizações à vista, traduzem uma evolução rápida que, uma vez mais, ultrapassou a estratégia e conspiração americanas na região, sustentada nos rios de dinheiro (rios a secarem) e no próprio emprego de homens seus (sempre frágeis) no terreno. Os sunitas, sobretudo os radicalizados, tentarão uma guerra civil à escala da região, porque ali não há fronteiras inquestionáveis entre o Iraque, a Jordânia, a Síria, o Líbano e a Palestina. Mas isto também se estende à Arábia e aos emiratos. É a mesma (grande) gente.  E quanto a isto os Chiitas não têm discordâncias fundamentais. O problema é que as diferenças religiosas se consubstanciam em projectos políticos diversos (a reconstrução sunita do Califado é um projecto exaltante ao qual a tradição Chiita não pode deixar de opor-se em termos não menos exaltantes) e isso pode manter a região em guerra civil entre árabes durante décadas, ideia que não desagradará aos americanos e aos israelitas. Mas devia desagradar aos dirigentes sunitas, como seguramente desagradará aos chiitas. A tentativa de neutralização recíproca pela tentativa recíproca de eliminação das direcções políticas respectivas, lança a guerra ao invés de a evitar (como está a ocorrer no Iraque). Era melhor que se centrassem no inimigo comum. Os dirigentes religiosos do Irão e a Casa Real da Jordânia têm especiais responsabilidades morais quanto ao êxito da inviabilização desta sub-rogação do extermínio que se preparou e agora assume já os primeiros sinais de dinâmica própria. É preciso parar isto. Talvez a China e a Rússia ajudem. Mesmo a Europa ocidental não sobreviveria incólume a um incêndio, com estas proporções, do Mediterraneo ao Golfo Pérsico. O que está a gizar-se é perfeitamente possível. Apesar de ser impensável. É um estranho resente de Natal do sindicato dos bandidos reunidos hoje no carnaval funerário organizado a pretexto da morte de Vaclav Havel.

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