Friday, October 26, 2007

O VAZIO

Jardim Gonçalves não gerou o vazio despedindo Teixeira Pinto. Mas promovendo-o. (Não há modo de dizer isto com delicadeza). Nunca é prudente tomar-se uma alma servil, formá-la na escola da brutalidade desleal e elevá-la à ficção cruel da igualdade com o seu mentor. Sobretudo explorando neste percurso características de personalidade alimentadas já por terrores erguidos sobre tremendas violências sofridas. Uma vida reprimida na modéstia discreta, expande-se então e violentamente. Teatralmente. O homem gostava de partir em parada. Mesmo tendo de voltar às escondidas. Avança sobre a Roménia num alarde disparatado – não foi? - imaginando talvez que na casa Rothschild se dormia. Uma casa que se afirma águia nos ares e leão no solo – como o deixa claro a heráldica respectiva – devia ser tratada com maior cautela. E o assessor da operação foi preso, subitamente. Claro. E o agente na comissão decisora foi demitido. Evidentemente. E a imprensa portuguesa bem calada quanto a isto. (Não foi assim? Calou-se por ser ridícula, ou calaram-na por ser ridícula?). Depois foi a parada da partida à conquista do BPI. E por fim, a parada à conquista da posição do mentor. Mas o pupilo foi imaginado à imagem do mentor (e tanto pelo pupilo, como pelo mentor). Eis pois a ilustração das realizações máximas da proscrição da liberdade de espírito e da autenticidade. “O diabo tece-as”, dizia Salgado do BES. Concedido. Mas tece-as – boa parte das vezes - usando o pretensiosismo dos pretensiosos e a estupidez dos estúpidos.

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