Monday, May 30, 2011

MUNDO ÁRABE & OUTRAS ONDAS DE CHOQUE

O Iémen prossegue a sua desgraçada rota de guerra civil, (outra vez) com a intervenção directa da Arábia que os sauditas conseguirão manter. Terra de prósperos comerciantes gordos não é terra de soldados. E portanto, aquela gente perdeu qualquer nervo, não tem qualquer experiência militar relevante e começa a assumir papéis para os quais carece de estruturas, de homens, de aptidão (não falando já da lucidez). A intervenção no Bahrain foi uma desgraça com rompantes de histeria perfeitamente escusada e que deixam ressentimentos inesquecíveis. O resultado prático é que todos os reis e principes árabes encontraram subitamente razões de grandes temores. Incluída a própria Arábia da casa de Saud. (Que idiotice pegada). Capões armados até aos dentes, combatem consciências. E até consciências religiosas. Está-se mesmo a ver a probabilidade de êxito... No Egipto, ensaiam (os militares ?) provocações que visam lançar a guerra interconfessional (entre vectores salafitas e os coptas), mas sem grande êxito, embora com vítimas em excesso. Os egipcios voltaram a saír à rua, sublinhando que a vontade popular não é facilmente ignorável. (Isto está lindo). Os projectos otanascas continuam a patinar na Líbia e na Síria. (Como no Iémen e no Bahrain, ainda que de modos diversos). Sem nada recuperarem na Tunísia. Na Europa ocidental, as imprensas calam-se obstinadamente quanto ao exemplo da Islândia. Mas não os manifestantes. Nas Baleares, chamaram Praça da Islândia à Praça de Espanha. Em Madrid não arredam pé. E os franceses juntam-se-lhes em Paris. A Grécia vive um clima pré-insurreccional. A Itália começa a levantar fervura.  Os balkans são uma Bomba pronta a deflagrar. A inteira Europa Oriental está pronta a cobrar o preço das suas decepções (mesmo a Polónia, pese embora o esforço de propaganda em contrário). Enquanto isso, umas ainda escassas centenas de jovens portugueses procuram acender a mesma chama no Rossio de Lisboa (e isso provavelmente lograrão, que a persistência não é apenas uma virtude, é uma virtude que funciona bem). Mas nos USA a coisa não está também especialmente estável do ponto de vista social e político. Registam-se manifestações de alcance próximo no Norte da Federação. E em Santiago do Chile já se fala em "Outono Chileno" (por causa da apropriação das águas, sob pretexto de uma rede de barragens). O mal estar é planetário. Uma onda de revoluções pode varrer o planeta a qualquer momento. Deus o permita. Bem necessárias são. Os USA imaginaram há vinte anos um sistema de rebeliões para desestabilizarem a China,  e a Rússia. Falhado o projecto, iniciaram-no nas terras de fronteira (Ucrânia, Geórgia, Ásia Central). É agora a vez deles sofrerem as rebeliões. E desta vez as rebeliões não estão a falhar. Parecem até poder passar quase todas ao estádio de revoluções. (E esse estádio está já adquirido em alguns países da América Latina).

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