Wednesday, September 14, 2011

DEMENTES FURIOSOS

WikiLeaks entregou ao KâmsâmâlskaïaPravda a correspondência reveladora dos planos de ataque ao Irão. O destinatário não podia ser melhor. É um jornal propriamente dito. Com vinte e cinco milhões de tiragem diária (esverdeiem de inveja à vontade).  Um jornal, portanto. Ora, nos elementos publicados, a grotesca inviabilidade prática dos raciocínios expendidos é gritante. Como gritante é a intenção de os levar à prática. Os detalhes também não estão certos. A ideia em cujos termos Kadafy é problema resolvido tem ainda de ser demonstrada e a evolução do Egipto, da Tunisia e do Iemen estão longe da conclusão dos respectivos intinerários e nada ali está adquirido, num sentido ou noutro. A ideia de um cerco económico ao Irão é inviável com a América Latina fora de controlo, a África renitente, a China atenta e a Rússia em (sensatíssima) oposição. Isto é portanto uma loucura perfeitamente suicidária. A ideia de um ataque militar ao Irão, também admitida, é o projecto mais radicalmente cretino que poderia formular-se. As duas sovas que os israelitas levaram no Líbano deviam ter ensinado aos USA e a Israel o valor prático do treino militar iraniano. E um acto de guerra sem declaração poderia, tão simplesmente, traduzir-se numa guerra, propriamente dita, com ataques aos territórios de todos os beligerantes por todos os beligerantes (esperamos estar a ser claros) e isso seria o óbvio fim de um mundo. Outro detalhe interessante é que estes planos abstraem dos eleitorados e das eleições nacionais, ou seja, admitem que a loucura de tais projectos seria imune a qualquer pronunciamento eleitoral em contrário e em qualquer país. Ora isso significaria que o mundo já tinha acabado. Esta gente está a precisar, portanto, de processos de interdição por anomalia psíquica que ainda seria a resposta mais adequada do Direito. Uns internamentos compulsivos de urgência também não se revelariam desajustados.

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